O futuro de Floripa

Você já teve a sensação de ter sido copiado por antecipação? Você tem aquela idéia genial, que um dia você certamente vai transformar em realidade, mas fica se enrolando, entretido com os afazeres do cotidiano, e aí vem alguém mais competente (ou menos acomodado) que você e a executa?

Pois é, foi essa a sensação que eu tive ao assitir ao vídeo “Floripa invadida”, de Marcelo Gevaerd. Simplesmente genial! Simples, mas mesmo assim vai fundo na ideologia do “desenvolvimentismo” que assola nossa ilha, sempre recheado de falácias.

O lema do progresso normalmente esconde sua verdadeira intenção, que é a do desenvolvimento econômico (de poucos) a qualquer preço, sem se importar com os sacrifícios que tenham que ser feitos. Principalmente porque esses sacrifícios são feitos justamente por aqueles que menos se beneficiam com os empreendimentos aprovados a toque de caixa e construídos sobre áreas ambientalmente frágeis ou de interesse histórico. São os pescadores que têm seus barracões arrastados duzentos metros para longe do mar para que sejam construídas imensas vias rápidas, as rendeiras que têm que ceder seus espaços para os restaurantes que atendem aos turistas 3 meses por ano, os frequentadores das praias que acabam tendo sua liberdade cerceada por grandes hotéis que se julgam donos das praias, e assim por diante.

Os comentários revelam um outro aspecto preocupante, no entanto: a xenofobia crescente aqui na ilha. Muitas das novas mazelas enfrentadas em Floripa são atribuídas aos “forasteiros” o que, na minha opinião, não é justo. Muito do que é feito e decidido aqui em prol do desenvolvimento a qualquer custo não é obra de forasteiros, e sim dos próprios ilhéus. A questão, entretanto, não é atribuir culpas nem julgar quem está certo ou errado em termos de quem é ou não da ilha. A questão é, no meu entender, bem mais ampla e está relacionada à subsitutuição de um modelo depredatório da natureza e de destruição relações sociais de integração e convívio harmonioso, por um modelo capaz de aliar desenvolvimento (verdadeiro) com justiça social e preservação ambiental.

Esse sim é o caminho que deve ser trilhado e, temos que reconhecer, é bem mais complexo do que simplesmente atribuir a culpa a quem vem de fora. Esses que Vêm de fora, ao contrário, podem ser importantes aliados nessa modificação de mentalidade. É pagar pra ver.

5 thoughts on “O futuro de Floripa

  1. Clélia Arisio Juckowsky says:

    Renato.Estou cursando a Maestria em Desenvolvimento Sustentável (FLACAM em La Plata/Arg) e o meu tema para tese é desenvolver padrões de Operações Urbanas Consorciadas para o novo Plano Diretor de Florianópolis.Estava lendo sobre a matéria OUC que escrevestes e fiquei pensando quem seria aquele autor? Bem, para minha agradável surpresa vi que eras de FLORIPA, pelo menos é o que parece. Pois eu não sou daqui, sou forasteira! Moro há 5 anos aqui, sou gaucha, arquiteta,urbanista e advogada e sobretudo, quero contribuir para que esta joia preciosa de cidade tenha um futuro sustentável, com justiça social e uma preservação da natureza aliada com o desenvolvimento das pessoas, não da especulação.Quero uma cidade bonita e saudável, por isto a escolhi para minha tese e para minha vida.
    Assim que: mãos a obra, temos muito que fazer!

  2. Alexandre Balthazar says:

    Este pequeno vídeo é excelente para promover uma sensibilização e conscientização, pois cutuca, provoca, chama atenção. A questão é: hoje, julho de 2009, como está a política urbana em Floripa? Saí da UFSC em 1994, tenho acompanhado muito a distância e não tenho informações do quanto o poder público foi apropriado do interesse privado (imobiliário). Faltam dados até para replicarmos..

    1. Renato Saboya says:

      Acredito que esteja cada vez pior, infelizmente… A moeda verde está aí para confirmar isso, apesar de nenhum dos envolvidos ter sido devidamente punido até agora.

  3. Jana says:

    Olá Renato 😀 Sou estudante de arquitetura, e estou desesperadamente procurando um estudo de caso que trate de um projeto habitacional de desocupação de áreas irregulares, com foco em proteção ambiental. Venho procurando em vários sites e até agora não achei nada que possa ser utilizado na proposta de trabalho. Gostaria de saber se você poderia me indicar algum site ou algum projeto nesse sentido.
    Muito obrigada!

    1. Renato Saboya says:

      Olá!
      infelizmente não conheço, mas vou ficar atento e, caso encontre alguma coisa, te aviso por aqui.

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