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	<title>Urbanidades | Posts marcados como planos - Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</title>
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	<description>Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</description>
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	<title>Urbanidades | Posts marcados como planos - Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores</title>
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		<title>A visão tradicional de planos diretores</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2008/11/25/a-visao-tradicional-de-planos-diretores/</link>
					<comments>https://urbanidades.arq.br/2008/11/25/a-visao-tradicional-de-planos-diretores/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 13:35:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Este post comenta algumas características dos planos diretores tradicionais, tais como a ênfase no zoneamento, o caráter tecnocrático, a falta de visão estratégica e a negligência com relação à cidade informal. &#8230; <a href="https://urbanidades.arq.br/2008/11/25/a-visao-tradicional-de-planos-diretores/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">A visão tradicional de planos diretores</span></span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Já vimos em um post anterior, que fala um pouco sobre a <a title="história do planejamento urbano e dos planos diretores no Brasil" href="http://urbanidades.arq.br/2008/11/urbanismo-e-planejamento-urbano-no-brasil-1875-a-1992/" target="_blank">história do planejamento urbano e dos planos diretores no Brasil</a>, que a grande maioria dos <a title="plano diretor" href="http://urbanidades.arq.br/2008/06/o-que-e-plano-diretor/" target="_blank">planos diretores </a>realizados no Brasil, especialmente a partir da década de 60, eram excessivamente genéricos, compostos por diretrizes e objetivos gerais que, na prática, faziam muito pouco para orientar as ações do Poder Público. Talvez por essa falta de consistência nos planos diretores e também pela falta de disposição em segui-los, a visão tradicional de plano diretor seja fortemente associada à de zoneamento (FELDMAN, 1997), afinal é um dos poucos instrumentos relativamente respeitados (com todas as exceções que bem conhecemos, naturalmente). Ainda hoje é muito comum, mesmo entre os profissionais da área de planejamento urbano, associar plano diretor com lei de uso e ocupação do solo (ou lei de zoneamento). Segundo Feldman (1997), o zoneamento que abrange todo o território da cidade e o divide em zonas é até hoje o principal instrumento de planejamento na maioria das cidades.</p>
<div class="olhos">Os planos diretores tradicionais estavam fortemente vinculados à noção de zoneamento</div>
<p>Conforme também já vimos em outro post, o <a title="zoneamento e planos diretores" href="http://urbanidades.arq.br/2007/11/zoneamento-e-planos-diretores/" target="_blank">zoneamento</a> divide a cidade (normalmente apenas a área urbana) em zonas teoricamente homogêneas dentro das quais as mesmas diretrizes espaciais são aplicadas. Essas diretrizes limitam-se, normalmente, a estipular índices máximos relativos à <a title="taxa de ocupação e índice de aproveitamento máximo" href="http://urbanidades.arq.br/2007/12/taxa-de-ocupacao-e-coeficiente-de-aproveitamento/" target="_blank">taxa de ocupação, índice de aproveitamento máximo do lote</a>, número máximo de pavimentos e afastamentos frontais e laterais, assim como os usos permitidos em cada uma das zonas. Muitas vezes esse mapa de zoneamento é o único mapa a integrar a lei do plano.</p>
<p><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/Avisotradicionaldeplanosdiretores_10857/zoneamento_1955.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" style="border-width: 0px;" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/Avisotradicionaldeplanosdiretores_10857/zoneamento_1955_thumb.jpg" border="0" alt="zoneamento_sao_paulo_1952" width="500" height="381" /></a><br />
<span class="legendas">Zoneamento do plano diretor de São Paulo &#8211; 1952. Fonte: <a href="http://www.usp.br/fau/docentes/depprojeto/e_nobre/AUP274/metropole_industrial.htm" target="_blank">aqui</a>.</span></p>
<p>Outra característica dos plano diretores tradicionais é o seu caráter tecnocrático, visto que esses planos costumavam ser elaborados exclusivamente por técnicos que se mantinham distantes da população e ditavam os rumos que a cidade deveria seguir, assim como os meios necessários para chegar lá. Assim, os técnicos acreditavam não apenas dominar o instrumental necessário para intervir sobre o sistema urbano e corrigir seus rumos, como também acreditavam saber quais seriam esses rumos.</p>
<p>Villaça (1999) acrescenta ainda que os planos tradicionais costumavam abranger não apenas os aspectos físico-territoriais, mas também aspectos econômicos, sociais, etc. Segundo o autor, isso era mais uma estratégia das classes dominantes para desmoralizar o plano diretor, que por tentar abranger tudo acabava não funcionando para nada. Esse ponto, entretanto, é polêmico. Muitos autores defendem a necessidade de que o plano não se limite aos aspectos físico-territoriais, para que as possibilidades de intervenção na realidade não fiquem prejudicadas (ver, por exemplo, SOUZA, 2003).</p>
<p>Entretanto, parece haver consenso no fato de que os planos não eram seguido pelos gestores públicos. Villaça (1999) atribui isso à incapacidade das classes dominantes, após um certo período, de impor suas &#8220;soluções&#8221; para as cidades. Assim, os planos serviam como respostas de fachada, explícitas, enquanto que os investimentos e as obras públicas seguiam outra direção, implícita, esta sim alinhada com os seus interesses. Mas além disso os planos possuíam outras características que aumentavam as probabilidades de serem engavetados e nunca mais utilizados.</p>
<p>Uma delas era o não reconhecimento dos conflitos inerentes à convivência em sociedade, especialmente em uma sociedade tão desigual como a nossa. Os objetivos eram definidos como se fossem valores universais e incontestáveis, e como se não precisassem ser exaustivamente discutidos para que as diferentes visões pudessem se manifestar e chegar a um mínimo de consenso.</p>
<h3>Sintetizando:</h3>
<p>Em síntese, portanto, os planos diretores tradicionais:</p>
<ol>
<li>classificavam o solo urbano segundo usos e padrões de ocupação;</li>
<li>eram elaborados de forma tecnocrática;</li>
<li>impunham normas predominantemente aos agentes privados;</li>
<li>regulavam o uso do solo e formas de crescimento urbano através do zoneamento;</li>
<li>eram de alta complexidade por conta da visão tecnocrática;</li>
<li>tratavam a cidade como objeto puramente técnico, onde a prioridade era apenas estabelecer padrões de qualidade para seu funcionamento;</li>
<li>não reconheciam as dimensões dos conflitos espaciais, sociais e econômicos;</li>
<li>não reconheciam a desigualdade das condições de renda e seus reflexos na formação do tecido urbano e do mercado imobiliário;</li>
<li>idealizavam um projeto ideal de cidade a ser concretizado num horizonte de tempo incerto;</li>
<li>possuíam normas urbanísticas e de uso de solo excessivamente rígidas;</li>
<li>por ignorarem a cidade &#8220;Ilegal&#8221;, acabavam acentuando a separação entre esta e a cidade “legal”;</li>
<li>davam pouca consideração aos aspectos financeiros de implementação do plano.</li>
</ol>
<h3>Veja também:</h3>
<ul>
<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/06/o-que-e-plano-diretor/">O que é plano diretor?</a></li>
<li><a title="Editar &quot;Planos Diretores contestados&quot;" href="http://urbanidades.arq.br/2008/05/planos-diretores-contestados/">Planos Diretores contestados</a></li>
<li><a title="Instrumentos urbanísticos" href="http://urbanidades.arq.br/category/instrumentos-urbanisticos/" target="_blank">Instrumentos urbanísticos</a></li>
<li><a title="Estatuto da Cidade" href="http://urbanidades.arq.br/2008/02/estatuto-da-cidade-breve-historico/" target="_blank">Estatuto da Cidade &#8211; breve histórico</a></li>
<li><a href="http://urbanidades.arq.br/2007/06/banco-de-experincias-em-pdp-do-ministrio-das-cidades/" target="_blank">Banco de Experiências em PDP do Ministério das Cidades</a></li>
</ul>
<h3>Referências bibliográficas</h3>
<p>SOUZA, Marcelo Lopes. <strong>Mudar a cidade: uma introdução crítica ao planejamento e à gestão urbanos</strong>. 2 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.</p>
<p>VILLAÇA, Flávio. Uma contribuição para a história do planejamento urbano no Brasil. In: DEÁK, Csaba; SCHIFFER, Sueli Ramos (org.) <strong>O processo de urbanização no Brasil</strong>. São Paulo: EdUSP, 1999. p. 169 &#8211; 243.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2008/11/25/a-visao-tradicional-de-planos-diretores/">A visão tradicional de planos diretores</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Urbanismo e planejamento urbano no Brasil – 1875 a 1992</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2008/11/10/urbanismo-e-planejamento-urbano-no-brasil-1875-a-1992/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Nov 2008 00:59:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Villaça (1999), em um artigo intitulado “Uma contribuição para a história do planejamento urbano no Brasil”, faz uma revisão da idéia de planejamento e de planos urbanos brasileiros desde 1897<a href="https://urbanidades.arq.br/2008/11/10/urbanismo-e-planejamento-urbano-no-brasil-1875-a-1992/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Urbanismo e planejamento urbano no Brasil – 1875 a 1992</span></span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Villaça (1999), em um artigo intitulado “Uma contribuição para a história do planejamento urbano no Brasil”, faz uma revisão da idéia de planejamento e de planos urbanos brasileiros desde 1897 até a atualidade. Seu objeto de estudo é o que ele chama de “Planejamento strictu sensu”, cuja definição está relacionada à elaboração de planos urbanos. Essa definição contrapõe-se à de “planejamento urbano latu sensu”, que englobaria as seguintes vertentes:</p>
<ul>
<li>Planejamento strictu sensu;</li>
<li>O zoneamento;</li>
<li>O planejamento de cidades novas;</li>
<li>O “Urbanimo sanitarista”.</li>
</ul>
<p>Especificamente a consideração do zoneamento como uma vertente separada do planejamento strictu sensu não fica totalmente justificada ao longo do texto, apesar do autor reiterar várias vezes que, via de regra, o zoneamento percorreu caminhos distintos deste ao longo da história. Considerações mais aprofundadas sobre esse ponto serão feitas ao final.</p>
<p>Cruzando o texto acima mencionado com textos do livro “A formação do pensamento urbanístico no Brasil: 1895-1965”, de Maria Cristina da Silva Leme, é possível esboçar uma divisão geral (e aproximada) das etapas pelas quais o planejamento urbano passou no Brasil:</p>
<ul>
<li>1ª fase – planos de embelezamento (1875 – 1930)</li>
<li>2ª fase – planos de conjunto (1930 – 1965)</li>
<li>3ª fase – planos de desenvolvimento integrado (1965 – 1971)</li>
<li>4ª fase – planos sem mapas (1971 – 1992)</li>
</ul>
<h3>1ª fase – planos de embelezamento</h3>
<p>“Foi sob a égide dos planos de embelezamento que surgiu o planejamento urbano (latu sensu) brasileiro. (VILLAÇA, 1999, p. 193). Eram planos que provinham da tradição européia, principalmente, e consistiam basicamente no alargamento de vias, erradicação de ocupações de baixa renda nas áreas mais centrais, implementação de infra-estrutura, especialmente de saneamento, e ajardinamento de parques e praças (VILLAÇA, 1999; LEME, 1999). Leme (1999) também cita a criação de uma legislação urbanística nesses planos, bem como a reforma e reurbanização das áreas portuárias. Além disso, geralmente se limitavam a intervenções pontuais em áreas específicas, na maioria das vezes o Centro da cidade.</p>
<p>Grande parte desses planos previam abertura de novas avenidas, conectando partes importantes da cidade, geralmente tendo como consquência imediata a destruição de áreas consideradas insalubres, compostas pelos chamados “cortiços”.</p>
<p>O principal representante desse período foi o Engenheiro Saturnino de Brito, que realizou planos de saneamento para várias cidades brasileiras. Em algumas delas, os planos também incluíam diretrizes para a expansão urbana, como foi o caso em Vitória (1896), Santos e Recife (1909-1915).</p>
<p><a title="Plano Pereira Passos" href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/pereira_passos_01.jpg" target="_blank"><img decoding="async" class="alignright" title="Plano Pereira Passos" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/pereira_passos_01_tn.jpg" alt="" width="240" height="159" /></a>Um dos planos mais representativos é o de Pereira Passos para o Rio de Janeiro. Tendo trabalhado na administração pública do Município anteriormente, Pereira Passos havia participado da elaboração do Plano de Melhoramentos de 1875. Ao tornar-se prefeito, adotou uma nova versão desse plano de melhoramentos, publicada em 1903, e que previa uma série de obras para o embelezamento da cidade.</p>
<p>Entre as principais, destacam-se a criação da Av. Central (atual Av. Rio Branco) (1), da Av.Beira Mar (2), conectando a Av. Rio Branco até o fim da Praia de Botafogo, e da Av. Mem de Sá (3), ligando a Lapa à Tijuca e a São Cristóvão (LEME, 1999, p. 24).</p>
<p>Villaça (1999) argumenta que, neste período, os planos eram discutidos abertamente antes de serem implementados, e, ao contrário do que aconteceria no futuro, os planos eram efetivamente implementados. Segundo ele, isso era possível porque o caráter hegemônico da classe dominante era tão acentuado que lhe era possível impor o conjunto de soluções que lhe parecesse mais adequado, sem se preocupar em encontrar subterfúgios para ocultar suas verdadeiras intenções.</p>
<h3>2ª fase – planos de conjunto</h3>
<p>Aos poucos, os planos passaram a incluir toda a cidade, e a se preocupar com a integração das diretrizes para todo o território do Município, e não apenas para algumas áreas específicas. Buscam a articulação entre o Centro e os bairros, e destes entre si, através de sistemas de vias e de transportes (LEME, 1999, p. 25). As vias não são pensadas apenas em termos de embelezamento, mas também em termos de transporte (VILLAÇA, 1999).</p>
<p>Segundo Leme (1999), é a partir desta data que começam a serem feitos os zoneamentos, bem como a legislação urbanística de controle do uso e ocupação do solo. Villaça (1999), entretanto, argumenta que desde 1866 já existiam dispositivos que consistiam em rudimentos de zoneamento, uma vez que proibiam a instalação de cortiços e vilas operárias em determinadas áreas da cidade.</p>
<p>Um dos principais representantes desse novo tipo de plano é o Plano de Avenidas de Prestes Maia para São Paulo, elaborado em 1930. Apesar do nome, segundo Villaça (1999) o plano tratava sobre vários aspectos do sistema urbano, tais como as estradas de ferro e o metrô, a legislação urbanística, o embelezamento urbano e a habitação. Entretanto, o destaque foi mesmo o plano de avenidas, que possuíam um caráter monumental.</p>
<p>Segundo Leme (1999), o conjunto de novas vias radiais e perimetrais transformou a cidade concentrada e baseada na locomoção por transporte coletivo (ônibus e bondes) em uma cidade mais dispersa e dependente do tráfego de automóveis.</p>
<p class="olhos">O plano de Agache pode ser considerado o pioneiro dos &#8220;superplanos&#8221;</p>
<p>Outro representante é o <strong>Plano de Alfred Agache</strong>, para o Rio de Janeiro (também elaborado em 1930). Esse plano marca uma transição dos planos de embelezamentos, para os “superplanos”, que viriam a ser desenvolvidos nas décadas de 60 e 70 (VILLAÇA, 1999). Ele traz também a idéia de cientificismo à elaboração de planos urbanos, como se os problemas da cidade só pudessem ser realizados com o auxílio da ciência e da técnica. Com efeito, uma das características desse plano é o extenso diagnóstico realizado.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/UrbanismoeplanejamentourbanonoBrasil1875_1409D/agache_01.png"><img decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/UrbanismoeplanejamentourbanonoBrasil1875_1409D/agache_01_thumb.png" border="0" alt="agache_01" width="500" height="400" /></a><br />
<span class="legendas">Fonte: Leme (1999, p. 363)</span></p>
<p>Entre os temas tratados no plano de Agache estão a remodelação imobiliária, o abastecimento de água, a coleta de esgoto, o combate a inundações e a limpeza pública (VILLAÇA, 1999).</p>
<p>Ao final, conforme Villaça (1999, p. 207), há um “detalhado conjunto de leis urbanísticas [&#8230;] versando sobre loteamentos, desapropriações, gabaritos, edificações e estética urbana.” Curiosamente, entretanto, esse mesmo autor afirma, mais adiante, que o zoneamento não foi desenvolvido. Fica a questão: como foram trabalhadas essas diretrizes da lei urbanística sobre gabaritos e edificações, se não na forma de um zoneamento? Aumentando a confusão sobre o assunto, Leme (1999) diz explicitamente que o Plano de Agache baseou-se em grande medida exatamente no zoneamento, contradizendo o argumento de Villaça (1999).</p>
<p>É evidenciada a sua intenção de ordenamento da cidade, usando para isso especialmente o zoneamento (zoning), e também a legislação urbanística. [&#8230;] O principal instrumento de intervenção adotado é o zoneamento, muito utilizado à época. (LEME, 1999, p. 362).</p>
<p>Para resolver essa duvida, apenas recorrendo diretamente ao próprio plano, o que até o momento não foi possível.</p>
<p>Ainda segundo Leme (1999), o plano é dividido em três partes: a primeira traz um estudo sobre os componentes antropogeográficos do Rio de Janeiro e os grande problemas sanitários; a segunda pode ser considerada a essência do plano, e define o modelo de cidade ideal e as proposições para alcançá-la; a terceira dedica-se ao saneamento.</p>
<h3>3ª fase – planos de desenvolvimento integrado (1965 – 1971)</h3>
<p>A terceira fase é marcada pela incorporação de outros aspectos aos planos, além daqueles estritamente físico-territoriais, tais como os aspectos econômicos e sociais. Segundo Villaça (1999), as principais características dos planos desse período são:</p>
<p class="olhos">Nesta fase os planos vão cada vez mais se distanciando da viabilidade da sua implementação.</p>
<p>1) Distanciamento entre as propostas contidas nos planos, por um lado, e as possibilidades de que essas propostas sejam efetivamente implementadas, por outro;</p>
<p>2) Conflito entre propostas cada vez mais abrangentes, e estruturas administrativas cada vez mais setorializadas e especializadas;</p>
<p>3) Dificuldades e indefinições quanto à aprovação dos planos, uma vez que até então estes eram da alçada do Executivo e, a partir da incorporação de leis e recomendações das mais diversas naturezas, passaram a ser também da alçada do Legislativo.</p>
<p>Quanto mais complexos e abrangentes tornavam-se os planos, mais crescia a variedade de problemas sociais nos quais se envolviam e com isso mais se afastavam dos interesses reais da classe dominante e portanto das suas possibilidades de aplicação. (VILLAÇA, 1999, p. 214).</p>
<p>O principal exemplo desse tipo de plano é o Plano Doxiadis para o Rio de Janeiro, em 1965. O volume, elaborado por um escritório grego e publicado em inglês, possuía “quase quinhentas páginas de estudos técnicos, das quais nove – páginas 363 a 372 – são de implementation e uma única, a 375, é de recommendations.” (VILLAÇA, 1999, p. 213).</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/UrbanismoeplanejamentourbanonoBrasil1875_1409D/Doxiadis_01_zoneamento.png"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/UrbanismoeplanejamentourbanonoBrasil1875_1409D/Doxiadis_01_zoneamento_thumb.png" border="0" alt="Doxiadis_01_zoneamento" width="500" height="340" /></a><br />
<span class="legendas">Fonte: Leme (1999, p. 359)</span></p>
<p>Leme (1999, p. 373), entretanto, argumenta que, apesar de realizar um amplo diagnóstico econômico e social, além de urbanístico, o Plano Doxiadis é eminentemente físico-territorial nas suas proposições. Partindo de um modelo ideal baseado em comunidades de diferentes tamanhos e hierarquias interdependentes, propõe uma série de diretrizes necessárias para alcançá-lo. Entre elas, está a previsão de acomodação para o crescimento da população em 35 anos, até o ano 2000, baseada em estimativas numéricas a serem revisadas de 5 em 5 anos.</p>
<h3>4ª fase – planos sem mapas (1971 – 1992)</h3>
<p>Por fim, provavelmente como resposta aos maus resultados provenientes da não aplicação dos superplanos, que acabavam sendo relegados às prateleiras, passaram a ser elaborados planos que abriam mão dos diagnósticos técnicos extensos e, até mesmo, dos mapas espacializando as propostas.</p>
<p>“Nos anos de 1970, os planos passam da complexidade, do rebuscamento técnico e da sofisticação intelectual para o plano singelo, simples – na verdade, simplório – feito pelos próprios técnicos municipais, quase sem mapas, sem diagnósticos técnicos ou com diagnósticos reduzidos se confrontados com os de dez anos antes.” (VILLAÇA, 1999, p. 221).</p>
<p>Esses planos apenas enumeravam um certo conjunto de objetivos e diretrizes genéricas e, assim, acabavam ocultando os conflitos inerentes à diversidade de interesses relativos ao espaço urbano.</p>
<h3>E o zoneamento?</h3>
<p>Retomando a questão da separação entre o zoneamento e o planejamento strictu sensu, permanecem as dúvidas quanto à adequação de tal procedimento. Embora esteja claro que muitas vezes o zoneamento foi elaborado de forma independente do planejamento mais abrangente da cidade, também parece claro que a grande maioria dos planos mais importantes do Brasil (inclusive os citados por Villaça) utilizaram, sim, o zoneamento como parte integrante de suas diretrizes e proposições. Conforme citado acima, o Plano Agache é baseado no zoneamento, ao menos segundo a interpretação de Leme (1999). O plano Doxiadis também apresenta um zoneamento, conforme pôde ser visto na Figura apresentada.</p>
<p>Por outro lado, o argumento de Villaça de que os planos deixaram de ser seguidos porque os interesses que os inspiraram não podiam mais ser explicitados com tanta facilidade quanto no início do século XX parece perfeito. Entretanto, não nos parece que tal argumento valha apenas para o planejamento strictu sensu, mas também para o zoneamento, independentemente de considerarmos este como parte integrante ou não daquele.</p>
<p>Caso seja considerado uma parte integrante, valem os argumentos já apresentados por Villaça para os planos urbano. Caso seja considerado uma vertente separada, podemos argumentar que os interesses que os têm motivado são, da mesma forma, ocultados pelas classes dominantes sob justificativas que, nem sempre, correspondem à realidade.</p>
<p>Esses interesses incluem muito mais a proteção do valor de propriedades fundiárias e a possibilidade de extração de lucros através da produção imobiliária do que objetivos nobres de função social ou redistribuição de renda. A grande diferença é que esses reais interesse podem ser mais facilmente escondidos no zoneamento do que em outros tipos de diretrizes com o mesmo nível de especifidade. Para a população em geral, é mais difícil entender os diversos índices e parâmetros urbanísticos associados ao zoneamento, do que, por exemplo, um plano de avenidas ou um plano para a criação de um sistema de áreas verdes, ou de destruição e reconstrução de áreas da cidade.</p>
<p>Dessa forma, o zoneamento, na minha opinião, não é uma vertente separada da elaboração de planos urbanos; é, isso sim, um instrumento de política urbana que tem sido considerado mais adequado para camuflar os interesses das classes dominantes e conduzir o desenvolvimento urbano na direção desses interesses.</p>
<p>Isso não quer dizer, entretanto, que o zoneamento não tenha utilidade ou que devamos abrir mão dele. Pelo contrário: acredito que pode ser um instrumento útil, contanto que esteja integrado aos outros instrumentos à disposição do planejador e dos cidadãos. A questão, apesar disso, permanece: como fazer, então, para que os planos sejam realmente cumpridos?</p>
<h3>Referências bibliográficas</h3>
<p>LEME, Maria Cristina da Silva. A formação do pensamento urbanístico no Brasil: 1895-1965. In: LEME, Maria Cristina da Silva; FERNANDES, Ana; GOMES, Marco Aurelio Filgueiras (org.) <strong>Urbanismo no Brasil 1895-1965</strong>. São Paulo: Studio Nobel/FAU USP/FUPAM, 1999.</p>
<p>VILLAÇA, Flávio. Uma contribuição para a história do planejamento urbano no Brasil. In: DEÁK, Csaba; SCHIFFER, Sueli Ramos (org.) <strong>O processo de urbanização no Brasil</strong>. São Paulo: EdUSP, 1999. p. 169 &#8211; 243.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2008/11/10/urbanismo-e-planejamento-urbano-no-brasil-1875-a-1992/">Urbanismo e planejamento urbano no Brasil – 1875 a 1992</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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		<title>Plano e projeto no TCC</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2008/10/17/plano-e-projeto-no-tcc/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Oct 2008 19:26:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[bê-á-bá]]></category>
		<category><![CDATA[ensino]]></category>
		<category><![CDATA[planos]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Olá Renato, Meu nome é Camila e sou estudante de Arquitetura e Urbanismo. Hoje, fazendo buscas na internet para pesquisa sobre meu Trabalho Final de Graduação, descobri o seu site.<a href="https://urbanidades.arq.br/2008/10/17/plano-e-projeto-no-tcc/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Plano e projeto no TCC</span></span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Olá Renato,<br />
Meu nome é Camila e sou estudante de Arquitetura e Urbanismo. Hoje, fazendo buscas na internet para pesquisa sobre meu Trabalho Final de Graduação, descobri o seu site. Gostei muito mesmo. Principalmente da forma clara e didática como você lida com o tema urbano.</p>
<p>Me chamou a atenção o texto &#8220;Plano e Projeto&#8221; e a diferenciação que você faz entre os termos. Meu TFG é sobre uma área urbana e, portanto, as dicas que você deu no texto, de certa forma serviram pra mim.<span id="more-229"></span></p>
<p>Apesar de já estar decidida que meu tema é um &#8220;projeto&#8221;, não um &#8220;plano&#8221;, acho que seria interessante, na monografia, abordar assuntos do planejamento, como plano diretor e planejamento estratégico, como forma de introdução, ou mesmo, mostrando a diferenciação que você faz. Gostaria de saber sua opinião sobre essa mistura de assuntos, e o que você me sugeriria ler para fazer essa relação dos instrumentos de planejamento até chegar em um projeto de intervenção em uma área específica.</p>
<p>Obrigada,<br />
Camila</p></blockquote>
<p>Olá Camila!<br />
Acho interessante sim trabalhar conceitos de planejamento, mesmo que o objeto principal do seu trabalho possa ser considerado um projeto. Afinal, este último deve estar bem contextualizado em relação à cidade, e acredito que deva fazer parte de um processo mais amplo de organização da mesma, ou seja, um plano. Desse ponto de vista, especialmente em um trabalho de graduação, é interessante que o aluno demonstre um certo domínio da escala mais ampla na qual seu objeto se insere, ainda que não dê ênfase para a intervenção nessa escala.</p>
<p>Minha preocupação é com os trabalhos que tratam esses dois momentos como um só, sem ter clareza de que, na realidade, faz mais sentido se eles forem entendidos como dois momentos distintos, ainda que intimamente relacionados.</p>
<p>Como sugestão, tente deixar bem claro o que é um processo e o que é o outro. Mesmo que você tente encarar os dois, é importante ter clareza de quando &#8220;termina&#8221; um e onde &#8220;começa&#8221; o outro. Afinal, você poderia fazer um plano de desenvolvimento que, posteriormente, seria seguido por várias outras pessoas, ou seja, elas fariam projetos que deveriam obedecer às diretrizes estabelecidas no seu plano.</p>
<p>Por outro lado, você também poderia estar fazendo um projeto que devesse obedecer a um plano feito por outra pessoa, não é mesmo? E isso é uma situação não apenas normal, mas também a mais comum. E não tem nada de errado!</p>
<p>Alguns professores defendem ardentemente que esses dois momentos devam ser tratados como um só, sempre, como se um trabalho que tratasse apenas de um dos dois processos estivesse necessariamente incompleto. Defendem que todo aluno que faz um projeto urbano tem que fazer também o planejamento mais amplo, e vice-versa. Isso até pode ser aceito em termos estritamente acadêmicos, mas é importante ter clareza que, tanto na prática quanto em termos conceituais, representam momentos distintos, com certo grau de autonomia de um em relação ao outro, apesar, obviamente, de que a integração é desejada e necessária.</p>
<p>Se assim não fosse, apenas os autores dos planos poderiam fazer os projetos incluídos neles. E por outro lado, os autores de projetos urbanos (um grande loteamento, por exemplo), teriam que propor uma reformulação geral no plano diretor da cidade! Bom, espero que este exagero ajude a esclarecer o argumento&#8230;</p>
<p>Uma sugestão de leitura é &#8220;Introdução ao desenho urbano no processo de planejamento&#8221;, do Vicente Del Rio. Nesse livro, o autor dá uma boa idéia da diferença entre o projeto e o plano, e apresenta o desenho urbano como um meio termo entre os dois. Ao mesmo tempo em que define elementos de desenho, à maneira de um projeto, o desenho urbano também define apenas diretrizes para outros elementos, à maneira de um plano. A imagem abaixo, por exemplo, mostra um desenho de praça mas não define exatamente cada detalhe da forma do edifício. Sabe-se que a praça terá três lados edificados e um lado aberto para o mar; que o eixo principal da comunidade coincidirá com uma abertura no lado da praça oposto ao mar, marcando sua entrada; que a altura da edificação manterá mais ou menos essa proporção em relação à área aberta interna; e por aí afora&#8230;</p>
<p>Mas não se sabe se as janelas serão redondas ou quadradas, ou a cor do edifício, ou o tratamento de piso da praça. Em um momento posterior deverá ser elaborado um projeto que, então sim, definirá todos esses detalhes.</p>
<p class="legendas" align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/PlanoeprojetonoTCC_E072/delriomercado.png"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-top-width: 0px; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/PlanoeprojetonoTCC_E072/delriomercado_thumb.png" border="0" alt="del-rio-mercado" width="500" height="346" /></a><br />
Vicente Del Rio (1990) &#8211; Praça do Mercado &#8211; Favela da Maré</p>
<p>Espero ter ajudado a esclarecer! É um ponto de vista polêmico, tenho certeza que nem todos concordam comigo, mas os argumentos estão aí. Podemos discutir nos comentários.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2008/10/17/plano-e-projeto-no-tcc/">Plano e projeto no TCC</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Os 4 &#8220;is&#8221; do desenvolvimento urbano</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2008/05/16/os-4-is-do-desenvolvimento-urbano/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 May 2008 04:52:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento urbano]]></category>
		<category><![CDATA[planos]]></category>
		<category><![CDATA[teoria do planejamento]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Segundo Hopkins (2001), um plano é necessário para lidar com quatro elementos inerentes ao processo de desenvolvimento: Ville Radieuse &#8211; Le Corbusier a) Interdependência, que significa que a adequação de<a href="https://urbanidades.arq.br/2008/05/16/os-4-is-do-desenvolvimento-urbano/" class="more-link"><span class="readmore">Leia mais...<span class="screen-reader-text">Os 4 &#8220;is&#8221; do desenvolvimento urbano</span></span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Segundo Hopkins (2001), um <strong>plano </strong>é necessário para lidar com quatro elementos inerentes ao processo de desenvolvimento:</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/600e1f1179b5_14D4/ville_radieuse_2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/600e1f1179b5_14D4/ville_radieuse_2_thumb.jpg" border="0" alt="ville_radieuse_2" width="500" height="338" /></a><br />
<em><span style="font-size: x-small;">Ville Radieuse &#8211; Le Corbusier</span></em></p>
<p>a) <strong>Interdependência</strong>, que significa que a adequação de uma ação depende de outra ação. É o caso, por exemplo, de um investimento público em um determinado lugar pode depender de outras ações para funcionar corretamente;</p>
<p>b) <strong>Indivisibilidade</strong>, que<strong> </strong>significa que muitas das ações não podem ser feitas em etapas pequenas de acordo com o crescimento paulatino da demanda; para surtir efeito elas precisam ter um tamanho mínimo para que possam funcionar. É o caso de vias que precisam ligar dois pontos e que, caso sejam feitas parcialmente, perdem sua utilidade.</p>
<p><span id="more-106"></span></p>
<p>c) <strong>Irreversibilidade</strong>, que<strong> </strong>significa que não é possível efetuar uma ação e depois modificá-la ou substituí-la sem custos adicionais significativos. Uma vez que a via esteja pronta não é possível relocá-la caso o efeito no desenvolvimento do local não esteja de acordo com o previsto.</p>
<p>d) <strong>Incerteza</strong>, que significa que não é possível prever os valores, no futuro, das variáveis que são importantes para as decisões a serem tomadas no presente.</p>
<p>Por causa desses quatro elementos, é mais vantajoso planejar antecipadamente as ações do que decidir à medida que os problemas se apresentam, visto que não é viável que as ações sejam rapidamente re-ajustadas para se alcançar um estado de equilíbrio no sistema sempre que uma nova situação não prevista apareça. Apesar de parecer óbvio, é importante termos essa consciência para poder refutar os argumentos de que planejamento não é necessário. &#8220;Podemos fazer como os supermercados:just-in-time&#8221;.</p>
<p>Para lidar com esses elementos e suas conseqüências, os planos podem funcionar, ainda segundo Hopkins,  através de cinco mecanismos:</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; margin: 0px 15px 0px 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/600e1f1179b5_14D4/tipo1_agenda.png" border="0" alt="tipo1_agenda" width="110" height="106" align="left" /> Como uma <strong>agenda</strong>, listando uma série de ações a serem levadas a cabo. Nesse sentido, a agenda funciona tanto como um elemento para ajudar a focar a atenção nas coisas que são realmente mais importantes como para representar um comprometimento com essas ações para com os outros atores interessados. O orçamento anual de um município, por exemplo, pode funcionar como uma agenda, na medida em que lista as ações para as quais há recursos disponíveis, dando uma idéia à população quanto às obras que devem ou não ser realizadas naquele ano.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; margin: 0px 15px 0px 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/600e1f1179b5_14D4/tipo2_policy.png" border="0" alt="tipo2_policy" width="112" height="109" align="left" /> Como <strong>procedimentos</strong><a name="_ftnref1_9937" href="#_ftn1_9937">[1]</a>, automatizando decisões que são freqüentemente tomadas através de regras sobre como proceder, como uma forma de alcançar consistência entre as decisões. Funciona como regras do tipo “se&#8230;então”, como na regra “se o empreendedor pagar a implementação da rede de tratamento de esgoto, então será permitido o parcelamento da gleba”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; margin: 0px 15px 0px 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/600e1f1179b5_14D4/tipo3_vision.png" border="0" alt="tipo3_vision" width="112" height="106" align="left" /> Como <strong>visão</strong>, explicitando o que o município poderia vir a ser no futuro, como uma maneira de modificar as convicções das pessoas sobre o futuro e, assim, influenciar os investimentos em ações, normas, padrões de uso e ocupação do solo, etc. As visões podem ser descrições gráficas ou verbais do estado desejado para o sistema, mas nunca incluem as ações intermediárias necessárias para que esse estado seja alcançado.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/600e1f1179b5_14D4/Kansasinthefutureperspective.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/600e1f1179b5_14D4/Kansasinthefutureperspective_thumb.jpg" border="0" alt="Kansas in the future - perspective" width="500" height="333" /></a><br />
<em><span style="font-size: x-small;">Visão para Kansas no futuro.</span></em></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; margin: 0px 15px 0px 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/600e1f1179b5_14D4/tipo4_design.png" border="0" alt="tipo4_design" width="94" height="104" align="left" /> Como <strong>projeto</strong>, o plano funciona como uma especificação com um nível de detalhamento suficiente para a sua execução. Ele determina a priori todas as relações entre as ações e especifica quais ações devem ser feitas e em que ordem. Dessa forma, ele lida com os elementos de interdependência, indivisibilidade e irreversibilidade baseado na premissa de que não existe incerteza quanto ao futuro.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/600e1f1179b5_14D4/ville_radieuse.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/600e1f1179b5_14D4/ville_radieuse_thumb.jpg" border="0" alt="ville_radieuse" width="500" height="310" /></a><br />
<em><span style="font-size: x-small;">Projeto para a Ville Radieuse &#8211; Le Corbusier</span></em></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; margin: 0px 15px 0px 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/600e1f1179b5_14D4/tipo5_strategy.png" border="0" alt="tipo5_strategy" width="101" height="103" align="left" /> Como <strong>estratégia</strong>, o plano identifica uma série de ações ligadas por uma “árvore de decisão”, ou seja, propõe quais ações devem ser tomadas no momento presente levando em consideração sua relação com possíveis futuras ações.</p>
<p align="center"><a href="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/600e1f1179b5_14D4/metro_vision.png"><img loading="lazy" decoding="async" style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://urbanidades.arq.br/imagens/2008/600e1f1179b5_14D4/metro_vision_thumb.png" border="0" alt="metro_vision" width="500" height="375" /></a><br />
<span style="font-size: x-small;"><em>Estratégia de desenvolvimento para a Região Metropolitana de Portland</em> </span></p>
<p>Para Hopkins esse é o mecanismo mais importante de funcionamento dos planos:</p>
<p>Estratégia é a noção mais abrangente e portanto fundamental de plano, porque é a mais explícita com relação às relações entre ações interdependentes, suas conseqüências, intenções, incertezas e resultados. Estratégias respondem mais completamente aos problemas de interdependência, indivisibilidade, irreversibilidade e incerteza. (HOPKINS, 2001, p. 41)</p>
<hr size="1" /><a name="_ftn1_9937" href="#_ftnref1_9937">[1]</a> No original, “policies” ou “if-then rules”.</p>
<h3>Referência bibliográfica:</h3>
<p>HOPKINS, Lewis. <strong>Urban development: the logic of making plans</strong>. Washington &#8211; DC: Island Press, 2001.</p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2008/05/16/os-4-is-do-desenvolvimento-urbano/">Os 4 “is” do desenvolvimento urbano</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
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		<title>Dance, monkeys, dance!</title>
		<link>https://urbanidades.arq.br/2008/02/22/dance-monkeys-dance/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renato Saboya]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Feb 2008 17:39:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Videos e filmes]]></category>
		<category><![CDATA[bê-á-bá]]></category>
		<category><![CDATA[dance monkey]]></category>
		<category><![CDATA[macacos]]></category>
		<category><![CDATA[mídia]]></category>
		<category><![CDATA[planos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os macacos fazem planos!</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Os macacos fazem planos!</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="355" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="wmode" value="transparent" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/lY9pXb35jeI" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="355" src="http://www.youtube.com/v/lY9pXb35jeI" wmode="transparent"></embed></object></p>The post <a href="https://urbanidades.arq.br/2008/02/22/dance-monkeys-dance/">Dance, monkeys, dance!</a> first appeared on <a href="https://urbanidades.arq.br">Urbanidades</a>.]]></content:encoded>
					
		
		
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