A convergência de padrões na cidade

No início deste mês, apresentamos um artigo no 8o Space Syntax Symposium, que aconteceu em Santiago, no Chile. O artigo descreve os resultados iniciais de uma pesquisa que está sendo conduzida em conjunto por professores de quatro universidades federais, dentre os quais me incluo: Universidade Federal Fluminense – UFF (Prof. Vinicius de Moraes Netto), Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS (Prof. Júlio C. Vargas), Universidade Federal da Paraíba – UFPB (Prof. Lucas Figueiredo) e Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC (Prof. Renato Saboya).

O artigo pode ser dividido em duas partes. Na primeira exploramos o conceito de convergência entre padrões urbanos na cidade, um tema que, em muitos estudos, é visto como algo não problemático, ou seja, assumido como premissa sem que haja questionamento sobre sua validade para todos os contextos. É o caso, por exemplo, de boa parte da economia urbana, que assume haver relação direta e simultânea entre padrões de acessibilidade e padrões de distribuição do uso do solo.

Há também uma tendência a imaginar que essa relação direta acontece apenas em uma direção, no sentido de que alguns padrões influenciam outros, mas não são influenciados por eles ao mesmo tempo. A Sintaxe Espacial, por exemplo, defende que o padrão mais influente no sistema urbano é a configuração da malha urbana, “determinando” a distribuição de usos do solo, densidades e mesmo circulação de pedestres e veículos, bem como padrões de co-presença nos espaços públicos. Entretanto, dá pouca ênfase a como esses padrões podem também influenciar a configuração da malha.

Nós questionamos essas duas afirmações, argumentando que o processo de convergência entre padrões urbanos é complexo e não acontece instantaneamente, nem tampouco é unidirecional na sua rede de influências.

Seria o tipo arquitetônico capaz de influenciar a vitalidade dos espaços públicos?

Na segunda parte do artigo, nós focamos em um par de padrões específicos, para estudar essas relações mútuas com maior profundidade. Interessa-nos examinar se a tipologia da edificação pode influenciar a vitalidade dos espaços públicos adjacentes a ela. Nesse sentido, dividimos as tipologias edilícias em três tipos (compacto, torre e híbrido) e comparamos com os níveis de movimentos de pedestres e ocorrência de usos comerciais. Entretanto, para poder comparar a variação desses dois padrões sem distorções graves, precisamos de alguma forma minimizar a influência da acessibilidade proporcionada pela malha urbana, o que foi feito através de uma metodologia criada especialmente para este artigo, chamada de faixas de acessibilidade.

O artigo completo pode ser baixado da página do Infoarq e comentários, críticas e observações são bem-vindos.

6 thoughts on “A convergência de padrões na cidade”

  1. Muito bom artigo.
    Interessante q pude perceber a questão do status, e do padrao híbrido, típicos da expansao urbana em peq. cidades, ou seja, novas questoes, principalmete ligadas a segurança levam a vertticalização e posterior sobrevalorização dos espaços centrais. A questao do status vem do novo padrao de ocupação.
    Antes áreas periféricas, com elevado padrao tecnológico aplicado as construções pseudo coloniais prevaleciam, areas centrais menos valorizadas. Hoje a principio por questao de segurança, peq e médias cidades, que tinham em suas área central uma coalisao comécio/ moradia típicas de sobrados vem dando espaço a estruturas verticais de medio/alto padrao que invertem a valorização imobiliaria e criam o padrao hóibrido tipico do processo de desmetropolização que observamos.
    ótimo artigo,
    desde já me disponho como prof. de geografia a debates.
    abraços
    ZeRobertoGeo

    1. Infelizmente não, mas está nos nossos planos, para a continuidade da pesquisa, fazer uma versão em português para um periódico brasileiro.

      1. Sou estudante de arquitetura e acompanho sempre seu site, sua dicas e textos são muito bons, parabéns.

        Quando o texto estiver disponível em português avise-nos!

        Abraços,

  2. Olá, gostei muito do artigo. Estou pesquisando sobre o enunciado ” será que o tipo arquitetônico influenciaria a vitalidade dos espaços urbanos”, pois faço um curso de Especialização em Arquitetura Sustentável e estou fazendo o TCC. Vou escrever sobre esse tema. Você ajudou muito o embasamento. Obrigado.

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