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	<title>Urbanidades | Posts marcados como Camillo Sitte - Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</title>
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	<description>Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</description>
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	<title>Urbanidades | Posts marcados como Camillo Sitte - Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</title>
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		<title>Espaços abertos positivos</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2014/05/18/espacos-abertos-positivos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 May 2014 19:33:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Camillo Sitte]]></category>
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		<category><![CDATA[morfologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Espaços abertos positivos são tão importantes quanto difíceis de serem definidos e explicados. Neste post mostramos alguns exemplos de espaços positivos e espaços residuais e exploramos algumas estratégias para alcançar os primeiros. &#8230; <a href="https://urbanidades.arq.br/2014/05/18/espacos-abertos-positivos/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Espaços abertos positivos</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2014/05/18/espacos-abertos-positivos/">Espaços abertos positivos</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No projeto de espaços abertos, considero que um dos conceitos mais importantes &#8211; e mais difíceis de serem explicados &#8211; é o de conformação de espaços abertos &#8220;positivos&#8221;. Até onde pude apurar, essa denominação foi dada por Alexander et al (1977) no &#8220;Linguagem de Padrões&#8221; e continua sendo utilizada por outros autores (ver, por exemplo, CARMONA et al, 2003), apesar de não ser um termo amplamente adotado.Tão difícil quanto defini-lo em palavras é conseguir com que os alunos entendam o conceito e, mais importante, apliquem-no em seus projetos (e, por que não dizer?, também os profissionais, vide os exemplos trágicos de espaços urbanos existentes por aí). Por isso, este post vai tentar defini-lo utilizando-se primordialmente de imagens, na esperança de que o contraste entre os tipos de espaços permita um entendimento mais fácil e completo desses conceitos.<span id="more-1232"></span></p>
<h3>Espaços positivos e negativos</h3>
<p>Segundo Alexander et al (1977, p. 518), espaços abertos positivos são aqueles que &#8220;possuem um formato distinto e definido, tão definido como o de uma sala&#8221;. Em estudo posterior, Alexander et al (1987, p. 66) definiram espaços positivos como &#8220;coerentes e bem conformados&#8221;.</p>
<p>Para entender melhor, convém considerar uma espécie de deslocamento do foco de atenção na consideração das relações entre edifícios e os espaços abertos, deslocamento no qual o foco de atenção passa dos primeiros para os últimos. Estes passam a ser o elemento principal, e as edificações são vistas como <span style="text-decoration: underline;">meios</span> para conformar os espaços abertos. Ou, em outras palavras, &#8220;&#8216;<em>Edifícios rodeiam os espaços abertos&#8217; e NÃO &#8216;Os espaços abertos rodeiam os edifícios&#8217;</em>&#8221; (ALEXANDER et al, 1987, p. 67). Os espaços abertos é que devem possuir formas mais simples e &#8220;íntegras&#8221;, inteiras, legíveis, enquanto que as edificações acabam possuindo formas mais irregulares, atreladas à sua função de conformar os espaços abertos.</p>
<p>Quando isso não acontece, temos espaços negativos ou, para usar um termo mais usual, residuais. Nesse caso, a edificação é posicionada em um local central e os espaços abertos são aqueles que &#8220;sobram&#8221; ao seu redor. Esses espaços tendem a ser percebidos como incompletos, desagradáveis, sem unidade e, via de regra, são usados para canteiros sem importância ou como espaços exclusivamente de passagem. Veja, por exemplo, o conjunto do CTC, no campus da UFSC, abaixo. É possível perceber que a forma das edificações não fazem a menor menção ao espaço aberto. Elas foram determinadas segundo sua própria lógica (o que não quer dizer, infelizmente, que isso garanta alguma coisa em termos de qualidade na solução arquitetônica), e criam uma série de espaços residuais ao seu redor e em suas reentrâncias.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-01.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1234" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-01-500x375.jpg" alt="espaços positivos 01" width="500" height="375" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-01-500x375.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-01-300x225.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-01-768x576.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-01-640x480.jpg 640w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-01-50x38.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-01-200x150.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-01.jpg 882w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><br />
<span class="legendas">Centro Tecnológico da UFSC (Fonte: Google Maps).</span></p>
<p>Examine, na imagem abaixo, a forma aproximada da edificação destacada e, especialmente, as várias formas dos espaços em branco: praticamente todas são &#8220;retalhos&#8221;, espaços sem força, sem integridade, sem ambiência. Por isso, dificultam a conformação de subespaços e áreas de estar, e não incentivam sua apropriação pelas pessoas.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-02.jpg"><img decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1233" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-02-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-02-500x375.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-02-300x225.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-02-768x576.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-02-640x480.jpg 640w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-02-50x38.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-02-200x150.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-02.jpg 882w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><br />
<span class="legendas">Centro Tecnológico da UFSC (Fonte: Google Maps).</span></p>
<p>Por outro lado, veja a Praça do Campidoglio, abaixo. As edificações conformam perfeitamento o espaço aberto, definindo claramente três lados que funcionam como limites, enquanto um deles fica aberto, conferindo ambiência e direcionalidade ao espaço e valorizando os visuais tanto para o edifício principal quanto a partir do espaço aberto para a cidade, que fica em um nível mais abaixo.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/Ching-2002-p-148-planos-em-U.jpg"><img decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1235" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/Ching-2002-p-148-planos-em-U-500x429.jpg" alt="" width="500" height="429" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/Ching-2002-p-148-planos-em-U-500x429.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/Ching-2002-p-148-planos-em-U-300x257.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/Ching-2002-p-148-planos-em-U-768x659.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/Ching-2002-p-148-planos-em-U-50x43.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/Ching-2002-p-148-planos-em-U-200x172.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/Ching-2002-p-148-planos-em-U.jpg 931w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><br />
<span class="legendas">Espaço aberto positivo (Fonte: Ching, 2002, p. 148).</span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-03.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1236" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-03-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-03-500x375.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-03-300x225.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-03-50x38.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-03-200x150.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-03.jpg 604w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><br />
<span class="legendas">Piazza del Campidoglio &#8211; Roma (Fonte: Google Maps).</span></p>
<h3>Fatores que auxiliam a construção de espaços positivos</h3>
<p>Um primeiro fator, tratado por Alexander et al (1977), é a convexidade do espaço. Um espaço é convexo quando é possível traçar uma linha reta entre todos os pontos localizados no seu interior sem atravessar nenhuma borda do espaço aberto. Em outras palavras, em espaço convexos todos os pontos em seu interior conseguem se &#8220;enxergar&#8221; mutuamente. A imagem abaixo mostra dois exemplos: o primeiro deles, à esquerda, representa um espaço convexo. Todas as possíveis combinações de pontos teriam linhas de visão mútua semelhantes à linha tracejada, no sentido de que passariam apenas dentro do espaço. Na imagem da direita, ao contrário, é fácil perceber que há uma razoável quantidade de &#8220;pares&#8221; de pontos cuja linha de visão entre si passaria por fora do espaço, conforme exemplificado pela linha tracejada. Esse espaço não é convexo.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-04.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1237 aligncenter" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-04-500x266.jpg" alt="" width="500" height="266" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-04-500x266.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-04-300x160.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-04-768x409.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-04-50x27.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-04-200x107.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/espaços-positivos-04.jpg 800w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><span class="legendas">Espaço convexo (esq.) e não convexo (dir.) (Fonte: Carmona et al, 2003, p. 138)</span></p>
<p style="text-align: left;">O segundo é um certo grau de &#8220;contenção espacial&#8221; (CARMONA, 2003, p. 139), que por sua vez depende da relação entre a altura das edificações do entorno e suas distâncias no eixo horizontal. Em casos em que os edifícios estão localizados junto ao espaço aberto, essa relação tende a favorecer a contenção espacial, enquanto que edifícios muito distantes desfavorecem ou mesmo comprometem inteiramente essa sensação de contenção ou ambiência. Obviamente, esse fator está intimamente relacionado com a continuidade dos edifícios ao redor do espaço aberto; nos casos em que essa continuidade é prejudicada pela existência de grandes afastamentos entre as edificações, ou até mesmo pela existência de grandes avenidas e/ou outros elementos do sistema viário, a sensação de ambiência tende a sofrer. Segundo Carmona (2003), a forma mais fácil de criar esse senso de contenção espacial é agrupar edifícios ao redor de um espaço central.</p>
<p style="text-align: left;">Entretanto, isso nem sempre é possível ou até mesmo desejável, dependendo de cada situação. Nesses casos, é possível atingir efeito semelhante através de outros elementos, tais como desníveis e o uso de vegetação. Veja, por exemplo, a estratégia utilizada pelos projetistas da Deichmann square, Chyutin Architects, para reforçar o senso de ambiência e fechamento: nas laterais em que não havia edificações, eles utilizaram-se de suaves taludes para ajudar a criar um fechamento (quase) vertical para o espaço aberto.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/The-Deichmann-Square-Park-Architecture-Design.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1244" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/The-Deichmann-Square-Park-Architecture-Design-500x401.jpg" alt="" width="500" height="401" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1255" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/05/The-Deichmann-Square-Near-The-Campus-Architecture-Design-500x332.jpg" alt="The-Deichmann-Square-Near-The-Campus-Architecture-Design" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/The-Deichmann-Square-3D-Master-Plan-Architecture-Design.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1245" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/The-Deichmann-Square-3D-Master-Plan-Architecture-Design-500x402.jpg" alt="The-Deichmann-Square-3D-Master-Plan-Architecture-Design" width="500" height="402" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/The-Deichmann-Square-3D-Master-Plan-Architecture-Design-500x402.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/The-Deichmann-Square-3D-Master-Plan-Architecture-Design-300x241.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/The-Deichmann-Square-3D-Master-Plan-Architecture-Design-768x618.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/The-Deichmann-Square-3D-Master-Plan-Architecture-Design-50x40.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/The-Deichmann-Square-3D-Master-Plan-Architecture-Design-200x161.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/The-Deichmann-Square-3D-Master-Plan-Architecture-Design.jpg 940w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><br />
<span class="legendas">Deichmann square (Chyutin Architects) &#8211; Source: <a href="http://www.contemporist.com/2011/01/17/the-deichmann-square-by-chyutin-architects/" target="_blank">here</a>.</span></p>
<p>Essa contenção espacial possui, certamente, diferentes graus, dependendo do modo como suas bordas estão configuradas, como se relacionam e conformam o espaço aberto e como se relacionam entre si, permitindo um maior ou menor campo visual &#8220;escapar&#8221; de dentro do espaço. Edificações que se estendem por trás de outras edificações tendem a bloquear as visuais para fora do espaço e, com isso, ampliar a sensação de contenção. Carmona (2003) nota que, de acordo com Camilo Sitte (1992), as praças que se mostraram mais bem sucedidas em seus estudos eram aquelas que permitiam linhas de visão para outras praças (sobre isso, vale a pena dar uma olhada também nos estudos da <a title="Sintaxe Espacial" href="http://urbanidades.arq.br/2007/09/sintaxe-espacial/">Sintaxe Espacial </a>e as análises feitas sobre esses visuais para fora das ambiências criadas pelos espaços abertos).</p>
<p style="text-align: left;">Camilo Sitte também estudou esse fenômeno e destacou o uso de configurações do tipo &#8220;catavento&#8221;, nas quais as vias não passam diretamente pelo espaço, o que diminuiria a sensação de contenção do espaço; ao contrário, as vias eram interrompidas pelas edificações para &#8220;recomeçarem&#8221; em outro alinhamento, aumentando a sensação de definição da ambiência.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/05/Sitte-1992-p-49-Praca-antiga.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone  wp-image-1257" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/05/Sitte-1992-p-49-Praca-antiga.jpg" alt="Sitte (1992 - p 49) - Praca antiga" width="225" height="211" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/05/Sitte-1992-p-49-Praca-antiga.jpg 474w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/05/Sitte-1992-p-49-Praca-antiga-300x281.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/05/Sitte-1992-p-49-Praca-antiga-50x47.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/05/Sitte-1992-p-49-Praca-antiga-200x187.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px" /></a><br />
<span class="legendas">Configurações em &#8220;catavento&#8221; &#8211; Sitte, 1992.</span></p>
<p>Podemos concluir que espaços bem conformados, positivos, tendem a proporcionar maior qualidade ao usuário e criar espaços mais agradáveis. Entretanto, é preciso buscar o equilíbrio no grau de fechamento do espaço, sob pena de criar um ambiente excessivamente autocentrado e desconectado do seu entorno e das demais atividades acontecendo na cidade ao seu redor. Um fechamento equilibrado deve ser capaz de, ao mesmo tempo, proporcionar uma sensação de acolhimento mas também realizar conexões (visuais, funcionais, ou mesmo simbólicas) com outras partes da cidade, sejam outros espaços semelhantes a ele ou não, de forma a integrar-se adequadamente à riqueza e complexidade da dinâmica urbana.</p>
<h3>Exemplos</h3>
<h4>Espaços negativos</h4>

<a href='https://urbanidades.arq.br/2014/05/18/espacos-abertos-positivos/ufsc-01_cr/'><img loading="lazy" decoding="async" width="140" height="140" src="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/UFSC-01_cr-140x140.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail" alt="" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/UFSC-01_cr-140x140.jpg 140w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/UFSC-01_cr-180x180.jpg 180w" sizes="auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px" /></a>
<a href='https://urbanidades.arq.br/2014/05/18/espacos-abertos-positivos/original_soh_aerial_1/'><img loading="lazy" decoding="async" width="140" height="140" src="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/original_SOH_Aerial_1-140x140.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail" alt="" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/original_SOH_Aerial_1-140x140.jpg 140w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/original_SOH_Aerial_1-640x640.jpg 640w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/original_SOH_Aerial_1-180x180.jpg 180w" sizes="auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px" /></a>
<a href='https://urbanidades.arq.br/2014/05/18/espacos-abertos-positivos/parking-houston-2/'><img loading="lazy" decoding="async" width="140" height="140" src="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/parking-houston-140x140.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail" alt="" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/parking-houston-140x140.jpg 140w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/parking-houston-640x640.jpg 640w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/parking-houston-180x180.jpg 180w" sizes="auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px" /></a>
<a href='https://urbanidades.arq.br/2014/05/18/espacos-abertos-positivos/le-corbusier-cidade-moderna-croqui-01_1024/'><img loading="lazy" decoding="async" width="140" height="140" src="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/Le-Corbusier-Cidade-Moderna-Croqui-01_1024-140x140.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail" alt="" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/Le-Corbusier-Cidade-Moderna-Croqui-01_1024-140x140.jpg 140w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/Le-Corbusier-Cidade-Moderna-Croqui-01_1024-640x640.jpg 640w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/Le-Corbusier-Cidade-Moderna-Croqui-01_1024-180x180.jpg 180w" sizes="auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px" /></a>
<a href='https://urbanidades.arq.br/2014/05/18/espacos-abertos-positivos/4647696349_3d5ec85f11_o/'><img loading="lazy" decoding="async" width="140" height="103" src="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/4647696349_3d5ec85f11_o-scaled.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail" alt="" /></a>

<h4>Espaços positivos</h4>

<a href='https://urbanidades.arq.br/2014/05/18/espacos-abertos-positivos/the-deichmann-square-3d-master-plan-architecture-design/'><img loading="lazy" decoding="async" width="140" height="140" src="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/The-Deichmann-Square-3D-Master-Plan-Architecture-Design-140x140.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail" alt="" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/The-Deichmann-Square-3D-Master-Plan-Architecture-Design-140x140.jpg 140w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/The-Deichmann-Square-3D-Master-Plan-Architecture-Design-640x640.jpg 640w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/The-Deichmann-Square-3D-Master-Plan-Architecture-Design-180x180.jpg 180w" sizes="auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px" /></a>
<a href='https://urbanidades.arq.br/2014/05/18/espacos-abertos-positivos/veneza-02/'><img loading="lazy" decoding="async" width="140" height="140" src="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/veneza-02-140x140.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail" alt="" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/veneza-02-140x140.jpg 140w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/veneza-02-180x180.jpg 180w" sizes="auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px" /></a>
<a href='https://urbanidades.arq.br/2014/05/18/espacos-abertos-positivos/pracas_01/'><img loading="lazy" decoding="async" width="140" height="140" src="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/pracas_01-140x140.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail" alt="" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/pracas_01-140x140.jpg 140w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/pracas_01-180x180.jpg 180w" sizes="auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px" /></a>
<a href='https://urbanidades.arq.br/2014/05/18/espacos-abertos-positivos/del-rio-1990-p-141-mercado/'><img loading="lazy" decoding="async" width="140" height="140" src="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/Del-Rio-1990-p-141-Mercado-140x140.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail" alt="" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/Del-Rio-1990-p-141-Mercado-140x140.jpg 140w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/Del-Rio-1990-p-141-Mercado-640x640.jpg 640w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/04/Del-Rio-1990-p-141-Mercado-180x180.jpg 180w" sizes="auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px" /></a>
<a href='https://urbanidades.arq.br/2014/05/18/espacos-abertos-positivos/ching-2002-p-148-planos-em-u/'><img loading="lazy" decoding="async" width="140" height="140" src="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/Ching-2002-p-148-planos-em-U-140x140.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail" alt="" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/Ching-2002-p-148-planos-em-U-140x140.jpg 140w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/Ching-2002-p-148-planos-em-U-640x640.jpg 640w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/03/Ching-2002-p-148-planos-em-U-180x180.jpg 180w" sizes="auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px" /></a>
<a href='https://urbanidades.arq.br/2014/05/18/espacos-abertos-positivos/piazza-san-pietro-02_red/'><img loading="lazy" decoding="async" width="140" height="140" src="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/05/Piazza-San-Pietro-02_red-140x140.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail" alt="" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/05/Piazza-San-Pietro-02_red-140x140.jpg 140w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/05/Piazza-San-Pietro-02_red-180x180.jpg 180w" sizes="auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px" /></a>

<h3 style="text-align: left;">Referências</h3>
<p>ALEXANDER, C.; ISHIKAWA, S.; SILVERSTEIN, M. A <strong>pattern language</strong>: towns, buildings, construction. New York: Oxford University Press, 1977.</p>
<p>ALEXANDER, C. et al.<strong> A New theory of urban design</strong>. New York: Oxford University Press, 1987.</p>
<p>CARMONA, M. <strong>Public places, urban spaces</strong>: the dimensions of urban design. Oxford; Boston: Architectural Press, 2003.</p>
<p>SITTE, C. <strong>A construção da cidade segundo seus princípios artísticos</strong>. São Paulo: Ática, 1992. v. (1a. ed. 1889) </p>
<p>&nbsp;</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2014/05/18/espacos-abertos-positivos/">Espaços abertos positivos</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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		<title>Leslie Martin e a grelha como geradora (the grid as generator)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Jul 2012 19:16:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Camillo Sitte]]></category>
		<category><![CDATA[cidade modernista]]></category>
		<category><![CDATA[configuração]]></category>
		<category><![CDATA[morfologia]]></category>
		<category><![CDATA[ocupação do solo]]></category>
		<category><![CDATA[padrões]]></category>
		<category><![CDATA[parâmetros urbanísticos]]></category>
		<category><![CDATA[parcelamento do solo]]></category>
		<category><![CDATA[sistema viário]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>"The grid as generator" é um texto clássico de Leslie Martin, publicado originalmente em 1972. Nele, o autor faz uma análise da grelha ortogonal como uma base para que diferentes padrões de edificações sejam desenvolvidos, e propõe uma nova alternativa de ocupação das quadras.  &#8230; <a href="https://urbanidades.arq.br/2012/07/08/leslie-martin-e-a-grelha-como-geradora-the-grid-as-generator/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Leslie Martin e a grelha como geradora (the grid as generator)</span></span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;<em><strong>The grid as generator</strong></em>&#8221; é um texto clássico de Leslie Martin, publicado originalmente em 1972. Nele, o autor faz uma análise da grelha ortogonal como uma base para que diferentes padrões de edificações sejam desenvolvidos, e propõe uma nova alternativa de ocupação das quadras. Ele inicia o texto comentando as críticas existentes às duas principais linhas de pensamento do planejamento e desenho urbanos da época (e, creio eu, ainda dos dias atuais. Infelizmente não parece que tenhamos chegado a um acordo saudável entre essas duas visões de urbanismo / planejamento urbano).</p>
<h3>As duas visões de planejamento urbano</h3>
<p>A primeira linha de pensamento principal do planejamento diz respeito à tradição &#8220;Sitteana&#8221; de cidade como sistema visualmente ordenado, fruto do trabalho de uma única pessoa (o arquiteto artista) e não de um comitê. A segunda é uma abordagem mais pragmática, na qual pesquisas indicam as demandas por usos e a quantidade de área necessária para abrigá-los, assim como calculam as densidades e as distribuem entre zonas (supostamente) homogêneas. Obviamente, muitas vezes essas duas linhas são usadas simultaneamente pelos planejadores urbanos.<span id="more-1088"></span></p>
<p>Jacobs critica ambas as visões por considerar que qualquer tipo de planejamento que busque qualquer tipo de ordem é essencialmente incompatível com a organicidade do sistema urbano. Planejamento, segundo ela, é artificial. Uma crítica semelhante foi feita por Christopher Alexander, que fez uma distinção entre as cidades &#8220;naturais&#8221; e &#8220;artificiais&#8221;. Martin contesta a visão de que todas as cidades antigas são orgânicas, fruto de desenvolvimento espontâneo, citando o estudo de Beresford (1967) que documenta várias cidades medievais no Reino Unido construídas sobre uma malha regular. Também nos Estados Unidos, há vários exemplos de cidades que usam uma base rigidamente ortogonal, e portanto artificial, e que no entanto funcionam bem até hoje, mesmo sofrendo forte influência das possibilidades e dificuldades impostas pelo desenho da malha.</p>
<p class="olhos">Grelhas ortogonais permitiram o crescimento e a adaptação de novos padrões edilícios.</p>
<p>Entretanto, Martin reconhece que a essência do argumento de Alexander não é esse; refere-se, na verdade, a um tratamento das funções das cidades e suas complexas interrelações em &#8220;caixas&#8221; mais ou menos independentes e sem sobreposições e ambiguidades (por isso a metáfora da cidade como uma árvore). Nesse ponto, Martin concorda com a crítica. Por outro lado, ele destaca que a crítica implícita no trabalho de Jacobs, de que seria impossível que a complexa teia de relações da cidade se desenvolvesse sobre uma estrutura artificial pré-concebida, não se sustenta. Ao contrário, Martin defende que &#8220;crescimento orgânico&#8221; sem uma estrutura organizadora é caos (e não na acepção mais recente da palavra, relacionada à teoria da complexidade).</p>
<h3>A grelha como &#8220;framework&#8221; da cidade</h3>
<p>A partir dessa reflexão inicial, o autor coloca-se algumas questões: como funciona o &#8220;<em>framework</em>&#8221; de uma cidade? de que forma a grelha atua como geradora e influenciadora da forma da cidade? até que ponto ele tolera o crescimento e a mudança? Para respondê-las, ele faz um estudo do tipo de grelha considerada a mais artificial possível: a ortogonal. Três cidades que usam esse tipo de malha urbana (Savannah, Manhattan e Chicago) permitiram mudanças na forma e no estilo de suas edificações ao longo do tempo. Da mesma forma, todas elas permitiram o crescimento, seja pela intensificação do uso (adensamento) ou por extensão (crescimento horizontal).</p>
<p>Em Manhattan, por volta de 1850, as áreas mais densas apresentavam um padrão de quadras com edificações de 4 a 6pavimentos, construídas junto aos limites frontais e com jardins privados internos. Segundo o autor, essa configuração mantinha um equilíbrio entre o lote, a quantidade de área edificada que ele suporta e o sistema viário que o alimenta.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter" title="martin_01" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2012/07/martin_01-500x685.png" alt="" width="500" height="685" /></p>
<p class="legendas" style="text-align: center;">Manhattan: dois tipos de ocupação da quadra, com diferentes intensidades de utilização.</p>
<h3>A intensificação da ocupação do solo</h3>
<p>Entretanto, a pressão por crescimento trouxe modificações a esse padrão. Aos poucos, a forma das edificações foi substituída em certos lugares-chave por edifícios mais altos e profundos, que consumiram o espaço dos pátios internos. O único modo de ampliar o uso do espaço era através da criação de edifícios altos em cada quadra. O autor não deixa claro se isso implicava no remembramento dos lotes, mas tudo indica que sim: os lotes de uma quadra eram remembrados transformando-a em um só grande lote, de modo a maximizar as possibilidades de construção. Foi nessa época (por volta de 1915), aliás, e justamente por causa desse fenômeno, que os zoneamentos abrangentes foram instituídos em Manhattan, segundo Martin. Essa nova tipologia de quadras/edificação colocava em risco a oferta de iluminação nas ruas e edificações vizinhas. O equilíbrio havia sido rompido.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1089 aligncenter" title="martin_02" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2012/07/martin_02-500x573.png" alt="" width="500" height="573" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2012/07/martin_02-500x573.png 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2012/07/martin_02-261x300.png 261w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2012/07/martin_02-44x50.png 44w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2012/07/martin_02-174x200.png 174w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2012/07/martin_02.png 555w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></p>
<p class="legendas">Manhattan: a intensa utilização do solo comprometeu o equilíbrio entre os elementos da forma urbana, assim como a disponbilidade de luz natural nas ruas e edificações vizinhas.</p>
<p>As críticas a essa grelha ortogonal resultaram em propostas (tais como os subúrbios jardins) com ruas curvas e intenções estéticas diferenciadas, mas segundo Martin impuseram uma rigidez às edificações que a grelha não possui. Por isso, as críticas e suas porpostas de soluções na verdade não resolveram os problemas fundamentais:</p>
<blockquote><p>&#8220;É impossível negar a força por trás das críticas à grelha. Ela pode resultar em monotonia: o subúrbio curvilíneo também pode. Ela pode não funcionar: a cidade orgânica também. [&#8230;] A decisão pela grelha permite que diferentes padrões de moradia se desenvolvam e que se elaborem diferentes opções. A grelha, ao contrário da imagem visual fixa, pode aceitar e responder à mudança.&#8221; (MARTIN, 1972, p. 75).</p></blockquote>
<div class="olhos">Organicidade do desenho não implica em organicidade na dinâmica do sistema de produção e reprodução da cidade.</div>
<p>Portanto, Martin mostra que a suposta &#8220;organicidade&#8221; das linhas curvas não corresponde, necessariamente, a uma organicidade no sentido de maior sintonia com os processos dinâmicos de construção e reprodução da cidade e sua forma construída. Mesmo uma base ortogonal pode ser mais flexível na sua utilização do que um plano desenhado sob o ponto de vista estritamente visual. Afinal, este necessita da ordem embutida na ideia original para manter sua integridade compositiva; essa ordem acaba funcionando, portanto, como um fator que dificulta e diminui a flexibilidade na utilização de padrões construtivos diferentes do inicialmente concebido.</p>
<p>Assim, Martin faz um estudo de outras possíveis alternativas de ocupação da grelha ortogonal, tentando manter a intensa utlização do solo mas sem incorrer em seus prejuízos ao espaço urbano. Em outro post, vamos ver qual é essa alternativa.</p>
<h3>Referência Bibliográfica</h3>
<p>MARTIN, Leslie. the grid as generator. In: CARMONA, M.; TIESDELL, S. <strong>Urban Design Reader</strong>. [S.l.] Architectural Press, 2007. cap. 8. (publicado originalmente em 1972).</p>
<p>&nbsp;</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2012/07/08/leslie-martin-e-a-grelha-como-geradora-the-grid-as-generator/">Leslie Martin e a grelha como geradora (the grid as generator)</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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		<title>O urbanismo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Feb 2008 13:48:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[artigos clássicos]]></category>
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		<category><![CDATA[cidade jardim]]></category>
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		<category><![CDATA[Ebenezer Howard]]></category>
		<category><![CDATA[Le Corbusier]]></category>
		<category><![CDATA[modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O urbanismo, enquanto disciplina, nasceu como uma reação aos problemas trazidos pela Revolução Industrial. Após a intensa industrialização experimentada nessa época, as cidades sofreram um enorme crescimento populacional ocasionado principalmente<a href="https://urbanidades.arq.br/2008/02/19/o-urbanismo/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">O urbanismo</span></span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Ourbanismo_95E6/LeCorbusierCidadeModernaCroqui01.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border: 0px none " src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Ourbanismo_95E6/LeCorbusierCidadeModernaCroqui01_thumb.jpg" border="0" alt="Le Corbusier - Cidade Moderna - Croqui 01" width="234" height="244" align="right" /></a> O urbanismo, enquanto disciplina, nasceu como uma reação aos problemas trazidos pela Revolução Industrial. Após a intensa industrialização experimentada nessa época, as cidades sofreram um enorme crescimento populacional ocasionado principalmente pelo êxodo dos trabalhadores rurais em direção às cidades, em busca de empregos e melhores condições de vida. Isso ocasionou uma grande deterioração da qualidade de vida, principalmente por fatores ligados aos aspectos físico-ambientais (sujeira, lixo, doenças, esgoto, densidades excessivas, etc.), que por sua vez ocasionou o surgimento de um novo campo disciplinar que se pretendia científico: o urbanismo.</p>
<p><span id="more-83"></span></p>
<p>Pelo fato de, até então, as intervenções sobre a cidade serem eminentemente de caráter espacial, foram os arquitetos quem tomaram a frente dessa nova diciplina, impondo sua forma de ver a cidade (Taylor, 1998). Com efeito, segundo Kohlsdorf (1985, p. 24), “os urbanistas são, geralmente, arquitetos”.</p>
<p>Entre os primeiros urbanistas estão Tony Garnier, Walter Gropius, Ebenezer Howard, Camillo Sitte e, é claro, Le Corbusier. Suas propostas eram de caráter eminentemente físico, como não poderia deixar de ser, e envolviam preocupações com aspectos como a distribuição das diferentes funções pela cidade, o traçado urbano, a distribuição de densidades e a localização e o desenho das áreas verdes, bem como preocupações com os aspectos estéticos.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Ourbanismo_95E6/Kohlsdorf1985p.26CidadeLinearLeCorbusier.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Ourbanismo_95E6/Kohlsdorf1985p.26CidadeLinearLeCorbusier_thumb.jpg" border="0" alt="Kohlsdorf (1985 - p. 26) - Cidade Linear Le Corbusier" width="360" height="336" /></a><br />
<em>Cidade Linear Industrial de Le Corbusier (Fonte: KOHLSDORF, 1985, p. 26)</em></p>
<p>Estas propostas eram curiosamente distantes dos problemas enfrentados pelas cidades reais, no sentido de que não se propunham a intervir sobre elas para solucioná-los, mas sim propor esquemas considerados como modelos ideais a partir dos quais seriam criadas as condições para uma sociedade mais feliz. Esses esquemas seguiam a tradição da prática arquitetônica e propunham um projeto “final” para a cidade, a ser atingido num horizonte de tempo indeterminado. Esses projetos tinham um nível de detalhamento considerável, através do qual os urbanistas buscavam eliminar as incertezas reduzindo ao máximo as variações possíveis.</p>
<p>Por esse motivo, eram chamados de <em>master plans</em>, ou ainda <em>blueprint plans</em>. Ebenezer Howard, por exemplo, previa suas cidades-jardins com estruturas radiais compostas por 6 bulevares de 36m, formando 6 distritos ou partes iguais.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Ourbanismo_95E6/Kohlsdorf1985p.30Cidadejardimhorizontal.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border: 0px none " src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Ourbanismo_95E6/Kohlsdorf1985p.30Cidadejardimhorizontal_thumb.jpg" border="0" alt="Kohlsdorf (1985 - p. 30) Cidade jardim - horizontal" width="360" height="146" /></a><br />
<em><span style="font-size: x-small;">Fig. 2 &#8211; Cidade-Jardim de Ebenezer Howard (1898). (Fonte: KOHLSDORF, 1985, p. 30)</span></em></p>
<p>Além disso, o urbanismo dessa época não era baseado na experiência e na pesquisa sobre o modo de funcionamento das cidades. Taylor (1998, p. 14) argumenta que</p>
<blockquote><p>Os planos e as decisões de planejamento eram feitos geralmente baseadas na intuição ou, ao invés disso, baseadas em concepções estéticas simplistas da forma urbana [&#8230;].</p></blockquote>
<p>Apesar disso, muitos dos modelos de cidade foram efetivamente levados a cabo, ainda que de maneira incompleta, em diversos lugares do mundo e com resultados os mais diferentes. No Brasil, um dos exemplos mais ilustres: Brasília.</p>
<p>Em outro post, falaremos sobre a mudança ocorrida na forma de ver a cidade, que passou a ser entendida como um sistema dinâmico, no qual o <strong><span style="text-decoration: underline;">processo </span></strong>de desenvolvimento, portanto, adquiriu importância especial.</p>
<h3>Referências bibiográficas</h3>
<p>KOHLSDORF, Maria Elaine. Breve histórico do espaço urbano como campo disciplinar. In: GONZALES, Sueli et al. <strong>O espaço da cidade &#8211; contribuição à análise urbana</strong>. São Paulo: Projeto, 1985.</p>
<p>TAYLOR, Nigel. <strong>Urban planning theory since 1945</strong>. London: Sage, 1998.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2008/02/19/o-urbanismo/">O urbanismo</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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