<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Urbanidades | Posts marcados como artigos clássicos - Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</title>
	<atom:link href="https://urbanidades.arq.br/tag/artigos-classicos/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://urbanidades.arq.br</link>
	<description>Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</description>
	<lastBuildDate>Sat, 17 Feb 2018 01:42:42 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	

<image>
	<url>https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2016/07/logo-head.png</url>
	<title>Urbanidades | Posts marcados como artigos clássicos - Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</title>
	<link>https://urbanidades.arq.br</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Ebenezer Howard e a Cidade-Jardim</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2008/10/13/ebenezer-howard-e-a-cidade-jardim/</link>
					<comments>https://urbanidades.arq.br/2008/10/13/ebenezer-howard-e-a-cidade-jardim/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Oct 2008 19:37:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[artigos clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[cidade jardim]]></category>
		<category><![CDATA[Ebenezer Howard]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://urbanidades.arq.br/2008/10/ebenezer-howard-e-a-cidade-jardim/</guid>

					<description><![CDATA[<p>Baseando-se em grande parte na observação das péssimas condições de vida da cidade  liberal, Ebenezer Howard, em livro publicado originalmente em 1898, propôs uma alternativa  aos problemas urbanos e rurais<a href="https://urbanidades.arq.br/2008/10/13/ebenezer-howard-e-a-cidade-jardim/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Ebenezer Howard e a Cidade-Jardim</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2008/10/13/ebenezer-howard-e-a-cidade-jardim/">Ebenezer Howard e a Cidade-Jardim</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Baseando-se em grande parte na observação das <a title="Origens do planejamento urbano" href="http://urbanidades.arq.br/2008/02/as-origens-do-planejamento-urbano/" target="_blank">péssimas condições de vida da cidade  liberal</a>, Ebenezer Howard, em livro publicado originalmente em 1898, propôs uma alternativa  aos problemas urbanos e rurais que então se apresentavam. O livro “To-morrow” (chamado “Garden-cities of To-morrow” na segunda edição, em 1902) apresentou um breve diagnóstico sobre a superpopulação das cidades e suas conseqüências. Segundo ele, essa superpopulação era causada sobretudo pela migração proveniente do campo. Era, portanto, necessário equacionar a relação entre a cidade e o campo.<br />
Howard (1996) fez uma síntese das vantagens e dos problemas tanto de um ambiente como de outro. Ambos atuariam como “ímãs”, atraindo as pessoas para si.<span id="more-204"></span></p>
<table border="0" width="500" cellspacing="0" cellpadding="2">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250">Características do campo:</p>
<ul>
<li>Falta de vida social;</li>
<li>Beleza da natureza;</li>
<li>Desemprego;</li>
<li>Terra ociosa;</li>
<li>Matas;</li>
<li>Bosques, campinas, florestas;</li>
<li>Jornada longa/salários baixos;</li>
<li>Ar fresco – aluguéis baixos;</li>
<li>Falta de drenagem;</li>
<li>Abundância de água;</li>
<li>Falta de entretenimento;</li>
<li>Sol brilhante;</li>
<li>Falta de espírito público;</li>
<li>Carência de reformas;</li>
<li>Casas superlotadas;</li>
<li>Aldeias desertas;</li>
</ul>
</td>
<td valign="top" width="250">Características da cidade:</p>
<ul>
<li>Afastamento da Natureza;</li>
<li>Oportunidades Sociais;</li>
<li>Isolamento das multidões;</li>
<li>Locais de entretenimento;</li>
<li>Distância do trabalho;</li>
<li>Altos salários monetários;</li>
<li>Aluguéis e preços altos;</li>
<li>Oportunidades de emprego;</li>
<li>Jornada excessiva de</li>
<li>rabalho;</li>
<li>Exército de desempregados;</li>
<li>Nevoeiros e seca;</li>
<li>Drenagem custosa;</li>
<li>Ar pestilento e céu sombrio;</li>
<li>Ruas bem iluminadas;</li>
<li>Cortiços e bares;</li>
<li>Edifícios palacianos;</li>
</ul>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Em síntese, a cidade era o espaço da socialização, da cooperação e das oportunidades, especialmente de empregos, mas padecia de graves problemas relacionados ao excesso de população e à insalubridade do seu espaço. Por outro lado, o campo era o espaço da natureza, do sol e das águas, bem como da produção de alimentos, mas também sofria de problemas como a falta de empregos e de infra-estrutura, além de uma carência de oportunidades sociais.</p>
<p>A chave para a solução dos problemas da cidade, segundo Howard, era reconduzir o homem ao campo, através da criação de atrativos – ou “ímãs” – que pudessem contrabalançar as forças atratoras representadas pela cidade e pelo campo. Ele argumentou que havia uma terceira alternativa, além das vidas urbana e rural, que seria o que ele chamou de Cidade-Campo (Town-Country). Nessa alternativa, os dois imãs fundiriam-se num só, aproveitando o que há de melhor em cada um deles, e dessa união nasceria “uma nova esperança, uma nova vida, uma nova civilização”(HOWARD, 1996, p. 110).</p>
<p>Com efeito, a proposta de um novo tipo de cidade feita por Howard representou uma ruptura na concepção existente na época, e teve grande influência no pensamento urbanístico posterior (HALL, 2002).</p>
<h3>O desenho da Cidade-Jardim</h3>
<p>O modelo proposto, chamado de Cidade-jardim, deveria ser construído numa área que compreenderia, no total, 2400 hectares, sendo 400 hectares destinados à cidade propriamente dita e o restante às áreas agrícolas. O esquema feito para a cidade assume uma estrutura radial, sendo composto por 6 bulevares de 36 metros de largura que cruzam desde o centro até a periferia, dividindo-a em 6 partes iguais. No centro, seria prevista uma área de aproximadamente 2,2 ha, com um belo jardim, sendo que na sua região periférica estariam dispostos os edifícios públicos e culturais (teatro, biblioteca, museu, galeria de arte) e o hospital. O restante desse espaço central destinar-se-ia a um parque público de 56 ha com grande áreas de recreação e fácil acesso.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/bancodeimagens/displayimage.php?album=5&amp;pos=2"><img decoding="async" src="http://urbanidades.arq.br/bancodeimagens/albums/urbanismo/cidade-jardim/normal_cidade-jardim-diagrama-n-2_pb.png" alt="" /></a><br />
<span class="legendas">Esquema da Cidade-Jardim &#8211; Howard (esta imagem pode ser encontrada no <a title="cidade-jardim ebenezer howard" href="http://urbanidades.arq.br/bancodeimagens/displayimage.php?album=5&amp;pos=2" target="_blank">banco de imagens</a>)</span></p>
<p>Ao redor de todo o Parque Central estaria localizado o “Palácio de Cristal”, uma grande arcada envidraçada que se destinaria a abrigar as atividades de comércio e a se constituir num jardim de inverno, estando distante no máximo 558m de qualquer morador. Nesse local, poderiam ser comercializadas as mercadorias que requerem “o prazer de escolher e decidir” (HOWARD, 1996, p. 115). Funcionaria também como um jardim de inverno, onde os habitantes poderiam passear ao abrigo da chuva e contemplar a paisagem.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/bancodeimagens/displayimage.php?album=5&amp;pos=4"><img decoding="async" src="http://urbanidades.arq.br/bancodeimagens/albums/urbanismo/cidade-jardim/normal_cidade-jardim-diagrama-n-3_pb.png" alt="" /></a><br />
<span class="legendas">Esquema da Cidade-Jardim &#8211; Howard (</span><span class="legendas">esta imagem pode ser encontrada</span><span class="legendas"> no <a title="ebenezer howard - cidade-jardim" href="http://urbanidades.arq.br/bancodeimagens/displayimage.php?album=5&amp;pos=4">banco de imagens</a>)<br />
</span></p>
<p>Defronte à Quinta Avenida e ao Palácio de Cristal, existiria um conjunto de casas ocupando lotes amplos e independentes. Mais adiante, estariam os lotes comuns, de cerca de 6,1 x 40m, em número de 5.500. A população estaria próxima de 30.000 habitantes na cidade e 2.000 no setor agrícola. Com isso, a densidade média seria de 200 a 220 pessoas por hectare segundo Hall (2002), o que, de certa forma, contraria a noção geralmente aceita de que a Cidade-Jardim defende baixas densidades habitacionais. Entretanto, utilizando o esquema geral de Howard como base, obteve-se uma área total para a cidade de 416,83 hectares. Para uma população de 30.000 pessoas, portanto, a densidade média bruta seria de 71,97 habitantes por hectare, o que é bem inferior ao estimado por Hall (2002). Calculando apenas a área dos “setores” residenciais (incluindo a Grande Avenida), ter-se-ia aproximadamente 251,72 hectares, o que daria uma densidade média de 119,18 habitantes por hectare, que pode ser considerada uma densidade de baixa a média.</p>
<p>A Grande Avenida dividiria a cidade em duas partes e possuiria 128 m de largura. Ela constituiria, na verdade, mais um parque, com 46,5 ha, e nela estariam dispostas, em seis grandes lotes, as escolas públicas. Também nessa avenida estariam localizadas as igrejas necessárias para atender à diversidade de crenças existentes na cidade.</p>
<p>No anel externo estariam os armazéns, mercados, carvoarias, serrarias, etc., todos defronte à via férrea que circunda a cidade. Dessa forma, o escoamento da produção e a recepção de mercadorias e matéria-prima seria facilitado (e barateado), evitando também a circulação do tráfego pesado pelas ruas da cidade, diminuindo a necessidade de manutenção.</p>
<h3>As receitas da Cidade-Jardim</h3>
<p class="olhos">A Cidade-Jardim tentava converter os lucros em ganhos coletivos.</p>
<p>Howard concebeu um mecanismo engenhoso para viabilizar a criação e a manutenção de uma Cidade-Jardim. Inicialmente, um terreno localizado em área rural deveria ser comprado por um grupo de pessoas, para abrigar a futura cidade. Esse terreno seria comprado por um preço baixo, compatível com o preço de terras rurais, a partir de um financiamento. O aumento do número de habitantes nessas terras seria capaz de diluir os juros do financiamento e de constituir um fundo para ir quitando aos poucos o principal. Assim, a partir de pagamentos relativamente pequenos, os habitantes da Cidade-Jardim poderiam quitar a dívida assumida e ainda obter recursos para as ações coletivas necessárias (construção de edificações públicas, manutenção dos espaços abertos, etc.).</p>
<p>Na área rural, a competição natural entre os produtores, as culturas e os modos de produção deveriam indicar quais produtos seriam cultivados. Aqueles que conseguissem gerar mais renda se estabeleceriam nos arredores da Cidade-Jardim. A renda, entretanto, não seria apropriada por um único indivíduo, já que a terra teria sido adquirida coletivamente. Os benefícios obtidos em termos financeiros pelo aumento do valor da terra e, como conseqüência, pelo incremento da renda fundiária, seriam convertidos em menores impostos e mais investimentos coletivos (HOWARD, 1996).</p>
<h3>Mecanismo de crescimento</h3>
<p><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/EbenezerHowardeaCidadeJardim_E359/eh_sistema_cidades_01.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" style="margin: 0px 20px 0px 0px;" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/EbenezerHowardeaCidadeJardim_E359/eh_sistema_cidades_01_thumb.png" alt="eh_sistema_cidades_01" width="215" height="240" align="left" border="0" /></a>Hall (1988, 2002) destaca ainda outro equívoco no que diz respeito às interpretações da Cidade-Jardim. Segundo ele, os autores costumam descrevê-la como um espaço urbano isolado em uma grande área rural. Hall argumenta que Howard propôs, ao contrário, que um sistema de cidades fosse construído dentro de distâncias não  muito grandes. Assim, tão logo a população da primeira cidade-jardim atingisse seu máximo, outra cidade seria construída em local próximo, cuidando entretanto para que uma área rural fosse mantida entre as duas. Estas seriam conectadas por estradas de ferro, que se encarregariam de possibilitar o intercâmbio de mercadorias.</p>
<p>Hall (2002) mostra o que ele chama de “o diagrama perdido”, que mostra a disposição esquemática desse sistema de cidades e que consta apenas da primeira edição do livro de Howard, tendo sido suprimido nas versões seguintes.</p>
<h3>Referência:</h3>
<p>HALL, P. <strong>Cities of tomorrow</strong>: an intellectual history of urban planning and design in the twentieth century. 3rd ed. Oxford, UK?; Malden, MA: Blackwell Publishers, 2002.</p>
<p>HOWARD, E. <strong>Cidades-Jardins de amanhã</strong>. São Paulo: Hucitec, 1996.</p>
<p>Veja também:</p>
<ul>
<li><a title="Álbum da Cidade-Jardim no Banco de Imagens" href="http://urbanidades.arq.br/bancodeimagens/thumbnails.php?album=5">Álbum da Cidade-Jardim no Banco de Imagens</a></li>
<li><a title="Urbanismo" href="http://urbanidades.arq.br/2008/02/o-urbanismo/" target="_blank">Urbanismo;</a></li>
<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/03/o-surgimento-do-planejamento-urbano/" target="_blank">O surgimento do planejamento urbano</a>;</li>
<li><a title="Origens do planejamento urbano" href="http://urbanidades.arq.br/2008/02/as-origens-do-planejamento-urbano/" target="_blank">As origens do planejamento urbano</a>.</li>
</ul>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2008/10/13/ebenezer-howard-e-a-cidade-jardim/">Ebenezer Howard e a Cidade-Jardim</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://urbanidades.arq.br/2008/10/13/ebenezer-howard-e-a-cidade-jardim/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>16</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O planejamento sistêmico/racional-abrangente</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2008/09/14/o-planejamento-sistemico-racional-abrangente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Sep 2008 02:54:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[artigos clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[objetivos]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento estratégico]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento urbano]]></category>
		<category><![CDATA[teoria do planejamento]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://urbanidades.arq.br/?p=151</guid>

					<description><![CDATA[<p>Conforme vimos em um post anterior (O urbanismo), as primeiras abordagens de intervenção em cidades eram muito mais ligadas à tradição arquitetônica do que à do planejamento urbano como nós<a href="https://urbanidades.arq.br/2008/09/14/o-planejamento-sistemico-racional-abrangente/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">O planejamento sistêmico/racional-abrangente</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2008/09/14/o-planejamento-sistemico-racional-abrangente/">O planejamento sistêmico/racional-abrangente</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Conforme vimos em um post anterior (<a title="O urbanismo" href="http://urbanidades.arq.br/2008/02/o-urbanismo/">O urbanismo</a>), as primeiras abordagens de intervenção em cidades eram muito mais ligadas à tradição arquitetônica do que à do planejamento urbano como nós o conhecemos atualmente. Havia, portanto, a concepção de plano como um <em>design</em> físico, um projeto de cidade a ser alcançado dentro de um certo período de tempo. A cidade não era vista como um organismo em evolução, ou, ao menos, os instrumentos de intervenção sobre a cidade não levavam em consideração a evolução do sistema urbano, apenas seu estado final.<span id="more-151"></span></p>
<blockquote><p>Teorias sobre o planejamento urbano nessa época estavam usualmente preocupadas com projetos ou planos visionários que mostravam como a cidade ideal deveria ser espacialmente organizada. (TAYLOR, 1998, p. 16)</p></blockquote>
<p>Essa visão começou a se modificar apenas na década de 60 do século XX, apesar de Geddes já defender o caráter dinâmico das cidades desde seu trabalho “Cidades em evolução”, de 1915. Geddes propôs a famosa seqüência “pesquisa – análise – proposta” que, segundo Hall (2002), foi a primeira estruturação lógica do planejamento urbano, que até então baseava-se muito mais na intuição e experiência de seus autores do que em um conhecimento obtido sistematicamente ou cientificamente a partir das condições reais das cidades.</p>
<h3>A cidade como um sistema dinâmico</h3>
<p>Entretanto, essa mudança foi realmente consolidada com o advento do planejamento sistêmico, que representou</p>
<blockquote><p>[&#8230;] uma mudança da velha idéia de planejamento como a produção de projetos para cidade desejada do futuro para uma nova idéia de planejamento como uma série contínua de controles sobre o desenvolvimento de uma área, auxiliados por mecanismos que buscam simular o processo de desenvolvimento de forma que esse controle possa ser aplicado. (HALL, 2002, p. 6)</p></blockquote>
<p><!--more-->Brian McLoughlin, em seu clássico livro “<em>Urban &amp; regional planning: a systems approach</em>” (MCLOUGHLIN, 1969), lança as bases do planejamento sistêmico. Segundo ele, a cidade é um sistema composto por partes (as atividades humanas e os espaços que as suportam) intimamente conectadas (fluxos e canais de circulação). Por isso, para intervir nesse sistema não é mais suficiente o exclusivamente enfoque espacial dos arquitetos (segundo sua visão)  , dominante até então. Ao contrário, é necessário reconhecer o caráter dinâmico e sistêmico das cidades.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/Oplanejamentoracionalabrangentesistmico_146DD/mac_loughlin_system_01_640.png"><img decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/Oplanejamentoracionalabrangentesistmico_146DD/mac_loughlin_system_01_640_thumb.png" border="0" alt="mac_loughlin_system_01_640" width="500" height="258" /></a><br />
<span class="legendas">A cidade vista como um sistema composto por sub-sistemas e, por sua vez, parte de um sistema mais amplo. Fonte: McLoughlin (1969, p. 76)</span></p>
<p>Partindo desse argumento, McLoughlin propõe uma seqüência de etapas que devem ser seguidas durante o processo de planejamento e que, ao contrário da tradição arquitetônica, não acaba com a seleção das ações a serem implementadas (ou, no caso dos arquitetos, com o projeto físico da área). O processo de planejamento, portanto, passa a ser visto como um processo cíclico, no qual os resultados alcançados pelas ações passam a servir de objeto de análise que gera retroalimentações para as outras fases do processo.</p>
<p>A primeira etapa é uma <strong>avaliação preliminar</strong> do sistema (“<em>scan the environment</em>”). Nela são identificados os primeiros problemas, desejos ou insatisfações com a realidade, que por sua vez fornecem a motivação inicial para que o processo de planejamento propriamente dito seja desencadeado.</p>
<p>A partir disso, os <strong>objetivos devem ser formulados</strong>. Essa é uma parte fundamental segundo McLoughlin, uma vez que uma série de decisões posteriores derivam dessa seleção inicial de objetivos. Além disso, é com base neles que a avaliação das alternativas de ação deve ser feita.</p>
<p>A seguir deve-se fazer a <strong>descrição e simulação do sistema</strong>, que consiste em representar o sistema urbano de forma que ele possa ser modelado e que seu funcionamento possa ser entendido e testado sob circunstâncias diversas. Os objetivos dessa etapa são esclarecer os problemas a serem enfrentados, entender o contexto em que se está atuando e delimitar quantitativamente os limites do que é possível ou provável.</p>
<p>O passo seguinte é delinear possíveis <strong>cursos de ação</strong>. Também chamados de alternativas, esses cursos de ação representam os meios necessários para atingir os fins desejados. Portanto, sua criação deve estar intimamente relacionada a esses fins, ou objetivos. Para McLoughlin, os cursos de ação são representados por “caminhos” alternativos a serem seguidos pelo sistema durante sua evolução. Em outras palavras, cada alternativa é uma seqüência de estados do sistema, no que diz respeito a configurações de atividades, espaços, fluxos e canais, para horizontes de tempo (por exemplo, de cinco em cinco anos).</p>
<p>As alternativas devem ser avaliadas segundo os objetivos definidos. Essa <strong>avaliação</strong> deve começar nos níveis mais genéricos em que as alternativas se encontram. Aquela ou aquelas consideradas as mais adequadas são <strong>selecionadas </strong>e desenvolvidas mais detalhadamente e reavaliadas, num processo iterativo até que a alternativa final seja alcançada.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/Oplanejamentoracionalabrangentesistmico_146DD/mac_loughlin_system_02_640.png"><img decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/Oplanejamentoracionalabrangentesistmico_146DD/mac_loughlin_system_02_640_thumb.png" border="0" alt="mac_loughlin_system_02_640" width="500" height="577" /></a><br />
<span class="legendas">Escolha da melhor trajetória (alternativa) em um determinado tempo T. Fonte: McLoughlin (1969, p. 232)</span></p>
<p>A <strong>implementação</strong> do plano envolve a orientação, o controle e a revisão das ações. A orientação funciona basicamente através de regulação das ações dos atores privados e de ações diretas do setor público. O controle busca descrever o estado atual do sistema e compará-lo com o que está previsto no plano. Dessa forma, eventuais desvios de rota podem ser usados como ponto de partida para revisões das orientações estipuladas.</p>
<p>Intimamente ligada à concepção do planejamento sistêmico está a noção do planejamento como um processo racional de tomada de decisões. De fato, tanto McLoughlin (1969) como Chadwick (1971 apud HALL, 2002), considerados os principais autores do planejamento sistêmico, defendem uma seqüência de etapas que ficou conhecida como planejamento racional. Taylor (1998) argumenta que planejamento sistêmico e planejamento racional são conceitos diferentes, ainda que interligados, uma vez que o primeiro é uma concepção relativa à substância, ou seja, ao objeto do planejamento (o sistema urbano), enquanto que o segundo é uma teoria sobre os procedimentos a serem obedecidos pelos planejadores. Entretanto, na prática as duas concepções acabaram sendo conhecidas e estudadas como uma só abordagem (sistêmico-racional).</p>
<p>Além disso, existe mais uma característica tradicionalmente associada ao planejamento racional, que é o aspecto abrangente (CULLINGWORTH; NADIN, 1997). Segundo esse aspecto, o plano deve ser abrangente no sentido de (KENT, 1964 apud INNES, 2004): a) cobrir toda a área da cidade (em oposição a um plano que trate apenas de um bairro ou área específica); b) lidar com todos os elementos físicos essenciais do sistema urbano; e c) reconhecer as ligações desses elementos com todos os outros fatores, físicos ou não, na escala local ou regional, que afetam o crescimento e o desenvolvimento urbano.</p>
<h3>As críticas ao planejamento sistêmico / racional</h3>
<p>Essa definição “racional” das etapas de planejamento tem sido muito criticada sob a alegação de que, na prática, as etapas não se sucedem da maneira linear como é sugerido. Lindblom (2003) foi um dos mais ferozes críticos desse tipo de planejamento. Ele argumenta que é impossível estabelecer previamente os objetivos do planejamento, para depois testar as alternativas possíveis. Em primeiro lugar, como sintetizar em um único conjunto de objetivos os desejos de um grupo de pessoas com valores e visões de mundo diversos? E, mesmo que isso seja possível ou que o planejador leve em conta apenas seus próprios objetivos, como estimar “pesos” entre objetivos conflitantes e de difícil quantificação? Segundo Lindblom, na prática essa comparação só acontece quando as alternativas de intervenção estão sendo testadas e comparadas e, portanto, a escolha final dos objetivos só acontece realmente quando se escolhe dentre as alternativas possíveis, abrindo mão de alguns resultados em favor de outros.</p>
<p>Além disso, segundo o autor é impossível que todos os aspectos relevantes sejam levados em consideração. As alternativas avaliadas devem limitar-se apenas àquelas que apresentam pequenas modificações com relação às políticas existentes atualmente. “Democracias mudam suas políticas quase sempre através de ajustes incrementais. Políticas não se movem em saltos.” (LINDBLOM, 2003, p. 203).</p>
<p>Outra crítica ao planejamento racional abrangente é feita por Hopkins (2001), que argumenta que as tarefas do planejador são, na realidade, muito difíceis de serem atribuídas a uma ou outra etapa do processo definido racionalmente. Isso quer dizer que muitas ações do planejador podem contribuir para mais de uma etapa ao mesmo tempo: por exemplo, um levantamento das condições locais, ao mesmo tempo em que possibilita o entendimento do sistema está sendo utilizado para construir objetivos, e para comunicar e discutir esses objetivos com a comunidade.</p>
<p>Portanto, o processo todo acaba sendo mais “confuso” do que o esquema do planejamento racional procura estabelecer, no sentido de que as atividades misturam-se em padrões complexos de relações. Entretanto, o próprio Hopkins defende a utilização do esquema racional de planejamento como uma referência para a qualidade do processo de planejamento, ao invés de utilizá-lo como uma seqüência rigorosa de passos a serem seguidos. Dessa forma, esse esquema de etapas pode ser usado, ao fim do processo, para verificar se ­- e de que maneira &#8211; elas foram cumpridas, ainda que não tenham sido seguidas à risca e na ordem “certa” durante a elaboração do plano.</p>
<h3>Referências bibliográficas</h3>
<p>CULLINGWORTH, J. Barry; NADIN, Vincent. <strong>Town &amp; country planning in the UK</strong>. 12th. ed. London: Routledge, 1997.<br />
HALL, Peter. <strong>Urban and regional planning</strong>. 4th ed. New York: Routledge, 2002.<br />
HOPKINS, Lewis. <strong>Urban development</strong>: the logic of making plans. Washington &#8211; DC: Island Press, 2001.<br />
INNES, Judith. Consensus building: clarifications for the critics. <strong>Planning Theory</strong>, v. 3, n. 1, p. 5 -20, 2004.<br />
LINDBLOM, Charles E. The science of &#8220;muddling through&#8221;. In: CAMPBELL, Scott; FAINSTEIN, Susan (org.) <strong>Readings in planning theory</strong>. Malden: Blackwell Publishing, 2003. (Artigo publicado originalmente em 1959).<br />
MC LOUGHLIN, J. Brian. <strong>Urban &amp; regional planning</strong>: a systems approach. London: Faber and Faber, 1969.<br />
TAYLOR, Nigel. <strong>Urban planning theory since 1945</strong>. London: Sage, 1998.</p>
<h3>Veja também:</h3>
<ul>
<li><a title="O urbanismo" href="http://urbanidades.arq.br/2008/02/o-urbanismo/">O urbanismo</a></li>
<li><a title="O surgimento do planejamento urbano" href="http://urbanidades.arq.br/2008/03/o-surgimento-do-planejamento-urbano/">O surgimento do planejamento urbano</a></li>
</ul>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2008/09/14/o-planejamento-sistemico-racional-abrangente/">O planejamento sistêmico/racional-abrangente</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Advocacy planning</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2008/03/27/advocacy-planning/</link>
					<comments>https://urbanidades.arq.br/2008/03/27/advocacy-planning/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Mar 2008 19:19:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[artigos clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[decisão]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento comunicativo]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento racional]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento urbano]]></category>
		<category><![CDATA[planos diretores]]></category>
		<category><![CDATA[teoria do planejamento]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://urbanidades.arq.br/2008/03/advocacy-planning/</guid>

					<description><![CDATA[<p>O artigo &#8220;Advocacy and pluralism in planning&#8220;, publicado originalmente em 1965, pode ser considerado um dos grandes clássicos da teoria do planejamento. Para comprovar isso, basta notar que praticamente todas<a href="https://urbanidades.arq.br/2008/03/27/advocacy-planning/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Advocacy planning</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2008/03/27/advocacy-planning/">Advocacy planning</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O artigo &#8220;<strong>Advocacy and pluralism in planning</strong>&#8220;, publicado originalmente em 1965, pode ser considerado um dos grandes clássicos da teoria do planejamento. Para comprovar isso, basta notar que praticamente todas as compilações recentes de textos sobre planejamento o incluem.</p>
<p>Nele, Paul Davidoff faz uma defesa do pluralismo no planejamento urbano, entendido como a possibilidade de que vários grupos de interesse façam suas próprias propostas de planos de desenvolvimento urbano, sem dependerem necessariamente da iniciativa do Poder Público. Quando este tem o monopólio sobre a proposta de planos, o debate fica limitado, uma vez que a população pode apenas “reagir” ao invés de “propor”:</p>
<p align="center"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-width: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Advocacyplanning_E3FD/public_hearing_03.jpg" border="0" alt="public_hearing_03" width="500" height="250" /><br />
<em>Foto: <a href="http://www.flickr.com/photos/gaetanlee/580710018/">Gaetan Lee</a>.</em></p>
<p style="text-align: left;"><em></em><span id="more-90"></span></p>
<blockquote><p>A dificuldade com os atuais programas de participação popular é que os cidadãos normalmente <strong>reagem</strong> aos programas das agências ao invés de <strong>propor</strong> seus conceitos de objetivos mais apropriados e ações futuras. (DAVIDOFF, 2004, p. 46 – grifo no original)</p></blockquote>
<p>A chave para entender o conceito de advocay planning é o conceito de “alternativas”, que é um elemento importante na teoria do planejamento. O planejamento racional, por exemplo, sugere que o processo de planejamento deve seguir os seguintes passos (McLoughlin, 1969):</p>
<ol>
<li>Avaliação preliminar;</li>
<li>Formulação dos objetivos;</li>
<li>Descrição e simulação do sistema;</li>
<li>Definição de alternativas (cursos de ação);</li>
<li>Avaliação das alternativas;</li>
<li>Seleção das alternativas;</li>
<li>Implementação.</li>
</ol>
<p>As <a href="http://urbanidades.arq.br/2008/02/cenarios-em-planejamento-urbano/" target="_blank">alternativas</a>, portanto, são <strong>hipóteses de caminhos</strong> a serem seguidos para alcançar os objetivos desejados. Em um plano diretor, cada alternativa é composta, na verdade, por um conjunto de sub-alternativas. Por exemplo:</p>
<ul>
<li><strong>Alternativa 1</strong> – Crescer a oeste do Município, mantendo a densidade atual como está e incentivando a implementação de sub-centros onde atualmente está a periferia;</li>
<li><strong>Alternativa 2</strong> – Conter o crescimento periférico e incentivar a ocupação dos vazios urbanos já existentes dentro do perímetro urbano, incentivando também as centralidades locais.</li>
</ul>
<p><img decoding="async" class="alignright" style="float: right;" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Advocacyplanning_E3FD/chamadas_advocacy.gif" alt="" />Quando o autor diz que é necessário levantar alternativaS, no plural, ele defende que várias possibilidade devem ser levantadas e avaliadas, em termos de suas conseqüências, para que o melhor curso de ação seja escolhido. Acontece que, na prática, os órgãos de planejamento, que de certa forma detêm uma espécie de “monopólio” na proposição de diretrizes urbanas, apresentam apenas uma única alternativa.</p>
<p>Caso apresentem mais de uma, possuem normalmente uma predileção por uma delas e, por isso, acabam defendendo-a com mais afinco do que as outras possibilidades. Davidoff defende que essa postura reduz a riqueza dos debates e que, portanto, deveria haver um embate legítimo entre propostas defendidas por atores distintos que, dessa forma, fariam todo o esforço para defender suas proposições e explorar as conseqüências das suas alternativas e das alternativas apresentadas pelos outros atores.</p>
<p>Segundo ele, essa prática poderia trazer três vantagens principais:</p>
<ol>
<li>O público seria mais bem informado sobre as alternativas existentes, e essas alternativas seriam fortemente defendidas por seus proponentes. Ao contrário das alternativas secundárias mostradas pelas agências de planejamento, nas quais elas próprias muitas vezes não acreditam e, portanto, não apóiam com justificativas robustas, no caso do planejamento com pluralidade as alternativas à proposta do órgão oficial seriam intensamente defendida pelos proponentes, que se empenhariam em justificá-las.</li>
<li>O Poder Público seria obrigado a competir com outras propostas em busca de apoio. Portanto, a tendência é que trabalhem melhor suas próprias propostas. Atualmente, por deterem o “monopólio” sobre a proposição de planos, essa preocupação não é tão grande.</li>
<li>Aquelas pessoas que apenas criticam os planos oficiais agora seriam obrigadas a oferecer alternativas superiores a eles.</li>
</ol>
<p>Dentro desse contexto, o planejador não é mais um ator buscando a neutralidade, mas um ator que toma partido, que defende certos pontos de vista, à maneira de um advogado (por isso o nome “advocacy planning”).</p>
<blockquote><p>O planejador advocatício [<em>advocate planner</em>] seria mais que um fornecedor de informação, um analista das tendências atuais, um simulador das condições futuras, e um especificador de meios. Além de levar a cabo essas partes necessárias do planejamento, ele seria um <em><strong>propositor</strong></em> de soluções específicas relativas ao conteúdo [<em>specific substantive solutions</em>] (DAVIDOFF, 2004, p. 44 – grifo no original).</p></blockquote>
<p>Em tempos de planejamento participativo, esse texto é muito atual, pois nos dá algumas pista de como podemos superar a passividade da sociedade em relação às propostas, em direção a uma posição mais ativa (e comprometida) com relação ao futuro das nossas cidades.</p>
<h3>Referências Bibliográficas:</h3>
<p>DAVIDOFF, Paul. Advocay and pluralism in planning. In: STEIN, Jay. <strong>Classic readings in urban planning</strong>. Chicago: Planners Press, 2004. p. 41 &#8211; 52. (Artigo publicado originalmente em 1965).</p>
<p>MC LOUGHLIN, J. Brian. <strong>Urban &amp; regional planning: a systems approach</strong>. London: Faber and Faber, 1969.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2008/03/27/advocacy-planning/">Advocacy planning</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://urbanidades.arq.br/2008/03/27/advocacy-planning/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>2</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Kevin Lynch e a imagem da cidade</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2008/03/14/kevin-lynch-e-a-imagem-da-cidade/</link>
					<comments>https://urbanidades.arq.br/2008/03/14/kevin-lynch-e-a-imagem-da-cidade/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Mar 2008 14:59:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[artigos clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[bê-á-bá]]></category>
		<category><![CDATA[caminho]]></category>
		<category><![CDATA[imagem da cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Kevin Lynch]]></category>
		<category><![CDATA[publicações]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://urbanidades.arq.br/2008/03/kevin-lynch-e-a-imagem-da-cidade/</guid>

					<description><![CDATA[<p>Kevin Lynch é um dos grandes autores do Urbanismo, responsável por uma das obras mais famosas e mais influentes: A Imagem da Cidade. Nela, ele destaca a maneira como percebemos<a href="https://urbanidades.arq.br/2008/03/14/kevin-lynch-e-a-imagem-da-cidade/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Kevin Lynch e a imagem da cidade</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2008/03/14/kevin-lynch-e-a-imagem-da-cidade/">Kevin Lynch e a imagem da cidade</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Kevin Lynch é um dos grandes autores do Urbanismo, responsável por uma das obras mais famosas e mais influentes: <strong>A Imagem da Cidade</strong>. Nela, ele destaca a maneira como percebemos a cidade e as suas partes constituintes, baseado em um extenso estudo em três cidades norte-americanas, no qual pessoas eram questionadas sobre sua percepção da cidade, como estruturavam a imagem que tinham dela e como se localizavam.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/paris_01.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/paris_01_thumb.jpg" border="0" alt="paris_01" width="500" height="375" /></a><br />
<em><span style="font-size: xx-small;">Foto: </span></em><a href="http://www.flickr.com/photos/fenners/235003779/" target="_blank"><em><span style="font-size: xx-small;">Fenners 1984</span></em></a><em><span style="font-size: xx-small;">.</span></em></p>
<p>Lynch identificou, como principal conclusão, que os elementos que as pessoas utilizam para estruturar sua imagem da cidade podem ser agrupados em cinco grande tipos: caminhos, limites, bairros, pontos nodais e marcos.</p>
<p>Concluiu também que essa percepção é feita aos poucos, já que é impossível apreender toda a cidade de uma só vez. Portanto, o tempo é um elemento essencial. Além disso, verificou que nada é experimentado individualmente, e sim em relação a seu entorno. Elementos semelhantes, porém localizados em contextos diferentes, adquirem significados também diferentes.</p>
<p>Cada cidadão tem determinadas associações com partes da cidade, e a imagem que ele faz delas está impregnada de memórias e significados. Portanto, nem tudo pode ser generalizado, apesar da aparente “universalidade” dos 5 elementos identificados por Lynch.</p>
<h3>Conceitos principais</h3>
<p>Um dos conceitos básico trabalhados é o da <strong>legibilidade</strong>, entendido como a</p>
<p><span id="more-89"></span></p>
<blockquote><p>Facilidade com que cada uma das partes [da cidade] pode ser reconhecida e organizada em um padrão coerente” (LYNCH, 1960, p.2).</p></blockquote>
<p>É importante ter claro que a legibilidade a que Lynch se refere é aquela proveniente dos aspectos visuais da cidade, ou seja, não leva em consideração esquemas não-visuais tais como numeração de ruas ou outros sistemas que podem contribuir para a legibilidade mas não são ligados à imagem da cidade especificamente.</p>
<p>Estruturar e identificar o ambiente é uma habilidade vital para todos os animais que se movem e, por outro lado, a sensação de desorientação é angustiante para quem vivencia a cidade. Um ambiente legível oferece segurança e possibilita uma experiência urbana mais intensa, uma vez que a cidade explore seu potencial visual e expresse toda a sua complexidade.</p>
<p>Segundo Lynch, a percepção ambiental pode ser analisada segundo três componentes: estrutura, identidade e significado. A identificação de um objeto implica na sua distinção em relação a outras coisas, seu reconhecimento como uma entidade separada, ou seja, sua <strong>identidade</strong>. Além disso, a imagem da cidade deve incluir o padrão espacial ou a relação do objeto com o observador e com os outros objetos, oq ue Lynch chamou de <strong>estrutura</strong>.</p>
<p>Com relação ao <strong>significado</strong>, Lynch é mais cauteloso, não se aprofundando muito no conceito nem no seu estudo. A ênfase é, portanto, na identidade e na estrutura. Apesar disso, o autor argumenta que o objeto deve ter algum significado para o observador, seja prático ou emocional, e que isso está intimamente ligado à sua identidade e seu papel dentro de uma estrutura mais ampla.</p>
<p>Outro conceito importante de Lynch é a imageabilidade (imageablity, no original), entendida como a</p>
<blockquote><p>Qualidade de um objeto físico que lhe dá uma alta probabilidade de evocar uma imagem forte em qualquer observador. Refere-se à forma, cor ou arranjo que facilitam a formação de imagens mentais do ambiente fortemente identificadas, poderosamente estruturadas e altamente úteis. (LYNCH, 1960, p. 9)</p></blockquote>
<p>O conceito de imageabilidade, portanto, está ligado ao conceito de legibilidade, uma vez que imagens “fortes” aumentam a probabilidade de construir uma visão clara e estruturada da cidade.</p>
<blockquote><p>Uma cidade com imageabilidade (aparente, legível, ou visível), nesse sentido, seria bem formada, distinta, memorável; convidaria os olhos e ouvidos a uma maior atenção e participação. (LYNCH, 1960, p. 10)</p></blockquote>
<h3>A imagem da cidade e seus elementos</h3>
<p><strong>Caminhos (<em>paths</em>)</strong></p>
<blockquote><p>“São canais ao longo dos quais o observador costumeiramente, ocasionalmente, ou potencialmente se move. Podem ser ruas, calçadas, linhas de trânsito, canais, estradas-de-ferro” (LYNCH, 1960, p. 47).</p></blockquote>
<p><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image002.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image002_thumb.jpg" border="0" alt="clip_image002" hspace="12" width="95" height="95" align="left" /></a>Os caminhos foram considerados como os principais elementos estruturadores da percepção ambiental para a maioria das pessoas entrevistadas. Pelo fato de as pessoas perceberem a cidade enquanto se deslocam pelos caminhos, estes não apenas estruturam a sua experiência mas também estruturam os outros elementos da imagem da cidade.</p>
<p>Alguns caminhos específicos podem adquirir especial relevância na medida em que:</p>
<ul>
<li>Concentram um tipo especial de uso (ruas intensamente comerciais, por exemplo);</li>
<li>Apresentam qualidades espaciais diferenciadas (muito largo ou muito estreito, por exemplo);</li>
<li>Apresentam um tratamento intenso de vegetação;</li>
<li>Apresentam continuidade;</li>
<li>São visíveis de outras partes da cidade, ou possibilitam amplos visuais para outras partes da cidade;</li>
<li>Apresentam origem e destino bem claros.</li>
</ul>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image004.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image004_thumb.jpg" border="0" alt="clip_image004" width="240" height="180" /></a><br />
<em><span style="font-size: xx-small;">Figura 1 – Av. Beiramar Norte – Florianópolis – SC. Fonte: IPUF.</span></em></p>
<p>Quando os principais caminhos não apresentam identidade, a imagem global da cidade é prejudicada.</p>
<p>As esquinas são pontos importantes na estrutura da cidade, já que representam uma decisão, uma escolha. Nesses pontos a atenção do observador tende a ser redobrada, e por isso elementos posicionados junto a essas intersecções tendem a ser mais facilmente notados e utilizados como referenciais.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image006.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image006_thumb.jpg" border="0" alt="clip_image006" width="240" height="180" /></a><br />
<span style="font-size: xx-small;">Figura 2 – Rua de Barcelona. Autor: <a href="http://www.flickr.com/photos/javisitges/1478263161/" target="_blank">Giika</a>.</span></p>
<p><strong>Limites (<em>edges</em>)</strong></p>
<p><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image008.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image008_thumb.jpg" border="0" alt="clip_image008" hspace="12" width="95" height="95" align="left" /></a>São elementos lineares constituídos pelas bordas de duas regiões distintas, configurando quebras lineares na continuidade. Os limites mais fortemente percebidos são aqueles não apenas proeminentes visualmente, mas também contínuos na sua forma e sem permeabilidade à circulação.</p>
<p>Podem ser considerados barreiras (rios, estradas, viadutos, etc.) ou como elementos de ligação (praças lineares, ruas de predestres, etc.). Podem ter qualidades direcionais, assim como os caminhos. Ao longo de um rio, por exemplo, sempre tem-se a noção de que direção se está percorrendo, uma vez que o lado do rio fornece essa orientação.</p>
<p>Outra característica dos limites é que eles podem ter um efeito de segregação nas cidades. Limites numerosos e que atuam mais como barreiras do que como elementos de ligação acabam separando execssivamente as partes da cidade, e prejudicando uma visão do todo.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image010.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image010_thumb.jpg" border="0" alt="clip_image010" width="240" height="179" /></a><br />
<em><span style="font-size: xx-small;">Figura 3 – Charles River em Boston. Foto: <a href="http://www.flickr.com/photos/wili/210236480/" target="_blank">Wili Hybrid</a>.</span></em></p>
<p><strong>Bairros (<em>districts</em>)</strong></p>
<p>Na concepção de Lynch, bairros são</p>
<blockquote><p>partes razoavelmente grandes da cidade na qual o observador “entra”, e que são percebidas como possuindo alguma característica comum, identificadora. (LYNCH, 1960, p. 66).</p></blockquote>
<p><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image012.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image012_thumb.jpg" border="0" alt="clip_image012" hspace="12" width="94" height="94" align="left" /></a>Nesse ponto, é importante esclarecer que a tradução para bairros, ou mesmo para distritos, pode gerar confusão. O conceito de Lynch refere-se a uma área percebida como relativamente homogênea em relação ao resto da cidade ou, ao menos, como possuindo uma certa característica em comum que permite diferenciá-la do resto do tecido urbano. É, portanto, um critério visual, perceptivo, ao contrário do critério administrativo que define o conceito tradicional de bairro no Brasil. As considerações a seguir referem-se ao conceito adotado por Lynch.</p>
<div class="olhos">Os &#8220;Bairros&#8221; de Lynch não são limites administrativos.</div>
<p>As características que determinam os bairros podem ser das mais variadas naturezas: texturas, espaços, formas, detalhes, símbolos, tipos de edificação, usos, atividades, habitantes, grau de conservação, topografia, etc. Beacon Hill, em Boston, por exemplo (Fotos), foi reconhecida prlas ruas estreitas e inclinadas; casas antigas, de tijolos, em fita e de escala intimista; portas brancas; ruas e calçadas de paralelepípedo e tijolo; bom estado de conservação; e pedestres de classes sociais altas.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image014.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image014_thumb.jpg" border="0" alt="clip_image014" width="88" height="140" /></a> <a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image016.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image016_thumb.jpg" border="0" alt="clip_image016" width="105" height="140" /></a> <a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image018.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image018_thumb.jpg" border="0" alt="clip_image018" width="210" height="140" /></a><br />
<em><span style="font-size: xx-small;">Figura 4 – Boston – Beacon Hill. Fotos: <a href="http://www.flickr.com/photos/the-o/2323111726/" target="_blank">David Paul Ohmer</a>; <a href="http://www.flickr.com/photos/ssegraves/426104866/" target="_blank">Stephan Segraves</a>; <a href="http://www.flickr.com/photos/pkeleher/362510929/" target="_blank">Paul Keheler</a>.</span></em></p>
<p>Os bairros desempenham papel importante na legibilidade da cidade, não apenas em termos de orientação, mas também como partes importantes do viver na cidade, e podem apresentar diferentes tipos de limites. Alguns são precisos, bem definidos. Outros são mais suaves, indefinidos. Da mesma forma, alguns podem ser “introvertidos”; outros, “extrovertidos”.</p>
<p><strong>Pontos nodais (<em>nodes</em>)</strong></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image020.jpg" border="0" alt="clip_image020" hspace="12" width="95" height="95" align="left" />São pontos estratégicos na cidade, onde o observador pode entrar, e que são importantes focos para onde se vai e de onde se vem. Variam em função da escala em que se está analisando a imagem da cidade: podem ser esquinas, praças, bairros, ou mesmo uma cidade inteira, caso a análise seja feita em nível regional.</p>
<p>Pontos de confluência do sistema de transporte são nós em potencial, tais como estações de metrô e terminais de ônibus.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image022.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image022_thumb.jpg" border="0" alt="clip_image022" width="240" height="192" /></a><br />
<em><span style="font-size: xx-small;">Figura 5 – Interseção de viadutos na China. Foto: <a href="http://www.edwardburtynsky.com/WORKS/China/Large_Images_Book/CHNA_CITY_02_05.htm" target="_blank">Edward Burtynsky</a>.</span></em></p>
<p>Outro tipo de nós que apareceram frequentemente nas entrevistas são as “concentrações temáticas”, tais como os centros puramente comerciais. Tais locais atuam como nós porque atraem muitas pessoas e são utilizadas como referenciais. A Pershing Square, em Los Angeles, também é um exemplo de nó, percebido como um local com características distintas, tais como a vegetação e as atividades que lá se realizam.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image024.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image024_thumb.jpg" border="0" alt="clip_image024" width="240" height="180" /></a><br />
<em><span style="font-size: xx-small;">Figura 6 – Los Angele – Pershing Square. Foto: <a href="http://www.flickr.com/photos/daquellamanera/166275930/" target="_blank">Daquella Manera</a>.</span></em></p>
<p>Lynch também concluiu que a forma espacial não é essencial para um nó, mas pode dotá-lo de maior relevância.</p>
<p><strong>Marcos</strong></p>
<p><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image026.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image026_thumb.jpg" border="0" alt="clip_image026" hspace="12" width="95" height="95" align="left" /></a>São elementos pontuais nos quais o observador não entra. Podem ser de diversas escalas, tais como torres, domos, edifícios, esculturas, etc.</p>
<p>Sua principal característica é a singularidade, algum aspecto que é único ou memorável no contexto. Isso pode ser alcançado de duas maneiras: sendo visto a partir de muitos lugares, ou estabelecendo um contraste local com os elementos mais próximos.</p>
<p>Parecem ser mais usados pelas pessoas mais acostumadas à cidade, especialmente aqueles marcos menos proeminentes, menores, mais comuns. À medida que as pessoas se tornam mais conhecedoras da cidade, estas passam a se basear em elementos diferenciados, ao invés de se guiar pelas semelhanças, utilizando-se de pequenos elementos referenciais.</p>
<p>A localização em esquinas maximiza sua importância.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image028.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image028_thumb.jpg" border="0" alt="clip_image028" width="237" height="180" /></a> <a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image030.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/KevinLyncheaimagemdacidade_A1F8/clip_image030_thumb.jpg" border="0" alt="clip_image030" width="248" height="180" /></a><br />
<em><span style="font-size: xx-small;">Figura 7 – Ópera de Sydney. Foto: <a href="http://www.flickr.com/photos/tim_uk/384654410/" target="_blank">Tim Sheerman-Chase</a>; Catedral de S. Maria del Fiore – Florença. Fonte: Benevolo (1999)</span></em></p>
<h3>Referências bibliográficas</h3>
<p>BENÉVOLO, Leonardo. <strong>História da Cidade</strong> . São Paulo: Perspectiva, 1999.</p>
<p>LYNCH, Kevin. <strong>The image of the city</strong>. Cambridge: The M.I.T. Press, 1960.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2008/03/14/kevin-lynch-e-a-imagem-da-cidade/">Kevin Lynch e a imagem da cidade</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://urbanidades.arq.br/2008/03/14/kevin-lynch-e-a-imagem-da-cidade/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>48</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O urbanismo</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2008/02/19/o-urbanismo/</link>
					<comments>https://urbanidades.arq.br/2008/02/19/o-urbanismo/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Feb 2008 13:48:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[artigos clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[bê-á-bá]]></category>
		<category><![CDATA[Camillo Sitte]]></category>
		<category><![CDATA[cidade jardim]]></category>
		<category><![CDATA[cidade modernista]]></category>
		<category><![CDATA[Ebenezer Howard]]></category>
		<category><![CDATA[Le Corbusier]]></category>
		<category><![CDATA[modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://urbanidades.arq.br/2008/02/o-urbanismo/</guid>

					<description><![CDATA[<p>O urbanismo, enquanto disciplina, nasceu como uma reação aos problemas trazidos pela Revolução Industrial. Após a intensa industrialização experimentada nessa época, as cidades sofreram um enorme crescimento populacional ocasionado principalmente<a href="https://urbanidades.arq.br/2008/02/19/o-urbanismo/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">O urbanismo</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2008/02/19/o-urbanismo/">O urbanismo</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Ourbanismo_95E6/LeCorbusierCidadeModernaCroqui01.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border: 0px none " src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Ourbanismo_95E6/LeCorbusierCidadeModernaCroqui01_thumb.jpg" border="0" alt="Le Corbusier - Cidade Moderna - Croqui 01" width="234" height="244" align="right" /></a> O urbanismo, enquanto disciplina, nasceu como uma reação aos problemas trazidos pela Revolução Industrial. Após a intensa industrialização experimentada nessa época, as cidades sofreram um enorme crescimento populacional ocasionado principalmente pelo êxodo dos trabalhadores rurais em direção às cidades, em busca de empregos e melhores condições de vida. Isso ocasionou uma grande deterioração da qualidade de vida, principalmente por fatores ligados aos aspectos físico-ambientais (sujeira, lixo, doenças, esgoto, densidades excessivas, etc.), que por sua vez ocasionou o surgimento de um novo campo disciplinar que se pretendia científico: o urbanismo.</p>
<p><span id="more-83"></span></p>
<p>Pelo fato de, até então, as intervenções sobre a cidade serem eminentemente de caráter espacial, foram os arquitetos quem tomaram a frente dessa nova diciplina, impondo sua forma de ver a cidade (Taylor, 1998). Com efeito, segundo Kohlsdorf (1985, p. 24), “os urbanistas são, geralmente, arquitetos”.</p>
<p>Entre os primeiros urbanistas estão Tony Garnier, Walter Gropius, Ebenezer Howard, Camillo Sitte e, é claro, Le Corbusier. Suas propostas eram de caráter eminentemente físico, como não poderia deixar de ser, e envolviam preocupações com aspectos como a distribuição das diferentes funções pela cidade, o traçado urbano, a distribuição de densidades e a localização e o desenho das áreas verdes, bem como preocupações com os aspectos estéticos.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Ourbanismo_95E6/Kohlsdorf1985p.26CidadeLinearLeCorbusier.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Ourbanismo_95E6/Kohlsdorf1985p.26CidadeLinearLeCorbusier_thumb.jpg" border="0" alt="Kohlsdorf (1985 - p. 26) - Cidade Linear Le Corbusier" width="360" height="336" /></a><br />
<em>Cidade Linear Industrial de Le Corbusier (Fonte: KOHLSDORF, 1985, p. 26)</em></p>
<p>Estas propostas eram curiosamente distantes dos problemas enfrentados pelas cidades reais, no sentido de que não se propunham a intervir sobre elas para solucioná-los, mas sim propor esquemas considerados como modelos ideais a partir dos quais seriam criadas as condições para uma sociedade mais feliz. Esses esquemas seguiam a tradição da prática arquitetônica e propunham um projeto “final” para a cidade, a ser atingido num horizonte de tempo indeterminado. Esses projetos tinham um nível de detalhamento considerável, através do qual os urbanistas buscavam eliminar as incertezas reduzindo ao máximo as variações possíveis.</p>
<p>Por esse motivo, eram chamados de <em>master plans</em>, ou ainda <em>blueprint plans</em>. Ebenezer Howard, por exemplo, previa suas cidades-jardins com estruturas radiais compostas por 6 bulevares de 36m, formando 6 distritos ou partes iguais.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Ourbanismo_95E6/Kohlsdorf1985p.30Cidadejardimhorizontal.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border: 0px none " src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Ourbanismo_95E6/Kohlsdorf1985p.30Cidadejardimhorizontal_thumb.jpg" border="0" alt="Kohlsdorf (1985 - p. 30) Cidade jardim - horizontal" width="360" height="146" /></a><br />
<em><span style="font-size: x-small;">Fig. 2 &#8211; Cidade-Jardim de Ebenezer Howard (1898). (Fonte: KOHLSDORF, 1985, p. 30)</span></em></p>
<p>Além disso, o urbanismo dessa época não era baseado na experiência e na pesquisa sobre o modo de funcionamento das cidades. Taylor (1998, p. 14) argumenta que</p>
<blockquote><p>Os planos e as decisões de planejamento eram feitos geralmente baseadas na intuição ou, ao invés disso, baseadas em concepções estéticas simplistas da forma urbana [&#8230;].</p></blockquote>
<p>Apesar disso, muitos dos modelos de cidade foram efetivamente levados a cabo, ainda que de maneira incompleta, em diversos lugares do mundo e com resultados os mais diferentes. No Brasil, um dos exemplos mais ilustres: Brasília.</p>
<p>Em outro post, falaremos sobre a mudança ocorrida na forma de ver a cidade, que passou a ser entendida como um sistema dinâmico, no qual o <strong><span style="text-decoration: underline;">processo </span></strong>de desenvolvimento, portanto, adquiriu importância especial.</p>
<h3>Referências bibiográficas</h3>
<p>KOHLSDORF, Maria Elaine. Breve histórico do espaço urbano como campo disciplinar. In: GONZALES, Sueli et al. <strong>O espaço da cidade &#8211; contribuição à análise urbana</strong>. São Paulo: Projeto, 1985.</p>
<p>TAYLOR, Nigel. <strong>Urban planning theory since 1945</strong>. London: Sage, 1998.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2008/02/19/o-urbanismo/">O urbanismo</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://urbanidades.arq.br/2008/02/19/o-urbanismo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>7</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Jane Jacobs e os parques de bairro</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2007/09/18/jane-jacobs-parques-de-bairro/</link>
					<comments>https://urbanidades.arq.br/2007/09/18/jane-jacobs-parques-de-bairro/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Sep 2007 22:42:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[artigos clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[bê-á-bá]]></category>
		<category><![CDATA[Jane Jacobs]]></category>
		<category><![CDATA[parques]]></category>
		<category><![CDATA[praças]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://urbanidades.arq.br/2007/09/jane-jacobs-parques-de-bairro/</guid>

					<description><![CDATA[<p>Em um post anterior sobre espaços públicos, já comentei um pouco sobre as teorias de Jane Jacobs sobre os requisitos para que as praças e parques públicos tenham vitalidade. Suas<a href="https://urbanidades.arq.br/2007/09/18/jane-jacobs-parques-de-bairro/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Jane Jacobs e os parques de bairro</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2007/09/18/jane-jacobs-parques-de-bairro/">Jane Jacobs e os parques de bairro</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/JaneJacobs_DF5C/jacobs_00.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="margin: 0px 15px 0px 0px; border: 0px;" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/JaneJacobs_DF5C/jacobs_00_thumb.jpg" border="0" alt="jacobs_00" width="132" height="240" align="left" /></a> Em um post anterior sobre <a href="http://urbanidades.arq.br/2007/06/espacos-publicos/" target="_blank">espaços públicos</a>, já comentei um pouco sobre as teorias de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jane_Jacobs" target="_blank">Jane Jacobs</a> sobre os requisitos para que as praças e parques públicos tenham vitalidade. Suas idéias são tão importantes para o Urbanismo e têm tanto impacto sobre o modo como entendemos a cidade que vale a pena aprofundar um pouco esse assunto.</p>
<p>Uma das suas principais contribuições foi desmantelar uma série de &#8220;verdades&#8221; consideradas intocáveis à época e que ainda hoje são consideradas válidas por uma boa parcela da população (e, infelizmente, dos tomadores de decisão). Boa parte de sua crítica teve como alvo as idéias modernistas, mais especificamente Le Corbusier e Ebenezer Howard.</p>
<p><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/JaneJacobs_DF5C/le_corbusier_01.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/JaneJacobs_DF5C/le_corbusier_01_thumb.jpg" alt="le_corbusier_01" width="240" height="180" /></a><br />
<em>Croqui de Le Corbusier (Fonte: Benevolo, 1999) &#8211; Jacobs criticava a ideologia modernista que pregava grandes áreas verdes e edifícios isolados, com segregação de usos e separação entre a circulação de pedestres e veículos.</em></p>
<p>Segundo Jacobs, a ideologia modernista era equivocada porque defendia que&#8230;</p>
<blockquote><p>&#8230;a rua é um lugar ruim para os seres humanos; as casas devem estar afastadas dela e voltadas para dentro, para uma área verde cercada. Ruas numerosas são um desperdício e só beneficiam os especuladores imobiliários, que determinam o valor pela metragem da testada do terreno. A unidade básica do traçado não é a rua, mas a quadra, mais particularmente a superquadra. O comércio deve ser separado das residências e das áreas verdes. (Jacob, 2001, p. 20, criticando os ideais modernistas).</p></blockquote>
<p>Com relação aos parques urbanos, ela também construiu um argumento poderoso para destruir alguns mitos:</p>
<blockquote><p>Espera-se muito dos parques urbanos. Longe de transformar qualquer virtude inerente ao entorno, longe de promover as vizinhanças automaticamente, os próprios parques de bairro é que são direta e drasticamente afetados pela maneira como a vizinhança neles interfere. (Jacob, 2001, p. 104)</p></blockquote>
<p><span id="more-39"></span><br />
Seu argumento é de que não basta um parque existir para garantir vitalidade para si mesmo e para o entorno. Não é possível obter valorização de um bairro simplesmente adicionando-se áreas verdes sem nenhum critério. Para que um parque de bairro funcione ele precisa ter 4 elementos:</p>
<ol>
<li>Complexidade;</li>
<li>Centralidade;</li>
<li>Insolação;</li>
<li>Delimitação espacial.</li>
</ol>
<p><img loading="lazy" decoding="async" style="border: 0px;" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/JaneJacobs_DF5C/jacobs_01.jpg" border="0" alt="jacobs_01" width="360" height="265" /></p>
<p>A <strong>complexidade</strong> é o elemento mais trabalhado por ela e, aparentemente, o mais importante. Nesse caso, a complexidade refere-se à diversidade de usos e de pessoas no entorno do parque, que conferem diversidade de horários e de propósitos para sua utilização.</p>
<blockquote><p>A variedade de usos dos edifícios propicia ao parque uma variedade de usuários que nele entram e dele saem em horáriosdiferentes. Eles utilizam o parque em horários diferentes porque seus compromissos diários são diferentes. Portanto, o parque tem uma sucessão complexa de usos e usuários. (Jacobs, 2001, p. 105)</p></blockquote>
<p>A complexidade envolve também riqueza espacial, criada por elementos tais como diferenças de nível, visuais interessantes, perspetivas variadas, agrupamentos de árvores, etc.</p>
<p>A <strong>centralidade</strong> refere-se a um elemento espacial central ou, mais precisamente, com hierarquia superior aos demais, para atuar como referência no espaço da praça. Ele atua como polarizador dos usos e da legibilidade do espaço, sendo reconhecido por todos como o centro da praça.</p>
<p>A <strong>insolação</strong> provavelmente é mais importante para os países mais frios, apesar de que mesmo no Brasil não é interessante que os parques sejam sombreados pelos edifícios vizinhos. Ao contrário, é desejado que os parques propiciem tanto boas áreas de sombra para o verão como áreas ensolaradas para os dias de inverno.</p>
<p><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/JaneJacobs_DF5C/pracas_01.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="margin: 0px 0px 0px 15px; border: 0px;" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/JaneJacobs_DF5C/pracas_01_thumb.jpg" border="0" alt="pracas_01" width="240" height="180" align="right" /></a> Por fim, a <strong>delimitação espacial</strong> segue a linha do que Camillo Sitte defendia no final do século XIX, ou seja, a noção de que os espaços abertos devem ser conformados pelos edifícios, e não serem simplesmente formados a partir dos resíduos deixados pelas configurações dos espaços fechados. Não devem, tampouco, formar imensas áreas vazias sobre as quais os edifícios se assentam, como defendia o Modernismo.</p>
<p><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/JaneJacobs_DF5C/pracas_02.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border: 0px;" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/JaneJacobs_DF5C/pracas_02_thumb.jpg" border="0" alt="pracas_02" width="240" height="180" /></a><br />
<em>É preciso que as praças possuam delimitação espacial fornecida pelos espaços edificados ao seu redor.</em></p>
<p>É interessante notar como as teorias de Jacobs parecem válidas ainda hoje, apesar de terem sido desenvolvidas há mais de 4 décadas e em uma realidade completamente diferente da que temos hoje no Brasil. Se observarmos atentamente as praças e espaços públicos das cidades brasileiras vamos chegar à conclusão que as teorias são bastante válidas para a nossa realidade. É muito comum vermos praças relativamente bem arrumadas e arborizadas que ficam o dia todo deserto, sem praticamente ninguém utilizando. Não por acaso, a maioria deles fica em bairros de classe média/média-alta quase que exclusivamente residenciais.</p>
<p>Por outro lado, em bairros em que há uma maior diversidade de usos, as praças tendem a ser mais utilizadas e a ser mais interessantes.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2007/09/18/jane-jacobs-parques-de-bairro/">Jane Jacobs e os parques de bairro</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://urbanidades.arq.br/2007/09/18/jane-jacobs-parques-de-bairro/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>15</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Problemas &#8220;capciosos&#8221;</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2007/07/11/problemas-capciosos/</link>
					<comments>https://urbanidades.arq.br/2007/07/11/problemas-capciosos/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Jul 2007 19:19:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[artigos clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento urbano]]></category>
		<category><![CDATA[teoria do planejamento]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://urbanidades.arq.br/?p=17</guid>

					<description><![CDATA[<p>Estive relendo há pouco tempo o texto &#8220;DILEMMAS IN A GENERAL THEORY OF PLANNING&#8221;, de Rittel e Webber (1973), que é um texto muito interessante. Nele, os autores argumentam que<a href="https://urbanidades.arq.br/2007/07/11/problemas-capciosos/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Problemas &#8220;capciosos&#8221;</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2007/07/11/problemas-capciosos/">Problemas “capciosos”</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Estive relendo há pouco tempo o texto &#8220;DILEMMAS IN A GENERAL THEORY OF PLANNING&#8221;, de Rittel e Webber (1973), que é um texto muito interessante. Nele, os autores argumentam que os problemas sociais, tais como os enfrentados pelo planejamento, não são como os problemas relacionados à engenharia, matemática ou mesmo às ciências naturais e, portanto, não podem ser solucionados com os mesmos métodos. Segundo eles, os problemas enfrentados pelo planejamento podem ser considerados “capciosos” (<em>wicked</em>, no original).</p>
<p><img decoding="async" title="Foto: ~Madeeha~ (flickr.com)" style="margin: 0px 0px 0px 5px" alt="Foto: ~Madeeha~ (flickr.com)" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2007/07/xadrez.jpg" align="right">Na solução de uma equação, ou numa partida de xadrez, sabe-se de antemão todas as condições do problema, as regras para sua resolução e os critérios necessários para saber se a solução foi correta, ou mesmo se pode ser ou não considerada uma solução. Nos problemas capciosos isso não se aplica.</p>
<p>Os autores listam as seguintes características para problemas desse tipo:</p>
<p><strong>1. Não existe uma formulação definitiva para um problema capcioso</strong><br />A informação necessária para entender o problema depende das hipóteses de solução desse problema. Por isso, “o entendimento do problema e sua resolução são concomitantes” (RITTEL; WEBBER, 2004, p. 56). O mesmo não acontece, por exemplo, nos problemas matemáticos, em que a formulação do problema pode ser feita sem que o mesmo comece a ser resolvido.</p>
<blockquote>
<p>“A formulação de um problema capcioso é o problema” (RITTEL; WEBBER, 2004, p. 57)</p>
</blockquote>
<p><strong>2. Problemas capciosos não têm regra para definir quando parar</strong><br />Como a formulação do problema acontece juntamente com sua solução, e como não há critérios que apontem quando um problema capcioso foi adequadamente descrito, o planejador sempre poderia “fazer melhor”, e prolongar a resolução do problema indefinidamente. As razões para não fazê-lo são externas à lógica própria do problema: falta de tempo, de recursos ou de paciência, por exemplo.</p>
<p><span id="more-17"></span><br />
<strong>3. As soluções de problemas capciosos não são verdadeiras ou falsas, e sim boas ou más</strong><br />Muitos atores têm interesses diferentes com relação às soluções dos problemas de planejamento, mas nenhum deles tem legitimidade para estabelecer critérios ou regras de decisão para definir quais decisões são corretas ou incorretas. </p>
<p><strong>4. Não existe um teste completo para avaliar as conseqüências das soluções propostas</strong><br />As soluções dos problemas capciosos, depois de implementadas, podem ter efeitos que se propagam através do tempo e do espaço de maneiras impossíveis de serem rastreadas. Esses efeitos não podem, portanto, ser avaliados com precisão, apesar de serem muitas vezes tão importantes quanto os efeitos imediatos.</p>
<p><a title="decay.jpg" href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2007/07/decay.jpg"><img decoding="async" title="Foto: " style="margin: 0px 0px 0px 5px" alt="Foto: " src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2007/07/decay.thumbnail.jpg" align="right"></a><strong> 5. Não é possível operar através de tentativa e erro para solucionar um problema capcioso</strong></p>
<blockquote>
<p>“Com os problemas capciosos, todas as soluções implementadas têm conseqüências. Elas deixas ‘rastros’ que não podem ser revertidos. Não se pode construir uma via expressa para ver como funciona, e depois corrigi-la facilmente se seu desempenho não for satisfatório” (RITTEL; WEBBER, 2004, p. 58)</p>
</blockquote>
<p><strong>6. Não existe um conjunto definido de alternativas possíveis</strong><br />Quando se busca uma solução para um problema capcioso, um determinado número de alternativas é levantado, mas outra porção delas nem chega a ser cogitada. É uma questão de julgamento definir se o planejador deve continuar a tentar aumentar o leque de alternativas possíveis ou se deve dar-se por satisfeito com aquelas já levantadas.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" title="Foto: Irina / Riri (flick.com)" style="margin: 0px 0px 0px 5px" height="148" alt="Foto: Irina / Riri (flick.com)" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2007/07/unico_02.jpg" width="221" align="right"><strong> 7. Todo problema capcioso é único</strong><br />Por mais que existam similaridades entre um problema e outro, sempre existe pelo menos uma característica importante e única em cada um deles. Cada problema tem sua peculiaridade, um aspecto próprio ou uma combinação de aspectos que não existia nos outros problemas enfrentados no passado. Isso dificulta a replicação de soluções, uma vez que estas podem não funcionar dentro de um contexto diferente daqueles em que foram originalmente aplicadas.</p>
<p><a href="http://www.urbanidades.arq.br/imagens/2007/wicked/wicked_01.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" height="300" src="http://www.urbanidades.arq.br/imagens/2007/wicked/wicked_01_tn.jpg" width="188" align="right"></a><strong>8. Todo problema capcioso pode ser considerado um sintoma de outro problema</strong><br />Na busca por definir com precisão o problema, deve-se analisar as relações causais existentes entre eles. Sendo assim, é possível definir o problema em muitos níveis de resolução, desde mais gerais até níveis mais específicos. Essa definição não pode ser feita em bases puramente lógicas.</p>
<p><strong>9. A natureza de um problema pode ser explicada de muitas formas</strong><br />Essa é especialmente importante: os autores argumentam que não é possível determinar com rigor científico as causas dos problemas capciosos, pelo fato de estes serem únicos (proposição 7) e pelo fato de ser difícil realizar experimentos rigorosos (proposição 5). Sendo assim, as explicações para os problemas acabam sendo definidas de forma um tanto arbitrária, ou seja, as pessoas acabam escolhendo as explicações que fazem mais sentido para elas (em oposição a explicações embasadas em pesquisas e critérios científicos). A visão de mundo do planejador acaba sendo o fator determinante para definir a explicação das causas dos problemas e, portanto, das soluções a serem recomendadas.</p>
<p><a href="http://www.urbanidades.arq.br/imagens/2007/wicked/wicked_02.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" height="210" src="http://www.urbanidades.arq.br/imagens/2007/wicked/wicked_02_tn.jpg" width="320" align="right"></a> Como exemplo, o autor cita o problema da criminalidade, que pode ser causado por falta de policiamento, alto número de criminosos, leis inadequadas, número excessivo de policiais, falta de cultura, deficiência de oportunidades, existência de armas, e por aí afora. Não há maneira científica de afirmar com segurança qual ou quais desses fatores causam a criminalidade porque (1) cada caso é um caso, ou seja, é único em relação aos demais (proposição 7); e (2) não é possível fazer experimentações rigorosas para cada caso que se deseja resolver (proposição 5), visto que uma tentativa de solução traz inevitavelmente conseqüências que podem ser desastrosas; em outras palavras, neste caso a refutação de uma hipótese não têm o mesmo valor que no método científico.</p>
<p><strong>10. O planejador não tem o direito de estar errado</strong><br />Decorrendo deste último pensamento, os autores concluem que o planejador não pode se dar ao luxo de errar, já que seu objetivo não é encontrar a verdade (como na ciência), mas sim melhorar o mundo em que as pessoas vivem.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2007/07/11/problemas-capciosos/">Problemas “capciosos”</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://urbanidades.arq.br/2007/07/11/problemas-capciosos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>3</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Características do planejamento</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2007/06/24/caractersticas-do-planejamento/</link>
					<comments>https://urbanidades.arq.br/2007/06/24/caractersticas-do-planejamento/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Jun 2007 02:19:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[artigos clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[decisão]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento urbano]]></category>
		<category><![CDATA[teoria do planejamento]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://urbanidades.arq.br/?p=3</guid>

					<description><![CDATA[<p>Davidoff e Reiner, em seu ótimo artigo &#8220;A choice theory of planning&#8220;, publicado originalmente em 1962 (!) levantam as seguintes características como definidoras do planejamento: 1. A realização (achievement) de<a href="https://urbanidades.arq.br/2007/06/24/caractersticas-do-planejamento/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Características do planejamento</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2007/06/24/caractersticas-do-planejamento/">Características do planejamento</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Davidoff e Reiner, em seu ótimo artigo &#8220;<strong>A choice theory of planning</strong>&#8220;, publicado originalmente em 1962 (!) levantam as seguintes características como definidoras do planejamento:</p>
<p><strong>1. A realização (achievement) de objetivos</strong><br />
O planejamento busca a realização de alguns objetivos, em função dos quais são definidos os meios. É um processo intencional de obtenção de situações desejadas.<br />
Os objetivos não são pré-definidos, mas sujeitos a ponderações.</p>
<p><strong>2. Exercício de escolha</strong><br />
A escolha é o &#8220;exercício intelectual&#8221; mais característico do planejamento, já que escolhas sobre valores, meios e alternativas são feitos no processo de planejamento, em vários níveis.</p>
<p><span id="more-3"></span></p>
<p><strong>3. Orientação para o futuro</strong><br />
Por buscar a obtenção de objetivos, o planejamento é orientado ao futuro. Sendo assim, é importante obter informações sobre possíveis condições futuras e estimar os custos futuros de não atingir os objetivos ou de postergar as ações no presente.</p>
<p><strong>4. Ações</strong><br />
O planejamento deve trazer resultados, portanto é uma etapa numa cadeia de meios e fins que leva ao que é desejado.</p>
<p><strong>5. Abrangência</strong><br />
Para que as escolhas possam ser feitas adequadamente, as consequências das propostas devem ser mapeadas de forma completa. Esse requisito, entretanto, deve ser balanceado com a necessidade de ações, visto que o tempo e os recursos para realizar esse mapeamento são limitados, bem como a capaciade de gerar conhecimento.</p>
<p>Este artigo defende uma teoria do planejamento baseada na tomada de decisão, e é um dos <a href="http://www.planning.org/japa/libpart3.htm" target="_blank">clássicos da literatura do planejamento urbano</a>. Não por acaso, aliás. Ele defende idéias, na década de 60, que apenas hoje são consideradas (quase) consensuais, tais como a subjetividade inerente aos processos decisórios (valores não podem ser definidos tecnicamente), a necessidade de trabalhar diferentemente os valores e os dados factuais, e a visão de que os planejadores não podem, em nome de um pretenso conhecimento técnico, ditar os valores dos seus clientes (no caso do planejamento urbano, a sociedade).</p>
<p>Ótima leitura.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2007/06/24/caractersticas-do-planejamento/">Características do planejamento</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://urbanidades.arq.br/2007/06/24/caractersticas-do-planejamento/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>2</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Espa&#231;os p&#250;blicos</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2007/06/03/espacos-publicos/</link>
					<comments>https://urbanidades.arq.br/2007/06/03/espacos-publicos/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Jun 2007 13:49:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[artigos clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[bê-á-bá]]></category>
		<category><![CDATA[Jane Jacobs]]></category>
		<category><![CDATA[parques]]></category>
		<category><![CDATA[praças]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://urbanidades.arq.br/?p=9</guid>

					<description><![CDATA[<p>Este post é o resultado de uma pequena revisão de literatura sobre o tema dos espaços públicos (praças, parques, etc.), e pretende fazer uma síntese do assunto e remeter a<a href="https://urbanidades.arq.br/2007/06/03/espacos-publicos/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Espa&#231;os p&#250;blicos</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2007/06/03/espacos-publicos/">Espaços públicos</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este post é o resultado de uma pequena revisão de literatura sobre o tema dos espaços públicos (praças, parques, etc.), e pretende fazer uma síntese do assunto e remeter a outras referências úteis.</p>
<h3>Importância dos espaços públicos</h3>
<p>Os espaços públicos desempenham diversas funções para a cidade. Entre elas, estão:</p>
<ul>
<li>Recreação;</li>
<li>&#8220;Respiro&#8221; para o ambiente urbano densificado;</li>
<li>Identidade para bairros ou até mesmo cidades inteiras;</li>
<li>Embelezamento do espaço urbano;</li>
<li>Possibilidade de interação e convívio social;</li>
</ul>
<h3>Uma classificação possível dos espaços públicos</h3>
<p>Os espaços públicos podem ser classificados segundo seu porte, raio de abrangência e tipos de usos que abriga. Kelly e Becker (2000) apresentam a classificação proposta pela <em>National Recreation and Park Association</em>. Uma possível classificação, mais simples, adaptada desta última seria:</p>
<p>1.<strong> Espaços públicos de vizinhança</strong>, que são aqueles de pequeno porte e que atendem a um pequeno conjunto de quadras e lotes, servindo como unidade básica do sistema de espaços públicos e abrigando especialmente atividades relacionadas ao convívio e ao lazer cotidianos;</p>
<p>2.<strong> Espaços públicos de bairro</strong>, que são aqueles de médio porte e que atendem a um escopo maior de atividades, incluindo aquelas de interesse comunitário, de conservação ambiental e de recreação, entre outros;</p>
<p>3.<strong> Espaços públicos municipais</strong>, que são aqueles de grande porte e que atendem a todo o Município, podendo abrigar uma grande diversidade de atividades, especialmente aquelas relacionadas ao lazer esporádico e à preservação e conservação ambiental.</p>
<p><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Espaospblicos_AE3B/markhillaryTrafalgarSquare.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-width: 0px;" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Espaospblicos_AE3B/markhillaryTrafalgarSquare_thumb.jpg" border="0" alt="mark hillary - Trafalgar Square" width="320" height="240" /></a><br />
<em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Trafalgar_Square">Trafalgar Square</a> &#8211; Londres &#8211; Foto: Mark Hillary</em></p>
<p><span id="more-9"></span></p>
<h3>Diretrizes para a implementação</h3>
<p>A mesma <em>National Recreation and Park Association</em> sugere as seguintes medidas e parâmetros para os espaços públicos (BERKE <em>et al</em>, 2006):</p>
<table border="0" cellspacing="6" cellpadding="2" width="471">
<tbody>
<tr>
<td width="127" align="center" valign="bottom"><strong>Tipo do espaço público</strong></td>
<td width="147" align="center" valign="bottom"><strong>Raio de abrangência</strong></td>
<td width="171" align="center" valign="bottom"><strong>Área</strong></td>
</tr>
<tr>
<td width="127" valign="top">mini-parques</td>
<td width="147" valign="top">menos de 400m</td>
<td width="171" valign="top">1.000 a 2.000m2 por 1.000 habitantes</td>
</tr>
<tr>
<td width="127" valign="top">de bairro</td>
<td width="147" valign="top">400 a 800m, de forma a servir até 5.00o pessoas</td>
<td width="171" valign="top">4.000 a 8.000m2 por 1.000 habitantes</td>
</tr>
<tr>
<td width="127" valign="top">municipais</td>
<td width="148" valign="top">1600 a 3.200m</td>
<td width="174" valign="top">20.000 a 32.000m2 por 1.000 habitantes</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>É possível perceber que esses valores parecem um pouco superdimensionados para os padrões brasileiros. De qualquer forma, valem como referência.</p>
<p>Alexander <em>et al </em>(1977) defendem a necessidade de praças pequenas, para que não fiquem ou pareçam desertas aos usuários. Segundo ele, duas pessoas podem se comunicar com relativo conforto a até <span style="font-size: large;">23m </span>de distância (ou seja, enxergar os rostos uma da outra e ouvirem-se). Por isso, as praças não devem ser maiores que isso no seu menor lado, para manter uma ambiência interessante.</p>
<p>Com relação às áreas verdes, Alexander defende que estejam localizadas de forma que de qualquer habitação se tenha que caminhar no máximo <span style="font-size: large;">3 minutos</span> para alcançá-la, o que equivale a uma distância de 230m aproximadamente. Para criar um mínimo de ambiência em meio ao verde, sua menor dimensão não pode ser menor que <span style="font-size: large;">45m</span>, e sua área deve ser no mínimo de <span style="font-size: large;">0,5 hectare</span>.</p>
<p><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Espaospblicos_AE3B/SamEmerickCuritibapraca.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-width: 0px;" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Espaospblicos_AE3B/SamEmerickCuritibapraca_thumb.jpg" border="0" alt="Sam Emerick - Curitiba - praca" width="320" height="212" /></a><br />
<em>Curitiba &#8211; Foto: </em><a href="http://www.flickr.com/people/slemerick/"><em>Sam Emerick</em></a><em>.</em></p>
<p>Jacobs (2000) também argumenta que não é possível conferir animação para uma quantidade muito grande de espaços públicos. Por isso, as áreas verdes defendidas pelo Movimento Moderno não funcionaram, tornando-se áreas vazias e sem apropriação por parte da população.</p>
<p>Assim, ela recomenda implantar os espaços públicos naqueles lugares onde já exista vida, pessoas passando e usos variados. “Se for no centro da cidade, deve ter lojistas, visitantes e transeuntes, além de funcionários. Se não for no centro, deve situar-se onde a vida pulse, onde haja movimentação de escritórios, atividades culturais, residências e comércio” (JACOBS, 2000, p. 110). Muitos bairros já têm esses lugares bem demarcados, mas é comum vermos duas situações: ou posicionam os espaços em lugares mais vazios, esperando dar-lhes animação, ou implementam nas áreas mais animadas, mas para isso acabam destruindo uma parte dessa diversidade, como por exemplo nas intervenções higienistas do século XX.</p>
<p><strong>Referências:</strong></p>
<p>ALEXANDER, Christopher; ISHIKAWA, Sara; SILVERSTEIN, Murray. <strong>A pattern language</strong>. New York: Oxford University Press, 1977.</p>
<p>BERKE, Philip; GODSCHALK, David R.; KAISER, Edward J.; RODRIGUEZ, Daniel. <strong>Urban land use planning</strong>. 5th edition. Urbana: University of Illinois Press, 2006.</p>
<p>JACOBS, Jane. <strong>Morte e vida de grandes cidades</strong>. São Paulo: Martins Fontes, 2000.</p>
<p>KELLY, Eric; BECKER, Barbara. <strong>Community planning: an introduction to the comprehensive plan</strong>. Washington: Island Press, 2000.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2007/06/03/espacos-publicos/">Espaços públicos</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://urbanidades.arq.br/2007/06/03/espacos-publicos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>5</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Decisões em planejamento</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2007/02/11/decises-em-planejamento/</link>
					<comments>https://urbanidades.arq.br/2007/02/11/decises-em-planejamento/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Feb 2007 18:28:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[apoio à decisão]]></category>
		<category><![CDATA[artigos clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[decisão]]></category>
		<category><![CDATA[negociação]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento urbano]]></category>
		<category><![CDATA[publicações]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://urbanidades.arq.br/?p=15</guid>

					<description><![CDATA[<p>Eu gosto muito de uma abordagem do planejamento que o entende como um processo complexo de tomada de decisões. O texto clássico dessa abordagem é de Davidoff &#38; Reiner (1973)<a href="https://urbanidades.arq.br/2007/02/11/decises-em-planejamento/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Decisões em planejamento</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2007/02/11/decises-em-planejamento/">Decisões em planejamento</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu gosto muito de uma abordagem do planejamento que o entende como um processo complexo de tomada de decisões. O texto clássico dessa abordagem é de Davidoff &amp; Reiner (1973) &#8211; <strong>A choice theory of planning</strong>.</p>
<p>Segundo ela, o planejamento nada mais é que escolher entre as alternativas possíveis aquela que melhor responde aos objetivos. Simples, não? Só que fazer isso, na prática, nunca é tão simples assim. Só definir os objetivos já é tarefa das mais difíceis, que dirá obter consenso quanto aos &#8220;pesos&#8221; ou prioridades de cada um deles, bem como os melhores meios (ou alternativas) para alcançá-los?</p>
<p><span id="more-15"></span></p>
<p>Para fazer isso, entre em cena uma habilidade importantíssima &#8211; e pouco valorizada na formação acadêmica &#8211; que é a negociação. Não me lembro de ter visto uma disciplina sobre isso em nenhum currículo de um curso de arquitetura e urbanismo. No entanto, a RTPI (Royal Town Planning Institute), da Inglaterra, na sua política para o campo do planejamento urbano define como indicadores de aprendizado para os estudantes de planejamento, entre outros aspectos:</p>
<blockquote><p>&#8211; Reconhecer o papel, no processo de planejamento, de habilidades como a negociação, mediação e <em>advocacy, </em>e a importância do trabalho em equipe [&#8230;];</p>
<p>&#8211; Reconhecer a natureza política das tomadas de decisão em planejamento urbano [&#8230;];</p></blockquote>
<p><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=1&amp;ProdId=1054673&amp;ST=SR" target="_blank"><img loading="lazy" decoding="async" style="border: 0px none;" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Decisesemplanejamento_DBC1/chegar_ao_sim.jpg" border="0" alt="chegar_ao_sim" width="130" height="207" align="right" /></a> Um livro é considerado básico no campo da Negociação: Fisher; Ury; Patton-<a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=1&amp;ProdId=1054673&amp;ST=SR" target="_blank"> Como chegar ao sim</a>. Ele propõe quatro regras básicas para facilitar o processo de negociação:</p>
<ol>
<li>Separe as pessoas dos problemas;</li>
<li>Concentre-se nos interesses e não nas posições;</li>
<li>Busque soluções que satisfaçam às duas partes (negociação integrativa); e</li>
<li>Insista em critérios objetivos.</li>
</ol>
<p>Um livro poderoso. Recomendo.</p>
<p><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Decisesemplanejamento_DBC1/negociar_e_preciso.jpg" target="_blank"><img loading="lazy" decoding="async" style="border: 0px none; margin: 0px 15px 0px 0px;" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2007/Decisesemplanejamento_DBC1/negociar_e_preciso_thumb.jpg" border="0" alt="negociar_e_preciso" width="130" height="182" align="left" /></a> Outro livro que eu gosto muito é o de Richard Shell: <a href="http://afiliados.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=1&amp;ProdId=145425&amp;ST=SF18318" target="_blank">Negociar é preciso</a> . O autor avança sobre os argumentos de Fisher e mostra princípios e diretrizes para negociação que levam em conta, em primeiro lugar, a personalidade de quem está negociando. Se uma pessoa é competitiva não adianta querer adotar uma solução integrativa que provavelmente não dará certo. Este livro parece ser mais &#8220;realista&#8221; que o outro e dar indicações de como proceder se as coisas não estiverem indo muito bem.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2007/02/11/decises-em-planejamento/">Decisões em planejamento</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://urbanidades.arq.br/2007/02/11/decises-em-planejamento/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>3</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
