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	<title>Urbanidades | Posts marcados como olhos da rua - Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</title>
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	<title>Urbanidades | Posts marcados como olhos da rua - Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</title>
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		<title>Condições para a Vitalidade Urbana #4 &#8211; Permeabilidade visual</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2013/06/23/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-4-permeabilidade-visual/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jun 2013 15:41:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Apenas a permeabilidade física pode não ser suficiente para a vitalidade. Neste post, examinamos a importância da conectividade visual entre edificação e espaço público. &#8230; <a href="https://urbanidades.arq.br/2013/06/23/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-4-permeabilidade-visual/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Condições para a Vitalidade Urbana #4 &#8211; Permeabilidade visual</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2013/06/23/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-4-permeabilidade-visual/">Condições para a Vitalidade Urbana #4 – Permeabilidade visual</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Este post faz parte de uma série sobre as condições para a Vitalidade Urbana. Leia também os outros posts:</p>
<ul>
<li><a title="Condições para a vitalidade Urbana #1 – densidade" href="http://urbanidades.arq.br/2012/11/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-1-densidade/" target="_blank">Condições para a vitalidade Urbana #1 – densidade</a></li>
<li><a title="Condições para a Vitalidade Urbana #2 – Proximidades e distâncias na malha de ruas" href="http://urbanidades.arq.br/2012/12/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-2-proximidades-e-distancias-na-malha-de-ruas/" target="_blank">Condições para a Vitalidade Urbana #2 – Proximidades e distâncias na malha de ruas</a></li>
<li><a title="Condições para a Vitalidade Urbana #3 – Características da relação edificação x espaço público" href="http://urbanidades.arq.br/2013/03/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-3-caracteristicas-da-relacao-edificacao-x-espaco-publico/">Condições para a Vitalidade Urbana #3 – Características da relação edificação x espaço público</a></li>
</ul>
<h3>Interface entre espaço edificado e espaço aberto público: permeabilidade visual</h3>
<p>Apenas a proximidade física pode não ser eficaz na promoção da vitalidade caso não seja reforçada por conexões visuais:</p>
<blockquote><p>O contato através da experiência entre o que está acontecendo no ambiente público e o que está acontecendo nas residências, lojas, fábricas, oficinas e edifícios coletivos adjacentes pode promover uma extensão e enriquecimento das possibilidades de experiências, em ambas as direções. (GEHL, 2011, p. 121)</p></blockquote>
<p>Podemos identificar três maneiras pelas quais a visibilidade pode ajudar a promover a apropriação dos espaços públicos. A primeira delas, levantada por Jacobs (2001), diz respeito à segurança. O conceito de “olhos da rua” descreve a combinação de fachadas visualmente permeáveis, próximas à rua e com moradores que se preocupam com o que acontece na sua vizinhança, e funciona no sentido de promover uma maior sensação de segurança para quem caminha ou desenvolve outro tipo de atividade nas ruas. Isso acontece porque &#8220;Um pedestre sente o olhar coletivo, mesmo que ninguém esteja realmente olhando para a rua.” (HANSON; ZAKO 2007, p. 021-19). Embora não haja garantias, quem caminha por uma rua para a qual muitas janelas se abrem tem a sensação de que, se algum problema acontecer, alguma pessoa dentro de uma das edificações será capaz de ver o que está acontecendo e intervir. Para entender melhor, basta imaginar a situação oposta: uma rua com alta proporção de muros e fachadas cegas gera uma intensa sensação de insegurança, fragilidade e desconfiança. As chances de ser “salvo” por um vizinho ou morador são praticamente nulas.<span id="more-1182"></span></p>
<p class="olhos">Segurança é fator essencial para vitalidade, e olhos da rua são essenciais para a segurança</p>
<p>Newman (1996), em seu conceito de espaços defensáveis, argumenta nesse mesmo sentido. Segundo ele, é necessário que os residentes sintam-se responsáveis pelos espaços públicos adjacentes às suas habitações, o que só é possível se houver proximidade e conexão visual. Por esse motivo, sugere como uma das diretrizes para o projeto de edificações que “Vegetação não deve ser posicionado de modo a bloquear a visualização das portas e janelas das unidades habitacionais para a rua ou para os caminhos que levam da rua às entradas das unidades. ” (NEWMAN, 1996, p. 117). O autor explora vários tipos arquitetônicos e mostra que, mesmo com densidades populacionais e construtivas diferentes, os efeitos que eles têm sobre essa capacidade de sentir-se responsável pelos espaços coletivos é muito diferente. A figura abaixo mostra um exemplo disso: o tipo mais vertical, isolado e sem entradas voltadas para a rua tem maior probabilidade de ser alvo de depredação e outras formas de violência. Resultados semelhantes foram obtidos por Vivan e Saboya para o caso de Florianópolis, como pode ser conferido no post <a title="Arquitetura, espaço urbano e criminalidade" href="http://urbanidades.arq.br/2012/09/arquitetura-espaco-urbano-e-criminalidade/">Arquitetura, espaço urbano e criminalidade</a>.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-465" alt="Newman (1996) - 01" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-500x374.jpg" width="500" height="374" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-500x374.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-300x224.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-768x576.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-640x480.jpg 640w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-50x37.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01-200x150.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2009/10/Newman-1996-01.jpg 814w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><span class="legendas">Tipologias com densidades semelhantes e diferentes relações com a rua e consequentes efeitos sobre a segurança. (NEWMAN, 1996, p. 21)</span></p>
<p class="olhos">Mais importante que a distância real é a distância percebida</p>
<p>A segunda maneira pela qual a visibilidade reforça a proximidade física é através da possibilidade de algum tipo de interação concreta entre espaço edificado e aberto, mesmo que à distância. Alexander et al (1977) argumentam que até o 4º andar de uma edificação é possível interagir com alguém no térreo (o que só seria possível se houvesse alguma conexão visual). Gehl (2011, p. 137 – grifo no original) ressalta que “<em>Crucial para determinar a distância aceitável em uma determinada circunstância é não apenas a </em>distância física real<em>, mas em grande medida a </em>distância percebida.” Nesse sentido, alguém que está dentro de uma edificação com contato visual direto sobre o espaço público sente-se mais próximo a este, e desfruta da possibilidade de interagir passivamente ou ativamente com ele. Passivamente, através dos sons e cheiros, e ativamente através de uma conversa com alguém, da intervenção em alguma situação problemática como no caso da segurança delineado acima, do cuidado com os filhos que brincam na rua, e assim por diante. Santos e Vogel (1985) descrevem belissimamente a riqueza de experiências e estímulos mútuos entre os residentes e quem passa ou utiliza a rua para outros motivos no livro &#8220;Quando a rua vira casa&#8221;.</p>
<p>Jacobs e Gehl, entre muitos outros autores, defendem que a própria animação de uma rua ou espaço público atua como atrator de maior animação. Isso acontece porque as pessoas gostam de observar outras pessoas, assim como gostam de estar em lugares onde haja animação e diversidade de pessoas e atividade: “Nas cidades, a animação e a variedade atraem mais animação; a apatia e a monotonia repelem a vida.” (JACOBS, 2000, p. 108). Gehl (2011) cita o exemplo das crianças, que são atraídas de forma muito mais espontânea para lugares onde outras crianças já estejam brincando. Caso isso possa acontecer entre edificação e espaço público, a vitalidade urbana tende a ser reforçada.</p>
<p class="olhos">O reforço da presença e a constante lembrança das possibilidades de interação podem ser importantes</p>
<p>Todos esses estímulos (sonoros, visuais, etc.) podem atuar como incentivadores à vivência do espaço público, através do que pode ser considerada a terceira maneira de reforçar a proximidade física: promover a lembrança constante de que o espaço está ali, próximo, com todos os seus atrativos. É um aspecto bem aceito nas ciências cognitivas que aquilo que está ao alcance da experiência e dos sentidos afeta profundamente os julgamentos e inferências que fazemos sobre o mundo, ao ponto de Kahneman (2011) cunhar a expressão “what you see is all there is”. Ele mostra que aquilo com que nos deparamos e interagimos passa a assumir uma proporção em nossa visão de mundo que é incoerente à sua frequência &#8220;real&#8221;, quando medida por meios objetivos. O mesmo princípio pode ser estendido ao papel que a visibilidade tem sobre nossa consciência acerca dos espaços públicos e as decisões que tomamos quanto à frequência com que o vivenciamos: se ele está presente em nossa consciência (e os estímulos visuais são importantes nesse sentido), é maior a probabilidade de que nossas decisões os incluam. Se ele, ao contrário, está ausente, é menor a probabilidade de que o consideremos em nossas ponderações e escolhas.</p>
<h3>Referências</h3>
<p>ALEXANDER, C. <strong>A pattern language</strong>: towns, buildings, construction. New York: Oxford University Press, 1977.</p>
<p>GEHL, J. <strong>Life between buildings</strong>: using public space. Washington, DC: Island Press, 2011.</p>
<p>HANSON, J.; ZAKO, R. Communities of co-presence and surveillance: how public open space shapes awareness and behaviour in residential developments. <strong>Proceedings of the 6th  International Space Syntax Symposium</strong>, 2007. Istambul.</p>
<p>JACOBS, J. <strong>Morte e vida de grandes cidades</strong>. São Paulo: Martins Fontes, 2000.</p>
<p>KAHNEMAN, D. <strong>Thinking, fast and slow</strong>. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2011.</p>
<p>NEWMAN, O. <strong>Creating defensible spaces</strong>. Washington, DC: U.S. Department of Housing and Urban Development, 1996.</p>
<p>SANTOS, C. N.; VOGEL, A. <strong>Quando a rua vira casa</strong>. São Paulo: Projeto, 1985.</p>
<p>&nbsp;</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2013/06/23/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-4-permeabilidade-visual/">Condições para a Vitalidade Urbana #4 – Permeabilidade visual</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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		<title>Condições para a Vitalidade Urbana #3 – Características da relação edificação x espaço público</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Mar 2013 18:57:53 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Este post faz parte de uma série sobre as condições para a Vitalidade Urbana. Leia também os outros posts:</p>
<ul>
<li><a title="Condições para a vitalidade Urbana #1 – densidade" href="http://urbanidades.arq.br/2012/11/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-1-densidade/" target="_blank">Condições para a vitalidade Urbana #1 – densidade</a></li>
<li><a title="Condições para a Vitalidade Urbana #2 – Proximidades e distâncias na malha de ruas" href="http://urbanidades.arq.br/2012/12/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-2-proximidades-e-distancias-na-malha-de-ruas/" target="_blank">Condições para a Vitalidade Urbana #2 – Proximidades e distâncias na malha de ruas</a></li>
</ul>
<p>Como terceiro fator a contribuir para a vitalidade dos espaços urbanos, destacamos as características das edificações, especialmente no que diz respeito às suas relações com os espaços abertos. Como veremos, a maneira como as edificações estão posicionadas e a forma como configuram seus sistemas de barreiras e permeabilidades em relação às ruas podem influenciar diretamente na quantidade de pessoas que utilizam o espaço público e de atividades que ali se desenvolvem.</p>
<h2>Permeabilidade público x privado</h2>
<p>Holanda (2002) trata da questão da permeabilidade física entre a edificação e o espaço público ao atribuir ao Paradigma da Urbanidade características como maior número de portas por espaços convexos e menor percentual de espaços cegos (HOLANDA, 2002, p. 126). O Paradigma de Urbanidade (definido por Holanda em contraposição ao Paradigma da Formalidade), no que diz respeito aos arranjos sociais relaciona-se ao uso dos espaços públicos e portanto tem relação com a ideia de vitalidade. Holanda, portanto, dá a entender que essas variáveis costumam ocorrer concomitantemente (maior densidade de portas e menir percentual de espaços cegos, pelo lado das características morfológicas, e maior uso dos espaços públicos, pelo lado dos arranjos sociais).</p>
<p>A mesma recomendação é feita por Bentley et al (1985, p. 13):</p>
<blockquote><p>Permeabilidade física entre espaços públicos e privados ocorre nas entradas para os edifícios ou jardins. Isso enriquece o espaço público através do aumento do nível de atividade em suas bordas.</p></blockquote>
<p>Mais adiante, Bentley et al (1985, p. 69) acrescentam:</p>
<blockquote><p>Para aumentar a robustez, a interface entre edifícios e espaço público deve ser projetada para viabilizar que uma gama de atividades privadas internas coexistam em intensa proximidade física com a gama de atividades públicas no exterior.</p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2013/03/Bentley-et-al-1985-p.-69_cr.jpg"><img decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1164" alt="Bentley et al (1985, p. 69)_cr" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2013/03/Bentley-et-al-1985-p.-69_cr-500x257.jpg" width="500" height="257" /></a></p>
<p class="legendas">Proximidade e interação entre as atividades no interior e exterior das edificações. Fonte: Bentley et al (1985, p. 69)</p>
<p class="olhos">Portas devem ser abundantes e promover a proximidade entre interior e exterior, em todo o perímetro da quadra.</p>
<p>Uma quantidade apropriada de portas pode auxiliar na promoção da vitalidade urbana conectando a rua com atividades comerciais e de serviços, promovendo assim as atividades que lhes são inerentes, tais como a pesquisa de preços, o olhar de vitrines e o entra-e-sai para comprar ou obter mais informações sobre os produtos. No caso dos shopping-centers essa vitalidade é interiorizada: as ligações dos espaços edificados com a rua são minimizadas, e toda essa movimentação é retirada dos espaços públicos, juntamente com a possibilidade (ainda que nem sempre exercida) de interação social entre pessoas de perfis socioeconômicos mais variados do que aquelas que frequentam os shoppings.</p>
<p>Carlos Nelson também reforça esse argumento para o caso de atividades residenciais:</p>
<blockquote><p>Diríamos que, quanto mais portas se abrem para a calçada, tanto mais completamente o espaço público é passível de apropriação pela casa. (SANTOS; VOGEL, 1985, p. 54).</p></blockquote>
<p>“Apropriação pela casa”, nesse caso, significa utilizar o espaço da rua, seja para atividades de lazer, contemplação, deslocamentos ou mesmo para estabelecer relações sociais. A mesma lógica pode ser estendida para edifícios residenciais. Na Figura abaixo Bentley et al (1985) mostram os contrastes de duas organizações, nas quais a primeira intensifica a conexão com a rua, enquanto a segundo concentra os acessos em apenas um ponto, não apenas distante da rua como também localizado em apenas uma das faces do quarteirão. As outras três faces possuem fachadas sem permeabilidade física, prejudicando a possibilidade de vitalidade.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2013/03/permeabilidade_portas-Bentley-et-al-1985-p.13.jpg"><img decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1165" alt="permeabilidade_portas - Bentley et al (1985, p.13)" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2013/03/permeabilidade_portas-Bentley-et-al-1985-p.13-500x504.jpg" width="500" height="504" /></a></p>
<p class="legendas">Diferença no arranjo de portas voltadas ao espaço da rua: muitas edificações abrindo-se diretamente para a rua (à esq.); concentração de entradas para várias unidades em apenas um ponto, com pouca relação com a rua (à dir.). (BENTLEY et al, 1985, p. 13)</p>
<p>Por fim, Gehl (2011) oferece o mesmo conselho:</p>
<blockquote><p>É importante que seja fácil entrar e sair das habitações. Se a passagem entre interior e exterior é difícil &#8211; se é necessário, por exemplo, usar escadas e elevadores para entrar e sair &#8211; o número de visitas ao exterios cair notavelmente (GEHL, 2011, p. 184).</p></blockquote>
<h2>Dimensões da forma edificada</h2>
<p>Gehl (2011) defende a adoção de fachadas curtas como forma de intensificar as possibilidades de interação da rua com a edificação e diminuir as distâncias a serem percorridas pelos pedestres:</p>
<blockquote><p>Sabendo que pedestres geralmente não desejam caminhar muito, os projetistas de lojas comerciais usam fachadas estreitas, de modo que haja espaço para a maior quantidade possível de lojas na menor distância possível na rua. (GEHL, 2011, p. 95)</p></blockquote>
<p class="olhos">Fachadas estreitas são um recurso para aproveitar melhor a frente dos lotes e diminuir distâncias.</p>
<p>Segundo ele, algumas cidades vêm proibindo a instalação de atividades que ocupem muito espaço de fachada sem a correspondente densidade de portas e interação com a rua, tais como postos de gasolina e até mesmo bancos e edifícios de escritórios. Esses equipamentos precisam ser posicionados nos andares superiores ou, no caso de ficarem no térreo, limitarem fortemente o tamanho de suas fachadas. Assim, seria possível concentrar o acesso em uma pequena largura (o exemplo dado por Gehl cita 5m como tamanho máximo) e utilizar o resto da interface para outras atividades com acesso direto pela rua, ao invés de criar longos perímetros sem permeabilidade.</p>
<p>Essas bordas sem portas constituem “espaços vazios” que são prejudiciais à vitalidade:</p>
<blockquote><p>Usando o princípio de lotes estreitos [na largura] e profundos [no comprimento] juntamente com um uso cuidadoso do espaço frontal evita o problema de &#8220;buracos&#8221; e &#8220;áreas residuais&#8221; sempre que os edifícios se voltam para calçadas e rotas de pedestres. Isso também vale para áreas residenciais. (GEHL, 2011, p. 95)</p></blockquote>
<p>O mesmo princípio pode ser estendido aos afastamentos laterais entre as edificações, que reduzem a proporção da quantidade de metros lineares de fachada (e portanto o espaço para atividades em interação com a rua) em relação ao comprimento total do quarteirão. Essa configuração desperdiça o potencial que a interface entre os lotes privados e a rua possui em termos de estímulo ao movimento de pessoas, ao mesmo tempo em que aumenta as distâncias a serem percorridas e diminui a densidade de atrativos. Alexander et al (1987, p. 67-71) reforça a necessidade de que as fachadas sejam contínuas:</p>
<blockquote><p>&#8220;Os edifícios envolvem o espaço&#8221;, e NÃO &#8220;o espaço envolve os edifícios&#8221;. [&#8230;] Se possível, o edifício deve tocar ao menos um outro edifício existente, de forma que os edifícios em conjunto formem um tecido contínuo atavés da cidade.</p></blockquote>
<p>Gehl (2011) defende também a adoção de edifícios mais horizontais, baseado no fato de o campo de visão humano ser limitado no que diz respeito a elementos situados em posições altas. Temos, segundo ele, um campo de visão voltado à frente e abaixo que nos permite visualizar a apreender com mais facilidade o espaço contido nesses limites. Por isso, a configuração mais “natural” de um espaço urbano é aquela constituída por edificações baixas, ao longo de uma rua, já que estão mais em harmonia com nossos sentidos.</p>
<p>Um ponto semelhante é levantado por Alexander et al (1977), baseando-se em estudo de Fanning (1967 apud Alexander et al, 1977). Segundo ele, as distâncias enfrentadas pelos moradores e a “fricção” causada por corredores, elevadores, portarias, afastamentos e portões nos deslocamentos até a rua desestimulavam significativamente o desenvolvimento de atividades nos espaços abertos.</p>
<blockquote><p>[&#8230;] viver em edifícios verticais afasta as pessoas do solo, assim como da sociedade casual e cotidiana que acontece nas calçadas e ruas e nos jardins e nos alpendres. Deixa-os sozinhos em seus apartamento. A decisão de sair para algum tipo de vida pública torna-se formal e desajeitado; e a não ser que haja alguma tarefa específica que traga a pessoa para fora, a tendência é ficar em casa, sozinho. (ALEXANDER et al, 1977, p. 116)</p></blockquote>
<h2>O que vemos por aí?</h2>
<p>Preocupantemente, cada vez mais observamos em nossas cidades tipos arquitetônicos que são o oposto do que a literatura tem nos apontado como geradores de vitalidade. As imagens falam por si.</p>

<a href='https://urbanidades.arq.br/2013/03/03/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-3-caracteristicas-da-relacao-edificacao-x-espaco-publico/dsc_9525/'><img loading="lazy" decoding="async" width="140" height="140" src="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2013/03/DSC_9525-140x140.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail" alt="" /></a>
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<h3>Referências</h3>
<p>ALEXANDER, C.; ISHIKAWA, S.; SILVERSTEIN, M. <strong>A pattern language</strong>. New York: Oxford University Press, 1977.</p>
<p>ALEXANDER, C.; NEIS, H.; ANNINOU, A.; KING, I. F. <strong>A New theory of urban design</strong>. New York: Oxford University Press, 1987.</p>
<p>BENTLEY, I.; ALCOCK, A.; MURRAIN, P.; MCGLYNN, S.; SMITH, G. <strong>Responsive environments</strong>: a manual for designers. London: Architectural Press, 1985.</p>
<p>GEHL, J. <strong>Life between buildings</strong>: using public space. Washington, DC: Island Press, 2011.</p>
<p>HOLANDA, F. R. B. DE. <strong>O espaço de exceção</strong>. Brasília, DF: Editora UnB, 2002.</p>
<p>SANTOS, C. N.; VOGEL, A. <strong>Quando a rua vira casa</strong>. São Paulo: Projeto, 1985.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2013/03/03/condicoes-para-a-vitalidade-urbana-3-caracteristicas-da-relacao-edificacao-x-espaco-publico/">Condições para a Vitalidade Urbana #3 – Características da relação edificação x espaço público</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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		<title>Tipos de desenho urbano</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2010/11/17/tipos-de-desenho-urbano/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Nov 2010 18:26:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[desenho urbano]]></category>
		<category><![CDATA[form based codes]]></category>
		<category><![CDATA[olhos da rua]]></category>
		<category><![CDATA[parâmetros urbanísticos]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[zoneamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O desenho urbano, por ficar na maioria das vezes entre as "escalas" do planejamento urbano e da arquitetura, acaba também sofrendo pela indefinição dos instrumentos mais adequados para a sua implementação. Este post mostra uma classificação dos tipos de desenho urbano que ajuda a jogar luz sobre o problema. &#8230; <a href="https://urbanidades.arq.br/2010/11/17/tipos-de-desenho-urbano/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Tipos de desenho urbano</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2010/11/17/tipos-de-desenho-urbano/">Tipos de desenho urbano</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Como já mostrei em outros posts, tenho um especial interesse pela relação (muitas vezes conflituosa) entre o conceito de plano e o de projeto. O desenho urbano, por ficar na maioria das vezes entre as &#8220;escalas&#8221; (esse termo também é questionável) do planejamento urbano e da arquitetura, acaba também sofrendo pela indefinição dos instrumentos mais adequados para a sua implementação.</p>
<p>Além disso, o desenho urbano por sí só é uma disciplina cuja definição é problemática e sujeita a várias controvérsias. Muitas das tentativas de definição partem do que ele não é, ao invés de dizer exatamente o que ele é . Schurch (1999) nota que disciplinas emergentes, como o Desenho Urbano, carecem de definições consolidadas, e possuem referenciais teóricos vagos ou amplos demais.</p>
<p>Por tudo isso, achei uma referência muito interessante e que de certa forma vai de encontro às minhas reflexões sobre o assunto. O livro &#8220;Urban Design: a typology of procedures and products&#8221;  (LANG, 2005)classifica os processos de desenho urbano em quatro tipos:</p>
<div class="olhos">Essencial para um bom entendimento do desenho urbano é saber por quem as decisões são tomadas,  e com qual encadeamento.</div>
<ol>
<li>Desenho Urbano &#8220;total&#8221;: uma única equipe controla todo o projeto. Esse tipo é raro de se encontrar, ao menos aqui no Brasil. Se alguém souber de algum exemplo, avise nos comentários.</li>
<li>Desenho urbano &#8220;all of a piece&#8221;: neste caso, uma equipe cria um plano geral que oriente as intervenções de diversos empreendedores, cada um com sua própria equipe. Um exemplo desse tipo é o Loteamento Pedra Branca, em Palhoça, SC. Lá, uma equipe norteamericana (DPZ), com a ajuda de arquitetos brasileiros, fez um masterplan para a área. A seguir, vários escritórios de arquitetura foram contratados para projetar as quadras que compõem a proposta geral.</li>
<li>Desenho Urbano &#8220;piece-by-piece&#8221;: neste caso, a produção das edificações é feita a partir de centenas ou milhares de decisões individuais que, entretanto, devem obedecer a um conjunto de normas gerais. Sendo assim, a construção de edificações é controlada por zoneamentos, incentivos e penalidades.</li>
<li>Desenho Urbano &#8220;plug-in&#8221;: remete ao conceito de &#8220;acupuntura urbana&#8221;, segundo o qual intervenções pontuais no tecido urbano seriam capazes de produzir consequências benéficas para o entorno e, talvez, para toda a cidade.</li>
</ol>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-812" title="ft1" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft1-500x255.jpg" alt="" width="500" height="255" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft1-500x255.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft1-300x153.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft1-50x26.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft1-200x102.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft1.jpg 685w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><br />
<span class="legendas">Desenho Urbano &#8220;all-of-a-piece&#8221;: Loteamento Pedra Branca &#8211; Palhoça &#8211; SC.</span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft8.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-813" title="ft8" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft8-500x291.jpg" alt="" width="500" height="291" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft8-500x291.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft8-300x175.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft8-50x29.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft8-200x117.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft8.jpg 685w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><br />
<span class="legendas">Desenho Urbano &#8220;all-of-a-piece&#8221;: Loteamento Pedra Branca &#8211; Palhoça &#8211; SC.</span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft8.jpg"></a><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft9.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-814" title="ft9" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft9-500x291.jpg" alt="" width="500" height="291" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft9-500x291.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft9-300x175.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft9-50x29.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft9-200x117.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/ft9.jpg 685w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><br />
<span class="legendas">Desenho Urbano &#8220;all-of-a-piece&#8221;: Loteamento Pedra Branca &#8211; Palhoça &#8211; SC.</span></p>
<div class="olhos">O tipo piece-by-piece é o que mais afeta a sociedade como um todo, e o mais negligenciado</div>
<p>Minha maior preocupação é com o terceiro tipo: piece-by-piece. Esse é o tipo de desenho urbano que mais afeta a sociedade como um todo, visto que os outros tipos referem-se a situações muito mais localizadas e atreladas a poucos decisores e/ou promotores. O terceiro tipo, ao contrário, deveria ser uma preocupação de toda prefeitura em relação à sua malha urbana como um todo. Entretanto, não é isso que vemos. Na imensa maioria dos casos, a legislação urbanística limita-se a definir índices genéricos de ocupação, e faz muito pouco para conduzir a produção das edificações na direção de tipologias que favoreçam a permeabilidade entre o público e o privado, a geração de olhos da rua para minimizar a insegurança nos espaços públicos, e a valorização do pedestre em detrimento do automóvel.</p>
<p>Em um artigo em parceria com o Prof. Vinicius Netto, fazemos uma crítica a essa grave limitação do zoneamento: <a title="A urgência do planejamento" href="http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/10.125/3624" target="_blank">A urgência do planejamento</a>. A imagem abaixo mostra que, para um mesmo conjunto de parâmetros, é possível uma grande variedade de tipologias. Até aí não há problema; este surge porque várias dessas tipologias são agressivas ao pedestre e não incentivam a permanência e a apropriação dos espaços públicos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/Fig-3-Tipologias-resultantes-dos-PDs.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-815" title="Fig 3 - Tipologias resultantes dos PDs" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/Fig-3-Tipologias-resultantes-dos-PDs-500x240.jpg" alt="" width="500" height="240" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/Fig-3-Tipologias-resultantes-dos-PDs-500x240.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/Fig-3-Tipologias-resultantes-dos-PDs-300x144.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/Fig-3-Tipologias-resultantes-dos-PDs-768x369.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/Fig-3-Tipologias-resultantes-dos-PDs-50x24.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/Fig-3-Tipologias-resultantes-dos-PDs-200x96.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/11/Fig-3-Tipologias-resultantes-dos-PDs.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><br />
<span class="legendas">Tipologias resultantes de um mesmo conjunto de parâmetros de zoneamento. Muitas delas são &#8220;anti-urbanas&#8221;.</span></p>
<p>Um caminho possível (e urgente!) é a adoção de zoneamentos mais sensíveis à forma urbana. Os Form Based Codes são muito interessantes nesse sentido, e têm me interessado muito.Um exemplo é o de Benícia, nos EUA, que estabelece diretrizes para vários aspectos das edificações, exigindo, por exemplo, que mantenham relação de permeabilidade e proximidade com a rua, usos comerciais no térreo, garagens apenas nos fundos do terreno, etc.</p>
<h3>Referências bibliográficas</h3>
<p>LANG, Jon. <strong>Urban Design</strong>: a typology of procedures and products. Amsterdam: Elsevier, 2005.</p>
<p>NETTO, Vinicius de Moraes; SABOYA, Renato. A urgência do urbanismo: uma crítica aos instrumentos usuais de planejamento. <strong>Arquitextos &#8211; Vitruvius</strong>, 2010.</p>
<p>SCHURCH, Thomas W. Reconsidering Urban Design: thoughts about its definition and status as a field or profession. <strong>Journal of Urban Design</strong>, v. 4, n. 1, p. 5 -28, 1999.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2010/11/17/tipos-de-desenho-urbano/">Tipos de desenho urbano</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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		<title>Segurança nas cidades: Jane Jacobs e os olhos da rua</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2010/02/10/seguranca-nas-cidades-jane-jacobs-e-os-olhos-da-rua/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 15:20:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[calçadas]]></category>
		<category><![CDATA[cidade modernista]]></category>
		<category><![CDATA[condomínios fechados]]></category>
		<category><![CDATA[espaço defensável]]></category>
		<category><![CDATA[Jane Jacobs]]></category>
		<category><![CDATA[olhos da rua]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar Newman]]></category>
		<category><![CDATA[pedestres]]></category>
		<category><![CDATA[segurança]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dando sequência à série sobre segurança nas cidades (veja também o post sobre os espaços defensáveis), este post vai tratar do conceito de &#8220;olhos da rua&#8221; de Jane Jacobs, talvez<a href="https://urbanidades.arq.br/2010/02/10/seguranca-nas-cidades-jane-jacobs-e-os-olhos-da-rua/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Segurança nas cidades: Jane Jacobs e os olhos da rua</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2010/02/10/seguranca-nas-cidades-jane-jacobs-e-os-olhos-da-rua/">Segurança nas cidades: Jane Jacobs e os olhos da rua</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Dando sequência à série sobre segurança nas cidades (veja também o post sobre os <a title="espaços defensáveis" href="http://urbanidades.arq.br/2009/11/seguranca-nas-cidades-oscar-newman-e-os-espacos-defensaveis/" target="_blank">espaços defensáveis</a>), este post vai tratar do conceito de &#8220;olhos da rua&#8221; de Jane Jacobs, talvez o conceito mais famoso e consagrado no que diz respeito à segurança urbana.</p>
<p>Segundo Jacobs, as calçadas desempenham papel fundamental para a manutenção da segurança nas cidades. Quando dizemos que uma cidade não é segura, estamos nos referindo às suas calçadas.<span id="more-523"></span></p>
<h3>As calçadas e os desconhecidos</h3>
<p>O principal ponto da argumentação de Jacobs é essencialmente diferente do de Newman. Ela defende a presença de desconhecidos como importante:</p>
<blockquote><p>O principal atributo de um distrito urbano próspero é que as pessoas se sintam seguras  e protegidas na rua em meio a tantos desconhecidos (JACOBS, 2000, p. 30)</p></blockquote>
<p>Jacobs defende que a manutenção da segurança não é feita pela polícia (ou pelo menos não apenas por ela, que também é necessária), mas &#8230;</p>
<blockquote><p>[&#8230;]pela rede intrincada, quase inconsciente, de controles e padrões de comportamento espontâneos presentes em meio ao próprio povo e por ele aplicados. (JACOBS, 2000, p. 32)</p></blockquote>
<p>As baixas densidades não são a resposta. Os subúrbios americanos, vistos por muitos como lugares seguros, nem sempre o são. Jacobs sustenta tal afirmação com dados sobre Los Angeles (de 1958), mostrando que, apesar das baixas densidades, apresenta taxas muito altas de criminalidade.</p>
<h3>As três condições para a segurança</h3>
<p>Jacobs propõe, então, três condições para que haja pessoas suficientemente nas ruas de forma que elas exerçam a vigilância natural sobre os espaços públicos e, com isso, diminuam a violência:</p>
<ol>
<li>Deve ser nítida a separação entre o espaço público e o espaço privado;</li>
<li>Devem existir os olhos da rua;</li>
<li>A calçada deve ter usuários transitando ininterruptamente.</li>
</ol>
<h3>Separação entre espaço público e privado</h3>
<p>Esse requisito não é muito aprofundado por Jacobs. Entretanto, ela diz explicitamente que a área a ser &#8220;vigiada&#8221; precisa ter limites claros e praticáveis. É uma crítica direta aos ideais modernistas, então em voga, de construir edificações sobre pilotis soltas sobre amplas áreas verdes, de forma que os espaços públicos permeassem todo o bairro. Jacobs parece entender que tal configuração é prejudicial à segurança porque &#8220;borra&#8221; os limites do que é visto como responsabilidade de cada pessoa no que diz respeito à vigilância natural.</p>
<h3>Olhos da rua</h3>
<p>Os olhos da rua são as pessoas que, consciente ou inconscientemente, utilizam o espaço público e/ou costumam contemplá-los de suas casas, exercendo uma vigilância natural sobre o que ali acontece. Jacobs cita como contra-exemplo alguns edifícios muito verticalizados, em que os corredores eram inacessíveis aos olhos, apesar de serem de acesso público, e por isso sofriam enormemente com a depredação e a violência.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/cg_condominios_2007_julho_02.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-525" title="cg_condominios_2007_julho_02" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/cg_condominios_2007_julho_02-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/cg_condominios_2007_julho_02-500x375.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/cg_condominios_2007_julho_02-300x225.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/cg_condominios_2007_julho_02.jpg 640w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/cg_condominios_2007_julho_02-50x38.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/cg_condominios_2007_julho_02-200x150.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a></p>
<p class="legendas" style="text-align: center;">Quando as ruas não possuem &#8220;olhos&#8221;, tornam-se inseguras. (Condomínos fechados em Campo Grande &#8211; MS)</p>
<blockquote><p>Sob a aparente desordem da cidade tradicional, existe, nos lugares em que ela funciona a contento, uma ordem supreendente que garante a manutenção da segurança e a liberdade. É uma ordem complexa (JACOBS, 2000, p. 52).</p></blockquote>
<div class="olhos">É importante que os edifícios tenham relação com a rua, para poder existir a vigilância natural. </div>
<p>Portanto, os edifícios precisam oferecer a possibilidade de contato visual entre o interior e o espaço público, para que os olhos possam atuar. Esse ponto é apenas rapidamente abordado por Jacobs, ao menos de forma explícita, mas fica claro na sua descrição sobre como os olhos da rua agem em determinadas áreas da cidade. Confusões, brigas e outros incidentes nesses bairros são rapidamente controladas ou inibidas pela ação de moradores que observavam o que acontecia de dentro de suas casas. Além disso, a necessidade de contato das edificações com o espaço público é um dos pontos de consenso entre Jacobs e <a title="Newman segurança nas cidades" href="http://urbanidades.arq.br/2009/11/seguranca-nas-cidades-oscar-newman-e-os-espacos-defensaveis/" target="_blank">Newman </a>que, de resto, possuem concepções diferentes sobre os requisitos para a segurança nas cidades.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/upper_east_side_02_800.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-526" title="upper_east_side_02_800" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/upper_east_side_02_800-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/upper_east_side_02_800-500x375.jpg 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/upper_east_side_02_800-300x225.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/upper_east_side_02_800-768x576.jpg 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/upper_east_side_02_800-640x480.jpg 640w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/upper_east_side_02_800-50x38.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/upper_east_side_02_800-200x150.jpg 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/upper_east_side_02_800.jpg 800w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><br />
<span class="legendas">Os edifícios devem possibilitar os &#8220;olhos da rua&#8221;. Fonte: <a title="Olhos da rua" href="http://www.flickr.com/photos/iamagenious/2157265210/" target="_blank">Flickr</a></span></p>
<h3>Usuários transitando ininterruptamente</h3>
<p>Esse requisito está intimamente ligado ao anterior, uma vez que uma quantidade significativa de pessoas transitando e utilizando as ruas é condição necessária para que haja olhos da rua. Tanto no sentido direto quanto indiretamente.</p>
<p>No sentido direto porque as próprias pessoas que usam e transitam pela rua acabam exercendo uma vigilância natural. Ruas com movimentação de pessoas tendem a tornar-se mais seguras (pelo menos até um certo nível de movimentação, uma vez que ruas com um número excessivo de pessoas pode favorecer alguns tipos de furtos. Mas Jacobs não trata desse aspecto). Jacobs descreve o que ela chama de &#8220;balé das ruas&#8221;, em que vários atores, com os mais diversos propósitos, saem às ruas em horários diversificados para as mais diferentes atividades. Essas atividades interagem entre si e de alguma forma acabam complementando-se, formando uma teia de interação social e cuidados mútuos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/Lynch-1981-p-428-Espacos-publicos.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-527" title="Lynch (1981 - p 428) Espacos publicos" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/Lynch-1981-p-428-Espacos-publicos.jpg" alt="Espaços públicos" width="472" height="315" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/Lynch-1981-p-428-Espacos-publicos.jpg 472w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/Lynch-1981-p-428-Espacos-publicos-300x200.jpg 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/Lynch-1981-p-428-Espacos-publicos-50x33.jpg 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2010/02/Lynch-1981-p-428-Espacos-publicos-200x133.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 472px) 100vw, 472px" /></a><br />
<span class="legendas">Ruas bem movimentadas tendem a ser mais seguras. Fonte: (LYNCH, 1960)</span></p>
<p>Indiretamente, o movimento de pessoas atua como atrator para os olhares de quem não está na rua, uma vez que as pessoas costumam gostar de olhar quem passa.  Ruas desertas dificilmente atrairão a atenção de quem está dentro das edificações, o que acaba acentuando a sensação de insegurança.</p>
<h3>Algumas observações adicionais</h3>
<p>As idéias de Jacobs, apesar de terem sido formuladas há meio século, ainda parecem ser válidas, no seu conjunto, para as cidades atuais. A questão da interação entre estranhos e moradores locais ainda permanece significativa (vide o problema dos <a title="Condomínios fechados" href="http://urbanidades.arq.br/2007/07/condominios-fechados/" target="_blank">condomínios fechados</a>), e longe de uma solução satisfatória. Os olhos da rua, uma das suas principais contribuições, permancece mais válido que nunca e, no entanto, cada vez mais presenciamos situações em que as edificações viram-se de costas para o espaço público, renegando-o. Talvez o &#8220;clima&#8221; de cidade pequena esteja irremediavelmente perdido na maioria dos lugares, mas a possibilidade de interação social e de manutenção coletiva das condições de segurança parecem viáveis.</p>
<p>Seria interessante discutirmos, nos comentários, alguns exemplos concretos que os leitores conheçam e os quais queiram compartilhar. Será que essas ideias da Jacobs aplicam-se a todos os lugares? Há exceções? Comentem!</p>
<h3>Referências bibliográficas</h3>
<p>JACOBS, Jane. <strong>Morte e vida de grandes cidades</strong>. São Paulo: Martins Fontes, 2000.</p>
<p>LYNCH, Kevin. <strong>The image of the city</strong>. Cambridge: The M.I.T. Press, 1960.</p>
<p>NEWMAN, Oscar. <strong>Creating defensible spaces</strong>. Washington, DC: U.S. Department of Housing and Urban Development, 1996.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2010/02/10/seguranca-nas-cidades-jane-jacobs-e-os-olhos-da-rua/">Segurança nas cidades: Jane Jacobs e os olhos da rua</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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