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	<title>Urbanidades | Posts marcados como ocupação do solo - Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</title>
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	<description>Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</description>
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	<title>Urbanidades | Posts marcados como ocupação do solo - Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</title>
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		<title>Zoneamento e planos diretores v.2.0 &#8211; parte 2</title>
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					<comments>https://urbanidades.arq.br/2018/02/11/zoneamento-e-planos-diretores-v-2-0-parte-2/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Feb 2018 18:49:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[gabaritos]]></category>
		<category><![CDATA[ocupação do solo]]></category>
		<category><![CDATA[parâmetros urbanísticos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Continuando a nova versão do post sobre o zoneamento e planos diretores, neste veremos como ele funciona e qual a lógica por trás desse funcionamento. &#8230; <a href="https://urbanidades.arq.br/2018/02/11/zoneamento-e-planos-diretores-v-2-0-parte-2/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Zoneamento e planos diretores v.2.0 &#8211; parte 2</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2018/02/11/zoneamento-e-planos-diretores-v-2-0-parte-2/">Zoneamento e planos diretores v.2.0 – parte 2</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Continuando a nova versão do post sobre o zoneamento e planos diretores (veja a parte 1 <a href="http://urbanidades.arq.br/2018/01/zoneamento-e-planos-diretores-v-2-0-parte-1/" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>), neste veremos como ele funciona e qual a lógica por trás desse funcionamento.</p>
<ul>
<li><a href="https://urbanidades.arq.br/2018/01/17/zoneamento-e-planos-diretores-v-2-0-parte-1/">Zoneamento e planos diretores v.2.0 &#8211; parte 1</a></li>
<li><a href="https://urbanidades.arq.br/2018/02/11/zoneamento-e-planos-diretores-v-2-0-parte-2/">Zoneamento e planos diretores v.2.0 &#8211; parte 2</a></li>
<li><a href="https://urbanidades.arq.br/2018/09/25/zoneamento-e-planos-diretores-v-2-0-parte-3/">Zoneamento e planos diretores v.2.0 &#8211; parte 3</a></li>
<li><a href="https://urbanidades.arq.br/2018/12/13/zoneamento-e-planos-diretores-v-2-0-parte-4/">Zoneamento e planos diretores v.2.0 &#8211; parte 4</a></li>
</ul>
<h3>Como o zoneamento funciona?</h3>
<p>O zoneamento busca alcançar seus objetivos através do controle de dois elementos principais: o uso do solo e a forma (tamanho, altura, posição, etc.) das edificações e, com menor preponderância, do parcelamento do solo (especialmente no que diz respeito ao tamanho mínimo dos lotes).</p>
<p>A forma típica de apresentação de um zoneamento é um mapa contendo as zonas, representadas por cores e siglas, complementado por uma parte textual que define os parâmetros urbanísticos vigentes para cada uma delas, normalmente em forma de tabela. Os nomes das zonas constam tanto do mapa quanto das tabelas, e realizam a vinculação entre as duas partes. Por exemplo, no mapa de zoneamento de São Paulo, abaixo, as cores representam as diferentes zonas, e a legenda indica qual cor corresponde a cada uma delas (uma combinação que não é das mais amigáveis ao leitor, diga-se de passagem; o melhor é indicar os nomes das zonas diretamente no desenho, como faz Nova Iorque, também mostrado neste post).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/zoneamento_sp.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1628" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/zoneamento_sp.png" alt="" width="1340" height="753" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/zoneamento_sp.png 1340w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/zoneamento_sp-300x169.png 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/zoneamento_sp-500x281.png 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/zoneamento_sp-768x432.png 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/zoneamento_sp-990x556.png 990w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/zoneamento_sp-350x197.png 350w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/zoneamento_sp-860x484.png 860w" sizes="(max-width: 1340px) 100vw, 1340px" /></a><br />
Adaptado do mapa disponível <a href="http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/marco-regulatorio/zoneamento/arquivos/" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</p>
<p>A essas zonas mostradas no mapa correspondem alguns parâmetros urbanísticos, conforme tabela abaixo, também disponível <a href="http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/marco-regulatorio/zoneamento/arquivos/" target="_blank" rel="noopener">aqui</a> (Quadro 3 – Parâmetros de ocupação dos lotes, exceto de Quota Ambiental):</p>
<p><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/zoneamento_sp_tabela.png"><img decoding="async" class="size-full wp-image-1629 aligncenter" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/zoneamento_sp_tabela.png" alt="" width="1124" height="1506" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/zoneamento_sp_tabela.png 1124w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/zoneamento_sp_tabela-224x300.png 224w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/zoneamento_sp_tabela-500x670.png 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/zoneamento_sp_tabela-768x1029.png 768w" sizes="(max-width: 1124px) 100vw, 1124px" /></a><br />
A lógica, portanto, é simples. O único aspecto que pode confundir um pouco, além, obviamente, do que significa cada parâmetro, é que usualmente o mapa e a tabela não estão no mesmo documento, apesar de funcionarem em conjunto. O mais comum é que sejam anexos diferentes da lei do plano diretor, que por sua vez está em um arquivo separado, em texto formatado como um projeto de lei (com artigos, parágrafos, alíneas, etc.).</p>
<p>Seguem, abaixo, mais alguns exemplos de zoneamentos pelo mundo:</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="size-full wp-image-1606 aligncenter" style="text-align: center;" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/Screenshot-16_01_2018-18_05_35_cr.png" alt="" width="1356" height="763" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/Screenshot-16_01_2018-18_05_35_cr.png 1356w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/Screenshot-16_01_2018-18_05_35_cr-300x169.png 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/Screenshot-16_01_2018-18_05_35_cr-500x281.png 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/Screenshot-16_01_2018-18_05_35_cr-768x432.png 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/Screenshot-16_01_2018-18_05_35_cr-990x556.png 990w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/Screenshot-16_01_2018-18_05_35_cr-350x197.png 350w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/Screenshot-16_01_2018-18_05_35_cr-860x484.png 860w" sizes="(max-width: 1356px) 100vw, 1356px" /><span style="text-align: center;">Zoneamento atual de Nova Iorque. Fonte: </span><a style="text-align: center;" href="&quot;https://zola.planning.nyc.gov/?building-footprints=false&amp;commercial-overlays=false&amp;pluto=false&amp;subway=false">aqui</a><span style="text-align: center;">.</span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/Zoneamento-Paris.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-1634 aligncenter" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/Zoneamento-Paris.png" alt="" width="1400" height="787" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/Zoneamento-Paris.png 1400w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/Zoneamento-Paris-300x169.png 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/Zoneamento-Paris-500x281.png 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/Zoneamento-Paris-768x432.png 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/Zoneamento-Paris-990x556.png 990w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/Zoneamento-Paris-350x197.png 350w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/01/Zoneamento-Paris-860x484.png 860w" sizes="auto, (max-width: 1400px) 100vw, 1400px" /></a>Zoneamento de Paris. Fonte: <a href="http://pluenligne.paris.fr/plu/sites-plu/site_statique_38/documents/796_Plan_Local_d_Urbanisme_de_P/802_Reglement/808_Atlas_general___Planches_th/C_AG_ZONAGE-V15.pdf" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</p>
<h3>Qual é a lógica por trás da definição de um zoneamento?</h3>
<p>O zoneamento é, em essência, uma simplificação da realidade, uma maneira de reduzir a complexidade da cidade a níveis gerenciáveis. Se olharmos com atenção qualquer situação urbana, veremos que a quantidade de detalhes, nuances, elementos em interação, aspectos relevantes, relações de influência que se propagam no tempo e no espaço,  e mais uma infinidade de outros aspectos são tão numerosos quanto estivermos dispostos a incluir em nossas análises. Mesmo em uma pequena praça em um bairro residencial, há uma série de dinâmicas complexas envolvidas: pessoas que a usam em determinados horários do dia e dias da semana, padrões de encontros e desencontros, fluxos por dentro e ao seu redor, a pé, de automóvel, ônibus e bicicletas, atividades de manutenção, usos diversificados, horários de funcionamento, etc. O próprio meio natural muda ao longo do dia e ao longo do ano: temperaturas sobem e descem, a luz muda, as sombras se deslocam, as folhas caem, mudam de cor e nascem novamente.</p>
<p>O mesmo vale para quaisquer outros recortes que nos proponhamos a analisar: cada um deles é único e possui características que não são iguais às de nenhum outro lugar do planeta.</p>
<div class="olhos">Para ser possível intervir na complexidade da cidade, precisamos fazer algumas simplificações. O zoneamento é uma delas e, por isso, concentra a atenção em alguns poucos aspectos considerados mais relevantes.</div>
<p>O que fazer, então? A resposta é <span style="text-decoration: underline;"><strong>simplificar</strong></span>. Isso vale para qualquer intervenção urbana, e significa restringir a quantidade de fatores a serem levados em consideração àqueles que são mais importantes e viáveis de serem trabalhados em cada escala e por cada instrumento. No caso do zoneamento, especificamente, a simplificação acontece especialmente com:</p>
<ul>
<li>O estabelecimento de zonas consideradas, para todos os efeitos, homogêneas internamente, apesar de claramente não o serem. A divisão em zonas permite reduzir uma infinidade de possíveis recortes a uma quantidade com a qual é possível trabalhar.</li>
<li> A desconsideração de aspectos que não possam ser adequadamente tratados nessa escala e segundo essa estrutura por zonas, como por exemplo arborização urbana, larguras e leiautes de passeios, desenho de espaços públicos específicos, programas de investimentos, ações em políticas setoriais, etc. Nessa estrutura, o que cabe incluir são limites à forma e ao tamanho das edificações, ao tamanho dos lotes, às distâncias entre edificações vizinhas e entre elas e a rua, à superfície do terreno que pode ser ocupada, etc. Em suma, aquilo que diz respeito aos limites às ações individuais. Isso não quer dizer que os outros aspectos não possam ou não devam ser levados em consideração no zoneamento. Este inevitavelmente possuirá repercussões em praticamente todos os outros elementos do sistema urbano, uma vez que a forma edificada é um aspecto extremamente importante da estrutura urbana (é só pensar em densidade populacional e construtiva e padrões de uso do solo, por exemplo). Uma outra consideração é que o zoneamento, apesar de não tratar desses outros aspectos, pode e deve servir de referência espacial para eles, quando pertinente. Por exemplo, uma política setorial como a de educação poderia estabelecer prioridades para algumas zonas, como as ZEIS, tendo em vista suas características.</li>
</ul>
<p>Ambas as simplificações trazem algumas perdas inevitáveis e alguns riscos que podem ser maiores ou menores, dependendo das escolhas específicas realizadas (por exemplo, com relação à quantidade e ao desenho das zonas, bem como a quais parâmetros incluir, e de que forma). A opção por essa estratégia assume que o que se ganha com a simplificação é maior e vale mais a pena do que o que é perdido.</p>
<div class="olhos">O zoneamento deve estabelecer um diálogo entre o que a cidade é e o que deveria ser, respeitando sua lógica e seus mecanismos de funcionamento.</div>
<p>Esse é um primeiro princípio por trás de todo zoneamento. Um segundo, diretamente derivado daquele, é que ele representa um diálogo entre o que existe e o que desejamos que passe a existir. Entre o que é e o que pode &#8211; ou deveria &#8211; ser. Entre a história &#8211; tudo que aconteceu até aqui para aquele lugar ser como é &#8211; e o futuro, os próximos passos nessa transformação constante que caracteriza todas as cidades. Ou seja: nenhuma intervenção no espaço, seja através de zoneamento ou qualquer outro instrumento, pode funcionar se não levar em consideração os mecanismos mais profundos que regem o funcionamento dos sistemas urbanos, porque são eles, em última análise, que definirão como a cidade continuará sua transformação. Por mais óbvio que isso seja, não é raro nos depararmos com situações em que o senso comum e as aparências parecem bastar para justificar ações de intervenção urbana. Isso certamente é mais cômodo do que dedicar a energia e todas as horas de estudo necessárias para entender a dinâmica urbana e desvendar esses mecanismos mais profundos, ou contratar os profissionais que detêm esse conhecimento e fomentar os diálogos e debates necessários para estruturar o problema e encontrar soluções coletivamente negociadas.</p>
<p>Quando cruzamos essa necessidade com a natureza do zoneamento, que é a de propor direções para o desenvolvimento urbano (daí o termo &#8220;diretrizes&#8221;), muitas vezes esse diálogo é esquecido, resultando em zoneamentos que se limitam apenas a reconhecer o que existe, por um lado, ou então que vão ao extremo oposto e se arvoram a propor diretrizes utópicas que ignoram a realidade tal como ela é. Poderíamos esquematizar essas possíveis combinações da seguinte maneira:</p>
<table>
<tbody>
<tr style="background-color: #b2675e; color: #e2e2e2;">
<td width="200"> Atitude frente às mudanças / reconhecimento do mecanismos</td>
<td width="200">
<p style="text-align: center;">Considera os mecanismos mais profundos da realidade</p>
</td>
<td style="text-align: center;" width="200">Apoia-se apenas nas aparências</td>
</tr>
<tr>
<td style="background-color: #b2675e; color: #e2e2e2;" width="200">Propõe mudanças em direção a objetivos coletivos</td>
<td style="border-right: 1px solid #444444; border-bottom: 1px solid #444444;" width="200">
<p style="text-align: center;">1</p>
</td>
<td style="border-right: 1px solid #444444; border-bottom: 1px solid #444444;" width="200">
<p style="text-align: center;">2</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="text-align: center; background-color: #b2675e; color: #e2e2e2;" width="200">
<p style="text-align: left;">Apenas reconhece o que existe</p>
</td>
<td style="text-align: center; border-right: 1px solid #444444; border-bottom: 1px solid #444444;" width="200">3</td>
<td style="border-right: 1px solid #444444; border-bottom: 1px solid #444444;" width="200">
<p style="text-align: center;">4</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<ol>
<li>Essa é a combinação ideal: propõe diretrizes negociadas coletivamente que consideram e estão adaptadas aos mecanismos segundo os quais as cidades funcionam, bem como às condições de cada local.</li>
<li>Utopia: propõe diretrizes coletivas mas que não se aderem à realidade da cidade. Tendem a ser bem intencionadas mas nunca saírem do papel, na melhor das hipóteses. Na pior, podem ter resultados não previstos catastróficos. Um exemplo (do tipo não catastrófico) é a <a href="https://leismunicipais.com.br/a/sc/b/blumenau/lei-ordinaria/1977/227/2262/lei-ordinaria-n-2262-1977-concede-favores-fiscais-a-casas-tipicas-que-forem-construidas-na-area-urbana-de-blumenau-revoga-a-lei-n-1909-72-e-da-outras-providencias?q=enxaimel" target="_blank" rel="noopener">lei 2262/1977</a>, de Blumenau, que dava incentivos fiscais às construções que imitassem o típico estilo germânico conhecido como enxaimel:<br />
<blockquote><p>Art. 1º Fica o Executivo autorizado a conceder favores fiscais ás edificações que forem construídas dentro do perímetro urbano de Blumenau, para fins comerciais, residenciais, isoladas ou conjuntamente, e que apresentarem os estilos arquitetônicos típicos conhecidos como &#8220;Enxaimel&#8221; e &#8220;Casa dos Alpes&#8221;, nas seguintes bases:</p>
<p>a &#8211; 50% (cinqüenta por cento) do Imposto Predial Urbano &#8211; IPU &#8211; para as edificações residenciais;</p>
<p>b &#8211; 1/3 (um terço) do IPU para as edificações destinadas ao comércio, obedecendo ao critério de lançamento estabelecido pelo &#8220;Código Tributário do Município&#8221;;</p></blockquote>
<p>Essa limitação ao que é superficial abre mão de aproveitar-se de mecanismos mais profundos de funcionamento, bem como de tirar proveito deles para alcançar resultados mais eficazes e eficientes. <a href="http://periodicos.univille.br/index.php/RCCult/article/view/40" target="_blank" rel="noopener">Veiga (2014)</a> mostra um antes e depois de uma rua central de Blumenau após a aplicação dessa lei:</p>
<p><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/02/blumenau-antes.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1652 aligncenter" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/02/blumenau-antes.jpg" alt="" width="868" height="653" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/02/blumenau-antes.jpg 868w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/02/blumenau-antes-300x226.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/02/blumenau-antes-500x376.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/02/blumenau-antes-768x578.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/02/blumenau-antes-640x480.jpg 640w" sizes="auto, (max-width: 868px) 100vw, 868px" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1651" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/02/blumenau-depois.jpg" alt="" width="865" height="650" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/02/blumenau-depois.jpg 865w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/02/blumenau-depois-300x225.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/02/blumenau-depois-500x376.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/02/blumenau-depois-768x577.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2018/02/blumenau-depois-640x480.jpg 640w" sizes="auto, (max-width: 865px) 100vw, 865px" /><br />
<em>Antes e depois da <a href="https://leismunicipais.com.br/a/sc/b/blumenau/lei-ordinaria/1977/227/2262/lei-ordinaria-n-2262-1977-concede-favores-fiscais-a-casas-tipicas-que-forem-construidas-na-area-urbana-de-blumenau-revoga-a-lei-n-1909-72-e-da-outras-providencias?q=enxaimel" target="_blank" rel="noopener">lei 2262/1977</a>, na área central de Blumenau. Fonte: Veiga (2014)</em></p>
</li>
<li>Status quo: essa combinação, bastante comum, abstém-se de propor mudanças e limita-se a reconhecer a cidade como ela é e aceitar o que já existe e as tendências para o futuro. Sua ocorrência é muito clara quando vemos a criação de corredores de comércio nas ruas que já possuem esse tipo de uso, independentemente da sua (in)adequação ao local, ou a liberação do número de pavimentos naquelas áreas que interessam ao mercado imobiliário, mesmo que isso implique em problemas ambientais para áreas sensíveis do entorno. O problema dessa combinação é reificar a dinâmica da cidade sem reconhecer que, em muitos casos, suas consequências não são as mais desejáveis para a maioria da população.</li>
<li>Cenário: quando o zoneamento apoia-se apenas nas aparências e se furta a estabelecer diretrizes para o futuro, acaba caindo na geração de cenários com pouca ou nenhuma aderência às reais necessidades da cidades e, ao mesmo tempo, que não propõe mudanças.</li>
</ol>
<p>No próximo post desta série, vamos discutir algumas das maneiras pelas quais os zoneamento controlam o uso e a ocupação do solo.</p>
<h3>Referências</h3>
<p>VEIGA, M. B. <a href="http://periodicos.univille.br/index.php/RCCult/article/view/40" target="_blank" rel="noopener">Arquitetura neoenxaimel em Santa Catarina</a>: a invenção de uma arquitetura típica. <strong>Revista Confluências Culturais</strong>, v. 3, n. 1, p. 81–98, 31 mar. 2014.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2018/02/11/zoneamento-e-planos-diretores-v-2-0-parte-2/">Zoneamento e planos diretores v.2.0 – parte 2</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Spacemate, Spacematrix e o estudo das densidade urbanas</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2014/09/14/spacemate-spacematrix-e-o-estudo-das-densidade-urbanas/</link>
					<comments>https://urbanidades.arq.br/2014/09/14/spacemate-spacematrix-e-o-estudo-das-densidade-urbanas/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Sep 2014 20:55:44 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[zoneamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Densidade Urbana é um dos assuntos mais caros aos urbanistas e planejadores urbanos, tendo (teoricamente) influência sobre a vitalidade dos espaços urbanos, movimento de pedestres e veículos, redes de abstecimento de água, esgoto e energia elétrica, etc. Alguns atribuem até mesm maiores índices de criminalidade a densidades altas. Neste post mostraremos uma abordagem recente e muito interessante para o estudo das densidades, o SpaceMatrix. &#8230; <a href="https://urbanidades.arq.br/2014/09/14/spacemate-spacematrix-e-o-estudo-das-densidade-urbanas/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Spacemate, Spacematrix e o estudo das densidade urbanas</span></span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Densidade Urbana é um dos assuntos mais caros aos urbanistas e planejadores urbanos, tendo (teoricamente) influência sobre a vitalidade dos espaços urbanos, movimento de pedestres e veículos, redes de abstecimento de água, esgoto e energia elétrica, etc. Alguns, como Acioly e Davidson (1998), atribuem até mesm maiores índices de criminalidade a densidades altas.</p>
<p>Entretanto, o assunto não é nada fácil de ser trabalhado teoricamente e incorporado à nossa prática, tendo em vista a enorme quantidade de aspectos envolvidos na questão. Mesmo a definição de densidade está sujeita a polêmicas e ambiguidades, com vários trabalhos dedicados a estudá-lo (veja, por exemplo, Churchman, 1999).</p>
<p>&#8220;<a href="http://repository.tudelft.nl/assets/uuid:0e8cdd4d-80d0-4c4c-97dc-dbb9e5eee7c2/Space_Density_and_Urban_Form.pdf" target="_blank"><em><strong>Space, Density and Urban Form</strong></em></a>&#8221; (BERGHAUSER PONT; HAUPT, 2009) é um trabalho recente sobre o tema que, a meu ver, traz uma abordagem realmente inovadora e com um nível de rigor no tratamento da questão que raramento se vê por aí. Acredito que, em um futuro próximo, será considerado a principal referência quando se falar em densidades urbanas.<span id="more-1262"></span></p>
<h2>Os problemas dos indicadores tradicionais de densidade</h2>
<p>Berghauser pont e Haut (2009) fazem uma revisão das medidas de densidade tradicionalmente usadas e mostram que nenhuma delas, por si só, é capaz de representá-la adequadamente. Um dos principais problemas na medição da densidade é a área utilizada como base para o cálculo. Diferentes critérios de demarcação podem introduzir distorções significativas nos resultados, uma vez que, quanto maior a área, maior é a sua heterogeneidade e maior é a quantidade de áreas não construídas (ruas, estradas, parques, corpos d&#8217;água, etc.), o que acabada impossibilitando a comparação entre áreas de tamanhos diferentes. Nesse sentido, embora existam os conceitos  de densidade bruta e líquida, os autores afirmam que esses conceitos ainda assim são ambíguos, dependendo das definições específicas adotadas em cada situação. Por isso, estabelecem neste trabalho uma série de unidades espaciais rigorosas sobre as quais construir os índices de densidade, e dentro das quais as comparações entre lugares diferentes seriam feitas adequadamente.</p>
<blockquote><p>&#8220;Nós observamos que a intensidade da ocupação do solo (Índice de Aproveitamento) é mais eficaz mas ainda não nos permite diferenciar padrões diferentes de layouts. O mesmo pode ser dito sobre os outros índices de densidade discutidos aqui. Todos são, em certa medida, informativos, mas nenhum deles pode ser usado sozinho para descrever adequadamente propriedades espaciais na direção da definição de tipos urbanos através do uso de densidades&#8221; (BERGHAUSER PONT; HAUPT, 2009, p. 84)</p></blockquote>
<p>Para uma explicação das medidas mais tradicionais de densidade, consulte o trabalho original de Berghauser pont e Haut (2009) e o post <a title="Taxa de ocupação e coeficiente de aproveitamento" href="http://urbanidades.arq.br/2007/12/taxa-de-ocupacao-e-coeficiente-de-aproveitamento/" target="_blank">Taxa de Ocupação e Coeficiente de Aproveitamento</a>, aqui no Urbanidades.</p>
<h2>Outras medidas de densidade</h2>
<p>Além das medidas mais tradicionais (Índice de Aproveitamento, Taxa de Ocupação e Número de Pavimentos), Berghauser pont e Haut (2009) utilizam outras medidas, algumas delas não muito conhecidas no contexto brasileiro. São elas:</p>
<p><strong>Índice de Espaços Abertos (Open Space Ratio &#8211; OSR)</strong> &#8211; mede a proporção entre as áreas não construídas e a área total construída em um recorte, e busca dar uma indicação da pressão das áreas construídas sobre as áreas abertas. A figura abaixo ilustra o cálculo dessa medida: à esquerda estão as áreas abertas; à direita as áreas construídas. O OSR é calculado dividindo a primeira pela segunda.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Spaciousness-OSR-01.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1264" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Spaciousness-OSR-01-500x281.jpg" alt="" width="500" height="281" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Spaciousness-OSR-01-500x281.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Spaciousness-OSR-01-300x169.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Spaciousness-OSR-01-768x432.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Spaciousness-OSR-01-990x556.jpg 990w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Spaciousness-OSR-01-50x28.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Spaciousness-OSR-01-200x112.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Spaciousness-OSR-01.jpg 1498w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><br />
<span class="legendas">(Fonte: BERGHAUSER PONT; HAUPT, 2009, p. 96)</span></p>
<p><strong>Densidade da Rede (Network Density)</strong> &#8211; definida como a quantidade de ruas dividida pela área, é expressa em metros (lineares) / metro quadrado. A Figura abaixo ilustra esse cálculo: a medida é resultante do comprimento total das vias (imagem da esquerda) dividida pela área total da unidade espacial (à direita).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Network-Density-01.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1267" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Network-Density-01-500x159.jpg" alt="" width="500" height="159" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Network-Density-01-500x159.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Network-Density-01-300x95.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Network-Density-01-768x244.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Network-Density-01-50x16.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Network-Density-01-200x64.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Network-Density-01.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><br />
<span class="legendas">(Fonte: BERGHAUSER PONT; HAUPT, 2009, p. 94)</span></p>
<p><strong>Largura (média) das ruas (b) e das quadras (w) (Mesh and profile width)</strong> &#8211; a largura média das quadras mede a distância média entre as vias em um tecido, e a largura média das ruas mede, como não poderia deixar de ser, a larguma média das ruas contidas no recorte de interesse, como pode ser visto na figura abaixo.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Mesh-and-profile-width-w-and-b-01.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1265" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Mesh-and-profile-width-w-and-b-01-500x236.jpg" alt="" width="500" height="236" /></a><br />
<span class="legendas">(Fonte: BERGHAUSER PONT; HAUPT, 2009, p. 97)</span></p>
<h2>Uma definição multivariada da densidade</h2>
<h3>Uma definição precisa das unidades espaciais</h3>
<p>Conforme comentado anteriormente, Berghauser pont e Haut (2009) introduzem definições bem precisas das unidades espaciais utilizadas para calcular densidades, o que permite que, quando comparações forem feitas, elas mantenham um mínimo de coerência no que está sendo medido.</p>
<p>Antes de descrever as unidades, entretanto, é importante explicar um conceito muito interessante que os autores introduzem e que perpassa todas as definições, sendo crucial para entendê-las e para compreender o porquê da necessidade de manter a coerência na definição das áreas-base: a Tara.</p>
<p><strong>Tara</strong> &#8211; Apesar do nome soar estranho em português, nós usamos essa palavra num sentido muito parecido com o que eles estão utilizando. Segundo o Houaiss, &#8220;tara&#8221; significa, entre outras coisas, &#8220;<em>desconto oferecido a cada mercadoria em função do peso de sua embalagem; o peso dessa embalagem; peso da carroceria de caminhão ou vagão de trem, quando vazios</em>&#8220;. Tara, em restaurantes por quilo, é o peso do prato, descontado quando pesamos o prato juntamente com a comida e precisamos saber apenas o peso desta última. Dentro do SpaceMatrix, a Tara é usada para denotar os espaços que são acrescentados a uma unidade espacial quando considerada a unidade espacial mais ampla da qual a primeira faz parte. Por exemplo, quando passamos da unidade espacial &#8220;ilha&#8221; (quarteirão) para a unidade espacial &#8220;tecido&#8221;, adicionamos à primeira os espaços destinados a ruas, calçadas, calçadões, etc., que são a tara. O mesmo vale quando passamos do tecido para o bairro, quando passam a ser incorporados espaços como parques, praças, áreas de preservação, corpos d&#8217;água, etc.</p>
<p>Em termos mais específicos, a Tara é a relação entre a área que &#8220;sobra&#8221; e a área total (área da esquerda dividida pela área da direita, na imagem abaixo).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Tare-T-01.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1269" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-Tare-T-01-500x157.jpg" alt="" width="500" height="157" /></a><br />
<span class="legendas">(Fonte: BERGHAUSER PONT; HAUPT, 2009, p. 96)</span></p>
<p>A partir disso, fica claro o porquê de não podermos (ou não devermos) comparar densidades calculadas, por exemplo, em cima de uma medida de tecido e uma medida de bairro. Esta última terá uma tara muito maior que a primeira, e portanto a densidade estará mais &#8220;diluída&#8221; na comparação. Comparando medidas calculadas sobre a mesma base minimiza esse risco.</p>
<p>Vamos, então, à explicação das unidades espaciais:</p>
<p><strong>Lote</strong> &#8211; a parcela de propriedade. Não há muito que explicar aqui &#8211; refere-se ao lote como conhecemos e estamos acostumados a trabalhar, isto é, uma parcela de terra entendida como uma unidade imobiliária.</p>
<p><strong>Ilha</strong> &#8211; ou quarteirão, é definida por um conjunto de lotes circundados por vias. Às vezes a ilha possui tara, mas isso não é comum no Brasil (a não ser, talvez, nas superquadras de Brasília, onde há uma porção das quadras que não faz parte dos &#8220;lotes&#8221; dos edifícios).</p>
<p><strong>Tecido</strong> &#8211; um conjunto mais ou menos homogêneo de ilhas, incluindo portanto a rede viária que as separa. Não inclui, entretanto, grandes avenidas exclusivamente de passagem, viadutos, parques, grandes corpos d&#8217;água, campos esportivos, etc. Esses elementos são considerados a tara da próxima unidade espacial em relação ao tecido.</p>
<p><strong>Bairro</strong> &#8211; Composto por tecidos mais os elementos citados acima.</p>
<h3>SpaceMatrix</h3>
<p>O SpaceMatrix é uma maneira engenhosa criada pelos autores para representar, em um único gráfico, várias características da densidade das áreas analisadas.Pela imagem abaixo podemos ver que uma área qualquer pode ser representada pelas três principais dimensões (Índice de Aproveitamento, Taxa de Ocupação e Densidade da Rede) em um ponto no espaço tridimensional, como uma espécie de &#8220;impressão digital da densidade&#8221; que representa uma combinação única dessas três medidas.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-01b.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1268" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-01b-500x427.jpg" alt="" width="500" height="427" /></a><br />
<span class="legendas">(Fonte: Adaptado de BERGHAUSER PONT; HAUPT, 2009, p. 98)</span></p>
<p>Entretanto, como o SpaceMatrix pode não ser facilmente entendido quando visualizado assim, os autores utilizam duas representações, equivalente a duas &#8220;faces&#8221; ou projeções do diagrama original, para comunicar melhor as relações entre as medidas.</p>
<h3>O diagrama SpaceMate</h3>
<p>O diagrama SpaceMate é uma das projeções do SpaceMatrix (e provavelmente a principal), correspondente à face FSI (ìndice de Aproveitamento) x GSI (Taxa de Ocupação). Conforme pode ser visto na figura abaixo, o eixo vertical apresenta o ìndice de Aproveitamento, enquanto que o eixo horizontal apresenta a Taxa de Ocupação. Um terceiro &#8220;eixo&#8221;, oblíquo, representa a quantidade média de pavimentos da área, obtida a partir da relação entre IA e TO. Pegue, por exemplo, a linha dos 5 pavimentos e percebemos que há infinitas combinações de IA e TO que poderiam ser feitas com 5 pavimentos, desde prédios mais &#8220;magrinhos&#8221; e com menor área construída (porção à esquerda e abaixo da linha) até prédios mais gordinhos e com maior IA (na porção à direita da linha). Inversamente, poderíamos ter lotes com um mesmo índice de aproveitamento e diferentes TOs. No caso, isso seria representado por uma linha horizontal que, à medida que fosse da esquerda (menor TO) para a direita (maior TO) cruzaria as linhas do número médio de pavimentos, sendo que estes últimos diminuiriam (resultando em edifícios mais &#8220;gordinhos e baixos ao invés de &#8220;magrinhos&#8221; e altos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-01a.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1266" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-01a-500x371.jpg" alt="" width="500" height="371" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-01a-500x371.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-01a-300x223.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-01a-768x570.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-01a-50x37.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-01a-200x148.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-01a.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><br />
<span class="legendas">(Fonte: Adaptado de BERGHAUSER PONT; HAUPT, 2009, p. 99)</span></p>
<p>Outra visualização interessante permitida pelo SpaceMate é a da figura abaixo, que mostra as densidades de um mesmo tipo de ocupação calculadas com base em diferentes unidades espaciais. Note que nos pontos 1 e 2 a representação é a mesma, visto que não há tara quando se passa do lote à ilha. Entretanto, quando passamos para o tecido a área das vias é adicionada ao cálculo, o que acarreta uma diminuição da TO e do IA, sem entretanto diminuir o número médio de pavimentos. O mesmo acontece quando passamos para a representação 4, ao nível do bairro. Aqui fica ainda mais clara a importância, destacada anteriormente, de comparar lugares com base em unidades espaciais semelhantes para manter a consistência das medidas.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-03.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1270" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-03-500x285.jpg" alt="" width="500" height="285" /></a><br />
<span class="legendas">(Fonte: BERGHAUSER PONT; HAUPT, 2009, p. 100)</span></p>
<p>Muito interessante também são essas duas visualizações oferecida por van Nes et al (2012) (abaixo). Na primeira vemos três tipos de ocupação bastante distintos mas com mesmo IA e suas correspondentes localizações no SpaceMate. Os pontos mantêm-se em uma linha horizontal, por conta do IA constante, mas variam em TO e Número de Pavimentos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-van-Nes-et-al-2012-01.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1271" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-van-Nes-et-al-2012-01-500x361.jpg" alt="" width="500" height="361" /></a><br />
<span class="legendas">(Fonte: van NES; BERGHAUSER PONT; MASHHOODI, 2012, p. 4)</span></p>
<p>Através dela fica claro que o diagrama consegue captar características importante dos tipos edilícios e urbanos, de uma forma que nenhuma das medidas consegue fazer isoladamente.</p>
<p>Na segunda vemos uma tentativa de estabelecer uma classificação de tipos edilícios e de tecido. Cada área do diagrama representaria um dos tipos, indo desde aqueles mais baixos e com pouca área construída até os mais altos e muita área construída, passando por diversas situações intermediárias.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-van-Nes-et-al-2012-02a.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1272" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-van-Nes-et-al-2012-02a-500x326.jpg" alt="" width="500" height="326" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-van-Nes-et-al-2012-02a-500x326.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-van-Nes-et-al-2012-02a-300x196.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-van-Nes-et-al-2012-02a-768x501.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-van-Nes-et-al-2012-02a-50x33.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-van-Nes-et-al-2012-02a-200x130.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/09/SpaceMate-van-Nes-et-al-2012-02a.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><br />
<span class="legendas">(Fonte: Adaptado de van NES; BERGHAUSER PONT; MASHHOODI, 2012, p. 14)</span></p>
<p>Através do SpaceMate, portanto, bem como das demais definições oferecidas por Berghauser e Haupt (2009), é possível analisar as densidades urbanas de forma muito mais precisa do que vem sendo feito usualmente.</p>
<h2>Referências</h2>
<div class="csl-bib-body">
<div class="csl-entry">ACIOLY, C.; DAVIDSON, F. <b>Densidade urbana: um instrumento de planejamento e gestão urbana</b>. Rio de Janeiro: Mauad, 1998.</div>
<div class="csl-entry">BERGHAUSER PONT, M. Y.; HAUPT, P. A. <b>Space, density and urban form</b>. [S.l.]: [s.n.], 2009.</div>
<div class="csl-entry">CHURCHMAN, A. Disentangling the Concept of Density. <b>Journal of Planning Literature</b>, v. 13, n. 4, p. 389–411, 1 maio 1999.</div>
</div>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2014/09/14/spacemate-spacematrix-e-o-estudo-das-densidade-urbanas/">Spacemate, Spacematrix e o estudo das densidade urbanas</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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			</item>
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		<title>Leslie Martin e a grelha como geradora (the grid as generator)</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2012/07/08/leslie-martin-e-a-grelha-como-geradora-the-grid-as-generator/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Jul 2012 19:16:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Camillo Sitte]]></category>
		<category><![CDATA[cidade modernista]]></category>
		<category><![CDATA[configuração]]></category>
		<category><![CDATA[morfologia]]></category>
		<category><![CDATA[ocupação do solo]]></category>
		<category><![CDATA[padrões]]></category>
		<category><![CDATA[parâmetros urbanísticos]]></category>
		<category><![CDATA[parcelamento do solo]]></category>
		<category><![CDATA[sistema viário]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[zoneamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>"The grid as generator" é um texto clássico de Leslie Martin, publicado originalmente em 1972. Nele, o autor faz uma análise da grelha ortogonal como uma base para que diferentes padrões de edificações sejam desenvolvidos, e propõe uma nova alternativa de ocupação das quadras.  &#8230; <a href="https://urbanidades.arq.br/2012/07/08/leslie-martin-e-a-grelha-como-geradora-the-grid-as-generator/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Leslie Martin e a grelha como geradora (the grid as generator)</span></span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;<em><strong>The grid as generator</strong></em>&#8221; é um texto clássico de Leslie Martin, publicado originalmente em 1972. Nele, o autor faz uma análise da grelha ortogonal como uma base para que diferentes padrões de edificações sejam desenvolvidos, e propõe uma nova alternativa de ocupação das quadras. Ele inicia o texto comentando as críticas existentes às duas principais linhas de pensamento do planejamento e desenho urbanos da época (e, creio eu, ainda dos dias atuais. Infelizmente não parece que tenhamos chegado a um acordo saudável entre essas duas visões de urbanismo / planejamento urbano).</p>
<h3>As duas visões de planejamento urbano</h3>
<p>A primeira linha de pensamento principal do planejamento diz respeito à tradição &#8220;Sitteana&#8221; de cidade como sistema visualmente ordenado, fruto do trabalho de uma única pessoa (o arquiteto artista) e não de um comitê. A segunda é uma abordagem mais pragmática, na qual pesquisas indicam as demandas por usos e a quantidade de área necessária para abrigá-los, assim como calculam as densidades e as distribuem entre zonas (supostamente) homogêneas. Obviamente, muitas vezes essas duas linhas são usadas simultaneamente pelos planejadores urbanos.<span id="more-1088"></span></p>
<p>Jacobs critica ambas as visões por considerar que qualquer tipo de planejamento que busque qualquer tipo de ordem é essencialmente incompatível com a organicidade do sistema urbano. Planejamento, segundo ela, é artificial. Uma crítica semelhante foi feita por Christopher Alexander, que fez uma distinção entre as cidades &#8220;naturais&#8221; e &#8220;artificiais&#8221;. Martin contesta a visão de que todas as cidades antigas são orgânicas, fruto de desenvolvimento espontâneo, citando o estudo de Beresford (1967) que documenta várias cidades medievais no Reino Unido construídas sobre uma malha regular. Também nos Estados Unidos, há vários exemplos de cidades que usam uma base rigidamente ortogonal, e portanto artificial, e que no entanto funcionam bem até hoje, mesmo sofrendo forte influência das possibilidades e dificuldades impostas pelo desenho da malha.</p>
<p class="olhos">Grelhas ortogonais permitiram o crescimento e a adaptação de novos padrões edilícios.</p>
<p>Entretanto, Martin reconhece que a essência do argumento de Alexander não é esse; refere-se, na verdade, a um tratamento das funções das cidades e suas complexas interrelações em &#8220;caixas&#8221; mais ou menos independentes e sem sobreposições e ambiguidades (por isso a metáfora da cidade como uma árvore). Nesse ponto, Martin concorda com a crítica. Por outro lado, ele destaca que a crítica implícita no trabalho de Jacobs, de que seria impossível que a complexa teia de relações da cidade se desenvolvesse sobre uma estrutura artificial pré-concebida, não se sustenta. Ao contrário, Martin defende que &#8220;crescimento orgânico&#8221; sem uma estrutura organizadora é caos (e não na acepção mais recente da palavra, relacionada à teoria da complexidade).</p>
<h3>A grelha como &#8220;framework&#8221; da cidade</h3>
<p>A partir dessa reflexão inicial, o autor coloca-se algumas questões: como funciona o &#8220;<em>framework</em>&#8221; de uma cidade? de que forma a grelha atua como geradora e influenciadora da forma da cidade? até que ponto ele tolera o crescimento e a mudança? Para respondê-las, ele faz um estudo do tipo de grelha considerada a mais artificial possível: a ortogonal. Três cidades que usam esse tipo de malha urbana (Savannah, Manhattan e Chicago) permitiram mudanças na forma e no estilo de suas edificações ao longo do tempo. Da mesma forma, todas elas permitiram o crescimento, seja pela intensificação do uso (adensamento) ou por extensão (crescimento horizontal).</p>
<p>Em Manhattan, por volta de 1850, as áreas mais densas apresentavam um padrão de quadras com edificações de 4 a 6pavimentos, construídas junto aos limites frontais e com jardins privados internos. Segundo o autor, essa configuração mantinha um equilíbrio entre o lote, a quantidade de área edificada que ele suporta e o sistema viário que o alimenta.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter" title="martin_01" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2012/07/martin_01-500x685.png" alt="" width="500" height="685" /></p>
<p class="legendas" style="text-align: center;">Manhattan: dois tipos de ocupação da quadra, com diferentes intensidades de utilização.</p>
<h3>A intensificação da ocupação do solo</h3>
<p>Entretanto, a pressão por crescimento trouxe modificações a esse padrão. Aos poucos, a forma das edificações foi substituída em certos lugares-chave por edifícios mais altos e profundos, que consumiram o espaço dos pátios internos. O único modo de ampliar o uso do espaço era através da criação de edifícios altos em cada quadra. O autor não deixa claro se isso implicava no remembramento dos lotes, mas tudo indica que sim: os lotes de uma quadra eram remembrados transformando-a em um só grande lote, de modo a maximizar as possibilidades de construção. Foi nessa época (por volta de 1915), aliás, e justamente por causa desse fenômeno, que os zoneamentos abrangentes foram instituídos em Manhattan, segundo Martin. Essa nova tipologia de quadras/edificação colocava em risco a oferta de iluminação nas ruas e edificações vizinhas. O equilíbrio havia sido rompido.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1089 aligncenter" title="martin_02" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2012/07/martin_02-500x573.png" alt="" width="500" height="573" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2012/07/martin_02-500x573.png 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2012/07/martin_02-261x300.png 261w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2012/07/martin_02-44x50.png 44w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2012/07/martin_02-174x200.png 174w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2012/07/martin_02.png 555w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></p>
<p class="legendas">Manhattan: a intensa utilização do solo comprometeu o equilíbrio entre os elementos da forma urbana, assim como a disponbilidade de luz natural nas ruas e edificações vizinhas.</p>
<p>As críticas a essa grelha ortogonal resultaram em propostas (tais como os subúrbios jardins) com ruas curvas e intenções estéticas diferenciadas, mas segundo Martin impuseram uma rigidez às edificações que a grelha não possui. Por isso, as críticas e suas porpostas de soluções na verdade não resolveram os problemas fundamentais:</p>
<blockquote><p>&#8220;É impossível negar a força por trás das críticas à grelha. Ela pode resultar em monotonia: o subúrbio curvilíneo também pode. Ela pode não funcionar: a cidade orgânica também. [&#8230;] A decisão pela grelha permite que diferentes padrões de moradia se desenvolvam e que se elaborem diferentes opções. A grelha, ao contrário da imagem visual fixa, pode aceitar e responder à mudança.&#8221; (MARTIN, 1972, p. 75).</p></blockquote>
<div class="olhos">Organicidade do desenho não implica em organicidade na dinâmica do sistema de produção e reprodução da cidade.</div>
<p>Portanto, Martin mostra que a suposta &#8220;organicidade&#8221; das linhas curvas não corresponde, necessariamente, a uma organicidade no sentido de maior sintonia com os processos dinâmicos de construção e reprodução da cidade e sua forma construída. Mesmo uma base ortogonal pode ser mais flexível na sua utilização do que um plano desenhado sob o ponto de vista estritamente visual. Afinal, este necessita da ordem embutida na ideia original para manter sua integridade compositiva; essa ordem acaba funcionando, portanto, como um fator que dificulta e diminui a flexibilidade na utilização de padrões construtivos diferentes do inicialmente concebido.</p>
<p>Assim, Martin faz um estudo de outras possíveis alternativas de ocupação da grelha ortogonal, tentando manter a intensa utlização do solo mas sem incorrer em seus prejuízos ao espaço urbano. Em outro post, vamos ver qual é essa alternativa.</p>
<h3>Referência Bibliográfica</h3>
<p>MARTIN, Leslie. the grid as generator. In: CARMONA, M.; TIESDELL, S. <strong>Urban Design Reader</strong>. [S.l.] Architectural Press, 2007. cap. 8. (publicado originalmente em 1972).</p>
<p>&nbsp;</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2012/07/08/leslie-martin-e-a-grelha-como-geradora-the-grid-as-generator/">Leslie Martin e a grelha como geradora (the grid as generator)</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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		<title>Cidades cegas</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2011/12/30/cidades-cegas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Dec 2011 15:38:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[fachadas cegas]]></category>
		<category><![CDATA[instrumentos urbanísticos]]></category>
		<category><![CDATA[ocupação do solo]]></category>
		<category><![CDATA[uso do solo]]></category>
		<category><![CDATA[zoneamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que queremos para nossas cidades? Será que as normas de uso e ocupação do solo refletem nossos desejos? Aparentemente não, uma vez que são cada vez mais comuns espaços configurados por fachadas cegas e praticamente nenhuma interação entre espaços abertos públicos e os espaços edificados. &#8230; <a href="https://urbanidades.arq.br/2011/12/30/cidades-cegas/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Cidades cegas</span></span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/12/cidadedemuros.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1017" title="cidadedemuros" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/12/cidadedemuros-500x270.jpg" alt="" width="500" height="270" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/12/cidadedemuros-500x270.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/12/cidadedemuros-300x162.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/12/cidadedemuros-768x415.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/12/cidadedemuros-50x27.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/12/cidadedemuros-200x108.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/12/cidadedemuros.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a></p>
<p>O que queremos para nossas cidades? Será que as normas de uso e ocupação do solo refletem nossos desejos? Aparentemente não, uma vez que são cada vez mais comuns espaços configurados por fachadas cegas e praticamente nenhuma interação entre espaços abertos públicos e os espaços edificados.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2011/12/30/cidades-cegas/">Cidades cegas</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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		<title>Houston: paraíso dos automóveis</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Sep 2011 18:32:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Essa imagem é impressionante: nela podemos ver a primazia do automóvel na constituição do espaço urbano levada ao seu extremo, bem como os resultados espaciais obtidos por essa visão de desenvolvimento. Você gostaria de morar numa cidade assim? Caminhar pelas suas ruas num tranquilo passeio no fim-de-semana? &#8230; <a href="https://urbanidades.arq.br/2011/09/27/houston-paraiso-dos-automoveis/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Houston: paraíso dos automóveis</span></span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Essa imagem é impressionante: nela podemos ver a primazia do automóvel na constituição do espaço urbano levada ao seu extremo, bem como os resultados espaciais obtidos por essa visão de desenvolvimento. Você gostaria de morar numa cidade assim? Caminhar pelas suas ruas num tranquilo passeio no fim-de-semana?<span id="more-983"></span></p>
<figure id="attachment_984" aria-describedby="caption-attachment-984" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/09/parking-houston.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-984" title="parking-houston" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/09/parking-houston-500x312.jpg" alt="" width="500" height="312" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/09/parking-houston-500x312.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/09/parking-houston-300x187.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/09/parking-houston-768x480.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/09/parking-houston-1536x959.jpg 1536w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/09/parking-houston-50x31.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/09/parking-houston-200x125.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/09/parking-houston.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption id="caption-attachment-984" class="wp-caption-text">Houston - Texas. Fonte: http://www.ecoplan.org/wtpp/wt_home-houston.htm</figcaption></figure>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2011/09/27/houston-paraiso-dos-automoveis/">Houston: paraíso dos automóveis</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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		<title>Entre Rios</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 May 2011 15:01:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Videos e filmes]]></category>
		<category><![CDATA[cidade modernista]]></category>
		<category><![CDATA[decisão]]></category>
		<category><![CDATA[legislação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Reserve vinte e cinco minutos do seu tempo para assistir a esse vídeo. Garanto que vai valer a pena. Ele descreve de forma bastante didática como aconteceu o processo de<a href="https://urbanidades.arq.br/2011/05/16/entre-rios/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Entre Rios</span></span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Reserve vinte e cinco minutos do seu tempo para assistir a esse vídeo. Garanto que vai valer a pena. Ele descreve de forma bastante didática como aconteceu o processo de urbanização de São Paulo, no que diz respeito especialmente à relação da cidade com seus rios. Contando com a participação de estudiosos sobre diversos temas (arquitetos, engenheiros, geólogos, geógrafos, etc.), ele mostra como os rios tiveram papel fundamental na gênese da cidade, promovendo fácil acessibilidade (sempre ela!) a diversas partes da região e do País. Na época, o transporte hidroviário era o principal meio de deslocamento de pessoas e mercadorias.<span id="more-897"></span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://vimeo.com/14770270"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-900 aligncenter" title="entre_rios_video" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_video-500x312.jpg" alt="" width="500" height="312" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_video-500x312.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_video-300x187.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_video-768x480.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_video-50x31.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_video-200x125.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_video.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /><br />
Clique para assistir o video</a></p>
<p>Com a industrialização e a chegadas das máquinas, especialmente a estrada de ferro, a pesca nos rios de SP deixou de ser tão importante como no passado, uma vez que os peixes passaram a vir diretamente do mar através de trens. Os rios, assim, passaram a ser vistos mais como barreiras ao progresso do que como promotores de desenvolvimento.</p>
<p>Com a chegada do automóvel, a situação se agravou ainda mais. O vídeo mostra o embate &#8220;técnico&#8221; entre duas visões bastante diferentes sobre como o desenvolvimento de SP e sua relação com seus rios deveriam ser conduzidos. Por um lado, Saturnino de Brito, engenheiro sanitarista, defendia a recuperação das margens dos rios (que àquela altura já estavam poluídos e gerando problemas de saúde pública) e a manutenção de áreas verdes ao longo dos cursos d&#8217;água, para que estes pudessem transbordar quando não pudessem comportar a quantidade de água que recebiam. Com efeito, como também é explicado no vídeo pela Geógrafa Odete Seabra, os rios de planície como os de SP são lentos e de formas sinuosas, podendo até mesmo mudar o seu curso de uma cheia para outra. Ou seja, não possuem um leito fixo e bem definido, sendo suas cheias processos naturais.</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-899 aligncenter" title="entre_rios_enchente" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_enchente-500x312.jpg" alt="" width="500" height="312" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_enchente-500x312.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_enchente-300x187.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_enchente-768x480.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_enchente-50x31.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_enchente-200x125.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_enchente.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /><br />
<span class="legendas">Cena do vídeo.</span></p>
<p>De outro lado, Prestes Maia, que foi prefeito de SP de 1938 a 1945, que defendia um projeto de &#8220;modernização&#8221; da cidade que incluía a abertura de grande avenidas que formariam uma estrutura radioconcêntrica. Essas avenidas seriam criadas justamente nos vales dos rios que, por serem áreas não adequadas para urbanização, permaneciam menos urbanizados, gerando economia nas desapropriações necessárias para a viabilização. Aliado a isso, essas áreas seriam aterradas e loteadas, gerando lucros para a municipalidade. Não é difícil imaginar que esta segunda via, apesar de todos os seus problemas, foi a adotada.</p>
<p>Isso nos faz refletir sobre uma questão crucial para nós, enquanto planejadores urbanos, que é a possibilidade (ou não) de realmente influenciar nas decisões que são tomadas relativas às cidades. Muitas vezes é passada a falsa impressão de que as decisões técnicas são automaticamente implementadas, e que os problemas existentes nas cidades são decorrentes de um mau planejamento ou de simples incompetência do corpo técnico responsável. Dificilmente fica claro para a população em geral as dificuldades pelas quais esses técnicos passam, e como suas recomendações são tratadas nos longos processos de decisões envolvendo intervenções urbanas, e na sua implementação posterior. Minha hipótese é de que, para a sociedade em geral, a impressão dominante sobre essa influência dos técnicos é extremamente exagerada, infelizmente. A realidade é bem mais complexa e o papel que os técnicos têm nas decisões, que é um processo político, é na maior parte das vezes muito mais tímido do que possa parecer.</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-898 aligncenter" title="entre_rios_carros" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_carros-500x312.jpg" alt="" width="500" height="312" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_carros-500x312.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_carros-300x187.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_carros-768x480.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_carros-50x31.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_carros-200x125.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2011/05/entre_rios_carros.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /><br />
<span class="legendas">Cena do vídeo.</span></p>
<p>Esse vídeo mostra bem esse conflito, em que uma visão mercantilista e que favoreceria apenas uma pequena parcela da população (especialmente empreiteiros e proprietários de terras) acabou prevalecendo sobre uma visão mais tecnicamente correta, que pensava as consequências das decisões em termos de uma parcela maior da população, e num horizonte de tempo mais amplo.</p>
<p><span class="legendas">Dica do Edson Cattoni.</span></p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2011/05/16/entre-rios/">Entre Rios</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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		<title>Fernando Lara: o porquê das enchentes</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2010/07/28/fernando-lara-o-porque-das-enchentes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 13:53:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[instrumentos urbanísticos]]></category>
		<category><![CDATA[inundações]]></category>
		<category><![CDATA[ocupação do solo]]></category>
		<category><![CDATA[uso do solo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ótimo texto do Prof. Fernando Lara sobre as inundações. Um pequeno trecho aqui: A causa? Importamos um padrão de urbanização dos nossos colonizadores ibéricos que é inviável no Brasil, onde<a href="https://urbanidades.arq.br/2010/07/28/fernando-lara-o-porque-das-enchentes/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Fernando Lara: o porquê das enchentes</span></span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Ótimo texto do Prof. Fernando Lara sobre as inundações. Um pequeno trecho aqui:</p>
<blockquote><p>A causa? Importamos  um        padrão de urbanização dos nossos colonizadores ibéricos         que é inviável no Brasil, onde a chuva anual varia de        1.000mm a  1.600mm. Em áreas populosas e urbanizadas,        como o Sudeste  brasileiro (80 milhões de habitantes), a        chuva se concentra no  verão, período em que chega a cair        300mm por mês e não é incomum  100mm em um único dia. Na        região de Angra dos Reis, litoral  fluminense, choveu        mais de 400mm nos dois últimos dias de  dezembro e no        primeiro dia de janeiro. No entanto, nosso modelo  de        construção vem de lugares onde chove muito menos, e de         forma regular: 400mm por ano em Madri; 500mm por ano em        Lisboa.  Aqueles terraços pavimentados de Sevilha ou de        Lisboa são lindos e  adequados para 50mm por mês, nunca        para um lugar onde chove esta  cota por hora.</p></blockquote>
<p>Corra para ler a versão completa!</p>
<p><a title="porquê das enchentes" href="http://parededemeia.blogspot.com/2010/07/o-porque-das-enchentes.html" target="_blank">O porquê das enchentes</a></p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2010/07/28/fernando-lara-o-porque-das-enchentes/">Fernando Lara: o porquê das enchentes</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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