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	<title>Urbanidades | Posts marcados como espaço defensável - Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</title>
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	<description>Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</description>
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	<title>Urbanidades | Posts marcados como espaço defensável - Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</title>
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		<title>Condições para a Vitalidade Urbana #4 &#8211; Permeabilidade visual</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2013/06/23/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-4-permeabilidade-visual/</link>
					<comments>https://urbanidades.arq.br/2013/06/23/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-4-permeabilidade-visual/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jun 2013 15:41:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[calçadas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Apenas a permeabilidade física pode não ser suficiente para a vitalidade. Neste post, examinamos a importância da conectividade visual entre edificação e espaço público. &#8230; <a href="https://urbanidades.arq.br/2013/06/23/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-4-permeabilidade-visual/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Condições para a Vitalidade Urbana #4 &#8211; Permeabilidade visual</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2013/06/23/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-4-permeabilidade-visual/">Condições para a Vitalidade Urbana #4 – Permeabilidade visual</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este post faz parte de uma série sobre as condições para a Vitalidade Urbana. Leia também os outros posts:</p>
<ul>
<li><a title="Condições para a vitalidade Urbana #1 – densidade" href="http://urbanidades.arq.br/2012/11/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-1-densidade/" target="_blank">Condições para a vitalidade Urbana #1 – densidade</a></li>
<li><a title="Condições para a Vitalidade Urbana #2 – Proximidades e distâncias na malha de ruas" href="http://urbanidades.arq.br/2012/12/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-2-proximidades-e-distancias-na-malha-de-ruas/" target="_blank">Condições para a Vitalidade Urbana #2 – Proximidades e distâncias na malha de ruas</a></li>
<li><a title="Condições para a Vitalidade Urbana #3 – Características da relação edificação x espaço público" href="http://urbanidades.arq.br/2013/03/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-3-caracteristicas-da-relacao-edificacao-x-espaco-publico/">Condições para a Vitalidade Urbana #3 – Características da relação edificação x espaço público</a></li>
</ul>
<h3>Interface entre espaço edificado e espaço aberto público: permeabilidade visual</h3>
<p>Apenas a proximidade física pode não ser eficaz na promoção da vitalidade caso não seja reforçada por conexões visuais:</p>
<blockquote><p>O contato através da experiência entre o que está acontecendo no ambiente público e o que está acontecendo nas residências, lojas, fábricas, oficinas e edifícios coletivos adjacentes pode promover uma extensão e enriquecimento das possibilidades de experiências, em ambas as direções. (GEHL, 2011, p. 121)</p></blockquote>
<p>Podemos identificar três maneiras pelas quais a visibilidade pode ajudar a promover a apropriação dos espaços públicos. A primeira delas, levantada por Jacobs (2001), diz respeito à segurança. O conceito de “olhos da rua” descreve a combinação de fachadas visualmente permeáveis, próximas à rua e com moradores que se preocupam com o que acontece na sua vizinhança, e funciona no sentido de promover uma maior sensação de segurança para quem caminha ou desenvolve outro tipo de atividade nas ruas. Isso acontece porque &#8220;Um pedestre sente o olhar coletivo, mesmo que ninguém esteja realmente olhando para a rua.” (HANSON; ZAKO 2007, p. 021-19). Embora não haja garantias, quem caminha por uma rua para a qual muitas janelas se abrem tem a sensação de que, se algum problema acontecer, alguma pessoa dentro de uma das edificações será capaz de ver o que está acontecendo e intervir. Para entender melhor, basta imaginar a situação oposta: uma rua com alta proporção de muros e fachadas cegas gera uma intensa sensação de insegurança, fragilidade e desconfiança. As chances de ser “salvo” por um vizinho ou morador são praticamente nulas.<span id="more-1182"></span></p>
<p class="olhos">Segurança é fator essencial para vitalidade, e olhos da rua são essenciais para a segurança</p>
<p>Newman (1996), em seu conceito de espaços defensáveis, argumenta nesse mesmo sentido. Segundo ele, é necessário que os residentes sintam-se responsáveis pelos espaços públicos adjacentes às suas habitações, o que só é possível se houver proximidade e conexão visual. Por esse motivo, sugere como uma das diretrizes para o projeto de edificações que “Vegetação não deve ser posicionado de modo a bloquear a visualização das portas e janelas das unidades habitacionais para a rua ou para os caminhos que levam da rua às entradas das unidades. ” (NEWMAN, 1996, p. 117). O autor explora vários tipos arquitetônicos e mostra que, mesmo com densidades populacionais e construtivas diferentes, os efeitos que eles têm sobre essa capacidade de sentir-se responsável pelos espaços coletivos é muito diferente. A figura abaixo mostra um exemplo disso: o tipo mais vertical, isolado e sem entradas voltadas para a rua tem maior probabilidade de ser alvo de depredação e outras formas de violência. Resultados semelhantes foram obtidos por Vivan e Saboya para o caso de Florianópolis, como pode ser conferido no post <a title="Arquitetura, espaço urbano e criminalidade" href="http://urbanidades.arq.br/2012/09/arquitetura-espaco-urbano-e-criminalidade/">Arquitetura, espaço urbano e criminalidade</a>.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-465" alt="Newman (1996) - 01" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-500x374.jpg" width="500" height="374" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-500x374.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-300x224.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-768x576.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-640x480.jpg 640w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-50x37.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-200x150.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01.jpg 814w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><span class="legendas">Tipologias com densidades semelhantes e diferentes relações com a rua e consequentes efeitos sobre a segurança. (NEWMAN, 1996, p. 21)</span></p>
<p class="olhos">Mais importante que a distância real é a distância percebida</p>
<p>A segunda maneira pela qual a visibilidade reforça a proximidade física é através da possibilidade de algum tipo de interação concreta entre espaço edificado e aberto, mesmo que à distância. Alexander et al (1977) argumentam que até o 4º andar de uma edificação é possível interagir com alguém no térreo (o que só seria possível se houvesse alguma conexão visual). Gehl (2011, p. 137 – grifo no original) ressalta que “<em>Crucial para determinar a distância aceitável em uma determinada circunstância é não apenas a </em>distância física real<em>, mas em grande medida a </em>distância percebida.” Nesse sentido, alguém que está dentro de uma edificação com contato visual direto sobre o espaço público sente-se mais próximo a este, e desfruta da possibilidade de interagir passivamente ou ativamente com ele. Passivamente, através dos sons e cheiros, e ativamente através de uma conversa com alguém, da intervenção em alguma situação problemática como no caso da segurança delineado acima, do cuidado com os filhos que brincam na rua, e assim por diante. Santos e Vogel (1985) descrevem belissimamente a riqueza de experiências e estímulos mútuos entre os residentes e quem passa ou utiliza a rua para outros motivos no livro &#8220;Quando a rua vira casa&#8221;.</p>
<p>Jacobs e Gehl, entre muitos outros autores, defendem que a própria animação de uma rua ou espaço público atua como atrator de maior animação. Isso acontece porque as pessoas gostam de observar outras pessoas, assim como gostam de estar em lugares onde haja animação e diversidade de pessoas e atividade: “Nas cidades, a animação e a variedade atraem mais animação; a apatia e a monotonia repelem a vida.” (JACOBS, 2000, p. 108). Gehl (2011) cita o exemplo das crianças, que são atraídas de forma muito mais espontânea para lugares onde outras crianças já estejam brincando. Caso isso possa acontecer entre edificação e espaço público, a vitalidade urbana tende a ser reforçada.</p>
<p class="olhos">O reforço da presença e a constante lembrança das possibilidades de interação podem ser importantes</p>
<p>Todos esses estímulos (sonoros, visuais, etc.) podem atuar como incentivadores à vivência do espaço público, através do que pode ser considerada a terceira maneira de reforçar a proximidade física: promover a lembrança constante de que o espaço está ali, próximo, com todos os seus atrativos. É um aspecto bem aceito nas ciências cognitivas que aquilo que está ao alcance da experiência e dos sentidos afeta profundamente os julgamentos e inferências que fazemos sobre o mundo, ao ponto de Kahneman (2011) cunhar a expressão “what you see is all there is”. Ele mostra que aquilo com que nos deparamos e interagimos passa a assumir uma proporção em nossa visão de mundo que é incoerente à sua frequência &#8220;real&#8221;, quando medida por meios objetivos. O mesmo princípio pode ser estendido ao papel que a visibilidade tem sobre nossa consciência acerca dos espaços públicos e as decisões que tomamos quanto à frequência com que o vivenciamos: se ele está presente em nossa consciência (e os estímulos visuais são importantes nesse sentido), é maior a probabilidade de que nossas decisões os incluam. Se ele, ao contrário, está ausente, é menor a probabilidade de que o consideremos em nossas ponderações e escolhas.</p>
<h3>Referências</h3>
<p>ALEXANDER, C. <strong>A pattern language</strong>: towns, buildings, construction. New York: Oxford University Press, 1977.</p>
<p>GEHL, J. <strong>Life between buildings</strong>: using public space. Washington, DC: Island Press, 2011.</p>
<p>HANSON, J.; ZAKO, R. Communities of co-presence and surveillance: how public open space shapes awareness and behaviour in residential developments. <strong>Proceedings of the 6th  International Space Syntax Symposium</strong>, 2007. Istambul.</p>
<p>JACOBS, J. <strong>Morte e vida de grandes cidades</strong>. São Paulo: Martins Fontes, 2000.</p>
<p>KAHNEMAN, D. <strong>Thinking, fast and slow</strong>. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2011.</p>
<p>NEWMAN, O. <strong>Creating defensible spaces</strong>. Washington, DC: U.S. Department of Housing and Urban Development, 1996.</p>
<p>SANTOS, C. N.; VOGEL, A. <strong>Quando a rua vira casa</strong>. São Paulo: Projeto, 1985.</p>
<p>&nbsp;</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2013/06/23/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-4-permeabilidade-visual/">Condições para a Vitalidade Urbana #4 – Permeabilidade visual</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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		<title>Segurança nas cidades: Jane Jacobs e os olhos da rua</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2010/02/10/seguranca-nas-cidades-jane-jacobs-e-os-olhos-da-rua/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 15:20:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Dando sequência à série sobre segurança nas cidades (veja também o post sobre os espaços defensáveis), este post vai tratar do conceito de &#8220;olhos da rua&#8221; de Jane Jacobs, talvez<a href="https://urbanidades.arq.br/2010/02/10/seguranca-nas-cidades-jane-jacobs-e-os-olhos-da-rua/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Segurança nas cidades: Jane Jacobs e os olhos da rua</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2010/02/10/seguranca-nas-cidades-jane-jacobs-e-os-olhos-da-rua/">Segurança nas cidades: Jane Jacobs e os olhos da rua</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Dando sequência à série sobre segurança nas cidades (veja também o post sobre os <a title="espaços defensáveis" href="http://urbanidades.arq.br/2009/11/seguranca-nas-cidades-oscar-newman-e-os-espacos-defensaveis/" target="_blank">espaços defensáveis</a>), este post vai tratar do conceito de &#8220;olhos da rua&#8221; de Jane Jacobs, talvez o conceito mais famoso e consagrado no que diz respeito à segurança urbana.</p>
<p>Segundo Jacobs, as calçadas desempenham papel fundamental para a manutenção da segurança nas cidades. Quando dizemos que uma cidade não é segura, estamos nos referindo às suas calçadas.<span id="more-523"></span></p>
<h3>As calçadas e os desconhecidos</h3>
<p>O principal ponto da argumentação de Jacobs é essencialmente diferente do de Newman. Ela defende a presença de desconhecidos como importante:</p>
<blockquote><p>O principal atributo de um distrito urbano próspero é que as pessoas se sintam seguras  e protegidas na rua em meio a tantos desconhecidos (JACOBS, 2000, p. 30)</p></blockquote>
<p>Jacobs defende que a manutenção da segurança não é feita pela polícia (ou pelo menos não apenas por ela, que também é necessária), mas &#8230;</p>
<blockquote><p>[&#8230;]pela rede intrincada, quase inconsciente, de controles e padrões de comportamento espontâneos presentes em meio ao próprio povo e por ele aplicados. (JACOBS, 2000, p. 32)</p></blockquote>
<p>As baixas densidades não são a resposta. Os subúrbios americanos, vistos por muitos como lugares seguros, nem sempre o são. Jacobs sustenta tal afirmação com dados sobre Los Angeles (de 1958), mostrando que, apesar das baixas densidades, apresenta taxas muito altas de criminalidade.</p>
<h3>As três condições para a segurança</h3>
<p>Jacobs propõe, então, três condições para que haja pessoas suficientemente nas ruas de forma que elas exerçam a vigilância natural sobre os espaços públicos e, com isso, diminuam a violência:</p>
<ol>
<li>Deve ser nítida a separação entre o espaço público e o espaço privado;</li>
<li>Devem existir os olhos da rua;</li>
<li>A calçada deve ter usuários transitando ininterruptamente.</li>
</ol>
<h3>Separação entre espaço público e privado</h3>
<p>Esse requisito não é muito aprofundado por Jacobs. Entretanto, ela diz explicitamente que a área a ser &#8220;vigiada&#8221; precisa ter limites claros e praticáveis. É uma crítica direta aos ideais modernistas, então em voga, de construir edificações sobre pilotis soltas sobre amplas áreas verdes, de forma que os espaços públicos permeassem todo o bairro. Jacobs parece entender que tal configuração é prejudicial à segurança porque &#8220;borra&#8221; os limites do que é visto como responsabilidade de cada pessoa no que diz respeito à vigilância natural.</p>
<h3>Olhos da rua</h3>
<p>Os olhos da rua são as pessoas que, consciente ou inconscientemente, utilizam o espaço público e/ou costumam contemplá-los de suas casas, exercendo uma vigilância natural sobre o que ali acontece. Jacobs cita como contra-exemplo alguns edifícios muito verticalizados, em que os corredores eram inacessíveis aos olhos, apesar de serem de acesso público, e por isso sofriam enormemente com a depredação e a violência.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/cg_condominios_2007_julho_02.jpg"><img decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-525" title="cg_condominios_2007_julho_02" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/cg_condominios_2007_julho_02-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/cg_condominios_2007_julho_02-500x375.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/cg_condominios_2007_julho_02-300x225.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/cg_condominios_2007_julho_02.jpg 640w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/cg_condominios_2007_julho_02-50x38.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/cg_condominios_2007_julho_02-200x150.jpg 200w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a></p>
<p class="legendas" style="text-align: center;">Quando as ruas não possuem &#8220;olhos&#8221;, tornam-se inseguras. (Condomínos fechados em Campo Grande &#8211; MS)</p>
<blockquote><p>Sob a aparente desordem da cidade tradicional, existe, nos lugares em que ela funciona a contento, uma ordem supreendente que garante a manutenção da segurança e a liberdade. É uma ordem complexa (JACOBS, 2000, p. 52).</p></blockquote>
<div class="olhos">É importante que os edifícios tenham relação com a rua, para poder existir a vigilância natural. </div>
<p>Portanto, os edifícios precisam oferecer a possibilidade de contato visual entre o interior e o espaço público, para que os olhos possam atuar. Esse ponto é apenas rapidamente abordado por Jacobs, ao menos de forma explícita, mas fica claro na sua descrição sobre como os olhos da rua agem em determinadas áreas da cidade. Confusões, brigas e outros incidentes nesses bairros são rapidamente controladas ou inibidas pela ação de moradores que observavam o que acontecia de dentro de suas casas. Além disso, a necessidade de contato das edificações com o espaço público é um dos pontos de consenso entre Jacobs e <a title="Newman segurança nas cidades" href="http://urbanidades.arq.br/2009/11/seguranca-nas-cidades-oscar-newman-e-os-espacos-defensaveis/" target="_blank">Newman </a>que, de resto, possuem concepções diferentes sobre os requisitos para a segurança nas cidades.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/upper_east_side_02_800.jpg"><img decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-526" title="upper_east_side_02_800" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/upper_east_side_02_800-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/upper_east_side_02_800-500x375.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/upper_east_side_02_800-300x225.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/upper_east_side_02_800-768x576.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/upper_east_side_02_800-640x480.jpg 640w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/upper_east_side_02_800-50x38.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/upper_east_side_02_800-200x150.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/upper_east_side_02_800.jpg 800w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><br />
<span class="legendas">Os edifícios devem possibilitar os &#8220;olhos da rua&#8221;. Fonte: <a title="Olhos da rua" href="http://www.flickr.com/photos/iamagenious/2157265210/" target="_blank">Flickr</a></span></p>
<h3>Usuários transitando ininterruptamente</h3>
<p>Esse requisito está intimamente ligado ao anterior, uma vez que uma quantidade significativa de pessoas transitando e utilizando as ruas é condição necessária para que haja olhos da rua. Tanto no sentido direto quanto indiretamente.</p>
<p>No sentido direto porque as próprias pessoas que usam e transitam pela rua acabam exercendo uma vigilância natural. Ruas com movimentação de pessoas tendem a tornar-se mais seguras (pelo menos até um certo nível de movimentação, uma vez que ruas com um número excessivo de pessoas pode favorecer alguns tipos de furtos. Mas Jacobs não trata desse aspecto). Jacobs descreve o que ela chama de &#8220;balé das ruas&#8221;, em que vários atores, com os mais diversos propósitos, saem às ruas em horários diversificados para as mais diferentes atividades. Essas atividades interagem entre si e de alguma forma acabam complementando-se, formando uma teia de interação social e cuidados mútuos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/Lynch-1981-p-428-Espacos-publicos.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-527" title="Lynch (1981 - p 428) Espacos publicos" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/Lynch-1981-p-428-Espacos-publicos.jpg" alt="Espaços públicos" width="472" height="315" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/Lynch-1981-p-428-Espacos-publicos.jpg 472w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/Lynch-1981-p-428-Espacos-publicos-300x200.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/Lynch-1981-p-428-Espacos-publicos-50x33.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/Lynch-1981-p-428-Espacos-publicos-200x133.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 472px) 100vw, 472px" /></a><br />
<span class="legendas">Ruas bem movimentadas tendem a ser mais seguras. Fonte: (LYNCH, 1960)</span></p>
<p>Indiretamente, o movimento de pessoas atua como atrator para os olhares de quem não está na rua, uma vez que as pessoas costumam gostar de olhar quem passa.  Ruas desertas dificilmente atrairão a atenção de quem está dentro das edificações, o que acaba acentuando a sensação de insegurança.</p>
<h3>Algumas observações adicionais</h3>
<p>As idéias de Jacobs, apesar de terem sido formuladas há meio século, ainda parecem ser válidas, no seu conjunto, para as cidades atuais. A questão da interação entre estranhos e moradores locais ainda permanece significativa (vide o problema dos <a title="Condomínios fechados" href="http://urbanidades.arq.br/2007/07/condominios-fechados/" target="_blank">condomínios fechados</a>), e longe de uma solução satisfatória. Os olhos da rua, uma das suas principais contribuições, permancece mais válido que nunca e, no entanto, cada vez mais presenciamos situações em que as edificações viram-se de costas para o espaço público, renegando-o. Talvez o &#8220;clima&#8221; de cidade pequena esteja irremediavelmente perdido na maioria dos lugares, mas a possibilidade de interação social e de manutenção coletiva das condições de segurança parecem viáveis.</p>
<p>Seria interessante discutirmos, nos comentários, alguns exemplos concretos que os leitores conheçam e os quais queiram compartilhar. Será que essas ideias da Jacobs aplicam-se a todos os lugares? Há exceções? Comentem!</p>
<h3>Referências bibliográficas</h3>
<p>JACOBS, Jane. <strong>Morte e vida de grandes cidades</strong>. São Paulo: Martins Fontes, 2000.</p>
<p>LYNCH, Kevin. <strong>The image of the city</strong>. Cambridge: The M.I.T. Press, 1960.</p>
<p>NEWMAN, Oscar. <strong>Creating defensible spaces</strong>. Washington, DC: U.S. Department of Housing and Urban Development, 1996.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2010/02/10/seguranca-nas-cidades-jane-jacobs-e-os-olhos-da-rua/">Segurança nas cidades: Jane Jacobs e os olhos da rua</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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		<title>Segurança nas cidades: Oscar Newman e os espaços defensáveis</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 00:06:57 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[defensible space]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma das grande preocupações das cidades atualmente é, sem dúvida, o problema da segurança. Entretanto, não é de hoje que estudiosos do urbano, especialmente arquitetos, vêm estudando o assunto e<a href="https://urbanidades.arq.br/2009/11/07/seguranca-nas-cidades-oscar-newman-e-os-espacos-defensaveis/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Segurança nas cidades: Oscar Newman e os espaços defensáveis</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2009/11/07/seguranca-nas-cidades-oscar-newman-e-os-espacos-defensaveis/">Segurança nas cidades: Oscar Newman e os espaços defensáveis</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das grande preocupações das cidades atualmente é, sem dúvida, o problema da segurança. Entretanto, não é de hoje que estudiosos do urbano, especialmente arquitetos, vêm estudando o assunto e dando contribuições valiosas para seu enfrentamento. Por um lado, parece óbvio que a desigualdade social e econômica é um dos principais fatores causadores da violência urbana. Por outro, é interessante explorar quais fatores espaciais podem contribuir para diminuir a violência e a insegurança nas cidades.</p>
<p>Este é o primeiro post de uma série que vai abordar as contribuições de diversos autores a esse problema, do ponto de vista do arquiteto e urbanista. Para esse início, escolhemos um dos autores mais conhecidos sobre o problema da segurança e sua relação com a tipologia das edificações e dos tecidos urbanos: Oscar Newman.</p>
<p>Seu trabalho mais famoso é “Defensible Space”, de 1972. Outra publicação, mais recente, chamada “Creating Defensible Space”, de 1996, está disponível para download gratuitamente, e foi patrocinada pelo Departamento Nacional de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos EUA.</p>
<h3>As origens: Pruitt-Igoe e as ruas privadas de St. Louis</h3>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-466" title="Pruitt-igoeUSGS02" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Pruitt-igoeUSGS02-499x306.jpg" alt="Pruitt-igoeUSGS02" width="499" height="306" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Pruitt-igoeUSGS02-499x306.jpg 499w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Pruitt-igoeUSGS02-300x183.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Pruitt-igoeUSGS02-500x306.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Pruitt-igoeUSGS02-768x471.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Pruitt-igoeUSGS02-1536x941.jpg 1536w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Pruitt-igoeUSGS02-2048x1255.jpg 2048w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Pruitt-igoeUSGS02-50x31.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Pruitt-igoeUSGS02-200x123.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 499px) 100vw, 499px" /><br />
<span class="legendas">Pruitt-Igoe. Fonte: <a title="Pruitt - Igoe" href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pruitt-igoeUSGS02.jpg" target="_blank">aqui</a></span></p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-467" title="pruitt-igoe_03" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/pruitt-igoe_03-500x313.jpg" alt="pruitt-igoe_03" width="500" height="313" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/pruitt-igoe_03-500x313.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/pruitt-igoe_03-300x187.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/pruitt-igoe_03-768x481.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/pruitt-igoe_03-50x31.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/pruitt-igoe_03-200x125.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/pruitt-igoe_03.jpg 1151w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /><br />
<span class="legendas">Demolição de Pruitt-Igoe. Fonte: <a title="Pruitt - Igoe" href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pruitt-Igoe-collapses.jpg" target="_blank">aqui</a></span></p>
<p>Segundo Newman, o conceito de <a title="Defensible Spaces" href="http://www.defensiblespace.com/start.htm" target="_blank">Espaço Defensável</a> evoluiu a partir da observação do conjunto Pruitt-Igoe, um complexo com 2.740 unidades residenciais cuja implosão ficou conhecida como o fim “oficial” do Movimento Modernista. O conjunto era composto por torres de 11 andares sobre amplas superfícies verdes, teoricamente destinadas a usos coletivos, seguindo a doutrina dos CIAM.</p>
<p><span class="olhos">Pruitt-Igoe é considerado por muitos o fim definitivo do Modernismo, e as questões de segurança foram provavelmente as que mais determinaram seu insucesso.</span>Entretanto, em pouco tempo as condições de degradação chegaram a níveis insuportáveis. As áreas comuns, de maneira geral, estavam em péssimas condições de conservação. O vandalismo acontecia nos corredores e lavanderias, as áreas verdes estavam cheias de lixo, e era perigoso passar pelas escadas, halls e elevadores. As imagens abaixo mostram como o arquiteto imaginava o andar coletivo, com espaços de socialização, e como ele realmente acabou sendo.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/pruitt-igoe_01_e.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-470" title="pruitt-igoe_01_e" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/pruitt-igoe_01_e-500x311.jpg" alt="pruitt-igoe_01_e" width="500" height="311" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/pruitt-igoe_01_e-500x311.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/pruitt-igoe_01_e-300x187.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/pruitt-igoe_01_e-768x479.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/pruitt-igoe_01_e-50x31.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/pruitt-igoe_01_e-200x125.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/pruitt-igoe_01_e.jpg 787w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Pruitt-Igoe-corridor-actual_e.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-469" title="Pruitt-Igoe-corridor-actual_e" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Pruitt-Igoe-corridor-actual_e-500x335.jpg" alt="Pruitt-Igoe-corridor-actual_e" width="500" height="335" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Pruitt-Igoe-corridor-actual_e-500x335.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Pruitt-Igoe-corridor-actual_e-300x201.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Pruitt-Igoe-corridor-actual_e-768x515.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Pruitt-Igoe-corridor-actual_e-50x34.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Pruitt-Igoe-corridor-actual_e-200x134.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Pruitt-Igoe-corridor-actual_e.jpg 787w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><br />
<span class="legendas">Espaço previsto para os corredores comunais e o modo como estes realmente se tornaram (Fonte: Newman, 1996)<br />
</span></p>
<p>Entretanto, em áreas em que apenas duas famílias dividiam um lobby, este era bem conservado. Newman então concluiu que as pessoas só preservavam e cuidavam dos espaços que eram percebidos como “seus”. Aqueles espaços compartilhados com diversas famílias não eram “apropriados” pelos moradores, e portanto acabavam sendo depredados.</p>
<p>Tal conclusão foi reforçada pela observação de ruas de acesso restrito localizadas próximas ao conjunto Pruitt-Igoe, habitadas por pessoas de nível socioeconômico semelhante que, entretanto, não tinham os mesmos sinais de violência e depredação. Nessas ruas, os moradores exerciam maior controle sobre quem entrava ou passava por ela o que, segundo Newman, explicava essa diferença.</p>
<h3>Forma das edificações e controle</h3>
<p>Com base nessas observações preliminares, Newman fez um estudo sobre os tipos arquitetônicos residenciais mais comuns e as possibilidades de controle dos espaços proporcionadas por cada um deles. As unidades unifamiliares, quando diretamente ligadas à rua, possuem espaços com alto nível de controle, tendo em vista o fato de que apenas uma família será a responsável por eles. Um exemplo são os jardins frontais que, apesar de serem acessíveis a partir da rua, são apropriados (e portanto controlados) pelos proprietários. O próprio carro estacionado na frente da casa é uma espécie de marcação do território.</p>
<p><span class="olhos">A chave para espaços defensáveis é o controle dos moradores</span>Outro tipo são os conjuntos residenciais de baixa densidade (3 ou 4 pavimentos), em que há espaços compartilhados por um número não muito grande de famílias, tais como os acessos e jardins frontais e os espaços abertos no interior das quadras. Alguns espaços são totalmente privados, como nos casos dos quintais pertencentes exclusivamente às unidades do térreo. Neste caso, também a possibilidade de controle do espaço é grande.</p>
<p>O terceiro tipo seria representado pelos edifícios verticais mais altos, com acessos compartilhados por muitas famílias e distantes da rua, rodeados de áreas inteiramente públicas. Por não haver espaços privados ou semi-privados, o controle do espaço é seriamente comprometido. Além disso, há uma grande quantidade de espaços cegos (sem janelas) e áreas de estacionamento, o que torna ainda mais difícil o controle.</p>
<p>A Figura abaixo mostra os dois últimos tipos em uma mesma rua. Através dela é possível perceber que o tipo da esquerda (mais verticalizado) é mais inóspito e menos convidativo aos pedestres. Suas fachadas cegas geram espaços que tendem a dificultar a vigilância, e a distância das unidades habitacionais até a rua (separadas pelo estacionamento) funciona como agravante.</p>
<p>Já na tipologia da direita, a proximidade com a rua é mantida, as janelas se voltam para esta, assim como o acesso, tendendo a trazer maior controle e, por consequência, maior segurança.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-465" title="Newman (1996) - 01" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-500x374.jpg" alt="Newman (1996) - 01" width="500" height="374" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-500x374.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-300x224.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-768x576.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-640x480.jpg 640w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-50x37.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-200x150.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01.jpg 814w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><br />
<span class="legendas">Tipologias diferentes em densidades semelhantes. (NEWMAN, 1996)</span></p>
<h2>Críticas</h2>
<p><span class="olhos">Controle do acesso ou integração social?</span>O conceito de espaço defensável de Newman é criticado especialmente por defender o controle por parte dos moradores, o que pode facilmente descambar para a segregação e o isolamento. <del>Estranho são vistos como inimigos em potencial, e não como possibilidade de encontros variados e maior interação social. Vai, portanto, totalmente contra as ideias de <a title="Jane Jacobs" href="http://urbanidades.arq.br/2007/09/jane-jacobs-parques-de-bairro/" target="_blank">Jane Jacobs</a>.</del>  Estranho são vistos ora como inimigos em potencial, ora como geradores de maior segurança através da vigilância natural. Ao contrário de <a href="http://urbanidades.arq.br/2007/09/jane-jacobs-parques-de-bairro/">Jacobs</a>, Newman não baseia sua argumentação na importância de encontros variados e maior interação social. Provavelmente por esse motivo, ele não se preocupa em explicar e explorar de forma sistemática os possíveis efeitos que esses aspectos teriam ter sobre a segurança urbana. (<em>editado em 27.09.2016</em>)</p>
<p>Por outro lado, a necessidade de que as janelas e acessos tenham contato direto com os espaços circundantes tem correlação direta com o conceito de &#8220;olhos da rua&#8221; de Jacobs. Esse ponto parece ser consenso entre os principais autores que tratam do tema da segurança nos espaços urbanos e, portanto, deve ser estimulado (e talvez até exigido) em projetos e planos urbanísticos.</p>
<h2><span class="legendas">Referência bibliográfica</span></h2>
<p>NEWMAN, Oscar. <strong>Creating defensible spaces</strong>. dl: U.S. Department of Housing and Urban Development, 1996. Acessível <a title="Defensible Spaces" href="http://www.huduser.org/publications/pubasst/defensib.html" target="_blank">aqui</a>.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2009/11/07/seguranca-nas-cidades-oscar-newman-e-os-espacos-defensaveis/">Segurança nas cidades: Oscar Newman e os espaços defensáveis</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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