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	<title>Marina Barcellos | Urbanidades</title>
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	<description>Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</description>
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	<title>Marina Barcellos | Urbanidades</title>
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		<title>Rio, por que fazes assim?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marina Barcellos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Nov 2015 13:16:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[espaços públicos]]></category>
		<category><![CDATA[segregação urbana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marina Barcellos e João Pedro Boechat discutem algumas tendências internacionais no tratamento de espaços públicos e contrastam com a realidade do Rio de Janeiro. &#8230; <a href="https://urbanidades.arq.br/2015/11/28/rio-por-que-fazes-assim/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Rio, por que fazes assim?</span></span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Marina Barcellos e João Pedro Boechat</em>.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/oglobo.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1455 aligncenter" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/oglobo-500x277.jpg" alt="" width="500" height="277" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/oglobo-500x277.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/oglobo-300x166.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/oglobo-768x426.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/oglobo-50x28.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/oglobo-200x111.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/oglobo.jpg 960w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><em>Fonte: Jornal O Globo</em></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.big.dk/#projects-vin"><img decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1454 aligncenter" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-01-500x314.jpg" alt="" width="500" height="314" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-01-500x314.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-01-300x189.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-01-768x483.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-01-50x31.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-01-200x126.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-01.jpg 1290w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /><em>http://www.big.dk/#projects-vin</em></a></p>
<p><em><br />
</em>As imagens acima, em um primeiro momento, nos chamam a atenção pela similaridade da composição. Em uma análise mais cuidadosa pode-se listar ainda algumas semelhanças: ambas as fotos foram tiradas na zona portuária de cidades grandes, Rio de Janeiro e Copenhagen, respectivamente, e retratam crianças pulando no mar para se divertir e driblar o calor. Entretanto, o que realmente nos intriga e que motiva o texto que se segue são as diferenças implícitas nas imagens.</p>
<p>Moramos no Rio de Janeiro, onde no verão as temperaturas superam 40 graus e o inverno não chega a ser frio. Pode-se dizer que durante todo o ano temos dias de calor, e a necessidade de refrescar-se é evidente na cidade. Estamos sempre procurando sombras e gostamos de locais bem arborizados. Instalamos, indiscriminadamente, aparelhos de ar condicionado nos prédios e reconhecemos o privilégio de morar perto da praia.</p>
<div class="olhos">O que vemos no Rio é privatização do espaço e redução do acesso a áreas da cidade.</div>
<p>Infelizmente, a Baía de Guanabara, presente em muitas paisagens do Rio, é imprópria para o banho. Assim, somente as praias oceânicas da Zona Sul e Oeste são adequadas aos banhistas, e, não raramente, as pessoas com maior renda possuem o privilégio da proximidade com a praia, ou seja, uma pequena parcela da população. Como agravante, há uma forte discriminação para com aqueles que vêm de longe para tais praias, e muitos vêem a privatização desse espaço e a redução de linhas de ônibus como uma boa solução para impedir-lhes o acesso e redução da violência urbana.</p>
<p>Recentemente, um jornal publicou a primeira imagem acompanhada da seguinte chamada: “Desordem no novo cartão postal do Rio de Janeiro”. Desordem por que? De fato, as águas do local são impróprias para banho. Mas então condenamos as crianças pelo simples ato de mergulhar, e perdemos a oportunidade de denunciar e cobrar uma atitude sobre o estado lastimável no qual se encontra nossa Baía. É provável que a matéria tivesse um foco diferente caso o ocorrido não fossem com crianças negras, mas com atletas, por exemplo.</p>
<p>Os fatos supracitados, infelizmente, retratam bem o modo como a nossa cidade prefere tratar os frutos da desigualdade: com a proibição. Sabemos que as águas são poluídas. Sabemos que não são próprias para o banho. Enquanto muitos esperam a criação de grades de proteção que impeçam o acesso ao mar para que a “ordem” na Praça Mauá seja restaurada, cidades ao redor do mundo estão caminhando na direção oposta, estabelecendo condições de balneabilidade em prol da qualidade de vida dos seus cidadãos.</p>
<p>Inclusão e diversidade fazem parte das propostas de utilização da frente marítima de cidades grandes como Copenhagen e Nova York. Ambas possuem projetos que apostam na construção de espaços públicos, democráticos e que combinam a natureza ao lazer urbano, transformando antigas áreas industriais em opção de lazer.</p>
<p>Em meados dos anos 90 a capital dinamarquesa deu seu primeiro passo em direção à despoluição de seus portos e em menos de 10 anos as águas que atravessam a cidade se tornaram próprias para banho. Ao longo da costa foram implementados diversos projetos de piscinas públicas e &#8220;praias urbanas&#8221; que hoje são um dos destinos favoritos de nativos e turistas durante o curto verão europeu.</p>
<p>Um desses projetos está representado na segunda imagem. Uma piscina pública, concebida pelos escritórios de arquitetura JDS Architects (Julien De Smedt) e BIG (Bjark Ingles Group), que utiliza a água dos canais que passam pela cidade para a recreação de pessoas de todas as idades. Junto com o deck e as piscinas, uma extensa área verde faz papel de nossas areias e cria um espaço de descanso para a população.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.big.dk/#projects-vin"><img decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1453" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-02-500x293.jpg" alt="" width="500" height="293" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-02-500x293.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-02-300x176.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-02-768x450.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-02-50x29.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-02-200x117.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-02.jpg 1258w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /><br />
<em>http://www.big.dk/#projects-vin</em></a></p>
<p>Na metrópole americana, nos chama atenção o Dryline, projeto urbano, ainda em construção, também do escritório BIG, que abrange a extensão sul da ilha de Manhattan e aposta na infraestrutura verde para proteger a cidade de catástrofes ambientais enquanto cria áreas diversas de lazer. A orla ganhou espaços de caminhada, arquibancada que protege a cidade de enchentes e áreas verdes e parques estão presentes ao longo de toda a costa, permeabilizando o solo onde hoje se encontram rodovias e áreas inutilizadas.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.big.dk/#projects-hud"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1452" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-03-500x309.jpg" alt="" width="500" height="309" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-03-500x309.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-03-300x185.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-03-768x474.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-03-50x31.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-03-200x123.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/copenhagen-03.jpg 1393w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /><br />
<em>http://www.big.dk/#projects-hud</em></a></p>
<p>Nova York foi também o cenário de um projeto de designers para a criação de piscinas flutuantes que filtram a água do rio. O equipamento, aos poucos, melhora a qualidade da água enquanto serve de piscina pública, e foi financiado através de um <em>kickstarter</em> na internet. A intenção é que diversas dessas instalações ao longo do Rio Hudson tenham a capacidade de melhorar a qualidade da água ao longo dos anos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.hypeness.com.br/2013/07/designers-criam-piscina-flutuante-que-filtra-a-agua-do-rio-em-nova-york/"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1451" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/CrowdfundedPool_interna-500x300.jpg" alt="" width="500" height="300" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/CrowdfundedPool_interna-500x300.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/CrowdfundedPool_interna-300x180.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/CrowdfundedPool_interna-768x461.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/CrowdfundedPool_interna-50x30.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/CrowdfundedPool_interna-200x120.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/CrowdfundedPool_interna.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /><br />
<em>http://www.hypeness.com.br/2013/07/designers-criam-piscina-flutuante-que-filtra-a-agua-do-rio-em-nova-york/</em></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/CrowdfundedPool.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1450" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/CrowdfundedPool-500x283.jpg" alt="" width="500" height="283" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/CrowdfundedPool-500x283.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/CrowdfundedPool-300x170.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/CrowdfundedPool-50x28.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/CrowdfundedPool-200x113.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/11/CrowdfundedPool.jpg 628w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><br />
<a href="http://www.hypeness.com.br/2013/07/designers-criam-piscina-flutuante-que-filtra-a-agua-do-rio-em-nova-york/">http://www.hypeness.com.br/2013/07/designers-criam-piscina-flutuante-que-filtra-a-agua-do-rio-em-nova-york/</a></p>
<p>A cidade do Rio de Janeiro hoje passa por intensas transformações urbanas. Diversas obras estão sendo feitas com o intuito de preparar a cidade para os jogos olímpicos de 2016. Esta é uma ótima oportunidade para que os tomadores de decisões olhem para fora, buscando exemplos positivos e comecem a construir cidades para pessoas. Todavia, o que observamos é uma cidade que ainda investe nos carros, usa o transporte público de maneira perversa, segregando as classes menos abastadas, que constroi estádios em meio a áreas de preservação ambiental e às custas de severas remoções.</p>
<p>O potencial da “Cidade Maravilhosa” é indiscutível. A cidade é mundialmente conhecida pela natureza exuberante e povo receptivo. Então, porque não deixamos que essas duas características façam parte também do nosso planejamento urbano? Dessa forma poderíamos utilizar espécies nativas na construção de infraestrutura verde que ajude a cidade a conter suas frequentes enchentes. Faríamos uma cidade mais democrática e acessível. No que tange o transporte, nossos espaços públicos considerariam a escala humana e levaria em conta nosso clima.</p>
<p>É preciso tomar muito cuidado com o caminho que algumas metrópoles estão tomando. Gostamos sempre de olhar para fora do País e copiar tendências e estilos. Por que então quando se trata de cidade, privatizamos e segregamos ao invés de nos espelharmos nos exemplos de espaços públicos, democráticos e de arquitetura verde?</p>
<p>Rio, por que fazes assim?</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2015/11/28/rio-por-que-fazes-assim/">Rio, por que fazes assim?</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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