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	<title>Urbanidades | Posts marcados como relações sociais - Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</title>
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	<title>Urbanidades | Posts marcados como relações sociais - Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</title>
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		<title>Redes sociais, segregação e pobreza em São Paulo &#8211; Eduardo Marques</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2015 21:27:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[mobilidade]]></category>
		<category><![CDATA[relações sociais]]></category>
		<category><![CDATA[são paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este posto é baseado num artigo muito interessante de Eduardo Marques, que analisa a rede social de indivíduos pobres para entender suas características, quando comparadas às de indivíduos de classe média. &#8230; <a href="https://urbanidades.arq.br/2015/09/27/redes-sociais-segregacao-e-pobreza-em-sao-paulo-eduardo-marques/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Redes sociais, segregação e pobreza em São Paulo &#8211; Eduardo Marques</span></span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Este post é baseado num artigo muito interessante de Eduardo Marques, professor da USP e vice-diretor do Centro de Estudos da Metrópole, intitulado &#8220;Redes sociais, segregação e pobreza em São Paulo&#8221; (no original, <a href="http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1468-2427.2012.01143.x/abstract" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Social Networks, Segregation and Poverty in São Paulo</a>). Nele, Marques analisa a rede social de indivíduos pobres para entender suas características, quando comparadas às de indivíduos de classe média.</p>
<h3>Metodologia</h3>
<p>A pesquisa envolveu a análise das redes sociais de 209 indivíduos pobres e de 30 indivíduos de classe média, para estabelecer uma comparação. As entrevistas foram feitas em sete áreas segregadas em São Paulo, e a cada entrevistado foi pedido que listasse pessoas nas seguintes áreas de sociabilidade: família, vizinhos, amigos, trabalho, religião, associações, lazer e outros. Isso permitiu investigar a composição dessas redes em termos dos tipos de contato e de onde eles são originados e/ou costumam acontecer. As áreas selecionadas em São Paulo estão mostradas na figura abaixo.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/MArques-2010-Áreas-amostra.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-large wp-image-1412 aligncenter" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/MArques-2010-Áreas-amostra-500x311.png" alt="" width="500" height="311" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/MArques-2010-Áreas-amostra-500x311.png 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/MArques-2010-Áreas-amostra-300x186.png 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/MArques-2010-Áreas-amostra-768x477.png 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/MArques-2010-Áreas-amostra-50x31.png 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/MArques-2010-Áreas-amostra-200x124.png 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/MArques-2010-Áreas-amostra.png 1293w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><span class="legendas">Fonte: Marques, 2012.</span></p>
<h3>Os resultados</h3>
<p>Os resultados obtidos mostraram vários aspectos interessantes das redes sociais de indivíduos pobres, começando pela ausência quase total de indivíduos não pobres nessas redes. Marques chama esse fenômeno de &#8220;homofilia social&#8221;, ou seja,  redes sociais nas quais as relações são majoritariamente entre pessoas com características similares. O autor considera a homofilia social como um dos principais problemas para a perpetuação da pobreza e da desigualdade social, conforme será tratado mais adiante.</p>
<p>Outra característica importante dessas redes é que elas tendem a ser menores e menos variadas do que as redes de indivídios da classe média. Isso quer dizer que indivíduos pobres, de acordo com a pesquisa, possuem redes sociais compostas por um menor número de pessoas, e que essas pessoas tendem a pertencer a um menor número de esferas de sociabilidade, ficando concentrada em poucos âmbitos de convivência (por exemplo, família e vizinhos, ou vizinhos e religião). Para efeitos de comparação, veja as imagens abaixo: a primeira ilustra a rede média de um indivíduo pobre do sexo feminino, enquanto a segunda ilustra a rede média de uma indivíduo de classe média, também do sexo feminino.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/Marques-2012-poor-individual.png"><img decoding="async" class="size-large wp-image-1414 aligncenter" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/Marques-2012-poor-individual-500x268.png" alt="" width="500" height="268" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/Marques-2012-poor-individual-500x268.png 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/Marques-2012-poor-individual-300x161.png 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/Marques-2012-poor-individual-768x411.png 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/Marques-2012-poor-individual-50x27.png 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/Marques-2012-poor-individual-200x107.png 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/Marques-2012-poor-individual.png 970w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/Marques-2012-middle-class-individual.png"><img decoding="async" class="size-large wp-image-1413 aligncenter" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/Marques-2012-middle-class-individual-500x324.png" alt="" width="500" height="324" srcset="https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/Marques-2012-middle-class-individual-500x324.png 500w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/Marques-2012-middle-class-individual-300x194.png 300w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/Marques-2012-middle-class-individual-768x498.png 768w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/Marques-2012-middle-class-individual-50x32.png 50w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/Marques-2012-middle-class-individual-200x130.png 200w, https://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2015/09/Marques-2012-middle-class-individual.png 992w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><span class="legendas"><br />Fonte: Marques, 2012.</span></p>
<p>Dentro do grupo de indivíduos pobres, aqueles mais pobres possuem redes ainda menos diversas do ponto de vista da sociabilidade, bem como mais apoiadas na vizinhança. Por isso, essas pessoas acabam desenvolvendo poucos laços fora de suas comunidades ou bairros, o que é um sinal da dificuldade que enfrentam em criar e manter esses laços ao longo do tempo. Esse fenômeno é suavizado pelos anos de educação, sendo que indivíduos com mais anos tendem a possuir redes mais diversas (mesmo entre os mais pobres).</p>
<p>O gênero masculino ou feminino não mostrou variações significativas em relação ao tamanho e variabilidade das redes, mas pessoas que frequentam cultos religiosos mostraram redes mais variadas, mesmo quando comparadas com outras pessoas com o mesmo nível de renda.</p>
<p><span class="olhos">Redes sociais de indivíduos pobres são menores, mais localizadas e menos diversificadas do que as de indivíduos da classe média.</span>De forma geral, Marques ressalta o localismo das redes de indivíduos pobres quando comparadas aos de indivíduos de classe média. Estes últimos possuem redes que abangem áreas geográficas muito maiores que as de pessoas pobres e, apesar de o autor não se aprofundar nas explicações para isso, podemos imaginar que tenha a ver com as condições materiais de exisstência associadas a diferentes classes sociais: pessoas da classe média normalmente possuem condições de adquirir e manter um automóvel privado e de se deslocar mais livremente pela cidade, levando os filhos na escola, indo à academia, ao trabalho, etc. A localização da escola e de outros pontos importantes da rotina são menos constrangidos pelas possibilidades oferecidas pela rede de transporte público, o que permite escolhas baseadas em outros critérios além das distâncias a serem percorridas. Vasconcellos (2000) argumenta que as viagens realizadas pela população de mais alta renda é duas vezes maior que às da população de baixa renda, e mais diversificada:</p>
<blockquote>
<p>Agora, as crianças de classe média frequentam escolas privadas, muitas vezes localizadas longe de suas casas [&#8230;]. Os serviços médicos privados também se espalham no espaço, o abastecimento de casa requer a viagem aos supermercados, os locais de compra estão crescentemente localizados em shopping centers regionais [&#8230;]  (Vasconcellos, 2000, p. 113)</p>
</blockquote>
<p>Enquanto isso, por outro lado:</p>
<blockquote>
<p>[&#8230;] as crianças das classes trabalhadoras continuam a caminhar até as escolas públicas e os centros de saúde do bairro e têm seu lazer brincando nas ruas ou em lotes vazios das proximidades. (Vasconcellos, 2000, p. 113)</p>
</blockquote>
<p>Esse ponto também foi tratado por Netto (2014), já contemplado em <a href="http://urbanidades.arq.br/2014/11/cidade-sociedade-as-tramas-da-pratica-e-seus-espacos-2/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">outro post aqui no Urbanidades</a>.</p>
<p>Quando vistas no seu conjunto, essas condições se reforçam mutuamente e atuam no sentido de perpetuar o quadro de exclusão e precariedade pelo qual passam pessoas pobres que moram em áreas segregadas. Suas redes extremamente locais, homofílicas e baseadas em poucos esferas de sociabilidade dificultam, por exemplo, o conhecimento sobre oportunidades de empregos e/ou outras oportunidades de melhorar sua vida (notícias sobre vagas em escolas, cursos gratuitos, atividades culturais, etc.).</p>
<p>Um aspecto não explorado, mas que também poderia ser bastante interessante, seria comparar as redes de indivíduos pobres morando em áreas segregadas com aquelas de indivíduos pobres morando em áreas não segregadas. Isso permitiria uma investigação mais específica sobre o papel do espaço e da segregação sobre essas redes.</p>
<h3>Referências</h3>
<div class="csl-bib-body">
<div class="csl-entry">MARQUES, E. Social Networks, Segregation and Poverty in São Paulo. <b>International Journal of Urban and Regional Research</b>, v. 36, n. 5, p. 958–979, 2012.</div>
<div class="csl-entry">NETTO, V. DE M. <a href="https://amzn.to/3nB3Ajs" target="_blank" rel="noopener sponsored noreferrer"><b>Espaço &amp; Sociedade: as tramas da prática e seus espaços</b></a>. Porto Alegre: Sulina, 2014.</div>
<div class="csl-entry">VASCONCELOS, E. <a href="https://amzn.to/3lJqTqI" target="_blank" rel="noopener sponsored noreferrer"><b>Transporte urbano nos países em desenvolvimento: reflexões e propostas</b></a>. São Paulo : Annablume, 2000.</div>
</div>


<p></p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2015/09/27/redes-sociais-segregacao-e-pobreza-em-sao-paulo-eduardo-marques/">Redes sociais, segregação e pobreza em São Paulo – Eduardo Marques</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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		<title>Cidade &#038; Sociedade &#8211; as tramas da prática e seus espaços</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2014/11/02/cidade-sociedade-as-tramas-da-pratica-e-seus-espacos-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Nov 2014 18:18:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[espaços públicos]]></category>
		<category><![CDATA[relações sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hoje tenho o prazer de comentar no Urbanidades o livro de um amigo e parceiro de pesquisas: Vinicius Netto. Seu livro &#8220;Cidade &#38; Sociedade: as tramas da prática e seus<a href="https://urbanidades.arq.br/2014/11/02/cidade-sociedade-as-tramas-da-pratica-e-seus-espacos-2/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Cidade &#038; Sociedade &#8211; as tramas da prática e seus espaços</span></span></a></p>
The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2014/11/02/cidade-sociedade-as-tramas-da-pratica-e-seus-espacos-2/">Cidade & Sociedade – as tramas da prática e seus espaços</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje tenho o prazer de comentar no Urbanidades o livro de um amigo e parceiro de pesquisas: Vinicius Netto. Seu livro &#8220;<a href="https://amzn.to/3nB3Ajs" target="_blank" rel="noopener sponsored noreferrer"><strong><em>Cidade &amp; Sociedade: as tramas da prática e seus espaços</em></strong></a>&#8221; foi lançado em 2014 e traz uma coletânea de diversos textos publicados por ele ao longo de sua trajetória acadêmica, extensivamente revisados e ampliados, além de costurados em uma sequência que abrange:</p>
<ol>
<li>Sociedades como sistemas de encontro: a segregação sobre o corpo;</li>
<li>Sociedades como sistemas de comunicação: espaço, significado e prática social;</li>
<li>Sociedades como sistemas de interação material: forma e dinâmica urbana.</li>
</ol>
<p>A grande maioria dos capítulos foi publicada em bons periódicos nacionais e internacionais, tais como Cadernos Proarq, Arquitextos, Urbe e EURE. O <a href="http://cadernos.proarq.fau.ufrj.br/en/paginas/edicao/19" target="_blank" rel="noopener noreferrer">artigo </a>no qual se baseia um dos capítulos, &#8220;<em>A (re)conquista da cidade: </em>polis<em> e esfera pública</em>&#8220;, recebeu recentemente menção honrosa na respectiva categoria do <a href="http://www.anparq.org.br/premiacoes.php" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Prêmio Anparq 2014</a>.<span id="more-1281"></span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/11/netto-2014-espaço-e-sociedade-capa.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1283" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/11/netto-2014-espaço-e-sociedade-capa-500x485.jpg" alt="" width="500" height="485" /></a></p>
<p>O livro chama a atenção pela forte ênfase na construção teórica de um arcabouço que permita examinar a cidade, seus espaços, suas práticas, encontros, relações, causalidades, materialidades e atos comunicativos. O texto é denso às vezes, mas por isso mesmo oferece uma quantidade proporcionalmente grande de conteúdos interessantes e que nos fazem compreender melhor o mundo que nos cerca, além de inspirar outros <em>insights</em>. Por outro lado, o livro traz também bem-vindas incursões por trabalhos mais empíricos que fornecem evidências concretas de suas teorias e fazem o necessário confronto das hipóteses abstratas com a realidade, evitando assim limitar-se ao campo das especulações exclusivamente teóricas e da lógica interna dos argumentos.</p>
<p>Destaco brevemente, abaixo, alguns aspectos que considerei especialmente interessantes no livro que, de resto, merece uma leitura atenta. Ao final encontram-se seu release oficial e suas formas de aquisição.</p>
<h2>A segregação sobre o corpo</h2>
<p>Em contraposição à visão tradicional da segregação que a trata como áreas &#8220;estanques&#8221; na cidade nas quais grupos diferentes se concentrariam, dificultando sua interação por efeito de uma localização estática diferente, Vinicius propõe uma abordagem baseada no próprio corpo e suas possibilidade de deslocamento pelo espaço da cidade como elementos-chave para o entendimento da segregação. Examinando grupos sociais diferentes, ele identificou que a eles correspondem diferentes padrões de deslocamento pela malha que, conforme a classe socioeconômica, podem ser mais ou menos dispersos, mais ou menos longos e que, em grande parte dos casos, acabam não se cruzando. A segregação, portanto, possui uma face dinâmica importante.</p>
<p style="text-align: center;"> <a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/11/Parte-1-Cap2-fig3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1288" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/11/Parte-1-Cap2-fig3-500x469.jpg" alt="" width="500" height="469" /></a><br />
(NETTO, 2014, p. 81)</p>
<p>A Figura exemplifica esse conceito: diferentes classes costumam realizar percursos diferentes na cidade, com quase nenhuma sobreposição entre eles. Com isso, a distância social é reforçada pela rotinização e os diferentes pouco se vêem e interagem:</p>
<blockquote><p>Assim, a &#8220;invisibilização da alteridade&#8221; [&#8230;] remete à sua efetivação no dia a dia, quando diferenças sociais moldam vidas condicionadas nos processos de rotinização, nas formas de apropriação dos espaços da cidade, na geração de possibilidades de construção de relações sociais, nas formas de convívio. [&#8230;] A abordagem da reprodução aqui desenvolvida busca entender <em>como a segregação impregna nossas atuações urbanas, e como a diferenciação social gera a distância cotidiana entre os diferentes.</em> (NETTO, 2014, p. 63)</p></blockquote>
<h2>Efeitos da Arquitetura</h2>
<p>Sobre as influências do espaço em outros aspectos do sistema urbano e seus usuários, muita coisa já foi divulgada aqui mesmo no Urbanidades (por exemplo <a title="Tipos arquitetônicos e vitalidade urbana" href="http://urbanidades.arq.br/2012/02/tipos-arquitetonicos-e-vitalidade-urbana/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui </a>e <a title="A convergência de padrões na cidade" href="http://urbanidades.arq.br/2012/01/a-convergencia-de-padroes-na-cidade/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui</a>), pelo fato de eu ter participado como parceiro em algumas das pesquisas que deram origem a essa parte do livro.</p>
<p style="text-align: center;"> <a href="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/11/tipologias-e-tecidos-rio.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-1284" src="http://urbanidades.arq.br/wp-content/uploads/2014/11/tipologias-e-tecidos-rio-500x592.jpg" alt="" width="500" height="592" /><br />
</a>(NETTO, 2014, p. 276)</p>
<div class="">
<div id="yiv3084860759" class="">
<div class="">
<div class="">
<div class="">Basicamente o que essa parte faz é problematizar o quanto o espaço, em seus aspectos materiais, pode influenciar nos padrões de interação social, seja em termos de frequência, de copresença, de tipo das situações (potencialmente) interacionais, etc. Como é característica do autor e do livro, um base teórica é perseguida para embasar e orientar os resultados empíricos, bem como para discuti-los.</div>
<div class=""></div>
<div class="">
<hr />
</div>
<div class=""><b class=""><span class="">CIDADE &amp; SOCIEDADE:</span></b></div>
<div class=""><b class=""><span class="">AS TRAMAS DA PRÁTICA E SEUS ESPAÇOS</span></b><b class=""></b></div>
<div class=""></div>
<div class=""><b class=""><span class="">Vinicius M. Netto</span></b></div>
<div class=""></div>
<div class=""><i class=""><span class="">Cidade &amp; Sociedade: as tramas da prática e seus espaços</span></i><span class=""> explora as relações entre Sociedade e Espaço em três níveis: (i) Sociedades como sistemas de encontro: a segregação sobre o corpo; (ii) Sociedades como sistemas de comunicação: espaço significado e prática social; (iii) Sociedades como sistemas de interação material: forma e dinâmica urbana. </span></div>
<div class=""><span class="">  </span></div>
<div class=""><span class="">&#8220;O aparato conceitual de Vinicius M. Netto, meticulosamente preparado, nos dá ferramentas para repensar elementos fundamentais da pesquisa e prática de ensino cotidianas: as relações interescalares e cada vez mais complexas entre nossos corpos individuais e coletivos e os espaços dos lugares e fluxos que moldam e são moldados por nossas interações. </span><span class="">Valendo-se da sociologia, antropologia, economia, ética, política, teoria da comunicação e planejamento, o autor nos oferece razões práticas e munição filosófica para a batalha pela reconquista da cidade&#8221; (Clara Irazábal, Columbia University)</span></div>
<div class=""><span class="">  </span></div>
<div class=""><span class="">  </span></div>
<div class=""><span class="">Capa: Maíra Pinheiro e Vinicius M. Netto</span></div>
<div class=""><span class="">Nº de páginas: 431</span></div>
<div class=""><span class="">ISBN: 978-85-205-0677-6</span></div>
<div class=""></div>
<div class=""><span class="">Editora Sulina/Sul Editores<br class="" /></span><span class=""><a class="" href="http://www.editorasulina.com.br/" target="_blank" rel="nofollow noopener noreferrer">www.editorasulina.com.br</a></span></div>
<div class=""><span class="">Tel (51) 3311.4082 </span></div>
</div>
</div>
</div>
</div>
<div class="">
<div class="">O livro já está disponível em: <a href="http://www.editorasulina.com.br/detalhes.php?id=636" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.editorasulina.com.br/detalhes.php?id=636.</a></div>
<div>Amazon: <a href="https://amzn.to/3nB3Ajs" target="_blank" rel="noopener sponsored noreferrer">aqui</a>.</div>
<div class=""></div>
<div class="">Versão digital (reduzida): <a href="https://www.academia.edu/7670880/CIDADE_and_SOCIEDADE_-_As_Tramas_da_Pratica_e_seus_Espacos_Livro.Introducao_" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.academia.edu/7670880/CIDADE_and_SOCIEDADE_-_As_Tramas_da_Pratica_e_seus_Espacos_Livro.Introducao_</a></div>
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