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	<title>Urbanidades &#187; participação popular</title>
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	<description>Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</description>
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		<title>No meu quintal, não!</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 17:31:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Saboya</dc:creator>
				<category><![CDATA[participação popular]]></category>
		<category><![CDATA[zoneamento]]></category>
		<category><![CDATA[nimby]]></category>
		<category><![CDATA[segregação urbana]]></category>

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		<description><![CDATA[Em mais uma clara manifestação do NIMBY atacando nossas cidades, moradores de um bairro de São Paulo são contra a instalação de um abrigo para moradores de rua.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais uma clara manifestação do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/NIMBY" target="_blank">NIMBY </a>atacando nossas cidades. Fonte: <a href="http://raquelrolnik.wordpress.com/" target="_blank">Blog da Raquel Rolnik</a>.</p>
<blockquote>
<h2><a href="http://raquelrolnik.wordpress.com/2011/10/14/agora-e-em-pinheiros-que-nao-querem-gente-diferenciada/" rel="external" target="_blank">Agora é em Pinheiros que não querem “gente diferenciada”?</a></h2>
<p>Hoje de manhã ouvi uma notícia na CBN que me chamou a atenção. Um grupo de moradores e comerciantes de Pinheiros recolheu mil e duzentas assinaturas num abaixo-assinado contra a instalação de um albergue para moradores de rua na região e encaminhou o documento para o Ministério Público.<span id="more-992"></span></p>
<p>Na verdade, o albergue já existe, apenas será transferido. Hoje ele funciona na altura do número 3ooo da Rua Cardeal Arcoverde, com capacidade para 80 pessoas. Em dezembro ele será transferido para um novo endereço, na mesma rua, só que 1km pra cima, e poderá abrigar até 120 pessoas.</p>
<p>O mais interessante é que o abaixo-assinado foi parar nas mãos do promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes, que não só indeferiu o pedido dos moradores e comerciantes de Pinheiros como também encaminhou o caso para a delegacia especializada em crimes raciais e delitos de intolerância.</p>
<p>Segundo declarações do promotor à CBN, as observações feitas pelo grupo eram “completamente vazias de qualquer sentido”. Ele conta ainda que, no documento, essas pessoas chegaram ao absurdo de dizer que os cachorros dos moradores de rua iriam atacá-las. Mas como bem lembrou o promotor, a classe média também tem cachorros e “nao é morador de rua que tem pitbull”.</p>
<p><em>Ouça a notícia <a href="http://cbn.globoradio.globo.com/editorias/pais/2011/10/14/SINDICOS-QUE-TENTARAM-IMPEDIR-ALBERGUE-EM-AREA-NOBRE-DE-SP-PODEM-SER-PROCESSADOS.htm" target="_blank">no site da CBN</a>.</em></p>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
<p>Parabéns para o promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes.</p>
Veja também:<ul><li><a href="http://urbanidades.arq.br/2010/05/pronto-para-voto-plano-diretor-secreto-deve-beneficiar-mercado-imobiliario/" rel="bookmark" title="28 de maio de 2010">Pronto para voto, Plano Diretor &ldquo;secreto&rdquo; deve beneficiar mercado imobili&aacute;rio</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2010/09/coletnea-de-legislao-urbanstica/" rel="bookmark" title="17 de setembro de 2010">Colet&acirc;nea de Legisla&ccedil;&atilde;o Urban&iacute;stica</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/06/gestao-democraetica-ou-democracia-maquiada/" rel="bookmark" title="23 de junho de 2008">Gestão democrática ou democracia maquiada?</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2009/07/christopher-alexander-a-cidade-nao-e-uma-arvore/" rel="bookmark" title="27 de julho de 2009">Christopher Alexander &#8211; A cidade não é uma árvore</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2010/03/ministrio-pblico-no-combate-construo-desenfreada/" rel="bookmark" title="2 de março de 2010">Minist&eacute;rio p&uacute;blico no combate &agrave; constru&ccedil;&atilde;o desenfreada</a></li>
</ul><!-- Similar Posts took 82.452 ms -->]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O Cadastro T&#233;cnico Multifinalit&#225;rio (CTM) no Planejamento Urbano</title>
		<link>http://urbanidades.arq.br/2010/11/o-cadastro-tecnico-multifinalitario-ctm-no-planejamento-urbano/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=o-cadastro-tecnico-multifinalitario-ctm-no-planejamento-urbano</link>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2010 13:20:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Saboya</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estatuto da Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[instrumentos urbanísticos]]></category>
		<category><![CDATA[participação popular]]></category>
		<category><![CDATA[cadastro técnico multifinalitário]]></category>

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		<description><![CDATA[Continuando o post anterior, que deu uma introdução ao cadastro técnico multifinalitário, este post explora algumas possibilidades de utilização do CTM no planejamento urbano.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Continuando o post anterior, que deu uma introdução ao <a title="cadastro técnico multifinalitário" href="http://urbanidades.arq.br/2010/10/cadastro-tecnico-multifinalitario/" target="_blank">cadastro técnico multifinalitário</a>, este post explora algumas possibilidades de utilização do CTM no planejamento urbano.</p>
<p>Não é difícil imaginar que um cadastro técnico bem estruturado seria uma ferramenta muito poderosa na realização de análises urbanas com vistas ao planejamento municipal. Na elaboração de um plano diretor, por exemplo, desde a etapa inicial de identificação dos objetivos preliminares até a elaboração do projeto de lei, esses dados podem ser amplamente utilizados pelos planejadores e até mesmo pela população para obter conhecimento sobre o território e sobre as condições socioeconômicas do município.</p>
<p>O cadastro pode ser considerado como um modelo descritivo do sistema urbano, e esse tipo de modelo está embutido nos modelos explanatórios e preditivos (ou de simulação). Portanto, o cadastro pode ser considerado a base para muitos modelos, a primeira estrutura sobre a qual o entendimento do sistema irá se apoiar.</p>
<p>Especificamente com relação à descrição do sistema, a importância do CTM reside:</p>
<ol>
<li>na flexibilidade que o cadastro oferece para a escolha da unidade de análise, desde a parcela até unidades consideravelmente maiores, como as zonas de tráfego, por exemplo (através da agregação de dados);</li>
<li>na facilidade de estabelecer relações e vínculos entre diferentes entidades espaciais utilizando ferramentas próprias dos SIGs;</li>
<li>no fato de que, sendo um modelo descritivo, precisa ser muito bem estruturado para não inviabilizar ou impossibilitar análises posteriores.</li>
</ol>
<p>A disponibilidade de dados desagregados ao nível da parcela, oferecida pelo CTM, representa uma importante contribuição ao planejamento urbano, porque os dados em micro-escala (em oposição aos dados agregados em zonas, tais como os setores censitários ou bairros, por exemplo) constantes no cadastro possibilitam modelar os processos urbanos com maior resolução, aumentando a capacidade de identificação e análise dos padrões atuais de uso do solo, mudanças econômicas, demográficas, etc.</p>
<div class="olhos">O CTM é um modelo descritivo potencialmente valioso para o planejamento urbano.</div>
<p>Por outro lado, a desagregação ao nível da parcela não exclui a possibilidade de análises em macro-escala. Ao contrário, garante flexibilidade na escolha da escala de planejamento. Assim, quando necessário, o cadastro permite realizar a agregação dos dados em unidades de análise maiores (bairros, setores censitários), quando o modelo e a unidade territorial adotados assim o demandarem. Com uma vantagem adicional: se a atualização da base cadastral for feita adequadamente, os dados em unidades maiores também serão automaticamente atualizados, o que não acontece normalmente com os dados existentes nessas escalas, que utilizam levantamentos realizados em períodos determinados (como é o caso do Censo do IBGE, por exemplo, que é realizado a cada dez anos).</p>
<p>Outra forma de operacionalizar os modelos de análise urbana é através de indicadores, que podem ser obtidos através das informações contidas nos cadastros. Alguns exemplos de indicadores são (ONU, 2001):</p>
<ul>
<li>porcentagem de população com instalações sanitárias;</li>
<li>porcentagem de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza;</li>
<li>área construída por pessoa;</li>
<li>número de crimes por 100.000 habitantes.</li>
</ul>
<p>Com um cadastro adequado, todas essas medidas podem ser obtidas com certa facilidade. Além disso, o uso do cadastro também possibilita grande flexibilidade para o cálculo dos indicadores devido à possibilidade de escolher a unidade espacial mais adequada aos objetivos da análise.</p>
<h2>O CTM e a democratização do acesso às informações urbanas</h2>
<p>Quem trabalha com estudos urbanos, especialmente nas universidades, certamente já teve problemas em ter acesso às bases de dados das prefeituras. Apesar de serem feitos com dinheiro público, dificilmente esses levantamentos são disponibilizados aos interessados.</p>
<p>Obviamente, é preciso haver um cuidado nessa disponibilização, uma vez que o cadastro contém informações sensíveis que não podem ser divulgadas a qualquer um, tais como CPF e dados sobre a renda. Entretanto, mesmo para outros tipos de informações mais prosaicas, tais como o mapa em si e os atributos de uso do solo, gabaritos e área construída, a má-vontade em disponibilizá-los é visível.</p>
<p>Entretanto, para que haja uma real democratização dos processos decisórios relativos às políticas públicas, é preciso haver igualdade de oportunidade na geração de conhecimento sobre o sistema urbano, para que todos os atores e setores da sociedade tenham iguais oportunidades no momento da negociação e consenso de propostas. Caso o Poder Público monopolize os dados e a possibilidade de realizar análises, eles sempre estarão em situação de vantagem em relação aos outros atores.</p>
<p>Com a proliferação de ferramentas de manipulação dessas informações, especialmente através da Internet, abre-se um vasto campo com potencial para transformar os dados do cadastro em informação pública (respeitadas, obviamente, como já comentamos, as restrições legais que garantem a privacidade dos indivíduos). Com isso, cresce a possibilidade da sociedade de participar dos processos decisórios de uma maneira mais qualificada, com base em informações precisas e atualizadas.</p>
<h2>O CTM e a justiça social</h2>
<p>Além disso, o CTM pode atuar como instrumento de justiça social (LOCH, 2005), contribuindo para diminuir as desigualdades sócio-espaciais. Nesse sentido, Marcelo Lopes de Souza argumenta que</p>
<blockquote><p>[...] sem cadastros e plantas de valores atualizados, não apenas a arrecadação com o IPTU [...] há de ser comprometida, mas a aplicação de vários outros instrumentos há de ser, também, prejudicada, comprometendo objetivos mais ambiciosos em matéria de um planejamento e de uma gestão eficiente e progressista. (SOUZA, 2003, p. 306).</p></blockquote>
<p>O CTM pode auxiliar a busca por maior justiça social através de duas vias principais: a primeira delas é fornecendo análises sobre o sistema urbano que permitam identificar os locais e as formas pelas quais tais desigualdades se manifestam. Nesse sentido, o cadastro pode ser utilizado, por exemplo, para:</p>
<ul>
<li>elaboração da planta genérica de valores, que servirá como base para uma maior justiça na cobrança de impostos territoriais (LOCH, 2005) e para um maior entendimento sobre a distribuição dos valores do solo, necessário para a definição dos instrumentos adequados de indução do desenvolvimento urbano;</li>
<li>identificação das propriedades que não cumprem sua função social, mostrando por exemplo aquelas áreas com alto índice de imóveis vazios ou subutilizados;</li>
<li>identificação de áreas segregadas e/ou de interesse social para o município, cruzando dados espaciais (como a acessibilidade) com dados socioeconômicos (nível de renda e alfabetização);</li>
<li>avaliação do nível de atendimento e cobertura de equipamentos urbanos e comunitários, através de buffers ou até mesmo através de modelos mais elaborados de análise;</li>
<li>identificação de locais com baixa porcentagem de áreas verdes (LOCH, 2005).</li>
</ul>
<h2>O CTM e os instrumentos do Estatuto da Cidade</h2>
<p>Outra via pela qual o CTM pode ajudar a atingir esse objetivo de maior justiça social é através da operacionalização dos mecanismos de gestão necessários para a implementação dos instrumentos do desenvolvimento urbano, notadamente aqueles instituídos pelo Estatuto da Cidade. A outorga onerosa, por exemplo, exige um sistema de informações que seja capaz de monitorar os estoques construídos e prover informações aos planejadores sobre a melhor maneira de distribuir os potenciais construtivos. Sem um CTM devidamente estruturado, a utilização desse instrumento é praticamente inviabilizada.</p>
<div class="olhos">Vários instrumentos do Estatuto da Cidade podem ser viabilizados pelo uso correto do CTM, contribuindo para uma maior justiça social.</div>
<p>A contribuição de melhoria também depende do CTM, uma vez que precisa estar embasada em uma planta genérica de valores para poder ser justificada perante os cidadãos. O estudo de impacto de vizinhança (EIV) também pode se beneficiar do CTM na definição da área de influência do empreendimento, bem como na avaliação dos impactos alimentando modelos de simulação urbana.</p>
<p>O Direito de Superfície  e a Transferência do Direito de Construir são outros instrumentos que dependem de um bom cadastro para funcionar adequadamente, fazendo a conexão entre os dados utilizados pela prefeitura e o registro de imóveis. É importante que os direitos de construção cedidos possam ser fiscalizados pela prefeitura e que também constem dos registros de propriedade, para minimizar a ocorrências de vendas fraudulentas. Estas poderiam acontecer caso as restrições impostas não fiquem registradas na aescritura do imóvel, levando o comprador a acreditar que está pagando por um imóvel com seu potencial construtivo pleno.</p>
<h2>Referências bibliográficas</h2>
<p>LOCH, Carlos. Cadastro técnico multifinalitário: instrumento de política fiscal e urbana. In: ERBA, Diego Alfonso; OLIVEIRA, Fabrício Leal; LIMA JUNIOR, Pedro (org.) <strong>Cadastro multifinalitário como instrumento de política fiscal e urbana</strong>. Rio de Janeiro: 2005. p. 71 &#8211; 99.</p>
<p>SOUZA, Marcelo Lopes. <strong>Mudar a cidade: uma introdução crítica ao planejamento e à gestão urbanos</strong>. 2 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.</p>
Veja também:<ul><li><a href="http://urbanidades.arq.br/2010/10/cadastro-tecnico-multifinalitario/" rel="bookmark" title="15 de outubro de 2010">Cadastro T&eacute;cnico Multifinalit&aacute;rio</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2007/02/lei-do-saneamento-bsico/" rel="bookmark" title="24 de fevereiro de 2007">Lei do Saneamento B&aacute;sico</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2007/05/assim-fica-difcil-trabalhar/" rel="bookmark" title="22 de maio de 2007">Assim fica dif&iacute;cil trabalhar!</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/03/o-surgimento-do-planejamento-urbano/" rel="bookmark" title="3 de março de 2008">O surgimento do planejamento urbano</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2007/10/curso-de-recuperao-de-mais-valia/" rel="bookmark" title="2 de outubro de 2007">Curso de recupera&ccedil;&atilde;o de mais-valia</a></li>
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		</item>
		<item>
		<title>Condições básicas para a obtenção de consenso</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 19:17:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Saboya</dc:creator>
				<category><![CDATA[participação popular]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento urbano]]></category>
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		<category><![CDATA[planejamento comunicativo]]></category>
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		<description><![CDATA[Em um artigo muito interessante, Judith Innes (2004) rebate algumas críticas feitas à busca pelo consenso como forma de deliberação em questões relacionadas ao desenvolvimento urbano e ambiental. Segundo ela, essas críticas, na maioria das vezes, focam aplicações malfeitas da busca pelo consenso, e não os aspectos teóricos da questão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/08/parliamentfightphotonotturnbullrudd.jpg"><img style="display: inline; border: 0px;" title="parliament-fight-photo-not-turnbull-rudd" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/08/parliamentfightphotonotturnbullrudd_thumb.jpg" border="0" alt="parliament-fight-photo-not-turnbull-rudd" width="500" height="376" /></a><br />
Fonte da imagem: <a href="http://www.domeontherange.org/2010/07/pompeo-and-hartman-duke-it-out.html" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>Em um artigo muito interessante, Judith Innes (2004) rebate algumas críticas feitas à busca pelo consenso como forma de deliberação em questões relacionadas ao desenvolvimento urbano e ambiental. Segundo ela, essas críticas, na maioria das vezes, focam aplicações malfeitas da busca pelo consenso, e não os aspectos teóricos da questão, ou seja, o que o estudo e a pesquisa teórica identificam como sendo necessários para que o consenso seja legítimo.</p>
<p>Segundo elas, essas condições são:</p>
<ol>
<li>Inclusão de uma gama completa de interessados (stakeholders);</li>
<li>Uma tarefa que seja significativa para os participantes e que tenha a perspectiva de impactá-los dentro de um prazo razoável (isso vai de acordo a algumas preocupações levantadas pelo Prof. Villaça, para quem a comunidade não participa de processos participativos quando não vê seus reais interesses sendo discutidos);</li>
<li>A possibilidade de os participantes fazerem as suas próprias regras no que diz respeito ao comportamento, definição de pauta, modos de deliberação, etc.</li>
<li>Um processo que comece pelo entendimento mútuo dos interesses envolvidos e evite a barganha de posições (o que tem ligação com o livro de <a title="Ury &amp; Fisher" href="http://urbanidades.arq.br/2007/02/decises-em-planejamento/" target="_blank">Ury &amp; Fisher</a>, já comentado rapidamente aqui no Urbanidades);</li>
<li>Um diálogo em que todos são ouvidos e respeitados, e no qual haja todos tenham a mesma possibilidade de participar;</li>
<li>Um processo auto-organizado em que não haja pressões relativas ao tempo gasto ou ao conteúdo abordado, e que permita que o status quo e as premissas adotadas sejam questionados;</li>
<li>Informação acessível e compartilhada entre os participantes;</li>
<li>Entendimento de que o consenso só é alcançado quando todos os interesses foram explorados e todos os esforços foram feitos no sentido de satisfazer esses interesses.</li>
</ol>
<p>Não é pouca coisa. E no seu Município, você acha que as regras para o consenso foram/estão sendo seguidas? <a title="PD Florianópolis" href="http://urbanidades.arq.br/2010/04/pd-florianopolis-cronica-de-uma-morte-anunciada/" target="_blank">Aqui em Florianópolis</a> é fácil chegar a uma conclusão.</p>
<h3>Referência bibliográfica:</h3>
<p>INNES, Judith. Consensus building: clarifications for the critics. <strong>Planning Theory</strong>, v. 3, n. 1, p. 5 -20, 2004.</p>
Veja também:<ul><li><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/01/guia-do-facilitador-no-planejamento-participativo/" rel="bookmark" title="28 de janeiro de 2008">Guia do facilitador no planejamento participativo</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2011/01/stf-julgara-obrigatoriedade-de-plano-diretor/" rel="bookmark" title="30 de janeiro de 2011">STF julgará obrigatoriedade de plano diretor</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2009/12/motivos-para-comemoracao/" rel="bookmark" title="17 de dezembro de 2009">Motivos para comemoração</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2007/07/problemas-capciosos/" rel="bookmark" title="11 de julho de 2007">Problemas &#8220;capciosos&#8221;</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2007/02/decises-em-planejamento/" rel="bookmark" title="11 de fevereiro de 2007">Decisões em planejamento</a></li>
</ul><!-- Similar Posts took 20.045 ms -->]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>PD Florian&#243;polis: cr&#244;nica de uma morte anunciada</title>
		<link>http://urbanidades.arq.br/2010/04/pd-florianopolis-cronica-de-uma-morte-anunciada/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=pd-florianopolis-cronica-de-uma-morte-anunciada</link>
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		<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 02:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Saboya</dc:creator>
				<category><![CDATA[participação popular]]></category>
		<category><![CDATA[planos diretores]]></category>
		<category><![CDATA[Florianópolis]]></category>
		<category><![CDATA[gestão democrática]]></category>
		<category><![CDATA[ultrajes urbanos]]></category>

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		<description><![CDATA[O Plano Diretor de Florianópolis está agonizando, antes mesmo de ser elaborado. O último mês provou que Florianópolis ainda é capaz de resistir às arbitrariedades do Poder Público e lutar por um processo participativo e democrático na elaboração do seu plano diretor. Com protestos fervorosos, conseguiu impedir a “apresentação” de um plano ilegítimo, feito sem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Plano Diretor de Florianópolis está agonizando, antes mesmo de ser elaborado. O último mês provou que Florianópolis ainda é capaz de resistir às arbitrariedades do Poder Público e lutar por um processo participativo e democrático na elaboração do seu plano diretor. Com protestos fervorosos, conseguiu impedir a “apresentação” de um plano ilegítimo, feito sem participação popular, e adiar a entrega à Câmara, ganhando mais tempo para tentar reverter o processo.</p>
<p>Esse quadro já se desenhava, entretanto, há algum tempo. Este post é uma tentativa de sistematizar alguns aspectos do processo dividindo-o em quatro grandes fases, buscando esclarecer as condições que levaram a essa morte, desde há muito já anunciada.</p>
<p><span id="more-588"></span></p>
<h3>Fase 1: participação e desorganização</h3>
<p><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/04/ng_distritos.jpg"><img class="alignright" style="display: inline; border-width: 0px;" title="ng_distritos" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/04/ng_distritos_thumb.jpg" border="0" alt="ng_distritos" width="300" height="235" /></a>O  início da elaboração do plano aconteceu em meados de 2006 (!) e, apesar de uma flagrante falta de metodologia e organização para os trabalhos, mostrou-se promissora, especialmente em comparação com as experiências pregressas. O Núcleo Gestor foi definido em audiência pública, sendo que a composição final aprovada foi uma proposta proveniente dos movimentos sociais e aprovada por votação de todos os presentes, incorporando ao NG os representantes de cada um dos 13 distritos do Município.</p>
<p>Seguiu-se um período de intensa participação, tanto nas reuniões no NG quanto nas audiências distritais com vistas a eleger os representantes de cada distrito no NG. As discussões foram muito limitadas nesses eventos, com os participantes discorrendo sobre os mais diversos assuntos, mas proporcionou um bom momento para uma primeira aproximação aos problemas e às realidades específicas das diversas partes do Município. Serviu também como um aquecimento e uma espécia de mobilização e conscientização sobre o Plano Diretor.</p>
<p>Foi durante essa fase também que começaram os conflitos. A audiência dos Ingleses quase acabou em violência, e os representantes do Centro e do Pântano do Sul tiveram sua legitimidade contestada pelos candidatos derrotados. Eram os atores políticos lutando para ocuparem os espaços de decisão e, assim, poderem defender seus pontos de vistas e interesses e, teoricamente, também os interesse das comunidades que estavam representando.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/04/ad_08_rio_vermelho_2006_12_0606_1.jpg"><img style="display: inline; border-width: 0px;" title="ad_08_rio_vermelho_2006_12_06-06_1" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/04/ad_08_rio_vermelho_2006_12_0606_1_thumb.jpg" border="0" alt="ad_08_rio_vermelho_2006_12_06-06_1" width="500" height="375" /></a><br />
Audiência distrital no Rio Vermelho – Dezembro/2006</p>
<p>Nos bastidores, era visível a dificuldade do Ipuf em conduzir o processo, seja pela falta de experiência em processos participativos, pela carência de pessoal, ou ainda pela baixa prioridade atribuída ao plano pelo Poder Executivo. Nenhuma metodologia compreendendo todo o processo foi apresentada para discussões no NG por um bom tempo, o que causou ansiedade e muito desperdício de tempo e energia. As poucas tentativas de estabelecer tal metodologia foram tímidas e não tiveram continuidade, no sentido de não terem sido devidamente discutidas no NG e, assim, não terem sido consolidadas como um “plano” a ser seguido para a elaboração do plano diretor.</p>
<p>Por outro lado, os componentes do NG também não contribuíram para a eficiência no processo. Na ânsia de ver atendidas suas reinvindicações, muitas vezes “represadas” por muitos anos, mais e mais demandas eram trazidas para o âmbito do NG, demandas essas que na maioria das vezes não eram atribuição dessa instância. Com isso, a definição da metodologia do processo e o regimento geral da elaboração do PD, a ser aprovado em lei, que deveriam ser a principal prioridade número, foram negligenciados. Horas e horas de reunião foram desperdiçadas em debates que pouco ou nada contribuíram para a evolução do plano.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/04/reuniao_ng_2006_11_2103.jpg"><img style="display: inline; border-width: 0px;" title="reuniao_ng_2006_11_21 - 03" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/04/reuniao_ng_2006_11_2103_thumb.jpg" border="0" alt="reuniao_ng_2006_11_21 - 03" width="500" height="375" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/04/DSC04144.jpg"><img style="display: inline; border-width: 0px;" title="DSC04144" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/04/DSC04144_thumb.jpg" border="0" alt="DSC04144" width="500" height="375" /></a><span class="legendas"><br />
Reuniões improdutivas do Núcleo Gestor: responsabilidade conjunta dos membros do NG e da (falta de) condução da Prefeitura.</span></p>
<p><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/04/leitura_tecnica_capa.jpg"><img style="display: inline; margin: 0px 0px 0px 10px; border-width: 0px;" title="leitura_tecnica_capa" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/04/leitura_tecnica_capa_thumb.jpg" border="0" alt="leitura_tecnica_capa" width="169" height="240" align="right" /></a> Os anos de 2007 e 2008 transcorreram dessa forma, com pouca produtividade mas com níveis relativamente altos de participação. Diversos segmentos da sociedade promoveram debates e seminários para discutir propostas para o Município, dentre os quais podem ser citadas as iniciativas do IAB-SC, da UFSC e o Floripa Real, realizado pelos movimentos sociais. A Leitura Comunitária foi realizada nos distritos, que se reuniram inicialmente de forma autônoma para discutirem seus problemas e suas demandas, bem como para obter consenso quanto às propostas a serem defendidas para o Distrito. Posteriormente, o Ipuf promoveu audiências em cada um dos distritos para que essas diretrizes fossem oficializadas. Essas diretrizes são a principal fonte dos conflitos das fases posteriores (chamadas aqui de fases 3 e 4).</p>
<p>Ainda em 2008, uma leitura técnica foi discretamente anunciada. Nenhuma audiência foi realizada para divulgá-la nem para discuti-la. Além disso, ela estava visivelmente incompleta, faltando, por exemplo, o levantamento das áreas de proteção ambiental do Município. O documento foi disponibilizado mas o site do plano foi retirado do ar e só em final de 2009 voltou a operar. Ainda assim, esse documento da leitura não foi disponibilizado novamente. Chega a ser intrigante a falta de menção a esse documento por parte da Prefeitura e da equipe técnica contratada para  concluir o plano.</p>
<h3>Fase 2: rompimento</h3>
<p>No início de 2009, após a posse do prefeito reeleito, este decidiu romper totalmente com a participação popular no plano diretor, sendo que a ação mais incisiva nesse sentido foi a dissolução do Núcleo Gestor, mesmo este sendo a instância responsável pela coordenação do processo. É preciso compreender a radicalidade dessa ação e sua importância para o completo descarrilamento do plano diretor de Florianópolis. O Estatuto da Cidade diz, no seu artigo 2o:</p>
<blockquote><p>Art. 2º A política urbana tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana, mediante as seguintes diretrizes gerais:</p>
<p>[...]</p>
<p>II &#8211; gestão democrática por meio da participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade na formulação, execução e acompanhamento de planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano; (Lei 10.257/2001)</p></blockquote>
<p>Fica claro que a participação da população deve acontecer em todas as etapas da elaboração de todos os instrumentos (planos, programas e projetos) de desenvolvimento urbano. Já a Resolução 25 diz o seguinte:</p>
<blockquote><p>Art. 3º O processo de elaboração, implementação e execução do Plano diretor deve ser participativo, nos termos do art. 40, § 4º e do art. 43 do Estatuto da Cidade.</p>
<p>§1º <span style="text-decoration: underline;">A coordenação do processo participativo de elaboração do Plano Diretor deve ser compartilhada</span>, por meio da efetiva participação de poder público e da sociedade civil, em <span style="text-decoration: underline;">todas as etapas do processo</span>, desde a elaboração até a <span style="text-decoration: underline;">definição dos mecanismos para a tomada de decisões</span>. (Resolução 25/2005 – Concidades – grifo nosso)</p></blockquote>
<p>Portanto, dissolver o Núcleo Gestor foi uma ação arbitrária e que ataca frontalmente o princípio da gestão democrática garantido pelo Estatuto da Cidade. Mais que isso, representou um profundo rompimento com todas as pessoas que, de uma forma ou de outra, tinham dedicado seu tempo e energia à elaboração do plano até então. O mínimo de confiança e de espírito de cooperação que havia sido construído durante esses dois anos e meio foram violentamente interrompidos.</p>
<div class="olhos">O principal e mais grave acontecimento da fase de rompimento foi a dissolução do Núcleo gestor.</div>
<p>Segundo a Prefeitura, o plano entrou em uma fase “técnica”, onde os estudos e a proposta seriam confeccionados por uma consultoria argentina (Fundación CEPA), como se a parte “técnica” não precisasse de nenhum controle social e, portanto, a participação pudesse ser suspensa nessa fase. Curiosamente, a leitura técnica já havia sido disponibilizada ainda em 2008, conforme já citado, então não ficou claro qual é exatamente a parte técnica a ser executada. Sabemos que uma proposta de diretrizes não pode ser resolvida em bases puramente técnicas, uma vez que deve, necessariamente, levar em consideração os valores da sociedade. Esses valores não podem ser determinados tecnicamente, e a Leitura Comunitária foi apenas um primeiro passo na direção de identificar esses valores.</p>
<p>Entretanto, toda proposta de diretrizes para o desenvolvimento urbano envolve o enfrentamento e a resolução de valores conflitantes, como é o caso, por exemplo, das ocupações de baixa renda em áreas de proteção ambiental. Ao mesmo tempo em que é desejável a não remoção das pessoas que ali moram (e que o fizeram porque não tiveram outra alternativa), também é desejável a proteção à vegetação e às dunas ocupadas. Tal conflito de valores não pode ser resolvido tecnicamente, uma vez que é praticamente impossível atingir soluções técnicas que respondam a todos os objetivos.</p>
<p>Por isso, é preciso haver uma pactuação entre os diversos atores, no sentido de consensuar quais serão os valores priorizados, e em quais termos, e isso só é possível mediante a participação da sociedade. Entretanto, nesse período, que durou até a segunda metade de 2009, houve pouca movimentação em termos de audiências e eventos participativos.</p>
<h3>Fase 3: pseudoparticipação e pseudotecnicismo</h3>
<p>Em Novembro de 2009, a prefeitura retomou o processo com uma audiência pública que tinha como objetivo divulgar as diretrizes do plano diretor, que teoricamente seriam a junção das diretrizes comunitárias com as diretrizes técnicas. A Leitura Técnica original, de 2008, continuou sem divulgação. Tampouco foi explicada a metodologia utilizada para conciliar as visões técnica e comunitária.</p>
<p>O resultado foi um conjunto de 33 macrodiretrizes que deveriam guiar a elaboração do plano, supostamente derivadas de 3240 sugestões oriundas da leitura comunitária e, aparentemente, da leitura técnica.</p>
<p>A seguir, foram realizadas 3 oficinas, de 3 dias cada uma, com o objetivo de “discutir” a proposta elaborada pela Fundação CEPA. Os temas “discutidos” (sempre entre aspas) foram:</p>
<ol>
<li>modelo espacial do plano diretor;</li>
<li>macrozoneamento ;</li>
<li>microzoneamento.</li>
</ol>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/04/macro_pdp_01.jpg"><img style="display: inline; border-width: 0px;" title="macro_pdp_01" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/04/macro_pdp_01_thumb.jpg" border="0" alt="macro_pdp_01" width="500" height="375" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/04/macro_pdp_02.jpg"><img style="display: inline; border-width: 0px;" title="macro_pdp_02" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/04/macro_pdp_02_thumb.jpg" border="0" alt="macro_pdp_02" width="500" height="375" /></a><br />
<span class="legendas">Oficinas de discussão (e nenhuma deliberação) do macrozoneamento.</span></p>
<p>Tais oficinas foram marcadas por uma <strong>pseudoparticipação</strong> e um <strong>pseudotecnicismo</strong>.</p>
<div class="olhos">A grande preocupação se concretizou: tentaram instalar uma democracia de fachada.</div>
<p><strong>Pseudoparticipação</strong> porque as propostas foram unicamente apresentadas à população, com possibilidade dos presentes apenas opinarem sobre o que estavam vendo. Nenhuma das sugestões foi discutida nem deliberada em conjunto. Os técnicos no máximo rebatiam um ou outro argumento com colocações imprecisas, e não havia nenhum procedimento para aprofundamento dos pontos de vista.</p>
<p>Além disso, para todos os presentes, com exceção dos funcionários do Poder Público, aquela era a primeira vez que estavam vendo a proposta, o que certamente limitou a capacidade de avaliação de todos os aspectos da mesma. Tal prática violou o que está definido pela Resolução 25 do Conselho das Cidades:</p>
<blockquote><p>Art. 4º No processo participativo de elaboração do plano diretor, a publicidade, determinada pelo inciso II, do § 4º do art. 40 do Estatuto da Cidade, deverá conter os seguintes requisitos:</p>
<p>I – ampla comunicação pública, em linguagem acessível, através dos meios de comunicação social de massa disponíveis;</p>
<p>II- ciência do cronograma e dos locais das reuniões, da apresentação dos estudos e propostas sobre o plano diretor <span style="text-decoration: underline;">com antecedência de no mínimo 15 dias</span>;</p>
<p>III- publicação e divulgação dos resultados dos debates e das propostas adotadas nas diversas etapas do processo; (Resolução 25/2005 – Concidades – grifo nosso)</p></blockquote>
<p>Ora, é evidente a razão para tal exigência: se para um profissional da área já não é fácil compreender uma proposta desse tipo, consumindo tempo e atenção na leitura da proposta, imagine para as pessoas que não tiveram treinamento no tema e não têm familiaridade com os instrumentos urbanísticos. É óbvio que elas necessitam de tempo para se prepararem, estudando o plano e consultando especialistas que possam auxiliá-las a compreender o que está sendo proposto.</p>
<p>O <strong>pseudotecnicismo</strong> refere-se à total falta de justificativa técnica para as diretrizes propostas apresentadas pela equipe técnica. Os exemplos disso são inúmeros, portanto vou limitar-me a apenas dois.</p>
<div class="olhos">Sem embasamento técnico não é possível justificar uma proposta de plano diretor, especialmente os aspectos que são contrários ao que a comunidade definiu.</div>
<p>O primeiro deles aconteceu quando a equipe técnica foi questionada sobre as bases sobre as quais foi proposto o sistema de mobilidade urbana. Foram feitas pesquisas de origem / destino? Estudos de demanda por bairros?Localização dos empregos e das moradias? Como foi diagnosticado o problema da mobilidade? A resposta dada foi que a equipe técnica já havia elaborado planos de mobilidade para mais de 40 cidades no mundo, dando a entender, portanto, que isso era motivo suficiente para acreditar que a proposta apresentada era adequada. Isso é uma falácia chamada “<a title="Falácia Apelo à Autoridade" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Appeal_to_authority" target="_blank">Apelo à Autoridade</a>”, e falácias são inadmissíveis em um processo democrático de obtenção de consenso.</p>
<p>O segundo exemplo aconteceu quando a equipe técnica foi questionada sobre a relação entre a previsão do crescimento da população e a quantidade de pessoas previstas no novo zoneamento proposto, sendo incapazes de dar uma resposta. Segundo eles, esse dados não estava disponível no momento, mas poderiam “enviar um email” respondendo. Ora, a própria leitura técnica de 2008 diz claramente:</p>
<blockquote><p>Segundo as normas do Zoneamento de Uso e Ocupação do Solo vigentes, é prevista para o município uma população de 1.748.184 pessoas na saturação, ou seja, o dobro da prevista para 2050. <span style="text-decoration: underline;">Só no Distrito Sede, a previsão populacional na saturação é de 863.681 pessoas, o que equivale a dizer que, de acordo com o zoneamento atual, esse distrito poderia abrigar cerca de 99% da população de 2050</span>. (IPUF, 2008, p. 57 – grifo nosso)</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Quanto aos balneários, segundo o zoneamento atual, a população de saturação de 884.503 pessoas supera a população total do município para 2050.</span> De acordo com as projeções, o número de habitantes nos balneários em 2050 ficará em torno de 353.900 habitantes. (IPUF, 2008, p. 57 – grifo nosso)</p></blockquote>
<p>Fica claro, portanto, que não havia necessidade de ampliar o gabarito no zoneamento, pelo menos no que diz respeito à acomodação do crescimento populacional. Entretanto, tal aumento foi feito em muitas localidades (alguns exemplos são a Lagoa da Conceição, o Pântano do Sul e Santo Antônio de Lisboa, apenas para nos limitarmos àquelas que mais contestaram o novo zoneamento). Em um ponto polêmico como esse, o mínimo que se poderia esperar de uma abordagem verdadeiramente técnica eram argumentos plausíveis e bem estruturados para explicar o porquê do aumento no número máximo de pavimentos permitidos em tantos pontos do Município. Tal justificativa nunca foi dada.</p>
<p>Além desses exemplos muitos outros poderiam ser dados, pelo simples fato da leitura técnica nunca ter sido devidamente divulgada e debatida com a população, e pelo fato de não ter sido usada para embasar nenhuma das propostas apresentadas, especialmente aquelas que foram contra as diretrizes definidas pelas comunidades.</p>
<h3>Fase 4: Morte</h3>
<p>Como já era de se esperar, todo esse processo não poderia acabar bem. A audiência de “apresentação” do plano (e não discussão, nem deliberação, nem votação) marcada para o dia 18.03.2010 não pôde acontecer, por conta dos protestos das comunidades revoltadas com a forma como o processo foi conduzido e, mais especificamente, com a proposta de zoneamento.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/04/pdfpolisaudiencia2010031809MarceloCabral.jpg"><img style="display: inline; border-width: 0px;" title="pd fpolis - audiencia 2010-03-18 - 09 - Marcelo Cabral" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/04/pdfpolisaudiencia2010031809MarceloCabral_thumb.jpg" border="0" alt="pd fpolis - audiencia 2010-03-18 - 09 - Marcelo Cabral" width="500" height="333" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/04/pdfpolisaudiencia2010031806MarceloCabral.jpg"><img style="display: inline; border-width: 0px;" title="pd fpolis - audiencia 2010-03-18 - 06 - Marcelo Cabral" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/04/pdfpolisaudiencia2010031806MarceloCabral_thumb.jpg" border="0" alt="pd fpolis - audiencia 2010-03-18 - 06 - Marcelo Cabral" width="500" height="342" /></a><br />
<span class="legendas">Audiência interrompida pela população em 18.03.2010 (Fotos: Marcelo Cabral)</span></p>
<p>A entrega do plano à Câmara de Vereadores, prevista para o dia 23, foi adiada para o dia 30. Diante de mais protestos, <a title="foi adiada novamente" href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;local=18&amp;source=a2867988.xml&amp;template=3898.dwt&amp;edition=14463&amp;section=213#" target="_blank">foi adiada novamente</a>, desta vez por três meses. A proposta da Prefeitura é de discutir o plano em 10 áreas (originalmente eram 13 distritos, agora são apenas 10 áreas) durante esses três meses e depois encaminhá-lo à Câmara.</p>
<p>Obviamente a morte continua anunciada, pelas seguintes razões:</p>
<ul>
<li>O Núcleo Gestor não vai ser recomposto, o que contraria a Resolução 25 do Conselho das Cidade e por si só é suficiente para invalidar todo o processo e deslegitimar o produto, ou seja, a proposta do plano;</li>
<li>Permanece a falta de esclarecimentos quanto à leitura técnica e as justificativas para as propostas apresentadas;</li>
<li>A Prefeitura exige que a população apresente suas sugestões de maneira formal, com “fundamentos” para sustentá-la, apesar de ela mesma não ter feito isso, mesmo contando com uma consultoria de especialistas que “já fizeram mais de 40 planos pelo mundo”;</li>
<li>Discutir o plano sobre uma proposta sem nenhuma legitimidade limita muito as possibilidades de efetuar mudanças estruturais na proposta, induzindo à introdução de pequenas modificações com base em barganhas que, ao fim e ao cabo, não mudarão a essência do que está sendo proposto.</li>
</ul>
Veja também:<ul><li><a href="http://urbanidades.arq.br/2007/10/ultrajes-urbanos-2-cidade-de-projetos/" rel="bookmark" title="21 de outubro de 2007">Ultrajes urbanos #2 &#8211; Cidade de projetos</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2007/06/banco-de-experincias-em-pdp-do-ministrio-das-cidades/" rel="bookmark" title="26 de junho de 2007">Banco de Experi&ecirc;ncias em PDP do Minist&eacute;rio das Cidades</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/06/gestao-democraetica-ou-democracia-maquiada/" rel="bookmark" title="23 de junho de 2008">Gestão democrática ou democracia maquiada?</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2010/05/pronto-para-voto-plano-diretor-secreto-deve-beneficiar-mercado-imobiliario/" rel="bookmark" title="28 de maio de 2010">Pronto para voto, Plano Diretor &ldquo;secreto&rdquo; deve beneficiar mercado imobili&aacute;rio</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2007/08/desenvolvimento-urbano-e-intervencoes-na-cidade/" rel="bookmark" title="27 de agosto de 2007">Desenvolvimento urbano e interven&ccedil;&otilde;es na cidade</a></li>
</ul><!-- Similar Posts took 6.181 ms -->]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>As armadilhas da defini&#231;&#227;o do zoneamento e das densidades populacionais urbanas</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 16:47:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Saboya</dc:creator>
				<category><![CDATA[participação popular]]></category>
		<category><![CDATA[planos diretores]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[zoneamento]]></category>
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		<description><![CDATA[Este post surgiu motivado por algumas discussões realizadas no âmbito da definição do plano diretor de Florianópolis, no detalhamento do macrozoneamento proposto pela Fundação CEPA. Consideramos essencial que algumas questões técnicas sejam devidamente esclarecidas para que a população não fique à mercê de argumentos falaciosos e/ou omissos, que podem estar escondendo intenções não declaradas. Nesse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este post surgiu motivado por algumas discussões realizadas no âmbito da definição do plano diretor de Florianópolis, no detalhamento do macrozoneamento proposto pela Fundação CEPA. Consideramos essencial que algumas questões técnicas sejam devidamente esclarecidas para que a população não fique à mercê de argumentos falaciosos e/ou omissos, que podem estar escondendo intenções não declaradas.</p>
<p>Nesse sentido, este texto tenta contribuir para minimizar os estragos causados por uma condução equivocada do processo, que teve início em 2006 e cujo principal símbolo foi o desmantelamento unilateral do núcleo gestor levado a cabo pela prefeitura no início do 2o mandato do prefeito reeleito. A partir de então, a tentativa de um processo participativo foi definitivamente deixada de lado, e as audiências públicas passaram a ser meramente informativas e, no melhor dos casos, consultiva. Nada de deliberação por aqui, pelo menos para a sociedade civil.</p>
<p><span id="more-536"></span></p>
<p>As oficinas, da mesma forma, não previram momentos de deliberação. O discurso foi mais ou menos assim: &#8220;nós apresentamos nossa proposta, vocês fazem as devidas considerações, e então nós as analisaremos e decidiremos se são pertinentes ou não&#8221;. Como se houvesse uma &#8220;neutralidade&#8221; técnica capaz de separar os fatos e dados, dos valores e objetivos. Falácia bastante comum e que já deveria estar superada há muito tempo.</p>
<p>De qualquer forma, optamos por contribuir no debate para tentar minimizar a possibilidade de manipulação das pessoas, e para tentar fazer aumentar, ainda que um pouquinho, o nível de consciência dos participantes sobre o que está sendo discutido.</p>
<p>Neste texto, vamos nos referir muitas vezes a “gabaritos”. Com isso, estaremos nos referindo ao número máximo de pavimentos permitido pelo zoneamento para uma determinada área. Se você tem dúvidas sobre o significado de outros índices urbanísticos, tais como coeficiente de aproveitamento e taxa de ocupação, não deixe de ler estes posts:</p>
<ul>
<li><a title="Zoneamento e planos diretores" href="http://urbanidades.arq.br/2007/11/zoneamento-e-planos-diretores/" target="_blank">Zoneamento e planos diretores</a>;</li>
<li><a title="Taxa de ocupação e coeficiente de aproveitamento" href="http://urbanidades.arq.br/2007/12/taxa-de-ocupao-e-coeficiente-de-aproveitamento/" target="_blank">Taxa de ocupação e coeficiente de aproveitamento</a>.</li>
</ul>
<h3>Gabaritos x densidades</h3>
<p>Qual a relação entre gabaritos e densidade populacional? Existe uma relação absoluta e direta, de forma que maior verticalização equivale necessariamente a maior densidade e menor verticalização equivale e menor densidade? Certamente que não. É possível ter densidades iguais com edifícios de alturas diferentes, contanto que as áreas liberadas nos terrenos sejam diferentes. É possível ter prédios mais altos e finos em uma área e prédios mais robustos e baixos em outras, e a densidade final ser a mesma. A figura abaixo demonstra isso claramente. À esquerda vemos prédios mais altos com maior área liberada no terreno; à direita temos prédios mais baixos com menos área liberada no terreno. Ainda assim, as densidades são equivalentes.</p>
<p style="text-align: center;"><span class="legendas"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/Newman199601.jpg"><img style="display: inline; border-width: 0px;" title="Newman (1996) - 01" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/Newman199601_thumb.jpg" border="0" alt="Newman (1996) - 01" width="500" height="375" /></a><br />
Configurações distintas com mesma densidade final. Fonte: Newman (1996)</span></p>
<p>A imagem seguinte também mostra o mesmo fenômeno. O mesmo volume poderia ser posicionado de formas diferentes sobre o terreno, resultando em ocupações distintas porém equivalentes em termos de número de metros quadrados construídos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/definicao_gabaritos01.png"><img style="display: inline; border-width: 0px;" title="definicao_gabaritos-01" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/definicao_gabaritos01_thumb.png" border="0" alt="definicao_gabaritos-01" width="500" height="301" /></a><br />
<span class="legendas">Configuração possível (mas não provável) de um mesmo volume construído com diferentes números de pavimentos: para isso acontecer, o coeficiente de aproveitamento deve ser mantido constante.</span></p>
<p>Entretanto, não é isso o que acontece na imensa maioria dos casos. O que podemos perceber nas cidades brasileiras é que o índice de aproveitamento tende a acompanhar o incremento no número de pavimentos, e a diminuição da taxa de ocupação raramente é suficiente para compensar esse aumento. Sendo assim, o que vemos é que há sim uma correlação bastante relevante entre verticalização e densidade populacional, ou seja, na maioria dos casos é verdadeira a afirmação de que maior verticalização equivale a maior densidade e menor verticalização equivale a menor densidade.</p>
<p>Por que isso ocorre? Vamos analisar, como exemplo, a tabela de zonas do Plano Diretor de Florianópolis (Lei Municipal 001/97). Nela vemos que, para 12 andares, o índice de aproveitamento é de 3, ou seja, é possível construir um total de metros quadrados equivalente a 3 vezes a área do terreno.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/definicao_gabaritos03.png"><img class="alignnone size-full wp-image-553" title="definicao_gabaritos03_thumb" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/definicao_gabaritos03_thumb.png" alt="" width="500" height="284" /></a><br />
<span class="legendas">Via de regra, a gabaritos maiores correspondem índices de aproveitamento maiores. Fonte: Plano Diretor de Florianópolis (Lei 001/1997)</span></p>
<p>Já para o gabarito de 4 pavimentos, o índice de aproveitamento é de 1,3, ou seja, menos da metade. Ora, fica claro, portanto, que na zona de 12 pavimentos a densidade construtiva será maior e, por consequência, é muito provável que a densidade populacional também será maior. Afinal, onde cabe maior número de unidades residenciais, cabe maior número de pessoas.</p>
<p>A taxa de ocupação pouco influenciou na densidade, uma vez que, mesmo diminuindo de 33% no caso de 4 pavimentos para 25% no caso de 12 pavimentos, ainda assim a densidade aumentou. Para inverter essa lógica, é necessário que o coeficiente de aproveitamento não varie juntamente com o aumento do número máximo de pavimentos. Voltaremos a esse assunto mais adiante.</p>
<h3>Gabaritos x especulação imobiliária x valor do solo</h3>
<p>Um dos principais problemas na definição do número máximo de pavimentos é que ele não afeta apenas os aspectos urbanísticos, mas também os aspectos financeiros da produção da cidade. Nesse sentido, é óbvio que, do ponto de vista de um empreendedor imobiliário, é mais vantajoso que o seu lote ou gleba possua permissão para construir um maior número de metros quadrados, distribuídos em muitos pavimentos, do que possuir limitação a poucos andares. Quanto mais puder ser construído, maior é a possibilidade de tirar lucro daquele terreno.</p>
<p>O mesmo vale para os proprietários de imóveis que pretendem vendê-los para os empreendedores imobiliários.</p>
<p>Por isso, os processos de definição do número máximo de pavimentos costumam sofrer pressões por parte desses atores, interessados em aumentar suas expectativas de lucros através da maximização do número de pavimentos e do coeficiente de aproveitamento do lote que, em conjunto, serão os índices que mais influenciarão a quantidade total de metros quadrados a serem construídos e, como consequência, a densidade construtiva.</p>
<p>Não é à toa que grande parte dos financiadores de campanhas dos vereadores são de <a title="especulação imobiliária" href="http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI1612536-EI5030,00.html" target="_blank">empresas ligadas ao ramo imobiliário</a>.</p>
<p>Como resultado, muitas vezes uma alteração de zoneamento feita pelos vereadores, sem a devida discussão e participação popular, bem como sem critérios técnicos, acaba aumentando substancialmente o patrimônio de alguns poucos beneficiados, enquanto que toda a cidade paga pelo aumento indevido na densidade de certas áreas.</p>
<h3>Como discutir e definir os gabaritos?</h3>
<div class="olhos">Para calcular a densidade desejada, devemos estimar a quantidade de população a ser alocada em um determinado local.</div>
<p>Diante disso, consideramos que um caminho menos arbitrário e mais democrático para a discussão sobre o número máximo de pavimentos deve partir de uma estimativa da quantidade de população a ser alocada em uma determinada área nos próximos vinte anos (BERKE et al, 2006), e da densidade prevista em função dessa quantidade.</p>
<p>A estimativa pode ser feita de várias maneiras, dependendo das condições específicas do local. A primeira providência deve ser estimar o crescimento demográfico &#8220;puro&#8221;, ou seja, a quantidade de crescimento decorrente das taxas de nascimento e mortalidade, somadas aos fluxos migratórios. Assim, há áreas com altas taxas de crescimento e áreas com baixa taxa de crescimento, ou até mesmo com diminuição da população.</p>
<p>Em um segundo momento pode ser necessário rever a estimativa demográfica tendo em vista limitações da infra-estrutura disponível, tais como água, luz, esgoto, etc. Se, por exemplo, sabe-se que a água disponível atualmente é suficiente para abastecer somente uma população X, não adianta prever uma quantidade 2X de pessoas para uma determinada área. O mesmo deve valer para o sistema de transporte, apesar de que, nesse caso, a determinação da quantidade máxima de pessoas que o sistema pode suportar é muito mais complexa e sujeita a polêmicas. O correto seria contratar uma equipe especialista em modelagem de transportes para realizar um estudo com base em uma perspectiva coerente sobre a quantidade de recursos que poderiam ser investidos nesse tipo de infra-estrutura e, por consequência, em qual seria a capacidade de suporte em um determinado horizonte de tempo.</p>
<p>Sobre essa quantidade preliminar de pessoas a serem alocadas, Berke et al (2006) recomendam adicionar um percentual de 20% a 100% para chegar a uma quantidade oficial estimada para a área. Segundo eles, isso é necessário porque, caso a definição de densidades ( e consequentemente o espaço disponível para ser ocupados pelas pessoas) seja feita exatamente sobre a população provável, o preço da terra tende a ser forçado para cima, por causa da relativa escassez de espaço urbanizável. Calculando com base em um número um pouco maior, garante-se que haverá espaço suficiente para todos sem haver valorização excessiva e artificial do solo urbano.<br />
Tendo a quantidade total de pessoas a ser alocada na área, divide-se este número pela área urbanizável (em hectares), ou seja, pela área que é passível de ser urbanizada (excluindo, portanto, os morros, áreas de proteção ambiental, áreas já consolidadas sem possibilidade de adensamento, etc.). Com isso, temos a densidade prevista para a área. A partir desse número, é possível distribuir os índices (número máximo de pavimentos e coeficiente de aproveitamento, entre outros) pela área, intensificando a densidade em áreas mais acessíveis e diminuindo-a em áreas menos acessíveis ou mais frágeis do ponto de vista ambiental e/ou cultural.<br />
Mossoró, no Rio Grande do Norte, tem uma experiência interessante: lá o coeficiente de aproveitamento foi definido em função da capacidade de suporte do abastecimento de água. Vale a pena conhecer a experiência, que está no banco de experiências do Ministério das Cidades:</p>
<p><a href="http://www.cidades.gov.br/secretarias-nacionais/programas-urbanos/programas/programa-de-fortalecimento-da-gestao-municipal-urbana/banco-de-experiencias/rio-grande-do-norte/mossoro/a%20partir%20da%20capacidade%20de%20suporte%20da%20infraestrutura%20de%20abastecimento%20de%20agua%20e%20esgotamento%20sanitario_Mossoro_RN.pdf/view">Calculo do coeficiente de aproveitamento maximo a partir da capacidade de suporte da infraestrutura de abastecimento de agua e esgotamento sanitario</a></p>
<h3>Os perigos de distorções sutis (ou nem tão sutis)</h3>
<div class="olhos">É mais fácil modificar e deturpar a TO e o CA do que o gabarito.</div>
<p>Em toda discussão sobre os gabaritos máximos, sempre há aqueles que defendem a idéia de aumentar os gabaritos para liberar maior quantidade de áreas verdes e/ou permeáveis no terreno. Apesar dessa idéia ter lógica, o grande risco de aceitá-la é abrir a porta para alterações posteriores no plano diretor que venham a deturpar esse intenção inicial. Modificar Taxa de Ocupação e Índice de Aproveitamente é muito mais fácil do que alterar gabaritos, uma vez que os primeiros são índices abstratos de de visualização mais difícil por parte da população. Já os gabaritos são mais concretos, e por isso as pessoas associam com facilidade gabaritos mais altos com densificação. Dessa forma, podem cobrar explicações técnicas para a alteração e até mesmo reclamar na justiça seus direitos.</p>
<p>Por isso, não recomendo, neste momento da nossa história, que se caia na argumentação de que os gabaritos serão aumentados para liberar área no terreno. Pela minha experiência, não é isso que costuma ocorrer.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/definicao_gabaritos02.png"><img style="display: inline; border-width: 0px;" title="definicao_gabaritos-02" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/definicao_gabaritos02_thumb.png" border="0" alt="definicao_gabaritos-02" width="500" height="286" /></a><br />
<span class="legendas">A promessa de aumentar os gabaritos para liberar mais área no terreno raramente é cumprida.</span></p>
<h3>Os riscos de uma definição incorreta dos gabaritos</h3>
<p>Se aceitarmos que os gabaritos, na grande maioria dos casos, têm correlação direta com a densidade de uma área, ou que ao menos têm uma correlação potencial, devemos entender também que uma definição incorreta do número máximo de pavimentos pode trazer os malefícios de uma definição incorreta das densidades.</p>
<p>Sendo assim, teríamos as seguintes possibilidades:</p>
<p><strong>Para densidades e gabaritos subdimensionados:</strong></p>
<ul>
<li>Espalhamento excessivo da cidade, uma vez que menores densidades demandam mais área para acomodar um mesmo número de pessoas;</li>
<li>Aumento artificial do preço da terra, que se torna escassa e por isso encarece;</li>
<li>Possível &#8220;expulsão&#8221; de comunidades tradicionais e/ou de baixa renda, por causa da valorização do preço da terra;</li>
<li>Conversão desnecessária de áreas rurais em áreas urbanas;</li>
<li>Possível destruição de áreas verdes para transformação em área urbanizada;</li>
<li>Imposição de maiores distâncias aos deslocamentos;</li>
<li>Possível inviabilização de uma série de equipamentos comunitários, uma vez que a quantidade de pessoas talvez não seja suficiente para viabilizar o investimento necessário. O mesmo vale para as linhas de ônibus, que por causa da baixa densidade provavelmente terão que deixar grandes porções do território não atendidas.</li>
</ul>
<p><strong>Para densidades e gabaritos superdimensionados:</strong></p>
<ul>
<li>Sobrecarga na infraestrutura, especialmente aquelas ligadas ao tratamento dos efluentes (esgoto) e ao tráfego (engarrafamentos, vias sem capacidade de escoar o tráfego, etc.), com consequente poluição ambiental (hídrica, do ar, sonora, etc.);</li>
<li>Comprometimento das condições de salubridade (pouca insolação e ventilação nos apartamentos);</li>
<li>Comprometimento de aspectos da paisagem;</li>
<li>Desigualdade na ocupação do território: por haver muito espaço para edificar, e pouca demanda, algumas áreas tendem a ficar verticalizadas enquanto outras ficam vazias, esperando valorização (processo também conhecido como <a title="especulação imobiliária" href="http://urbanidades.arq.br/?p=161" target="_blank">especulação imobiliária</a>);</li>
<li>Possível destruição de modos de vida tradicionais;</li>
<li>Possível exclusão de pequenas empresas e construtoras, em favor de grandes conglomerados e empreiteiras.</li>
</ul>
<h3>Referências bibliográficas</h3>
<p>BERKE, Philip; GODSCHALK, David R.; KAISER, Edward J.; RODRIGUEZ, Daniel. <strong>Urban land use planning</strong>. 5th edition. Urbana: University of Illinois Press, 2006.</p>
Veja também:<ul><li><a href="http://urbanidades.arq.br/2007/12/taxa-de-ocupacao-e-coeficiente-de-aproveitamento/" rel="bookmark" title="10 de dezembro de 2007">Taxa de ocupação e coeficiente de aproveitamento</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/03/outorga-onerosa-do-direito-de-construir/" rel="bookmark" title="6 de março de 2008">Outorga Onerosa do Direito de Construir</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2010/05/ultrajes-urbanos-4/" rel="bookmark" title="28 de maio de 2010">Ultrajes Urbanos #4</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/06/transferencia-do-direito-de-construir/" rel="bookmark" title="29 de junho de 2008">Transferência do Direito de Construir</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/05/perguntas-simples-respostas-nem-tanto/" rel="bookmark" title="20 de maio de 2008">Perguntas simples, respostas nem tanto</a></li>
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		<title>Conselho da Cidade de Jaraguá do Sul</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Jun 2009 12:49:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Saboya</dc:creator>
				<category><![CDATA[participação popular]]></category>
		<category><![CDATA[planos diretores]]></category>
		<category><![CDATA[conselho da cidade]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento participativo]]></category>

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		<description><![CDATA[Recebi esta mensagem por e-mail e reproduzo aqui na íntegra: Caro Renato: Em Joinville, maior cidade do Estado, tá instalada a polêmica sobre a criação do Conselho da Cidade de lá. Aqui em Jaraguá do Sul temos o nosso já em pleno funcionamento desde fevereiro de 2008 e sua composição contempla 67% de integrantes não-governamentais, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recebi esta mensagem por e-mail e reproduzo aqui na íntegra:</p>
<blockquote><p>Caro Renato:</p>
<p>Em Joinville, maior cidade do Estado, tá instalada a polêmica sobre a criação do Conselho da Cidade de lá.</p>
<p>Aqui em Jaraguá do Sul temos o nosso já em pleno funcionamento desde fevereiro de 2008 e sua composição contempla 67% de integrantes não-governamentais, muito mais do que o recomendado pelas Conferências Nacionais das Cidades.</p>
<p>Ele foi ativado antes até do de Curitiba (1a. reunião em julho de 2008) e do Conselho Estadual das Cidades de SC (dezembro de 2008, desconheço se já se reuniu alguma vez). Parece-me que o COMCIDADE de Jguá. é o pioneiro pós-Estatuto da Cidade em SC.</p>
<p>E é o único de SC no gênero cadastrado no Ministério das Cidades/Conselho Nacional das Cidades.</p>
<p>Toda a sua documentação pode ser acessada pelo link respectivo no site http://portal.jaraguadosul.com.br</p>
<p>Seria interessante vc postar isso no seu blog, para quem interessar possa.</p>
<p>Abraço!</p>
<p>Osmar Günther<br />
Secretário-executivo do COMCIDADE<br />
Jaraguá do Sul</p></blockquote>
<p>O Conselho da Cidade é um instrumento fundamental nesta nova etapa de luta pelos planos diretores. Sem controle social, a probabilidade que os planos sejam engavetados como no passado são grandes. Instrumentos como outorga onerosa e IPTU progressivo não são necessariamente populares, o que coloca em risco sua implementação efetiva. Os Conselhos das Cidades devem estar atentos a esses aspectos, e investir em capacitação para poder levar a cabo seus objetivos.</p>
<p>Deixo aqui meus votos de sucesso ao Conselho da Cidade de Jaraguá do Sul.</p>
Veja também:<ul><li><a href="http://urbanidades.arq.br/2009/11/iii-congresso-brasileiro-de-habitacao-social-cthab-2009/" rel="bookmark" title="6 de novembro de 2009">III Congresso Brasileiro de Habitação Social CTHab 2009</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/09/para-perguntar-ao-seu-candidato/" rel="bookmark" title="22 de setembro de 2008">Para perguntar ao seu candidato</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2007/09/ministerio-das-cidades-contrata/" rel="bookmark" title="16 de setembro de 2007">Minist&eacute;rio das Cidades contrata</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/06/carta-da-anpur-sobre-a-substituicao-de-benny-schasberg-no-mc/" rel="bookmark" title="19 de junho de 2008">Carta da Anpur sobre a substitui&ccedil;&atilde;o de Benny Schasberg no MC</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2007/02/lei-do-saneamento-bsico/" rel="bookmark" title="24 de fevereiro de 2007">Lei do Saneamento B&aacute;sico</a></li>
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		<title>Para perguntar ao seu candidato</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Sep 2008 16:25:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Fernandes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estatuto da Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[participação popular]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento urbano]]></category>
		<category><![CDATA[gestão democrática]]></category>
		<category><![CDATA[gestão urbana]]></category>
		<category><![CDATA[instrumentos urbanísticos]]></category>
		<category><![CDATA[política urbana]]></category>

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		<description><![CDATA[Nesta eleição para prefeitura dos municípios brasileiros, acreditamos que qualquer candidato a prefeito deva estar familiarizado com a Lei Nº 10.257 &#8211; o Estatuto da Cidade, segundo o qual a gestão do município deverá estar vinculada ao Plano Diretor Participativo. Sendo assim, algumas perguntas podem ser feitas aos candidatos para que se tenha uma idéia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta eleição para prefeitura dos municípios brasileiros, acreditamos que qualquer candidato a prefeito deva estar familiarizado com a Lei Nº 10.257 &#8211; o Estatuto da Cidade, segundo o qual a gestão do município deverá estar vinculada ao Plano Diretor Participativo. Sendo assim, algumas perguntas podem ser feitas aos candidatos para que se tenha uma idéia mais clara de suas intenções em relação à Política Urbana.<span id="more-167"></span></p>
<p>Pergunta-se:</p>
<p>1) Explique como o Sr. vê a aplicação dos instrumentos jurídicos e políticos previstos para o Plano Diretor, polêmicos para a realidade das cidades brasileiras:</p>
<ul>
<li> &#8220;<strong>Outorga Onerosa do Direito de Construir</strong>&#8221; &#8211; Que propõe compensar a coletividade captando parte da valorização imobiliária decorrente do aumento do potencial de construir na propriedade.</li>
<li>&#8220;<strong>IPTU Progressivo no Tempo</strong>&#8221; &#8211; que propõe incentivar aproveitamento adequado de áreas sub-utilizadas da cidade, por meio de penalização aos proprietários que retêm terras para especulação</li>
<li>&#8220;<strong>Estabelecimento de Zonas Especiais de Interesse Social</strong>&#8221; &#8211; que propõe reservar áreas bem localizadas da cidade para construção de moradias destinadas às classes menos favorecidas.</li>
</ul>
<p>2) Sabedores de que o Plano Diretor é hoje mais do que uma lei de regulação de uso do solo e deve ser o instrumento básico da política municipal de desenvolvimento e expansão urbana, sendo portanto uma parte integrante do processo de planejamento municipal, pergunta-se:</p>
<p style="padding-left: 30px;">2.1) Como o seu plano de governo pretende ajustar-se às diretrizes e prioridades contidas no Plano Diretor do Município?</p>
<p style="padding-left: 30px;">2.2) Como será feita a vinculação do Plano Plurianual, das Diretrizes Orçamentárias e do Orçamento Anual ao Plano Diretor Municipal, sabendo que isso é obrigatório segundo o artigo 40 do Estatuto da Cidade?</p>
<p>3) Pra poder governar uma cidade que vem acumulando problemas, muitos deles por falta de planejamento urbano, qual a prioridade que sua gestão dará para finalização/ aprovação/ implementação do Plano Diretor e a prioridade que dará na formação de equipe técnica para o planejamento da cidade?</p>
<p>4) Cumprir a Lei do Estatuto da Cidade é essencialmente respeitar as diretrizes previstas no seu art. 2º em todas as ações públicas e privadas. Em especial com relação à diretriz de gestão democrática na formulação, execução e acompanhamento de planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano, pergunta-se:</p>
<p style="padding-left: 30px;">4.1) Como sua gestão pretende realizar o necessário diálogo entre a Câmara de Vereadores e a nova instância de gestão democrática prevista no Estatuto da Cidade, o Conselho da Cidade?</p>
<p>Baixe o documento aqui (PDF): <a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2008/09/pergunte-ao-seu-candidato.pdf">pergunte ao seu candidato</a> (Elaboração do Texto: Alexandre Fernandes e Edson Cattoni)<a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2008/09/pergunte-ao-seu-candidato.pdf"><br />
</a></p>
Veja também:<ul><li><a href="http://urbanidades.arq.br/2007/10/ultrajes-urbanos-2-cidade-de-projetos/" rel="bookmark" title="21 de outubro de 2007">Ultrajes urbanos #2 &#8211; Cidade de projetos</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2007/12/selo-estatuto-da-cidade/" rel="bookmark" title="7 de dezembro de 2007">Selo Estatuto da Cidade</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2007/06/livro-sobre-planos-diretores/" rel="bookmark" title="28 de junho de 2007">Livro sobre planos diretores</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2007/06/plano-diretor-como-orientador-das-aes-urbanas/" rel="bookmark" title="16 de junho de 2007">Plano Diretor como orientador das a&ccedil;&otilde;es urbanas</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/04/objetivos-diversos-e-conflitantes/" rel="bookmark" title="28 de abril de 2008">Objetivos diversos (e conflitantes)</a></li>
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		<title>Gestão democrática ou democracia maquiada?</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jun 2008 08:00:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Saboya</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estatuto da Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[eventos]]></category>
		<category><![CDATA[participação popular]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento urbano]]></category>
		<category><![CDATA[planos diretores]]></category>
		<category><![CDATA[gestão democrática]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento participativo]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma reclamação bastante comum nestes tempos de gestão democrática diz respeito a gestões nem tão democráticas assim. Infelizmente ainda hoje em dia são comuns situações em que o Poder Público tenta &#8220;maquiar&#8221; um processo tecnocrata e/ou com ingerências políticas com um verniz de participação. Os artifícios são os mais variados: alguns deles estão listados abaixo. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma reclamação bastante comum nestes tempos de gestão democrática diz respeito a gestões nem tão democráticas assim. Infelizmente ainda hoje em dia são comuns situações em que o Poder Público tenta &#8220;maquiar&#8221; um processo tecnocrata e/ou com ingerências políticas com um verniz de participação. Os artifícios são os mais variados: alguns deles estão listados abaixo.<span id="more-117"></span></p>
<h3>Horários e locais inadequados para as audiências públicas</h3>
<p >Em algumas ocasiões, os horários das audiências públicas são marcados de forma a excluir a maior parte da população. Audiências marcadas em horário comercial, por exemplo, dificilmente terão a mesma quantidade de pessoas que audiências marcadas para a noite. Da mesma forma, os locais escolhidos devem ser de fácil acesso a todos. Fazer o evento naquele hotel de luxo localizado em uma praia distante não vale. Além de ser longe e de difícil acesso, pode acabar inibindo algumas pessoas que gostariam de participar mas não se sentem à vontade em um local como esse.</p>
<p style="text-align: center;">
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/06/gestao-democraetica-ou-democracia-maquiada/"><img src="http://img.youtube.com/vi/MlRb9j-_MfE/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p><em>&#8220;Num porão???&#8221;</em></p>
<h3>Jargão excessivamente técnico</h3>
<p>Outra técnica para &#8220;burlar&#8221; a exigência de participação é a de utilizar expressões e conceitos excessivamente técnicos nas audiências, de forma a intimidar a população, que se vê impossibilitada de entender o que está sendo exposto e, portanto, não consegue debater e negociar alternativas. Um técnico consciente consegue perceber claramente quando as pessoas não estão entendendo alguma coisa, e pode explicar novamente com outras palavras. Mas um técnico mal-intencionado pode usar seu conhecimento com o objetivo oposto.</p>
<p><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/Gestodemocrticaoumaquiada_F8A0/traducao_01.jpg"><img style="border-width: 0px;" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/Gestodemocrticaoumaquiada_F8A0/traducao_01_thumb.jpg" border="0" alt="traducao_01" width="500" height="375" /></a><br />
<span><em>Não deixe que as audiências sejam conduzidas em grego! (Foto: </em></span><a title="Falando Grego?" href="http://www.flickr.com/photos/edyson/" target="_blank"><span><em>Esthr</em></span></a><span><em>.)</em></span></p>
<h3>Tempo insuficiente</h3>
<p>Para que seja possível buscar alternativas para um problema, e avaliá-las, é preciso tempo. O próprio entendimento do problema é um processo que exige tempo e, portanto, não pode ser feito no atropelo. O Poder Público, ao fazer propostas para serem discutidas juntamente com a população, precisa oferecer esse tempo. Os projetos devem ser divulgados com antecedência para que as pessoas possam refletir sobre eles, identificar seus pontos positivos e negativos, avaliar as consequências do que está sendo proposto, mostrar às suas bases e discutir com elas, etc. Mesmo para um técnico é difícil, se não impossível, entender e avaliar uma proposta no espaço de tempo de uma audiência pública. Para uma pessoa que não tem essa experiência, a dificuldade é certamente ainda maior.</p>
<h3>Consenso forçado</h3>
<p>&#8220;Alguém tem alguma coisa contra? Não? Então podemos passar para o próximo ponto.&#8221; Essa é a atitude típica de quem está querendo forçar o consenso, ao invés de promover o debate necessário para resolver um ponto polêmico. Outra técnica é a condução das propostas, pelo moderador, para a direção que ele prefere, dando ênfase para as colocações que corroboram seu ponto de vista, e fazendo vista grossa para aquelas que o contradizem.</p>
<h3>Ditadura da maioria</h3>
<p>Não é raro que, em processos participativos, sejam criado grupos antagônicos, que a partir de um determinado momento passam a votar em bloco. A validade de uma ou outra proposta deixam de importar: o que importa são apenas os grupos. &#8220;Se o meu grupo vai votar em X, então eu também vou&#8221;. A situação piora se um desses grupos acaba dominando numericamente as votações e, sistematicamente, começa a impor seus interesses sobre o outro grupo, sem refletir até que ponto eles são justos ou não. A bem da verdade, esse tipo de artifício não é exclusivo do Poder Público; grupos organizados da sociedade também utilizam essa tática com frequência.</p>
<h3>Coerção</h3>
<p>Em casos extremos, coerção explícita também acaba sendo utilizada. Nesses casos, a Prefeitura (ou o prefeito) forçam os funcionários a votar segundo uma posição pré-definida. Funcionários com cargo de confiança são especialmente sensíveis a esse tipo de pressão, mas esse artifício também não é exclusividade do Poder Público. É relativamente comum descendentes dos antigos coronéis arregimentarem empregados para comparecer às audiências públicas e votarem de uma determinada maneira. É a versão atual do voto de cabresto.</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/06/gestao-democraetica-ou-democracia-maquiada/"><img src="http://img.youtube.com/vi/bV1bhbqj5Ig/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p><em>50 anos? Não dá pra reclamar!<br />
</em><br />
Felizmente, algumas coisas podem ser feitas para se contrapor a essas práticas pouco democráticas. Algumas delas estão listadas abaixo. Se você tiver outras sugestões, deixe-as nos comentários.</p>
<h3>Saída #1: Escancare o problema</h3>
<p>O que fazer quando uma maquiagem de democracia é identificada? A primeira providência é explicitar o problema, tornando-o o mais público possível. Peça a palavra na audiência pública e explique sua insatisfação. Provavelmente você não será o único, e ainda ajudará àquelas pessoas que &#8220;sentem que alguma coisa está errada mas não sabem exatamente o que é&#8221;.</p>
<h3>Saída #2: Reclame diretamente com os responsáveis pela condução</h3>
<p>Se isso não funcionar, faça um arrazoado e submeta-o ao núcleo gestor (no caso de ser um processo de elaboração de plano diretor), tomando o cuidado de pegar o protocolo de recebimento e arquivando-o com cuidado. Se possível, articule a reclamação com outras entidades. Quanto mais representativa ela for, mais força ela tende a ter. Se ainda assim não funcionar, passe para Saída #3, a seguir.</p>
<h3>Saída #3: Entre com uma ação no Ministério Público</h3>
<p>Se nada funcionar, é hora de tomar uma medida drástica: entre com uma ação civil no Ministério Público. Aqui também é essencial que todos os documentos comprobatórios sejam arquivados e apresentados juntamente com a denúncia. É importante também que ela seja apresentada pelo maior número de pessoas e entidades, para ganhar força de representatividade.</p>
<p>Entretanto, é bom lembrar que essa deve ser uma ação extrema, para os casos em que o processo foi realmente comprometido por falhas e/ou má-fé por parte da coordenação do processo. Senão, corre-se o risco de jogar fora a água do banho com a criança junto, e colocar por terra um processo que, no final das contas, tinha trazido avanços reais em relação às práticas do passado.</p>
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		<title>Planejamento Estrat&#233;gico de Cidades &#8211; parte 3</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jun 2008 19:37:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Saboya</dc:creator>
				<category><![CDATA[participação popular]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento urbano]]></category>
		<category><![CDATA[planos diretores]]></category>
		<category><![CDATA[zoneamento]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento estratégico]]></category>
		<category><![CDATA[teoria do planejamento]]></category>

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		<description><![CDATA[Este post é a terceira parte da série sobre planejamento estratégico de cidades: Planejamento Estratégico de Cidades &#8211; parte 1 Planejamento Estratégico de Cidades &#8211; parte 2 Reconhecer a importância dos elementos do planejamento estratégico pode ajudar os planejadores a fazerem planos melhores. Tentarei provar este argumento a seguir. Orientação para ação e resultados A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este post é a terceira parte da série sobre planejamento estratégico de cidades:</p>
<ul>
<li><a title="Planejamento Estratégico" href="http://urbanidades.arq.br/2008/05/planejamento-estrategico-de-cidades-parte-1/" target="_blank">Planejamento Estratégico de Cidades &#8211; parte 1</a></li>
<li><a title="Planejamento Estratégico" href="http://urbanidades.arq.br/2008/06/planejamento-estrategico-de-cidades-parte-2/" target="_blank">Planejamento Estratégico de Cidades &#8211; parte 2</a></li>
</ul>
<p>Reconhecer a importância dos elementos do planejamento estratégico pode ajudar os planejadores a fazerem planos melhores. Tentarei provar este argumento a seguir.<span id="more-114"></span></p>
<h3>Orientação para ação e resultados</h3>
<p>A orientação para a ação e para os resultados, característica do Planejamento Estratégico, pode ser absorvida pelos planos diretores para amenizar seu caráter excessivamente normativo. Isso implicaria em diminuir a importância do “que” deve ser obtido para enfocar o “como” (KAUFMAN; JACOBS, 1987, p. 31), indicando caminhos concretos para que os objetivos sejam alcançados. Nesse sentido dois aspectos devem ser destacados.</p>
<p>Em primeiro lugar, ganha-se controle sobre o processo de desenvolvimento urbano, uma vez que a evolução desejada pode ser controlada através de metas estipuladas e de horizontes de tempo, ou prazos, para que elas sejam alcançadas. Isso incorpora a noção de que o desenvolvimento é “dependente do caminho” (<em>path-dependent</em>, em inglês), ou seja, que não é suficiente estipular um estado futuro desejado e esperar que as condições do sistema urbano cheguem até ele, dentro de um horizonte de tempo indefinido, como faz o zoneamento. Ao contrário, é necessário monitorar o caminho seguido, porque as decisões tomadas a cada instante são influenciadas por aquelas que foram tomadas anteriormente.</p>
<p>O segundo aspecto a ser destacado é que, com esse foco no “como” atingir os objetivos, abre-se a possibilidade de uma relação mais integrada entre planejamento e gestão. Com isso, a generalidade excessiva das diretrizes e objetivos dos planos diretores apontada por Villaça (1999) deve ser combatida, a fim de que estes forneçam subsídios para a orientação das ações de gestão.</p>
<p>Isso vai na mesma direção do “plano de ações” proposto por Maricato (2001), que deve, entre outras coisas:</p>
<ul>
<li>Superar o “descasamento” entre a lei e a gestão, prevendo a esfera operacional;</li>
<li>Sugerir a orientação dos investimentos públicos, tirando essa decisão das mãos dos interesses privados;</li>
<li>Propor um novo padrão de fiscalização, que seja aplicada a toda a cidade de forma não discriminatória e honesta.</li>
</ul>
<h3>Participação dos atores envolvidos no processo</h3>
<p>O Planejamento Estratégico defende a necessidade da participação de todos os atores envolvidos no processo, reconhecendo que o enfoque tecnocrático é inapto para alcançar o envolvimento da população, condição essencial para o sucesso do plano.</p>
<blockquote><p>Ao introduzir a duração e os atores como dimensões fundamentais do urbanismo, a planificação estratégica enriquece portanto incontestavelmente a visão do problema e vai no sentido de um maior realismo. (LACAZE, 1993, p. 48).</p></blockquote>
<p>Entretanto, como foi discutido, a prática tem demonstrado que os atores que efetivamente têm participado das reuniões de planejamento estratégico são aqueles ligados ao desenvolvimento econômico e aos interesses privados de maneira geral. Para que a participação tenha legitimidade, entretanto, é imprescindível que o maior número possível de grupos sociais estejam envolvidos, e tenham direito à livre expressão de seus pontos de vista.</p>
<h3>Retomada do projeto</h3>
<p>Atualmente existe uma tendência de retomada da importância dos projetos em planejamento urbano (FORSYTH, 2002), ainda que em muitos casos eles sejam utilizados para criar meros cenários com a intenção de agradar aos olhos e esconder as mazelas da cidade.</p>
<p>Entretanto, isso não significa que os projetos urbanos não possam atuar como catalisadores das mudanças previstas pelo plano. Para isso, basta que eles estejam sintonizados com as diretrizes previstas por ele, ou, ao menos, com os princípios estabelecidos. Por isso, eles podem representar um elemento fundamental nessa nova integração que se pretende entre planejamento e gestão.</p>
<p>Além disso, com a valorização crescente dos espaços públicos, os projetos urbanos tendem a ganhar maior destaque. Não apenas as obras de infra-estrutura devem ser realizadas, mas também obras que ajudem a recompor tecidos urbanos fragmentados, que recomponham espaços tradicionais de trocas sociais, que criem identidade para a cidade ou para partes dela, e que – por que não? – tornem a cidade mais bela.</p>
<h3>Análise externa</h3>
<p>O Planejamento Estratégico incorpora a noção de cidade como parte de um contexto mais amplo, seja ele regional, estadual, nacional ou até mesmo mundial. Com isso, elimina a tendência de se analisar a cidade como um organismo estanque, fechado em si mesmo.</p>
<p>Entretanto, o aspecto mais interessante da análise externa é a possibilidade de expandir esse conceito para abarcar todas as variáveis que estão fora do controle do planejador, e não apenas a noção de região geográfica fora do limite territorial do município.</p>
<p>Dentro do conceito de planejamento <em>strictu sensu</em>, adotado neste trabalho, são muitas as variáveis que estão fora do controle do planejador, tais como os aspectos tributários e demais formas de incentivos às atividades econômicas, e a alocação de recursos para as áreas de educação, saúde, etc. A consciência desse fato acaba com a visão deturpada de que o planejador é onipotente, e que todas as suas decisões e recomendações serão seguidas sem questionamentos.</p>
<p>Por outro lado, isso não quer dizer que não há nada a ser feito com relação a esses aspectos que não estão diretamente sob o controle do planejador. Ao contrário, essa consciência introduz a possibilidade do planejador se preparar para um cenário de incertezas, ao invés de apenas ficar parado e esperar que tudo dê certo.</p>
<p>Um bom exemplo é o processo de aprovação do plano na Câmara. Dependendo de como ela acontecer, pode pôr por terra todo o trabalho realizado para confeccionar o plano, inclusive desvirtuando a legitimidade da participação popular. Apesar de seu uma váriável interna ao Município, ela é externa em relação aos limites de poder do planejador. Ao encarar esse fato, o planejador pode se preparar, por exemplo, divulgando o plano para as comunidades e aconselhando que essas compareçam às audiências públicas, ou mesmo agendando sessões de esclarecimentos aos vereadores sobre pontos que porventura tenham ficado obscuros.</p>
<h3>Ênfase nos pontos críticos</h3>
<p>O Planejamento Estratégico concentra a atuação sobre os chamados fatores-chave, em contraposição à abordagem abrangente, que realiza grandes diagnósticos e pretende atuar sobre todos os aspectos relevantes dos sistemas urbanos. Essa atitude tem se mostrado incapaz, num país caracterizado pela escassez de recursos como o Brasil, de ser eficaz no combate aos problemas urbanos.</p>
<p>A tendência que se verifica atualmente é a de se ater àqueles aspectos considerados mais importantes, e concentrar os esforços para resolvê-los.</p>
<blockquote><p>As novas práticas substituem o Plano que prioriza tudo – ou seja, não prioriza nada – pela idéia do Plano como um processo político, por meio do qual o poder público canaliza seus esforços, capacidade técnica e potencialidades locais em torno de alguns objetivos prioritários. (BRASIL, 2002, p. 40).</p></blockquote>
<p>Essas prioridades devem ser definidas caso a caso e, principalmente, com ampla participação da população.</p>
<h3>Referências bibliográficas</h3>
<p class="MsoNormal">BRASIL. <strong>Estatuto da Cidade: guia para implementação pelos municípios e cidadãos</strong>. Brasília: Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, 2002.</p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">FORSYTH, Ann. Trajectories of planning theory: the 2001 ACSP anniversary round table. </span><strong>Planning Theory</strong>, v. 1, n. 3, p. 203 &#8211; 208, 2002.</p>
<p class="MsoNormal">KAUFMAN, Jerome; JACOBS, Harvey. <span lang="EN-US">A public planning perspective on strategic planning<em>. </em><strong>Journal of the American Planning Association</strong>, n. 53, p. 23 – 33, 1987.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span lang="EN-US">LACAZE, Jean-Paul. </span><strong>Os métodos do urbanismo</strong>. Campinas: Papirus, 1993.</p>
<p class="MsoNormal">MARICATO, Ermínia. <strong>Brasil, cidades: alternativas para a crise urbana</strong>. Petrópolis: Vozes, 2001.</p>
<p class="MsoNormal">VILLAÇA, Flávio. Dilemas do Plano Diretor. In: CEPAM. <strong>O município no século XXI: cenários e perspectivas</strong>. São Paulo: Fundação Prefeito Faria Lima – Cepam, 1999. p. 237 &#8211; 247.</p>
Veja também:<ul><li><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/06/planejamento-estrategico-de-cidades-parte-2/" rel="bookmark" title="5 de junho de 2008">Planejamento Estrat&eacute;gico de Cidades &#8211; parte 2</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/05/planejamento-estrategico-de-cidades-parte-1/" rel="bookmark" title="29 de maio de 2008">Planejamento estratégico de cidades &#8211; parte 1</a></li>

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<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/03/advocacy-planning/" rel="bookmark" title="27 de março de 2008">Advocacy planning</a></li>
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		<title>Planejamento Estrat&#233;gico de Cidades &#8211; parte 2</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jun 2008 19:09:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Saboya</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Este post é uma continuação de “Planejamento estratégico de cidades – parte 1”, onde vimos uma definição do planejamento estratégico aplicado aos sistemas urbanos, suas etapas e algumas críticas que têm sido feitas sobre a forma como ele tem sido aplicado em algumas cidades. Apesar de essas críticas serem pertinentes e importantíssimas para uma avaliação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este post é uma continuação de “<a title="Planejamento estratégico de cidades – parte 1" href="http://urbanidades.arq.br/2008/05/planejamento-estrategico-de-cidades-parte-1/" target="_blank">Planejamento estratégico de cidades – parte 1</a>”, onde vimos uma definição do planejamento estratégico aplicado aos sistemas urbanos, suas etapas e algumas críticas que têm sido feitas sobre a forma como ele tem sido aplicado em algumas cidades. Apesar de essas críticas serem pertinentes e importantíssimas para uma avaliação crítica do planejamento estratégico, uma observação cuidadosa vai demonstrar que elas se referem não ao processo em si, com ele é defendido pelos seus autores, mas à maneira como ele tem sido levado a cabo e efetivado na prática.<span id="more-113"></span></p>
<p>É possível separar as críticas em duas categorias distintas. A primeira delas refere-se ao conteúdo dos planos estratégicos e, por conseqüência, aos valores e princípios que nortearam a sua concepção. Referem-se portanto ao aspecto “substantivo” do planejamento estratégico, e não ao aspecto “processual” (CAMPBELL, 2003). Quando Vainer critica a “venda” da cidade aos empresários, mais do que criticando a venda em si, ele está questionando a quem a cidade está sendo vendida. Como ele mesmo ressalta, a cidade pode ser vendida aos idosos, que procurariam lugares calmos, ou aos jovens, que dariam preferência àqueles lugares que oferecessem entretenimento. Entretanto, na prática isso não tem acontecido e, como aponta Vainer, os atributos valorizados para facilitar a venda têm sido, invariavelmente, aqueles mais interessantes ao capital transnacional.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/2a0b29780320_DFB8/114428100141.jpg"><img style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/2a0b29780320_DFB8/114428100141_thumb.jpg" border="0" alt="114428100141" width="500" height="333" /></a></p>
<p>O mesmo acontece com relação à adoção, como princípios fundamentais, da “produtividade, competitividade e a subordinação dos fins à lógica do mercado” (VAINER, 1999, p. 8). Mais uma vez a crítica refere-se aos valores utilizados e às alternativas adotadas em casos específicos, e não a um defeito do planejamento estratégico enquanto conceito nem enquanto processo.</p>
<p>O segundo grupo de críticas refere-se a aspectos processuais mas, mais uma vez, limitam-se ao modo como o processo foi (ou tem sido) conduzido em casos concretos, específicos. Com relação à participação dos atores, por exemplo, o Planejamento Estratégico defende explicitamente (ao menos na teoria, é claro) que todos os atores que de alguma maneira sejam afetados pelos resultados do plano participem da sua elaboração. Entretanto, na prática, não é isso que tem acontecido, pois a preferência é dada àqueles atores mais importantes do ponto de vista do desenvolvimento econômico, o que inevitavelmente acabará introduzindo distorções nos valores adotados.</p>
<p>Souza (2003, p. 137) chega à mesma conclusão quando faz uma análise do que ele chama de “perspectivas mercadófilas”:</p>
<blockquote><p><img style="border-right: 0px; border-top: 0px; margin: 0px 0px 0px 15px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/2a0b29780320_DFB8/Ipad.jpg" border="0" alt="Ipad" width="240" height="150" align="right" /> O enfoque chamado de estratégico tem, muitas vezes, andado associado à perspectiva “mercadófila” neoconservadora, mas seria incorreto, por diversas razões, tomar o primeiro como sendo idêntico ao segundo.</p></blockquote>
<p>Segundo ele, a expressão planejamento estratégico tem abarcado coisas distintas. Se, por um lado, ele tem sido caracterizado pelo conservadorismo empresarialista, por outro lado existem exemplos de aplicações progressistas do planejamento estratégico, como o desenvolvido por Carlos Matus no Chile, que teve nítida influência na administração petista em Porto Alegre a partir de 1989. Isso provaria que, em ambientes críticos, o conceito de planejamento estratégico pode florescer com nuances mais inclusivas e afastadas dos valores neoliberais.</p>
<p>Em qualquer abordagem de planejamento que se adote sempre existirá o planejamento “bem feito” e o planejamento “mal feito”. O fato de os conceitos do planejamento estratégico terem sido utilizados, num grande numero de situações, para expressar valores no mínimo contestáveis não significa que a abordagem, enquanto conceito, não possua virtudes que possam ser apropriadas e ajustadas para tornar o planejamento mais eficiente e mais eficaz. Demonstrar esse ponto de vista é o objetivo do terceiro e último post, em breve.</p>
<h3>Referências bibliográficas:</h3>
<p>CAMPBELL, Scott. Green cities, growing cities, just cities? Urban planning and the contradictions of sustainable development. In: CAMPBELL, Scott; FAINSTEIN, Susan. <strong>Readings in planning theory</strong>. Malden: Blackwell Publishing, 2003. p. 435 &#8211; 458.</p>
<p>SOUZA, Marcelo Lopes. <strong>Mudar a cidade: uma introdução crítica ao planejamento e à gestão urbanos</strong>. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.</p>
<p>VAINER, Carlos. Pátria, Empresa e Mercadoria. Notas sobre a estratégia discursiva do planejamento estratégico urbano. In: ENCONTRO NACIONAL DA ANPUR, 1999, Porto Alegre. <strong>Anais eletrônicos</strong>&#8230; Porto Alegre: UFRGS, 1999.</p>
<p><strong>Veja também:</strong></p>
<ul>
<li><strong><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/03/o-surgimento-do-planejamento-urbano/">O surgimento do planejamento urbano</a></strong></li>
<li><strong><a href="http://urbanidades.arq.br/2007/11/progresso-traz-insegurana-e-outras-falcias/">&#8220;Progresso traz insegurança&#8221; e outras falácias</a></strong></li>
<li><strong><a href="http://urbanidades.arq.br/2007/09/objetivos-genericos/">O perigo dos objetivos genéricos</a></strong></li>
</ul>
Veja também:<ul><li><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/05/planejamento-estrategico-de-cidades-parte-1/" rel="bookmark" title="29 de maio de 2008">Planejamento estratégico de cidades &#8211; parte 1</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2012/04/links-interessantes-1/" rel="bookmark" title="22 de abril de 2012">Links interessantes #1</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/06/planejamento-estratgico-de-cidades-parte-3/" rel="bookmark" title="12 de junho de 2008">Planejamento Estrat&eacute;gico de Cidades &#8211; parte 3</a></li>

<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2010/10/xiv-encontro-nacional-da-anpur/" rel="bookmark" title="31 de outubro de 2010">XIV Encontro Nacional da ANPUR</a></li>

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